Morar sozinha é curtir a própria companhia

 

By Pascal Campion
By Pascal Campion

Em tempos de solidão, transformo meu tempo em espaço e caminho pela casa de calcinha sem me importar com o que os vizinhos vão achar.

Morar sozinha é transformar vinho em amigo, é fazer da internet minha janela pro mundo e poder fechá-la quando bem entender pra abrir outra janela e olhar pro céu. É imaginar planetas distantes e amores incompletos. Imaginar ser qualquer coisa e dormir enrolada no cobertor quentinho com a certeza de tudo é possível.

Morar sozinha é ler um livro inteiro de tarde sem ser interrompida, fazer quantas maratonas de série quiser. É poder descer e comprar um pote de sorvete, é poder fazer sua comida saudável e guardar em potinhos pro resto da semana.

É poder dançar no quarto sem medo de alguém entrar, é poder se perder na própria bagunça e ter o prazer de arrumar tudo depois. É poder deixar tudo impecável, nos mínimos detalhes. É poder fazer jantares, festas e pequenas reuniões de amigos. É poder chegar sozinha e acompanhada com a mesma emoção.

É poder fazer a decoração que quiser, passar a tarde de sábado pintando um pallet que você pegou na feira e vendo utilidade naquele spray dourado que ficou guardado no armário.

É perceber que plantas são a melhor forma de decorar a casa, mas depois entender o sentido que elas fazem por todos os dias crescerem um pouquinho.

Morar sozinha é pagar 300 reais pelo conserto de alguma coisa idiota e depois pensar que deveria aprender a fazer isso sozinha.

Morar sozinha pode ser bom e ruim, como tudo na vida. Dependendo do dia, bate aquela sensação de querer chegar em casa e desandar a falar com outra pessoa.. Falar sobre qualquer coisa,porque é bom saber que tem alguém te ouvindo.

Mas em compensação, em outros dias você só quer chegar em casa e não falar nada. Só quer deitar com o pé pra cima do sofá e ouvir seus próprios pensamentos.

Morar sozinha é poder ficar envolvida com alguma atividade até de madrugada e ficar tão empolgada com que está fazendo que esquece quanto tempo já passou. Ao mesmo tempo é fazer um esforcinho pra levantar cedo e fazer um super café da manhã pra si mesma, porque sim.

Morar sozinha é conseguir ouvir o corpo, é saber acalmar a mente com a própria mente, é saber cuidar de si mesma. É se mimar de vez em quando, se trazer flores, deixar a luz entrar e mudar a vibe da casa com música.

É sentir-se livre por ser quem é, é saber que você nunca estará sozinha enquanto tiver a própria companhia.

Hoje eu peguei um trem pro passado

Hoje eu tive um sonho muito doido que eu pegava um trem de metrô pro passado e cada estação que a gente parava era uma fase da minha vida, como se eu tivesse revisitando quem eu era, pra construir quem eu quero ser daqui pra frente.

Você segurava a minha mão e eu sentia uma vontade quase incontrolável de te beijar, mas de alguma forma eu sabia que não era você quem eu esperava na estação final. Eu sabia que tinha alguém me esperando lá, mas eu não conseguia lembrar quem era. Quem me esperava era um borrão na memória, como se eu não lembrasse ou ainda não conhecesse e estivesse inventando.

E havia várias garrafas de vinho branco espalhadas pelo metrô, como se a gente tivesse bebido todas e entrasse num estado de psicodelismo. Você ia me contando histórias com tom de poesia entre uma estação e outra. Você dizia que eu era uma avalanche, que eu entrei pela porta e te desestabilizei, não a ponto de te deixar inseguro, mas de me querer mais. E eu sabia que você enxergava através de mim, só como os bons poetas fazem. Nem músicos, nem artistas plásticos, nem atores. Apenas escritores têm essa capacidade de ver por dentro das pessoas.

Eu queria me jogar em você, te levar pro meu passado e te esconder lá em alguma estação que eu pudesse revisitar. Sentir o que você sentia por mim era reconfortante de alguma forma e eu sabia que existia uma linha invisível que segurava nossas cabeças. Se soltasse talvez eu caísse em mim e podia ceder minha vontade de te beijar. Alguma coisa muito interna me dizia que não era o certo, que isso ia ter consequências no futuro, mas eu não podia ver agora, já que revisitava meu passado.

