“Nós” é maior que eu e você

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O todo é maior que a soma das partes. Uma bicicleta é mais do que apenas duas rodas e algumas peças. Ela é infância, é alegria, é transporte, é esporte…

Assim somos eu e você. Juntos.

Eu e você não somos apenas a junção de duas pilhas que ligam o controle remoto da TV. Somos o filme que te faz chorar, a série que não te deixa dormir, o último capítulo da novela que você não quer perder. Somos todos os frutos que a nossa mistura possa gerar.

Eu e você não somos apenas dois indivíduos numa relação. Somos o sabonete que compartilhamos, o café da manhã que tomamos, o carinho que nos damos, as pessoas que gostamos, os lugares que fomos, os quilos que ganhamos, a conta do netflix que nomeamos (bichinho), as sensações que experimentamos, o amor que sentimos.

“Eu e você” é plural, mas “nós” é singular. Não me refiro ao correto uso dos pronomes pessoais, mas à personalidade única que uma relação constrói. “Nós” é uma terceira pessoa a parte das singularidades de “eu e você”. Não nos exclui, nos acrescenta.

A totalidade de um amor não poderá ser copiada. As peças têm encaixe único e se moldam cada vez mais à medida em que se fundem. Se separadas, perdem sua forma inicial e se encaixam de novo com outras peças, mas nunca no mesmo formato.

Esse “nós” só existe em “eu e você”. Em nenhum lugar mais.

Te amo.

Vai lá e morre cheio de razão

Desde pequeno tendo a levar frases à exaustão buscando seus diversos significados e aplicabilidade em minha vida.
Há pouco tempo, ouvi a seguinte frase de um parente após uma corriqueira reclamação de almoço sobre quase ter sido atropelado numa faixa de pedestre com o sinal aberto para mim: “vai lá e morre cheio de razão”.

No momento aquilo significava apenas um “não morra atropelado só porque está certo”, mas com o passar dos dias me peguei expandindo a frase para diversas esferas da minha vida e me gerando muitos questionamentos.
Quando foi que a razão passou a nos guiar e abafar e suprimir nossas emoções?

Quando começou a valer não estar com o cara que você ama só porque ele fez algo que você considera imperdoável? Quando foi que deixamos de falar com um amigo pra manter nosso posicionamento após uma briga? Quando foi que a gente achou normal não vestir o que realmente queríamos por achar que não temos corpo, atitude ou que estávamos muito “piranhas” ou muito “viados” para? Quando foi?

Não sei em que momento isso se deu. Mas tomando consciência desse comportamento corrosivo, decidi que não quero ir lá e morrer cheio de razão. Prefiro estar errado e ter a amiga. Prefiro não ter a razão ou o famoso “senso” e me vestir como quiser. Prefiro não ter o orgulho, mas ter a pessoa que eu amo ao meu lado. Prefiro a felicidade à razão. E essa não é subjetiva. E ninguém me tira.

Vou lá e morro, aliás, vivo, cheio de felicidade.

Glossário da felicidade para 2017

Foto: weheartit.com
Foto: weheartit.com

Fiz algumas anotações no meu caderninho do ano passado e resolvi compartilhar aqui, já que são algumas dicas pra tornar a vida mais fácil de ser vivida. Claro que tem algumas coisas muito particulares e não vão ter nada a ver com você, mas acho que dá pra encaixar algumas coisas na vida de todo mundo.

1 – Beber pelo menos 3 litros de água por dia

Acredite, beber água o tempo todo é bom pra TUDO. Inclusive para o seu humor. É só andar com uma garrafinha de água e enchê-la sempre que der. No começo você vai esquecer, mas depois seu corpo vai pedir água o tempo todo.

2 – Assistir a algum TED ou procurar pela Internet qualquer assunto que você goste

Uma das coisas que mais me deixa mais feliz é aprender alguma coisa nova que eu me interesse. Eu começo a pesquisar e fico o dia todo ou a semana toda debruçada naquele universo novo tentando entender mais, descobrir mais, discutir mais. “A mente não alimentada devora a si mesma.”

