Minha irmã vai casar

Minha irmã decidiu casar. Minha irmã, quatro anos mais nova que eu, decidiu casar. Ela já namora há milênios e eventualmente isso iria acontecer, mas eu não imaginava que seria tão cedo. Ter minha irmã em casa é ter uma parte de mim ali, no quarto ao lado, querendo me mostrar um vídeo engraçado no youtube, me contando uma fofoca ou rindo de quando eu imito meus pais. Mas ela vai sair de casa, ter a casa dela, a família dela e mais: em outro país.

É razoável eu ter saudades antecipadas e já começar a pensar em tudo o que vai faltar na minha vida daqui pra frente, mas o que me surpreende diariamente é a reação das outras pessoas quando eu falo sobre isso. Elas não pensam em como eu vou sentir falta da minha irmã ou em detalhes do casamento. O primeiro e principal comentário é “sua irmã passou sua frente, hein.” É sério. As pessoas realmente pensam isso e se assustam quando eu não entendo a brincadeira.

Veja bem, minha irmã sempre seguiu mais a cartilha da vida, coisa que, aparentemente, eu nem li. Aos 18 anos eu decidi que queria morar fora, arrumei um emprego e caí no mundo. Aos 18 anos minha irmã estava no pré-vestibular para ingressar no curso de odontologia, no qual ela se formou no tempo esperado e hoje trabalha com isso de segunda a sábado. Curso superior? Comecei três. Mudei de ideia várias vezes, me formei em um, trabalhei em dois empregos diferentes e joguei tudo pro alto pra estudar medicina. Minha irmã namora a mesma pessoa desde que o outono é sempre igual e as folhas caem no quintal. Eu namorei, desnamorei, namorei um tempão, terminei, vivi solteiríssima por um tempão e conheci meu atual namorado há seis meses e estou naquela fase incrível que a gente quer que dure para sempre.

Acho que já dá pra entender que a vida da minha irmã seguiu um rumo totalmente diferente da minha. As pessoas realmente esperam que, como irmã mais velha, eu tenha a vida mais estruturada antes dela, mas quem disse que minha vida é desestruturada? Quem disse que a gente precisa seguir os dez passos do sucesso para ser feliz? Quem disse que você precisar acertar de primeira? Quem disse que você precisa casar, ser bela, recatada e do lar? Quem disse que você não pode ser feliz de outro jeito?

Dizem que a gente nasce, cresce e morre. Eu acredito que a gente nasce, cresce, tem expectativas, absorve expectativas dos outros, tenta corresponder a todas essas expectativas e morre tentando fazer isso. Por anos eu achava que a minha vida deveria seguir a cartilha oficial e se isso não acontecesse, seria o fim do mundo. Tentei criar metas, planos muito objetivos e seguir por eles. Só que não deu. A vida não é uma planilha do Excel, felizmente. Muita coisa mudou meu rumo, conheci muito mais gente que eu imaginava, refiz minhas metas de ano novo umas mil vezes ao longo do mesmo ano, viajei mais que o esperado, tenho histórias de uma vida pra contar, aprendi a tocar violoncelo, dei aula em curso de inglês, recebi mais de duzentos intercambistas por semestre e consegui casas de família para todos eles morarem, voei de Alaska Airlines, lutei jiu jitsu, ouvi sobre a vida de muita gente interessante, descobri  que contos de fadas não existem, me apaixonei por um amigo de um amigo,  ausculto pulmão muito bem, trabalhei na Disney, morei no Queens, entre tantas outras coisas que eu não teria feito se seguisse as regras que só existem na nossa cabeça.