Eu não sei por que era você, eu não sei como a gente se encontrou no metrô, mas a vida tem caminhos tortos que nos levam ao encontro de pessoas que nos tiram o chão e ao mesmo tempo nos mostram o céu. Você era meu guia pro passado e por mais que quisesse estar comigo, você dizia que a única coisa importante agora era o futuro e o que me esperava na última estação.

Eu morria de medo, porque era uma estação toda escura e eu tinha que descer sozinha. E você dizia, pode ficar se quiser, mas em algum momento você precisa descer aqui, nem que seja pra voltar pra casa.

É muito barato ser feliz

Hoje eu acordei estranha, meio fora de mim, angustiada e sem querer viver o dia de tanta coisa que eu tinha pra fazer. Cheguei no trabalho meio atordoada, sem conseguir me concentrar direito em nada, cada hora começava uma coisa e não terminava.

Vi o stories da minha melhor amiga que está viajando o mundo de bicicleta e comecei a chorar. Às vezes a gente acorda mesmo com uma angustia sem sentido, mas dá pra transforma-la em outra coisa ao longo do dia.

Chorei meio contida, mas chorei. Chorei por prestar atenção na letra da música que eu escutei pra malhar essa semana, pra você ver a profundidade da sensibilidade que eu to ( a musica é Heading Home do Gryffin – vamos ouvir e chorar juntos mentalmente de mãos dadas).

Saí pra almoçar e resolver umas coisas na rua. Coloquei a música no repeat e fui andando. Entrei numa rua que eu nunca tinha passado e me surpreendi com as casinhas coloridas, uma do lado da outra. Botafogo tem dessas surpresas.

E beleza, eu tinha que passar por essa rua hoje pra pegar uma encomenda, mas fiquei me perguntando por que a gente não se arrisca e não se permite se perder de vez em quando pra encontrar alguma coisa nova.

Fui andando e observando tudo em volta e tudo virou poesia de repente. Eu me encantei com todos os ângulos da rua, das pessoas, das cores.

Resolvi almoçar num lugar diferente, pedi uma taça de vinho branco. Por que não? Nada como apreciar nossa própria companhia. O dia tá lindo, ainda tenho meia hora pra voltar pro trabalho (aliás, estou escrevendo este texto no restaurante de esquina e olhando para uma palmeira toda verde lá no fundo em contraste com o céu azul. Meu deus vocês precisam ver isso).

Estou aqui pensando por que a gente não se permite fazer essas coisas de vez em quando. Dar um tempo, almoçar num lugar diferente sozinho, andar por novas ruas ouvindo música. A gente fica muito preso a uma rotina, mas a verdade é que podemos mudar o rumo das coisas todos os dias.  E eu nem to falando de uma forma radical, não. Que seja pra tomar um sorvete no meio da tarde, mas é preciso estar totalmente entregue, sentindo cada colherada como se fosse o melhor momento da vida, degustando o presente sem pressa, só vivendo e sentindo um calorzinho no peito e o corpo todo arrepiando. Sabe aquele momento que você sabe que é feliz? Você sente e sabe, de alguma forma, que aquilo é a felicidade, pura e simples. Você sabe que vai lembrar daquele momento com saudade.

Eu geralmente me encanto com tudo e quem ta em volta me acha doida, porque eu olho pra qualquer coisa e me apaixono instantaneamente e choro e pulo e grito. Sei lá, por ver a palmeira em contraste com o céu, por exemplo. E ninguém entende. E deve ser um saco viver sem ter esses deslumbres instantâneos.

É muito barato ser feliz. Mas o que custa caro é a gente não se permitir sentir isso. Sei lá, parece que a gente se sente culpado de ser feliz. Tem tanta merda acontecendo no mundo, as pessoas estão super ansiosas e depressivas, por que eu vou me permitir ser feliz?

Mas sentir isso é a unica forma de olhar pra trás e ter certeza de que a vida valeu a pena. A vida sempre vale a pena, aliás. E estar presente é a melhor forma de transformar o mundo, porque você consegue fazer as coisas que acredita sem se importar com o resultado e sim com o processo. Essas são ações mais puras e verdadeiras. São elas que mudam o mundo. Ou as pessoas, o que dá no mesmo.