3 – Andar mais a pé

Andar a pé é uma forma de fazer exercício, mas você não anda pensando que está se exercitando e mesmo assim está liberando endorfina. O legal de andar a pé é poder observar tudo a sua volta. Observar os detalhes da rua que você sempre passa, ver como as pessoas reagem, como a luz do dia muda totalmente a vibe do lugar dependendo da hora.

4 – Descomplicar tudo

Pense duas vezes antes de criar caso com alguma coisa ou antes de reclamar. Respira fundo, guarda pra você. Se for realmente necessário, fala numa boa, sem soltar faísca.

5 – Não deixar os monstrinhos da cabeça (nóias) te dominarem

Você precisa prestar atenção no que é real, como disse o Jake. A gente não controla nada, muito menos o que as pessoas pensam. Preste atenção na realidade e se apegue a isso em vez de ficar criando uma realidade paralela na sua cabeça. Se a pessoa não parece interessada, aja como se ela não estivesse interessada em vez de fica criando mil e uma histórias para justificar a ausência dela. Só ela tem a resposta. Se a pessoa está te dando atenção e parece gostar de você, não invente que ela não está nem aí. Tente se guiar pelas ações mais do que pela sua imaginação. Não estou dizendo que é fácil, mas é a única forma de não entrar em parafuso.

6 – Dar  a louca de vez em quando

Pode dar a louca, mas sem interferir na liberdade de qualquer outra pessoa, ok? Quando eu digo dar a louca, eu digo se permitir sentir as coisas lá do fundo do estômago. Se permitir errar, se permitir sentir, se permitir perguntar, escrever uma carta de amor, ou uma carta esculhambando tudo de vez. Sair por aí, comprar uma passagem pra Tailândia dividida em 12 vezes, pegar o carro e cair na estrada, beber todas, experimentar o mundo ou se esconder dele.

7 – Usar mais acessórios malucos tipo peruca, unhas postiças, cílios coloridos

Essa é uma das minhas metas pra este ano! Eu amo me fantasiar, amo glitter, amor peruca, amo poder ser outro personagem. Então, por que não? Por que só no carnaval a gente pode sair por aí fantasiado de alguma coisa? É tão mais divertido poder ser qualquer coisa qualquer dia.

8 – Ler pelo menos um livro por mês

Gente, tem atividade mais gostosa do que viajar sem sair do lugar, viver outra vida sem parar a sua, aprender, refletir, conversar com você mesmo e se envolver com personagens? Então, vamos praticar isso mais!

9 – Pensar mais na sua saúde mental do que na estética perfeita

Eu abro o instagram e me deparo com um monte de corpos sarados o dia inteiro. As pessoas só falam sobre isso o tempo todo e eu comecei a perceber que eu estava gastando mais tempo do que o necessário pensando em como ficar com o corpo perfeito, se é que isso existe. Minha meta é ser saudável, comer bem e me exercitar porque isso é bom para o meu equilíbrio e não porque eu quero ficar com a barriga da (insira qualquer blogueira fitness aqui). Acho que não tem problema nenhuuuuuum querer melhorar, ficar mais bonito, se sentir mais confiante. O problema é quando isso passa a ser uma paranóia e não um estímulo.

10 – Conectar-se mais com tudo

Conectar-se com pessoas que estão longe ou perto. Conectar-se com pessoas desconhecidas. Conectar-se com a natureza, com as coisas inanimadas, com as histórias, com uma obra de arte. Conectar-se com você mesmo. Acho que “conectar” é a palavra do século e a palavra da minha vida.  Arte é conectar, amor é conectar, viver é conectar. O barato da vida é se sentir conectado com o que quer que seja. É a única forma de se sentir pleno.

 

Alívio Feminino

Alguns podem falar que é o meio da noite, mas para este grupo talvez seja só o início. Depois de algumas horas ingerindo bebidas o desconforto começa. As pernas balançam inquietamente, pequenos pulos são feitos, enquanto observam-se todos que estão à sua frente, a quantidade praticamente imensurável de corpos que almejam o alívio imediato.