Não vou entrar no clichê de dizer que todas as coisas acontecem por uma razão, mas todas as coisas acontecem por uma razão. A gente pode não entender na hora, mas há lucro em tudo o que a gente faz. Conheci meus melhores amigos em um estágio que não tem relação nenhuma com o que eu faço hoje, por exemplo. Há aprendizado e aquisições em tudo o que a gente faz, mesmo seja a certeza de que nunca mais faremos alguma coisa novamente. Já experimentamos e podemos dizer com certeza que algo não cabe na nossa vida. Obviamente eu não estou falando em ganhos financeiros, isso tem muito pouco e um minuto de silêncio por esse fato, mas tem tanta coisa mais valiosa que dinheiro. E te digo mais: isso é uma descoberta que você só faz quando não vive a cartilha, ou pior, quando vive a cartilha e se arrepende profundamente ao perceber que não pode voltar atrás e fazer tudo o que você gostaria de ter feito.

Não tenho ideia de quando vou casar ou se eu vou casar. Estou muito feliz pela minha irmã que vai casar. Estou muito feliz com a vida que eu levo. Estou muito feliz com todas as reviravoltas da minha vida. Estou muito feliz por ter conhecido todos os meus amigos. Estou muito feliz por entender hoje que a vida pode ser leve e eu não preciso planejar cada passo. Estou muito feliz por demorar a entender a frase “sua irmã passou a sua frente”. Estou muito feliz por saber que as pessoas vivem vidas diferentes e que isso é encantador. Estou muito feliz por nada nessa vida ser de fato uma competição. Estou feliz. Simplesmente feliz.

Nos tempos de crise

me demito.

nesses tempos de crise, o dólar subindo, o quilo do feijão mais caro que esmaltar minhas unhas: me demito.

não me permito mais olhar sempre a mesma indecisão, a bolsa instável, o coração palpitante a sair pela boca, a vontade louca de comer qualquer coisa sem fome. me demito, não permito.

me demito do meu posto de louca, possessiva e garçonete das suas cervejas. me demito das noites mal-dormidas, do sexo sem surpresa e dos bilhetes que nunca mais me mostraram “eu te amo”.

“-não! não há ninguém ocupando seu posto, nunca houve, não é questão de substituir”, eu disse.

mas parece que sempre deve haver um motivo – senão nossos próprios erros – pra algo acabar. te quis, um dia, e fui fiel aos meus compromissos por anos, mas hoje – e há um bom tempo – não faz mais sentido lutar por algo e alguém que não mais me fazem brilhar os olhos.

me demito, não permito, renuncio do nosso amor. me permito amar, mas a mim mesma, como deve ser e esqueci. me lembrei, anotei no coração e carimbei na mala de rodinhas que, antes emperradas, agora empurram meus sonhos que deixei pra trás ao entrar por esta porta.

Vaidade das vaidades

Pintura por RJ Poole
Pintura por RJ Poole

“Vaidade das vaidades. Tudo é vaidade”. A frase do Eclesiastes traduz bem a nossa época. A vaidade é a mentira que contamos sobre nós mesmos, por isso o assunto exige sinceridade e autocrítica. Nossa agonia de achar um lugar no mundo nos diz algo que é profundamente verdadeiro: somos pó.

A manifestação mais óbvia da vaidade é a beleza. Tempos atrás as cirurgias plásticas eram feitas para corrigir defeitos congênitos. Hoje pensamos que a falta de beleza é um defeito congênito, tal como o envelhecimento.

Preferimos acusar a ditadura da beleza física em defesa da democracia da beleza interior, porque sobre esta é mais fácil mentir. Ela é invisível e esconde um vazio maior: o da alma. Mas a vaidade não tem relação apenas com a beleza, ela vai além: é uma máscara, um véu sobre o vazio. Por isso, ela aparece como algo que deve ser superado. Uma doença da qual deveríamos curar com o tempo.

Diante desse contexto, indaga o filósofo Luiz Felipe Pondé: “Mas não seria vaidade maior ainda se orgulhar de não ter vaidades”? Só o rico pode criticar a riqueza? Só o belo pode maldizer a beleza? Só o sábio pode queixar-se do conhecimento? Sim, pois caso contrário corremos o risco de parecermos ressentidos, bradando contra aquilo que não temos.