15 coisas que eu aprendi com um grande amor

1 – A vida é cheia de surpresas

Não esperava me apaixonar por ele, e quando percebi o que estava acontecendo tive que fazer muitas escolhas que tiveram várias consequências. Escolhi me entregar ao que eu estava sentindo, e viver essa história de amor com ele com certeza foi a melhor das consequências. Aquele pedacinho de vida que tivemos juntos durante aquele tempo finito mudou pedacinhos da pessoa que eu sou atualmente.

2- Como é estar em plena sintonia com uma pessoa

Nossa intuição em relação um ao outro era quase sempre exata de uma maneira mágica, e sabíamos exatamente o que o outro estava pensando e sentindo. Não conseguíamos fugir, e percebi que isso era tão incrível quanto assustador. Não precisávamos de palavras para falar e expressar pensamentos e sentimentos, muitas vezes um gesto, um olhar ou um sorriso era mais que suficiente. Entendi como era bom e gratificante fazer parte de alguém e da sua vida desse jeito tão intrínseco.

3 – Distância física não é um fator decisivo, mas é contribuinte

A distância física pode atrapalhar e tornar o relacionamento mais difícil, mas no fim cabe à nós insistir ou desistir, porque o sentimento não acaba quando um de nós vai morar longe. Às vezes falar por mensagens é tão intenso e significativo quanto estar frente-a-frente. Saudade é um sentimento palpável que surge de muitas maneiras, como declarações espontâneas por mensagens, ou lágrimas derramadas na solidão do seu quarto.

4 – Música é uma linguagem racional e emocional por si só

Músicas realmente falam com sua alma e você se identifica com as palavras de amor, com o ritmo da tristeza, e até com o calor da raiva. Uma música pode tanto te dar conforto quanto te fazer chorar copiosamente porque o cantor soube expressar exatamente o que você estava pensando e sentindo. As coisas fazem um pouco mais de sentido acompanhadas de uma boa trilha sonora.

5 – O poder e a importância das amizades girl power

As amigas são sempre essenciais, mas se tornam ainda mais nesses momentos. Elas estão ali para ouvir, dar apoio, comemorar as conquistas, dar colo na necessidade, dar conselho, xingar o maldito quando te machuca, beber cerveja para superar as dores e ver filmes do Magic Mike juntas para apreciar homens bonitos e gostosos. Algumas vezes acontece de vocês estarem passando por situações parecidas na mesma época e a amizade de vocês atingirá níveis antes inimagináveis. Você descobre que a vida é muito melhor vivida com sua melhor amiga do seu lado.

6 – Para amar é preciso confiar profunda e plenamente

Ele me admitiu uma vez que tinha medo do “poder” que me dava, mas a verdade era que ele confiava em mim o suficiente para ser completamente vulnerável, e em troca cuidava da minha vulnerabilidade que eu confiava nele. A sensação era libertadora e maravilhosa, mas também vinha junto daquele medinho de despencar de uma altura tão alta que talvez não sobrevivêssemos à queda. De vez em quando a auto-preservação que aprendemos ao longo das nossas vidas nos fazia hesitar, e aprendi que era um constante esforço consciente pular na direção dele. Em compensação cair naquele abraço era um dos maiores confortos, e estar com ele era mais aconchegante que minha cama.

7 – Amor pode ser um sentimento muito poderoso e arrebatador

Amar plenamente alguém é uma das maiores aventuras que podemos viver, e sentir tão intensamente pode ser uma das melhores coisas que você tem capacidade de fazer. Sentir alegria, carinho, amor, paixão, confiança, cumplicidade, amizade, companheirismo, intimidade e uma miríade de emoções e receber isso tudo em troca pode ser uma das maiores honras que temos como seres humanos.

8 – Algumas coisas a lógica e a racionalidade não conseguem explicar

No meio das brigas, eu tinha a certeza do amor dele por mim; No meio das lágrimas, das mágoas, e da vontade de ir embora, eu tinha certeza que ele não queria me machucar propositalmente; Entre os medos, eu sabia da sua bondade como pessoa. Mesmo que meu cérebro não soubesse explicar como algumas dessas certezas eram tão claras e óbvias, meu coração simplesmente sabia e aceitava, do mesmo jeito que aquela mágica da intuição funcionava. Apesar disso, também me dei conta que às vezes isso não é suficiente e não faz doer menos.