Quando a vontade bate, não tem para onde fugir. É o momento que muitos evitam, se seguram de forma inútil, numa tentativa de evitar o inevitável: perder minutos preciosos da noite. Unidas pelo desconforto doído que se localiza na bexiga, as mulheres formam uma imensa fila, em comparação com a dos indivíduos do sexo masculino, que exibe poucos seres, em nada desesperados com a agonizante espera sem fim.

Os homens que me perdoem, mas pela sorte que vocês tem, acabam perdendo um momento singular da balada. A amizade de banheiro. A fila, esse lugar que reúne as mulheres no ápice do seu desconforto e aflição, também cria laços da mais sincera amizade. No lado de dentro do toalete as pessoas se livram da hidratação em excesso, enquanto do lado de fora livram-se da timidez, da ansiedade, pedem conselhos a completas desconhecidas e o vínculo é formado.

É neste momento, de alto nível de vulnerabilidade, que as mulheres se expõem umas às outras. Não queremos saber se a roupa da fulaninha é bonita, também não queremos discutir a crise política. Na fila, queremos apenas que o tempo passe mais rápido e, numa espécie de cooperação mútua, formamos amizades com tempo de expiração, que nos ajudam a superar essa fase desagradável da noite.

Observamos quando uma companheira sai do ambiente com cara de nojo, reunimos dicas importantes sobre qual box está sem papel, até fazemos cabaninha para as novas amigas, quando o banheiro não tem porta. Ali pode sair tanto uma pequena reclamação sobre as filas absurdas nas festas, quanto um convite para viajar no final de semana.

Enquanto isso, os homens entram e saem com um nível de socialização mínima. Aliviados com certeza. Amigos? Nem tanto. Conforme a fila anda, observamos a amizade chegar a um fim.

Cada uma cumpre o seu objetivo e segue em frente. Se nos encontrarmos em outros lugares, talvez expressaremos um pequeno sorriso, ao lembrar que estivemos juntas em um momento único, mas fingiremos que nada aconteceu. Ou talvez a gente não lembre mesmo uma da outra, mas pelo menos nos ajudamos a superar um momento enfadonho.

Na realidade, a espera é um saco, e é muito mais fácil ser homem nessa sociedade. Mas podemos tirar umas risadas da situação, e sonhar em um mundo em que as amizades sejam tão puras como as da fila do banheiro.

A vida é aquilo que acontece enquanto você quer que o ano acabe logo

Quem curte astrologia pode até acreditar que quando o ano acaba, um ciclo se fecha e outro começa, apesar de eu achar que isso faz mais sentido quando a gente faz aniversário. Mas eu também acredito que os astros têm influência sobre o mundo. Não necessariamente sobre nossas personalidade ou mudanças de humor, mas que eles nos influenciam, não temos como negar. E no dia 31 de dezembro, quando a terra finalmente dá uma volta inteira ao redor do sol, a gente tem todo direito de acreditar que vai viver um recomeço, que vai ter mais uma chance de mudar tudo.

Mas sabe quando a gente tem o poder de mudar tudo também? Todos os dias. Todos os dias que a terra gira em torno de si mesma e o sol nasce de novo, temos uma chance de recomeçar. E eu acho super importante ter esses marcos que nos façam dar uma pausa para ter pique e energia de viver melhor.

Jamais recriminaria a comemoração do ano novo, até porque eu amo aquela energia de todas as pessoas acreditando que tudo vai dar certo. O que me deixa encucada é que em todo lugar que eu vou as pessoas querem que o ano acabe logo. Tudo bem, foi um ano louco, complicado demais para o Brasil como um todo, complicado para o mundo também. Estamos em grande fase de mudanças globais e é normal estarmos em crise econômica e existencial. Mas aguenta firme, agarre-se naquilo que você gosta e acredita.

Apesar de ter muita podreira rolando no mundo, existem coisas incríveis e lindas sendo feitas. Fique de olho nas podreiras para elas não saírem muito do controle, mas não deixe elas te influenciarem ou tirarem a sua energia de fazer coisas melhores.