Sempre queremos sair do clichê, mas como disse Oscar Wilde, só uma pessoa superficial não julga a outra pela aparência. Diante da beleza do outro nossas imperfeições se evidenciam. A vaidade se esconde atrás da inteligência, da atitude. Seria a vaidade intelectual mais perdoável?

A vaidade física esconde as rugas, a intelectual, as inseguranças. O fato é que não existe maquiagem ou cirurgia plástica para suprir a falta de inteligência. E a sua vaidade? O que ela esconde?

Temos 20 e poucos anos

Acordamos mais cedo do que queríamos. Nos abastecemos com café. Líquido sagrado dos deuses. Tão necessário que existe até café de R$15,00. O café gourmet é muito caro para o orçamento universitário. Quando finalmente conseguimos comprar um, tiramos fotos para colocar no nosso Instagram e fingir que somos hipsters. Não sabemos se ser hipster ainda está na moda.

Temos 20 e poucos anos.

Entramos na faculdade. Vamos para todos os happy hours. Competição de beer pong. O drink está caro. Vamos comprar catuaba. Bumbum granada. Tá tranquilo. Tá favorável. A idade chega. Começamos a ter ressacas homéricas. Trocamos o happy hour da faculdade, a festinha que dá pra entrar de graça até a meia-noite por um vinho com os amigos em casa ou um jantarzinho tranquilo. Temos que fazer programas mais adultos, afinal. Não aguentamos mais o jantarzinho. Balada no dia seguinte. Ressaca homérica. Nunca mais vamos beber na vida. Semana seguinte tem jantarzinho. Tem a balada pós jantarzinho também.

Temos 20 e poucos anos.

Passamos a faculdade toda na pressa. É correria no dia a dia. Faculdade. Estágio. Academia. Queremos nos parecer com a Gabriela Pugliesi. Vamos ao nutricionista. Fazemos dieta por um mês. Esse mês a gente bebe menos. Ficamos de saco cheio da dieta. A gente não vive pra estudar e além disso ser gostoso de qualquer forma. Vamos ao barzinho depois, afinal malhamos tanto que merecemos uma cervejinha. Ficamos com vergonha porque saímos da dieta. Nunca mais voltamos ao nutricionista.

Temos 20 e poucos anos.

Chega a semana de provas na faculdade. Insônia. Nervosismo. Refluxo. Gastrite. Toma café. Mais gastrite. Omeprazol. Pega prova do semestre passado. Meu Deus essa prova não faz sentido nenhum. Passamos a madrugada estudando o que deveríamos ter estudado o semestre todo. Hora de fazer uma amizade sincera com a menina que anota tudo da aula. Posso pegar seu caderno emprestado? Obrigada. Qual a resposta da questão 1? Não queremos colar na prova. Olhamos para prova. Não entendemos nada. Chuta D de Deus que dá certo.

Temos 20 e poucos anos.
Terminamos a faculdade. Graças a Deus. Colação de grau. Bora no barzinho comemorar com os amigos. Um jantar com a família. Estamos comemorando. Estamos formados. Desempregados também. Mandamos currículo para mil empresas. Precisa ter experiência para poder trabalhar, mas como criar experiência se ninguém está contratando? Nossos pais começam a ficar agoniados. “Na sua idade eu já trabalhava e tinha dois filhos”. Prosseguimos desempregados. Começamos o cursinho para passar em um concurso público.

Temos 20 e poucos anos.

Sonhamos com o amor das nossas vidas. Essa aí eu tenho certeza de que é a pessoa certa. Passou um mês. Enjoamos. Na verdade não queremos nada sério. Tem muita gente por aí. Saímos com uma galera. Pegamos geral. Carência. Enjoamos. Encontramos uma pessoa legal na balada. Essa aí eu tenho certeza de que é a pessoa certa. Passou um mês. A pessoa não é exatamente como eu pensava que o amor da minha vida ia ser sabe. É legal. Mas não tem aquela química. Tem aquela química. Mas é meio babaca. Ah vamos continuar solteiros mesmo. Vamos dar um like numa foto de 2005 do novo alvo. Será que vai entender a indireta? O like é retribuído. Coração dispara. Essa aí eu tenho certeza de que é a pessoa certa.