9 – Amar é um sentimento que vem acompanhado

Amor e medo são dois sentimentos muito poderosos que parecem opostos, mas muitas vezes andam de mãos dadas. Amor e dor, ou amor e tristeza, de vez em quando são sinônimos. Ocasionalmente é preciso escolher entre eles, e essa escolha dita como o relacionamento flui.

10 – Grandes amores deixam marcas

Existem alguns momentos que serão monumentais, marcantes e verdadeiros game-changers. Eles farão o relacionamento mudar, para bom ou ruim, e não temos como prevê-los ou ignorá-los. Ocasionalmente até podemos sentir um deles chegando e o medo da mudança ou do desconhecido nos fará tentar evitá-los a todo custo, mas eles são inevitáveis. Esses momentos marcam nossas almas com seu impacto, e uma parte desses sentimentos nunca vai embora, simplesmente viram aprendizados para o resto da sua vida.

11- Sentimentos mudam

Eles podem mudar rapidamente, se transformarem momentaneamente em raiva, tristeza ou decepção, ou podem ir mudando devagar e aos poucos, deixando de ser uma paixão arrebatadora ou um amor grandioso e se transformando em carinho e amizade. Essas mudanças muitas vezes são assustadoras e difíceis de lidar e aceitar, mas também são incontroláveis e inevitáveis.

12 – É possível viver sem arrependimentos

Mesmo quando tudo dá errado e o relacionamento termina, é muito bom ter a plena certeza de que você fez de tudo o que podia fazer, foi o mais honesta que pôde, se entregou o máximo que conseguia, tentou de tudo, e que mesmo assim não foi o suficiente para funcionar. Terminar não é fracassar, aprender é evoluir e é bom não ficar ressentida quando não dá certo. Às vezes a culpa não é realmente de ninguém senão da metamorfose da vida.

13 – Você não será mais a mesma pessoa, e isso é bom

Você aprende muito sobre si mesma, como sua capacidade de perdão nos momentos de mágoa, sua imensurável força e resiliência nos momentos difíceis, sua inacreditável coragem nos momentos assustadores, sua liberdade nos momentos plenos, resistência nos momentos cansativos, e da sua imensa capacidade para amor que antes nem sequer imaginava ter. Amar é expansivo e você evolui com cada experiência.

14 – O tempo realmente ajuda

Com o tempo você supera a dor, deixa pra lá a mágoa e verdadeiramente segue em frente com a sua vida. As lembranças ficarão com você, descoloridas dos sentimentos mais fortes, mas tingidas de nostalgia e aprendizado. Ocasionalmente você lembrará dele, de vocês, do amor, e vai sentir apenas paz.

15 – Existirão outros grandes amores

Vai ficar tudo bem. Eventualmente as coisas darão certo novamente, você precisa apenas continuar tendo coragem e abertura para futuros grandes amores na sua vida, eles virão.

 

Disciplina é um processo e não apenas uma decisão

Disciplina. Esta palavra ronda nossa vida por meio de textos motivacionais, revistas fitness e livros de auto-ajuda. A gente sabe que só vai conseguir o que almeja se essa palavrinha mágica for inserida no dia a dia: disciplina. Nos sentimos até meio idiotas quando nos dizem que falta de disciplina é preguiça. Será que é só isso mesmo? Por que é tão difícil ter disciplina?

Porque ter disciplina significa abrir mão de alguma coisa, nem que seja de mais algumas horinhas de sono, de comer um chocolate, de assistir a mais um episódio de uma série. É complicado achar o equilíbrio entre a disciplina e o fazer o que você quer no momento, mas o segredo está aí.

Se a gente começar a seguir tudo certinho e nunca abrir mão de nada, a vida fica muito chata. O objetivo vai ser alcançado, mas será que vale a pena desfrutar só da linha de chegada e não do caminho?

É claro que eu coloco essa regra de modo geral, porque tem gente que é muito feliz sendo disciplinado e tendo o controle de tudo, mas acredito que, assim como eu, muita gente tem dificuldade criar esse hábito. E entre não ter disciplina nenhuma e ter um mínimo de disciplina, é melhor que a gente fique com a segunda opção se quisermos alcançar algum resultado.