E em vez de querer que o ano termine logo, por causa do seu cansaço, lembre-se de que a vida é agora. O antes e o depois são só construções da  nossa memória. A gente tá vivo e esse é o melhor presente, mesmo que tudo de ruim esteja acontecendo e você não tenha mais esperanças.

A gente pode sentir a água do mar salgada entrando nos dedos do pé, enquanto ele escorrega pra baixo por causa da areia molhada. A gente pode sentir o vento mexendo o nosso cabelo, enquanto ele mexe também as folhas das árvores. A gente pode ver o céu se transformando em várias pinturas diferentes por minuto. A gente pode sentir o gosto de chocolate derretendo na boca. A gente pode ler e dormir na rede. A gente pode se apaixonar e rir muito e sentir frio na barriga. E pode abraçar e se sentir abraçado. Mas nada disso faz sentido se você só quer que o tempo passe mais rápido. Se você não percebe o valor dessas coisas é porque não viveu essas coisas enquanto elas aconteciam. E aí fica tudo chato mesmo. Quando você não se entrega em nada, a vida fica insuportável.

Eu sei que não é fácil estar presente no momento e isso é normal. Não tem como a gente se sentir pleno o tempo inteiro, e a gente entraria em outra loucura, que é a de querer ser 100% bem resolvido toda hora. Tem vezes que a gente precisa extravasar, dar a louca, e não tem nada de errado nisso. Aliás, eu acho que esses momentos são tão importantes quanto todos os outros. Nenhum sentimento se desperdiça. A ideia é sentir tudo pela raiz, do fundo do estômago.

Seria incrível se nossa ansiedade não nos matasse um pouquinho todos os dias. Ou se a gente não tivesse a tal da FOMO (fear of missing out), que é o sentimento de querer estar em todos os lugares ao mesmo tempo, fazendo todas coisas ao mesmo tempo, porque estar fazendo apenas uma coisa é abdicar de todas as outras coisas. Pra quem sofre disso, assim como eu, tenho uma técnica pra sugerir. Segundo a física quântica, todas as possibilidades existem e estão acontecendo ao mesmo tempo. Então, toda vez que eu fico angustiada por querer fazer tudo ao mesmo tempo, eu penso que em uma realidade paralela eu estou fazendo todas essas coisas. E eu aproveito a única realidade que foi dada de presente: o agora.

Nossos lobos internos escondem-se atrás de canecas cheias de café

Arte por Matthew Grabelsky

E esse lado ninguém conta…Acordamos todos os dias e já queremos colocar aquele sorriso na cara. Queremos colocar nossa roupa mais descolada ou nosso terninho que já vai impressionar logo no metrô. Queremos ser os bem humorados, os queridinhos no trabalho, que cumprimentam a todos com um expresso na mão do Café Mc Donald’s e já sentamos querendo multiplicar cada segundo em foco e em produção.

Queremos aflorar nosso lobo branco. Queremos sempre estar atentos ao nosso, mas sempre sendo o grande opinador e influenciador. Adoramos um brainstorming, mas aquele papo de que todos falam e compartilham ideias é furado. Queremos as nossas idéias sempre em destaque e influenciando os que estão ao redor, mas claro, de maneira sutil e sem que ninguém perceba.

Queremos ser líderes. Sempre achamos que já estamos prontos e preparados para isso. Afinal, existe algo melhor do que estar na rodinha de nossos amigos e poder contar do bônus gordo que ganharemos, ou da empresa descoladinha que estamos trabalhando ou do novo coworking que estou frequentando? Queremos nos profissionalizar sempre…

Acumular Mba’s no currículo e indicar bons livros aos amigos. Queremos tanto tudo, que tentamos esconder aquelas aulas faltosas de nossas especializações porque não dá nem tempo para ir. Ou, sejamos sinceros, fazemos por fazer. Nascemos prontos, somos donos do mundo. Ou melhor, achamos isso.