Temos 20 e poucos anos.

Estamos assustados. Largados no mundo. Não somos adultos. Não somos crianças. Podemos fazer algumas cagadas. Outras já estão fora de questão. As fazemos da mesma forma. O mundo é gigante. É minúsculo. É aterrorizante. O mundo é lindo. As pessoas são estranhas. As pessoas são incríveis. São os piores anos das nossas vidas. São os melhores anos da nossas vidas.

Temos 20 e poucos anos.

Os garotos de brinquedo de Lud Lower

Se você ainda não conhece o projeto MyBoyToys, não sabe o que tá perdendo. Elaborado e concretizado pelas mãos da fotógrafa Lud Lower, o trabalho cria através de fotos e gifs uma atmosfera de interação, aonde fotógrafa + expectadora participam de momentos quentes com boys encantadoramente lindos.

Ela descreve a experiência como “duas pessoas, desejos, beijos, pegações e abraços”. Pra sentir na pele, acompanhe o trabalho pelo tumblr: myboytoys.tumblr.com  e pelo insta: @myboytoys

Entrevistei a Lud pra saber um pouco mais desse projeto foda e de onde veio a inspiração – e ela me contou tudinho, vem com nóix!

VV: Como tudo começou pra Lud? 

LL: Fotografo profissionalmente há 3 anos, mas desde os meus 15/16 anos eu gosto muito de fotografia. Aos 17 consegui convencer o meu pai a me dar uma câmera, ele comprou uma compacta super zoom da Kodak, e comecei a tirar fotos. Na época, frequentava uns encontros de carros antigos na Luz com uns amigos meus e tirava fotos deles perto dos carros. Eles falavam “Nossa meu, muito dahora a sua visão pra tirar fotos, parece com o Estevan Oriol (*cujo foco são fotos de gangues, bandas, “subcultura”)…

Mas na época, eu não conhecia nenhum fotografo, não tinha referências ou inspiração alguma… NADA! Eu simplesmente gostava de tirar fotos e fui atrás de conhecer o trabalho do Oriol. Gostei pra caramba e pensei “Nossa, quero fazer isso da minha vida quando eu crescer”. (Risos – HÁ!)

Comecei a tirar fotos mais profissionais e a galera veio perguntar quanto eu cobrava pra fotografar. Cheguei a fazer um projeto nessa época, chamava Subculturais – que eu pretendo retomar. Eu ainda não tinha técnica o suficiente pra manter um projeto de fotografia. Vendi minha câmera, comprei uma um pouco melhor e fui treinando. Há 3 anos peguei uma 60D, e já estavam me chamando para trabalhos, revistas entraram em contato. Foi algo bem natural, eu não forcei nada, como até hoje não forço no meu trabalho. E é isso, hoje estou aqui! Hehe fazendo meu trampinho, vivendo disso e sendo feliz.

Você fez algum curso?

Fiz um curso rápido na Belas Artes, na época que eu precisava de um certificado. Não aprendi muita técnica além do que eu já sabia, foi um curso bem básico. Foi mais enriquecedor na parte de história da fotografia, na experiência de trabalhar com outras pessoas, nas saídas fotográficas – essa parte foi bem bacana. Estudo muito sozinha em casa, aprendi a fotografar sozinha, com livros de fotografia. Pedi ajuda para algumas pessoas, que chegaram a negar – o que achei ridículo, então prometi pra mim mesma que ia aprender sozinha. Hoje eu ajudo uma pá de gente, todos que vem tirar dúvidas comigo. Não quero ser como essas outras pessoas, faço diferente.

Beleza Lud! Vamos falar do projeto #MyBoysToys? Como teve a ideia?