A primeira coisa que devemos encontrar para começar a ter disciplina é a motivação. Qual é a sua motivação para criar uma rotina disciplinada? Se a motivação não for real, a disciplinada não vai fazer o menor sentido.

Primeiro você deve se perguntar: para que eu quero ter disciplina? Quando você encontrar o seu motivo,  crie metas diárias que não causem uma ruptura brusca na sua rotina. Por exemplo, se você quer começar a se exercitar, procure alguma atividade que não vá te tirar muito do caminho ou dos seus horários. Pode ser na hora do almoço ou entre o trabalho e a faculdade ou um curso livre que você faça.

Use o tempo a seu favor. Organize-se. Quer economizar dinheiro? Separe uma horinha para fazer mais comida e leve como uma quentinha para almoçar no trabalho. Pense que vai ser só mais uma hora gasta em um dia da semana para 5 dias de refeição economizadas.

Quer se especializar em algum assunto? Comece a fazer aulas onlines gratuitas duas ou três vezes por semana sempre no mesmo horário. Qualquer coisa que seja, você precisa começar aos pouquinhos. Na época da escola e da faculdade a gente tinha um compromisso com o horário da aula, certo? Marque um compromisso com você mesmo com data e local. Dedique-se por uma horinha no dia ou apenas uma horinha na semana para começar.

Tudo na vida começa aos poucos. Não adianta decidir que vai mudar o estilo de vida totalmente na segunda-feira. Aliás, na maioria das vezes, isso nos leva à frustração, porque não conseguimos, nos culpamos, ficamos ansiosos e continuamos parados no mesmo lugar.

A sensação de realmente fazer algo que você planejou te impulsiona. E, de repente, sem você notar, a disciplina virou um hábito.

Eu não tenho opinião sobre isso

Arte por Aykut Aydoğdu
Arte por Aykut Aydoğdu

Nesses últimos tempos eu me deparei com uma situação muito louca: o fato de eu ter medo de dizer que não tenho opinião sobre determinado assunto. Sempre que eu falo isso, começam a vociferar um bando de frases prontas do tipo “você tem que prestar atenção nisso”, “você tem que se informar mais”, “nossa, mas como você consegue passar os dias sem se questionar sobre isso?”.

Como se todas as pessoas do mundo precisassem saber o que está acontecendo o tempo inteiro e mais, ter uma opinião sobre tudo isso. Eu sou uma das maiores defensoras da Era Digital, quem me lê sabe disso, e eu acho realmente incrível o fato da gente poder estar a um clique de distancia de qualquer informação.

Beleza, mas de onde veio essa ideia de que a gente precisa estar inteirado sobre tudo o tempo todo? E pior, levantando um bandeira por tudo.

Eu já mudei tanto de opinião sobre tantos assuntos que cheguei a duvidar de mim. Será que eu sou tão vulnerável assim? Como se estar aberta para entender os outros lados fosse sinal de fraqueza.

Quanto mais eu vejo as pessoas cheias de certezas, mais eu chego à conclusão de que ninguém sabe de nada, porque não existe certo e errado. No fundo, tudo é uma construção nossa, tudo é uma opinião, um ponto de vista.

São tantas camadas de informações que, até chegarem na gente, já estão todas distorcidas. Quem nunca leu uma história no jornal, mas conheceu um amigo de um amigo que estava lá e disse que foi completamente diferente? Talvez tudo seja realmente relativo e a gente está brigando e julgando o outro simplesmente por estar enxergando as formas de outro angulo.

A única certeza que eu tenho, apesar de tentar desconstruir todas as certezas que eu criei, é que a gente não deve ultrapassar o limite de liberdade do outro. Então, se eu cumprir com esse papel que eu acho justo, ninguém pode me julgar por eu não ter uma opinião ou por não levantar a bandeira de algo que eu não tenho certeza.

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Às vezes eu me sinto incompreendida nesse mundo flaXflu entre esquerda e direita. Me criticam por eu ter ideias sociais de esquerda, feminista, puta, socialista. Me criticam por eu defender algumas ideias de direita, capitalista, fria, não pensa nos outros. Você tem que tomar uma posição para votar nas pessoas que vão governar o seu país, você é responsável por essa merda toda que você reclama.