Nosso lobo preto, não deixamos ninguém ver. Não deixamos ninguém perceber a ansiedade que nos engole a cada dia e a cada tarefa, querendo que tudo dê certo ou seja o auge. Ou melhor, achamos que ninguém percebe. Quando, na verdade, nós não percebemos nossa própria bipolaridade. Queremos o novo sempre, e o crescimento para ontem.

Mas o mundo não gira em torno do nosso umbigo. Angústias pela espera se afloram. E não conseguimos gastá-las na corridinha da Nike, porque queremos ser os profissionais que saem as 21:00 horas do trabalho e mandam email de madrugada, querendo provar o nosso bom desempenho. Só esquecemos que essas coisas não devem ser forçadas. O lobo negro tem stress. Muito stress. Mas e daí? Meu amigo está com problema na coluna e o outro com enxaqueca constantes. Natural da nossa geração.

Já na faculdade queremos o nosso intercâmbio. Nós formamos tarados em saber todos os processos de trainees ou em quais são as atuais oportunidades para que minha empresa nova dê um salto. Não fazemos acompanhamento com psicólogos. Fazemos coaching. Apesar de achar que nunca precisamos.

Acordamos de madrugada pensando na auditoria que teremos e que precisamos ficar entre os top five na nossa Cia super influente no mercado. E apesar da noite mal dormida, reiniciamos o ciclo, e acordamos, querendo colocar aquele sorriso na cara e o terninho de marca como se nada tivesse acontecido. Começamos novamente o dia com aquele bom dia de jovens promissores e futuros talentos. E quem irá nos provar o contrário? Preferimos conviver com nossos cabelos caindo de forma precoce do que aceitar que precisamos tratar nossos lobos negros.

Happymoment: seu novo guia de lugares good vibes

Uma das coisas que eu mais gosto de fazer é conhecer lugares novos, mesmo que seja na cidade onde eu moro. E eu acho que o frio na barriga  de viver novas experiências é algo em comum com a maioria das pessoas. Se você gosta de trocar ideias e está sempre aberto para o novo, eu tenho um aplicativo pra te indicar: o Happymoment.

O app foi lançado este ano e funciona como um roteiro de lugares, mas esse roteiro é infinito porque é alimentado por pessoas ao redor do mundo, o tempo inteiro. Sabe aquele livro de 1000 lugares que você tem que conhecer antes de morrer? Ele é tipo esse livro, só que com visões diferentes, cada vez mais lugares e com o toque especial das redes sociais. Você pode conectar-se com pessoas,  trocar dicas dentro do app e fazer com que sua experiência seja compartilhada ou enriquecida.

O que é bem legal também é que os lugares não são apenas estabelecimentos. Pode ser uma praia, uma praça, um ponto específico de um parque. Qualquer lugar que tenha uma boa vibe tá valendo.

Outra coisa maneira é que você pode seguir pessoas específicas, que sempre vão para lugares legais, e descobrir onde as pessoas interessantes estão se escondendo por aí. Dá para escolher visualizar apenas locais que estejam próximos a sua localização, então, se você estiver viajando e quiser conhecer aquele lugar que só quem é local conhece, é só abrir o happymoment e escolher onde ir.

Recentemente, eu queria comer em algum restaurante legal e abri o app pra ver o que a galera me sugeria. Daí eu vi um bar chamado Adega Pérola, que fica em Copacabana, meu bairro. Resolvi conhecer. Quando eu cheguei lá, descobri que eu seeempre passava pelo bar e  achava que era um pé sujo igual a mil outros, mas quando você entra é um bar super legal, bem temático estilo Copacabana antiga. Comi um prato de polvo delicioso e tomei um vinho por um preço ótimo.

Fiquei de cara como eu não conhecia um lugar tão maneiro no meu bairro! E fiquei pensando quantos mil outros lugares a gente não conhece por simplesmente não dar a chance ou por passar batido.

O happymoment taí justamente pra gente conseguir aproveitar o máximo das cidades e das pessoas, para trocar dicas e dividir momentos. Como o próprio nome do app propõe, a ideia é que todo mundo compartilhe seus lugares preferidos e seus momentos felizes. Afinal, a felicidade só vale quando é compartilhada. E quando de quebra a gente conhece um lugar novo pra frequentar, em qualquer cidade que seja, é melhor ainda.