Então, já faz uns 3 anos que tenho a ideia desse projeto, mas estava esperando amadurecer profissionalmente. E também na época eu era casada (- A Lud casou com 19 aninhos, com seu primeiro namorado. Hoje ela tem 25.). Meu ex não se opunha a ideia de que eu fizesse fotos sensuais de homens ou mulheres, mas ele não concordava com a interação. Cheguei a fazer um projeto com 10 meninos – não em um contexto sensual, mas como se eles estivessem saindo de brigas – e nesse projeto eu já queria envolver  as minhas mãos nas fotos, fazendo parte daquela cena. E meu ex não concordou com aquilo. Então acabei fazendo esse projeto sem a interação nas fotos.

Passada!

Recentemente nós nos separamos e eu pensei “vou por o projeto em prática!”. No começo foi meio difícil, eu tinha muita vergonha. Mas depois, aos poucos eu fui me soltando. Os meninos que eu chamo viram como é o projeto, eles curtem pra caramba, a gente conversa antes… É bem bacana.

No projeto eu quis trazer uma visão nova na fotografia. Projetos sensuais tem um moooonte e praticamente todos são femininos. E eu não queria fazer só um retrato, queria trazer mais sentimento, sensibilidade, ação para as fotos. E aí que entram os GIFS, que trazem essa dinâmica, a ação e entretenimento do expectador com o modelo. A minha intenção com o projeto é quebrar o paradigma de que mulher não tem vida sexual, não busca o prazer com fotos ou vídeos. Pra sociedade, a mulher busca o prazer com o casamento-filhos-cuidar da casa, e sabemos que não é mais assim. As mulheres sentem prazer ao trabalhar, ao alcançar status e grandes posições em empresas, na vida social. As mulheres inclusive também buscam prazeres casuais. Nem toda mulher está em busca de um relacionamento sério, de um marido. Minha ideia com o projeto é quebrar isso. É mostrar que as meninas também brincam pesado como os meninos.

Como você seleciona os meninos?

A grande maioria dos meninos que participaram são meus amigos, ou indicação de amigos ou amigas. Só tem duas regras para ser um MyBoyToys: Ser realmente bonito! – Não seleciono por bio físico e sim pela beleza no geral, charme, olhar, fotogenia. E a outra regra é ser hétero. Como fiz o projeto pras minas, não vejo sentido em colocar um homossexual. Se ele não gosta de minas, não tem sentido nenhum ele pegar em mim e eu nele, acho um desrespeito com a sexualidade dele. Quero oferecer algo real pras minas, pessoas que elas possam sonhar em um dia conhecer, que possam ser reais nas vidas delas.

E como vocês conseguem ficar tão a vontade?

Converso antes com os Boys, as vezes bebemos uma cerveja, mas no geral, todo os meninos foram bem de boa, super respeitosos. E a parte mais legal é que eles realmente querem participar, então muitos já vem com ideias. Rola um pouco de vergonha no começo, mas acredito que é mais da minha parte do que deles. Vivo com crise de risos nos ensaios! hahahaha.

A Vice perguntou e também quero saber: Seria uma objetificação do corpo masculino?

Não é objetificação, de nenhuma forma! Não sei como alguém consegue ver dessa maneira, porque é uma via de mão dupla: estou mostrando uma interação entre duas pessoas, não estou vendendo produtos ou corpos, não estou ditando padrões ou influenciando as pessoas com as fotos. Se influencio de alguma forma, seria pelo desejo e pela arte. Aqui não fotografo ninguém como um ser descartável, pelo contrário, mostro a interação de duas pessoas, desejos, beijos, pegações e abraços.

As meninas curtem? O que elas comentam?