Eu sei, eu sei que é importante. Mas até que ponto esse discurso não é mais da certeza mesquinha de alguém? Até que ponto isso é mais importante do que construir algo que eu realmente acredite, que faça realmente diferença na vida das pessoas, mesmo que em uma escala menor?

Por isso eu parei de ouvir o que eu tenho que fazer, sobre o que que eu tenho que saber, sobre onde eu preciso me informar. A gente lida com tanta informação que acaba virando um bando de informação superficial. Tem gente que consegue, tem tempo e adora se envolver com mil assuntos. Tudo bem. Eu só não acho justo que eu tenha que fazer isso também. Esse negócio de multitarefa não é pra mim. Eu adoro fazer nada, gente. E às vezes eu me julgo por gostar de fazer isso. Olha só que doentio.

E fora o trabalho de 8 horas por dia e minhas 8 horas de sono, sobram 8 horas para eu aprender alguma coisa nova, estudar sobre meu trabalho, ler um livro, conversar com meus amigos que moram longe, me divertir, cuidar do blog, ir pra academia, fazer nada…

Uma decisão sábia é filtrar quais informações você quer que cheguem até você e escolher qual delas você vai se aprofundar, sem tentar participar de tudo de forma superficial, sem ter certeza. E claro, sem julgar o outro por ele não querer se aprofundar nas mesmas coisas que você, só porque você tem certeza que é importante.

Eu tenho feito isso há um tempo e minha ansiedade tem me dado uma trégua. Aceitar não ter uma opinião e não sentir necessidade de estar a par de tudo te dá mais tempo de se aprofundar e pensar em coisas que você realmente quer. É mais produtivo e menos estressante viver assim,  pode apostar.

CONSELHO PARA TODAS AS MINHAS AMIGAS SOLTEIRAS: VIVAM.

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Toda mulher solteira já teve medo de ser solteira. Essa frase é muito esquisita, mas acredito que seja uma verdade para muitas mulheres. Eu mesma confesso que já passei por isso, mas hoje já enxergo a grande besteira que é sentir medo de ser solteira.

Se tentarmos entender a origem disso tudo, começaremos a filosofar sobre os inúmeros padrões que a sociedade estabelece e como isso afeta principalmente as mulheres, que desde pequenas se veem na obrigação de seguir o famoso “felizes para sempre” da Disney.

Bom, mas esse texto não é para indagar os padrões e nem tentar entender por que a sociedade é tão sacana com a mulher em alguns aspectos. Esse texto é para realmente tentar libertar essas mulheres solteiras que se sentem tão pressionadas.

Meu grande e precioso conselho para as minhas amigas solteiras é apenas um: vivam. Existem tantas coisas maravilhosas para se fazer quando se é solteira. Por favor, joguem essa carência pro lado, sacudam a poeira da necessidade constante de ter alguém com quem conversar no Whatsapp, e venham viver a vida com tudo o que ela tem de bom para oferecer.

Nem de longe esse é um texto para incentivar o desapego. Até porque seria um pouco esquisito alguém como eu desacreditar no amor. Não. Eu acredito muito na importância do amor pelo outro. Mas eu também acredito MUITO no amor próprio. É ele que nos move o tempo todo, que nos faz descobrir coisas novas, superar obstáculos, e enxergar o mundo de várias formas diferentes ao mesmo tempo.

Estar com alguém é realmente muito bom, não nego. Porém, estar sozinha também é extraordinário. E confesso que morro de aflição de ver esse monte de mulheres que simplesmente não conseguem passar um fim de semana sozinhas, que não ficam um dia sem trocar mensagens completamente banais com algum cara, que não têm nenhum medo na vida que vá além do pavor de ficar para a titia.

Garotas, acordem! Primeiro de tudo: o amor chega para os distraídos. Já repararam como as maiores paixões de nossas vidas batem na nossa porta quando não estamos esperando por elas? Pois é… Segundo: há milhares de coisas incríveis para fazer quando se é solteira. E calma lá que eu nem estou me referindo a sair pegando todos os caras que existem. Estou querendo dizer exatamente o contrário.