O aplicativo Happymoment está disponível para baixar na Google Play e na Apple Store.

Tá esperando o quê pra conhecer um lugar novo hoje?

Se for pra namorar, que seja pra mergulhar um no outro

Levando em consideração a vastidão do universo e a infinidade do tempo, o big bang, a física e a química, todas as possibilidades, a extinção dos dinossauros e a probabilidade da vida humana acontecer, eu aceito por completo que foi uma sorte imensa ter te encontrado. Ou, como dizem os novos entendidos sobre acaso, nós temos toda a responsabilidade quântica de termos nos encontrado. De uma maneira ou de outra, pra mim não importa. Tanta coisa podia ter dado errado pelo caminho e mesmo assim aconteceu.  A gente se encontrou, se apaixonou e pela primeira vez na vida eu entendi o que dizem nos filmes de amor.

E eu vejo tanta gente por aí querendo namorar só pra não ficar sozinho, só pra ter companhia. Mas se for só pra ter companhia, eu prefiro a minha. Se for pra namorar, que seja pra mergulhar um no outro. Se for pra namorar, eu só quero que seja que nem a gente.

Que seja pra sentir o coração acelerando quando eu ouço o barulho na chave entrando na fechadura quando você chega. Que seja pra ter vontade de te agarrar quando você passa no corredor. Que seja pra ter vontade de te levar pra qualquer lugar que eu vá, mesmo sabendo que eu preciso dos meus momentos solitários de vez em quanto. Que seja pra ter vontade de viver um no outro, entrar um no outro e virar um ser com duas mentes e um corpo. Que seja pra sentir suas conquistas e derrotas como se fossem minhas. Que seja pra acordar todo dia e sorrir só por você estar lá. Que seja pra ter essa ajuda mútua e motivação pra tudo novo que eu inventar de fazer.

Que seja pra fazer miojo quando a gente chega bêbado de madrugada. Que seja pra gente ter nossa liberdade, que é o que nos prende. Que seja pra gente sair à noite pra lugares diferentes e chegar em casa morrendo de saudade. Que seja para as nóias e os monstrinhos da minha cabeça hibernarem quando eu te ligar e ouvir que tá tudo bem. Que não seja um relacionamento com certezas ou dúvidas, mas com descobertas. Que seja exagerado mesmo. Que não precise existir a expectativa do futuro, porque a gente se basta agora e isso é o suficiente. Que a gente jure amor eterno, sabendo que ele não existe, mas achando que nós somos seres especiais e vamos viver o amor eterno, sim.

Que seja essa conexão de pensamentos e ideias. Que seja pra descubra a telepatia humana. Que todas as camadas de uma conversa sejam acessadas e o outro saiba exatamente do que se trata. Que eu respire e você saiba que tem algo diferente no meu humor. Que seja pra experimentar outros níveis de consciência juntos. Que seja pra inspirar o outro e não pra podar ideias. Que seja pra enlouquecer junto. Pra se divertir junto. Pra chorar junto. Pra levantar junto. Mudar junto. Que seja pra fazer tudo junto, mesmo em pensamento. Que seja pra estar sempre junto, mesmo separados, mesmo vivendo as rotinas individualmente, mesmo correndo atrás dos nossos sonhos por nós mesmos. Que seja pra eu querer ser o melhor de mim pra aflorar o melhor que tem em você.

Que nossas vidas continuem sendo vidas individuais, mas compartilhadas. Que você continue tendo seus segredos e eu os meus. Que tenha sempre alguma coisinha pra te surpreender.  Que cada um seja responsável pelas próprias escolhas, mas sabendo que vai sempre existir o impulso do outro pra toda escada que surgir e uma mola no fundo do penhasco quando o outro cair. Que seja pra diminuir o medo de arriscar. Que seja pra se jogar. Que seja pra ser feliz.