As meninas curtem muito, muito mesmo. Ouço de tudo, desde que sou “Rainha”, “Deusa” até “obrigada por existir”, “melhor insta”, “melhor projeto” – eu estou muto feliz com a recepção das meninas, pelo que fiz para elas e por elas. Elas amam saber que os meninos estão ali marcados e que elas podem seguí-los, trocar ideias, saber que é real. Sabe aquele ídolo de Hollywood que você ama platonicamente mas sabe que as chances de você trocar ideia com ele são quase zero? Então, quebro isso no projeto, porque tem meninos lindos, gostosos de todas as formas, sexys, que poderiam ser a paixão platônica de várias minas, um “homem-desejo” e ali elas podem ”tocar”, podem falar, podem conversar, seguir, mandar mensagens, interagir.

-Bom saber dessa parte-

Já tem outro projetinho na manga?

Tenho outros projetos na manga sim, na verdade estou escrevendo um novo hoje mesmo, mas será mais voltado para vídeo. Tenho oMyGirlToys que vai chegar com tudooooo, bem pesado, com um grupo de meninas que estão arrasando em um outro projeto – mas esse vou deixar em segredo! Também tenho o projeto Coollab Grrlque será um coletivo de várias minas, de vários âmbitos profissionais, mas ainda está saindo do papel!

OUSEJE, essa mina tá lacrando.

Só podemos nos sentar e aguardar mais novidades!

Procure ver a 3° margem do rio. Sua vulnerabilidade não pode te parar.

Arte por Sanja Marija Marušić.

A ideia pode ser batida, mas não há outra maneira tão eficaz quanto a de enfrentar os obstáculos que a vida te impõe. E isso não significa negar as dificuldades nas quais você está envolvido, fechando os olhos para o desconforto que sente dentro de si. Pelo contrário, é ter consciência de que algo precisa ser modificado e ter a ousadia de se desafiar cada dia mais em busca da sua evolução, seja ela pessoal ou profissional.

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Você sente o que sente?

Foto por Bárbara Garrido.
Foto por Bárbara Garrido.

Se estiver feliz, sorria. Se estiver triste, chore. Se estiver com medo, se esconda. Parece simples, mas identificar todas essas emoções, principalmente as negativas, com os seus corretos nomes não é uma tarefa fácil. Até porque em algum momento da vida você foi aconselhado a ‘deixar pra lá’ os sentimentos ruins como raiva, inveja, medo e frustração; ao mesmo tempo, a ideia de apologia à felicidade lhe foi imposta: é preciso estar bem e feliz, sempre!

Claro que buscamos o estado de contentamento, porém, negar ou maquiar o que se sente não é o melhor caminho para tanto. Aceitar o domínio de uma emoção negativa faz com que ela seja superada mais rapidamente. Nesse contexto está inserida a inteligência emocional, conceito trazido pela psicologia que descreve a capacidade de reconhecer os próprios sentimentos e os dos outros, assim como a habilidade de lidar com eles.

De acordo com Daniel Goleman (nome de referência sobre o assunto), a inteligência emocional também é responsável pelo sucesso ou não dos indivíduos em várias áreas da vida – é tão ou mais valiosa que o famoso QI. Como exemplo, recorda o autor que a maioria das situações de trabalho é envolvida por relacionamentos entre as pessoas e, desse modo, as que têm uma melhor compreensão de si e do ambiente que as cerca têm mais chances de obter êxito. Além disso, indivíduos com essa capacidade desenvolvida têm geralmente boa autoestima, motivam-se facilmente, são persistentes e controlados.

E se você acha que isso é tudo uma grande enrolação, saiba que a ciência já descobriu que pessoas com altos níveis de QI são superadas 70% das vezes por pessoas emocionalmente inteligentes. Basicamente, saber controlar suas próprias emoções, refletir sobre elas e colocar suas conclusões em prática pode fazer com que você se dê melhor do que o “gênio” da turma.

DICAS PRÁTICAS PARA DESENVOLVER A SUA MENTE EMOCIONAL.

Preste atenção no corpo. Em vez de ignorar os sinais físicos das emoções, comece a ouvi-los. Nossas mentes não são desconectadas do corpo, eles se afetam profundamente. Por exemplo: o estresse pode causar algo parecido com um nó no estômago, pressão no peito ou respiração acelerada.