Estar solteira é poder fazer absolutamente o que quiser no fim de semana. Pegar o carro e descer pra praia sem dar satisfações, sair com as amigas para dançar e voltar de madrugada, ou simplesmente ficar em casa enfiada embaixo das cobertas vendo seu filme preferido pela milésima vez. É claro que também podemos fazer tudo isso quando estamos namorando, mas o gostinho sempre muda dependendo do nosso estado civil.

Porém, eu ainda acho que estar solteira é mais do que isso. Para mim, a maior vantagem de estar solteira é a autodescoberta que isso promove. É claro que ao nos relacionarmos com alguém também fazemos uma grande viagem dentro de nós mesmos, mas é quando estamos apenas em nossa própria companhia que desvendamos nossos maiores medos, inseguranças, e também descobrimos muitos dos nossos sonhos.

E não poderia ser diferente… Afinal, é na solidão que temos nossos momentos de maiores reflexões. Então, é claro que meu conselho não poderia ser diferente. Mulheres solteiras de todos os cantos, parem de se lamentar por não terem ninguém com quem dividir a xícara de café. Apenas vivam. Até porque se vocês querem tanto um “felizes para sempre” com alguém, é mais do que primordial terem um momento sozinhas antes disso. Só assim terão certeza de que estão plenas com si mesmas e prontas para dividirem uma vida quando encontrarem a pessoa certa.

Texto publicado originalmente no blog Para Preencher, nosso parceiro de conteúdo. Isso quer dizer que você vai encontrar textos do De Repente dá Certo por lá e textos do Para Preencher por aqui :)

Encontro do mar com o rio

Ela se doa, se entrega, se dissipa
Como água corrente, se transforma
Tenta ser pedra, tenta segurar
Mas quando vê, já foi
Já é não mais ser

Pede muito por ser muito
Não sabe ser pequena, simples
Inventa, seduz, deduz
que as linhas são ondas
que o amor é fácil

Quem vê até pensa
que ela é ingênua
mas ingenuo é quem não vê
O mundo como ela vê
Enquanto os outros veem um copo
Ela enxerga a tempestade

 

 

A relação entre aprender idiomas e seus crescimento pessoal

 

Além dos vários aspectos sociais que o aprendizado de línguas proporciona ao estudante, como por exemplo, uma melhora na habilidade de comunicação interpessoal e um mergulho em várias culturas, ele também traz consigo vantagens na formação acadêmica, facilitando quaisquer pesquisas necessárias para um doutorado ou congresso internacional. Junto a isso, alguns estudos internacionais descobriram, nas últimas décadas, uma série de ganhos intelectuais importantes. Entre eles, estão o desenvolvimento cerebral e aumento da atenção. A seguir, confira alguns pontos interessantes sobre o tema. Para aprender um novo idioma mais rapidamente visite preply.com.

Vantagens sociais diretas

O inglês é uma porta para o mundo. Com esse idioma pessoas de todo mundo podem entrar em contato umas com as outras e trocar uma infinidade de conhecimentos. São aspectos culturais, sociais, econômicos, organizacionais e técnicos que abrem os horizontes dos interlocutores e enriquecem e transformam as perspectivas de vida, assim como o próprio indivíduo como um todo.

Fatores de relevância para a formação

Estudantes universitários por todo o mundo recorrem à arquivos e livros digitais e impressos, quando precisam voltar-se a autores internacionais para a elaboração de suas teses de graduação, mestrado, doutorado ou pós-doutorado. Visando auxiliar a formação e disseminação de atualizações de conteúdos nos mais variados campos de pesquisa, a grande maioria dos estudos realizados são publicados já com uma versão em inglês. Logo, falar inglês é também acompanhar as mais importantes descobertas em tempo real.

Benefícios no cérebro

Os benefícios de aprender uma nova língua são vários. Entre eles estão:

Desenvolvimento do cérebro: conforme o cérebro aprende uma língua de forma intensiva e constante, algumas áreas relacionadas à comunicação crescem, fazendo com que haja mais conexões neurais no cérebro.

Melhora da atenção: bebês que cresceram em um ambiente bilíngue mostram ter uma capacidade de memória maior do que outras crianças na mesma faixa etária que nunca tenham tido contato com uma língua estrangeira.

Diminuição do risco de demência: por mais incrível que possa parecer, o mal de Alzheimer, também conhecido como demência, pode ser retardado no cérebro de pessoas suscetíveis à doença por vários anos. Uma série de estudos vem obtendo o mesmo resultado e comprovando esse fato. Só para se ter uma ideia de como essa notícia é relevante, basta pensar que os efeitos positivos do aprendizado de línguas é muito superior a qualquer outro tratamento realizado com o uso de drogas atuais.

Aguçamento da habilidade de escuta: escutar é uma das habilidades básicas para uma série de coisas, como o desenvolvimento da fala. Descobriu-se que se tornar uma pessoas bilíngue pode fazer com que o cérebro melhore sua capacidade de escuta, uma vez que ele costuma ter de trabalhar mais para distinguir os diferentes tipos de sons em duas ou mais línguas.

*  Este texto foi patrocinado. 

O privilégio de não saber o que fazer da vida

Arte por Alpay Efe

Eu sei que não saber o que fazer da vida pode ser muito angustiante. Somos impactados por tantas histórias de pessoas que juntaram profissão com o propósito de vida e foram viver felizes para sempre que parece obrigação encontrar a nossa vocação e arriscar tudo por pela.

A questão é que eu vejo muita gente sem ideia do que fazer da vida, mesmo já sabendo o que faz seus olhos brilharem. E vejo outras que gostam de tantas, mas tantas coisas ao mesmo tempo que não querem se dedicar a uma coisa só. São pessoas do mundo, que preferem arrecadar experiências e histórias pra contar, preferem se dedicar a projetos pessoais, aprender, descobrir, viajar, amar. Inclusive, essas são as pessoas mais interessantes que eu conheço, porque elas olham pro mundo com vontade de absorver tudo que ele tem para nos oferecer.

E eu sinto que existe uma pressão tão grande para encontrarmos logo o que queremos fazer pro resto da vida que parece errado fazer as coisas só pelo prazer de fazer, de tentar, de curtir. Que medo é esse de perder tempo se estamos ganhando tanto por outro lado? Afinal, que obsessão é essa pela sucesso? Por que sentimos obrigação de ser o melhor em tudo que fazemos? Para mim, para obter sucesso em alguma coisa é preciso apenas concluí-la com prazer, nada mais.

Temos que ter em mente onde queremos estar daqui a 5 anos, mas nunca tivemos tanta oportunidade de fazer o que queremos. É um paradoxo. E fica difícil mesmo escolher um caminho só, traçar metas e alcançá-lo, porque escolher uma coisa, significa abdicar de todas as coisas. E se você tiver certeza do que quer, beleza. Vai fundo, porque vai valer a pena abrir mão de todas as outras coisas. Mas se você não tem tanta certeza assim, qual é o problema de aproveitar a vida com toda a intensidade, tentando viver tudo ao mesmo tempo, sem um objetivo?

Existem tantas formas de ser feliz e encontrar o propósito em coisas que a gente nem imagina. Às vezes o seu propósito é viajar mesmo, conhecer lugares e pessoas novas. Não é o que você mais gosta de fazer? Às vezes é tocar violão na sala, apresentar uma peça num pocket show. Às vezes não tem nada a ver com arte. Sua parada pode ser resolver problemas, ajudar pessoas a se desenvolverem, estudar, ensinar, conectar, empreender. E, vem cá, será que você precisa mesmo transformar essa paixão em profissão? Enquanto não tem dinheiro envolvido, ninguém pode te dizer como fazer.

E tudo bem também se sua vocação e propósito mudam de tempos em tempos, afinal, como disse o Guimarães Rosa no livro Grande Sertão: Veredas –  “O importante e bonito do mundo é isso: que as pessoas não estão sempre iguais, ainda não foram terminadas, mas que elas vão sempre mudando. Afinam e desafinam.

Pensando nisso, cheguei a conclusão de que quem não sabe o que fazer da vida tem o privilégio de não precisar viver com um objetivo e não há nenhuma inércia nisso, mas sim muito movimento. Você pode se dedicar a fazer uma coisa nova todos os dias. Pode encontrar talentos e vontades escondidos, pode descobrir o propósito na própria descoberta, sem medo do fracasso e sem o peso de obter êxito. E é assim que você vai descobrir que as coisas que fazemos sem expectativas, imersos no processo, são as mais verdadeiras. São as que realmente valem a pena.