Evite julgar as emoções. Todas elas são válidas e têm seu papel, até as negativas. Ao condená-las, você inibe a habilidade de sentir plenamente, o que dificulta o uso delas em seu favor.

Pratique decidir seu comportamento. Você não pode evitar as emoções que sente, mas pode decidir como reagir a elas.

 

A parte boa dos relacionamentos descartáveis

A era do iPhone te ensinou: defeito é descarte. Cansou de alguém? – Deleta! Se envolver em um relacionamento? Ugh, virou filme de terror. Noites podem ser incríveis mas são apenas noites. Ninguém mais se compromete, ninguém mais se telefona, ninguém mais espera nada de ninguém. Profundidade nas relações? – Esse sabor não vai ter hoje não, moça.

Mas é cráro que somos humanas e temos uma complexidade obscena dentro de nossos corações. Não fomos programadas para ser meramente descartáveis e muito menos para ter relacionamentos assim. Bem, talvez essa seja uma realidade meio difícil de mudar a essas alturas do campeonato. Mas mostrarei que tem sim como enxergar um lado bom nessa descartabilidade (essa palavra exxxssseste?) toda.

-Se a vida te der limões, faça um suco detox.

Vamos pensar que um relacionamento sério é uma macarronada (se acostume com as metáforas tá, elas vão ajudar a gente), beeeem caprichada. Cheia de temperos, sabores, cores. E vamos pensar que um relacionamento descartável é instantâneo, como um miojo. Rápido, sem mimimi e com aquele tempero vagabundinho que a gente gosta. As vezes dá vontade de comer aquele macarrão mas você tá deitada na cama assistindo Chaves tv e sua única capacidade física e psicológica é de se resolver com aquele pequeno pacote que em 3 minutos poderá salvar a sua vida.

Mas nós mulheres somos muuuuito complexas. Sabemos que não vamos nos contentar só com esse quebra-galho. Queremos muito mais do que isso, né? Queremos o molho de tomate, o queijo ralado, a massa caseira. – “Será que esse miojo vai me satisfazer?” – Mal provamos o seu sabor e já estamos imersas em um oceano de questionamentos. Ache o erro.

A carência por um bom prato de macarrão acaba fazendo com que a gente atropele um pouco as coisas, querendo dar sentido ao que não precisa fazer tanto sentido assim. Como um miojo. Será que somos capazes de apenas nos divertir com leveza e aproveitar o momento? Refletimos demais, queremos demais, esperamos sempre por “algo a mais”. Ficamos tão ansiosas (ó lá, a ansiedade denovo) em consolidar as relações, rotular pessoas/ lugares/ animais/ minhasograé, que nos esquecemos que sem rótulos tudo pode ficar infinitamente mais fácil de lidar. DUH!

Miga, cê tá precisando de uma palmadinha safada na bunda.

Deixe que eles entrem em cena: os relacionamentos descartáveis. Um, dois, três, vários. Se não rolou química com esse cara, neeeeeext! – E depois o anterior denovo, vai quê? Relacionamentos descartáveis gostam de viver sem pressa, expectativas ou obrigações. Esse descomprometimento que vem no pacotinho, deixa todo mundo mais a vontade e as relações ganham chances pra se desenrolar melhor. Pode até virar uma amizade no futuro, comigo aconteceu. Hoje tenho relacionamentos muito mais interessantes do que se tivessem se tornado algo ‘oficial’.

O ideal é nunca ter em mente que a porra pode ficar séria: a ansiedade pra ter um relacionamento consistente pode atrapalhar, tirar a graça das coisas e fazer você correr no sentido inverso ao que queria. Essa busca incessante por relacionamentos não-descartáveis pode resultar em relacionamentos ruins, a partir do momento que te leva a se envolver demais e de maneira afobada com pessoas que você mal conhece.

Assim, o que é considerado “relacionamentos descartáveis” pra você, é algo que pode ganhar um temperinho especial com o passar do tempo. Ao tentar abolir esse tipo de relacionamento da humanidade – ou pelo menos de nossas casas -, fechamos muitas portas da esperança para boas companhias que começam assim, meio nem aí. Não é que não seja maravilhoso se envolver de corpo e alma com alguém, é ótchemo. Mas procurar enlouquecidamente por isso, não é tão necessário quanto você pensa que é. O foco deveria estar mais na diversão e no aproveitar de cada momento – desse jeito coisas sempre fluem melhor.

– Sim, os famosos “namoricos” que sua avó dizia. E ela nem usava iPhone.

E assim eu sou, vibração e descompasso

Já não me importo que não gosta de mim. Não me afeta saber que repete isso em frente ao espelho ‘Já não gosto de ti’, e cola como lembrete na geladeira e escreve como nota de rodapé em todas as páginas de sua agenda ‘Já não gosto de ti’.

Já não me importo que não gosta de mim, assim como decisão contratual, com firma reconhecida em cartório e com mandato judicial impondo ordem de restrição ao seu coração ‘Fique longe’.

Já não me importo que não gosta de mim só porque existem outros olhos em sua janela e gosta de olhar pra eles também e por lei, então, teve que fechar as cortinas de nossos encontros de alma.

Já não me importo que não gosta de mim por ter gostado de uma de minhas faces e desgostado das outras tantas. Por não saber como conviver com territórios desconhecidos, por não querer que eu seja imprevisível, mesmo que eu te diga que sim, eu sou assim como as batidas do coração, que seguem ritmos, mas às vezes perdem o fôlego. E assim eu sou, vibração e descompasso. Mas me parece que você gosta só do que a vista alcança.

Já não me importo que não gosta de mim por ter encontrado em mim um cais e atrás dele uma floresta densa e hermética. Já não me importo se não pude te mostrar apenas o que em mim é cais e escondido o que é floresta. Já não me importo de ver que seu acampamento não ousa sair da praia. Que você tenha cercado todas as suas florestas e mulheres desbravadoras agora são animais em extinção em suas terras.

Já não me importa ver seus olhos brilharem por tantas outras praias que sabem esconder bem florestas, nunca me importei com isso de toda forma. Porque continuo achando que quem tem olhos de encontrar praias, ainda tem coração de desbravar florestas, mesmo que o coração tenha sido catequizado e civilizadamente tenha aprendido o monoteísmo de ver apenas uma praia por vez.

Já não me importa se já nem ousa perder os olhos em mim, mesmo que descuidados. Porque sei que o medo não é apenas o de desbravar matas, mas é acima de tudo o de criar incêndios incontroláveis que poderiam exterminar todas as outras praias. Mal sabe você o respeito que eu mesma nutro por praias, eu que com olhos binoculares, sempre encontro as minhas próprias.

Já não me importo que tenha aprendido a afunilar os brilhos dos olhares e na sua seleção natural de coisas miúdas e inteligíveis, eu não passei. Já não me importo com olhares curtos.

Já não me importo porque a sua falta de conhecimento te limitou a perceber que o que cresce e transborda em mim não é o medo e nem a dor, mas a paixão.

 

 

Ser apaixonado é diferente de ser trouxa


Era uma sexta-feira a noite. Não estávamos em Game of Thrones, mas o inverno  chegou. Havia muita frieza em todas as atitudes.

Era realmente necessário aguentar isso?

Eu estava no bar com o meu melhor amigo. Tremíamos com o frio que os nossos casacos falhavam miservalmente em bloquear. Para se distrair das rajadas de vento, meu amigo resolveu pagar uma cartomante – por brincadeira, não por crendice – para que lesse a minha mão. Ela chegou toda exótica, se apresentando como Baiana; pegou minha mão, falou coisas aleatórias e fechou seu discurso com a clássica frase: “você precisa dar valor a quem te valoriza”

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