 

Eu não escrevo sobre amor

Eu não escrevo sobre amor. Sobre noites mal dormidas, expectativas criadas sem querer ou como é necessário um ato de coragem para poder se entregar a alguém. Também não escrevo sobre o pós-amor. O que se faz quando o fim fúnebre chega e resta aos sobreviventes passar pelo funeral daquela pessoa que morreu na sua vida, mas segue viva na de outros.

Me recuso veementemente: a fazer um texto fofo, falar de coisas melosas, discorrer sobre a dor do fim ou de como superar com auto-estima e amigos. Não vou discursar sobre bater os olhos naquela pessoa e pensar “esse (a) é o futuro pai dos meus filhos/ mãe dos meus filhos”. Muito menos sobre os pequenos atos do dia-a-dia. Credo, jamais sobre os pequenos atos do dia-a-dia.

Nem pense que gastarei meu tempo escrevendo sobre passar o dia inteiro na cama com aquela pessoa, jogar videogame, assistir Netflix juntos, cozinhar risoto com vinho na cozinha pequena, sentir e desejar que esses ínfimos momentos durem para sempre.

Jamais usarei experiências próprias em qualquer texto meu: citar o momento em que fomos ver o filme do Wolverine e, naquela cena que o herói se vinga de um caçador que, a sangue frio, matou um pobre urso, você havia dito que o Wolverine era uma espécie de Curupira canadense. Que eu ri tanto que o cinema inteiro se incomodou conosco.

Jamais colocarei isso em texto algum. Se me virem falando que se apaixonar é bom, é algo que só os fortes conseguem, que é preciso abrir o coração e se jogar, podem me internar. Não, sério! Sou totalmente anti-romântica.

Acredito no pega, mas não se apega. Na curtição infinita. Pra que apenas um quando se pode ter vários? Eu sou o símbolo do desapego, minha gente. Não tenho fossas, supero tudo muito rápido. Não choro em filmes românticos, não sinto falta de ninguém. É isso. Fim. Não escrevo sobre amor. E é só sobre amor que escrevo.

Já é hora de fazer balanço geral do ano?

Ano passado eu tinha certeza deste ano. Ouvia as pessoas falando que seria um ano difícil, mas eu entrei nele de cabeça, com flores pra Yemanjá, lista de resoluções e uma certeza que palpitava na cabeça: esse ano eu vou conquistar tudo que eu quero. E olha que eu nunca fui de fazer resolução ou me prometer coisas pro ano. Sempre gosto de fazer o que me der na telha, sem nada muito programado. Afinal, a vida é uma caixinha de surpresas e comprometer-se a fazer coisas que você ainda não sabe se vai querer fazer é a receita certa para se frustrar.

Tinha muito tempo que eu não fazia resolução de ano novo, mas ano passado eu resolvi fazer, porque estava confiante. Acontece que nenhuma das minhas resoluções se concluiu, talvez por eu não estar preparada para elas. Pra falar a verdade, eu nem tentei, porque fui sempre deixando pro próximo mês e de repente eu estava em novembro. E em vez de correr atrás pra conseguir fechar as contas até dia 31 de dezembro, eu simplesmente quero deixar pra lá.

E eu olhei pra trás, pro meu ano, e vi que eu não tinha feito nada do que eu tinha me prometido. Que foi um ano paradão, blasé, sem conquistas, perdas ou frio na barriga. O equilibro é bom, mas o morno? O sem tempero? Não vale a pena viver sem borboletas no estomago, por qualquer coisa que seja. E quando eu pensei nisso me veio uma enorme onda de frustração, porque a culpa tinha sido minha.

Eu que não corri atrás pra conquistar as coisas que eu queria. Mas quando eu realmente me dediquei um tempo pra destrinchar meu ano, percebi que eu não queria bem fazer essas coisas que eu tinha planejado. Eu queria conquistá-las, mas sem gastar um pingo de tempo para, de fato, efetuá-las. E sinto informar,  mas também não foi neste ano que eu encontrei o gênio da lâmpada. Porque só assim pra conquistar coisas sem esforço nenhum.

E quando essa frustração me pegou no meio de uma terça-feira chuvosa, eu comecei a tirar um monte de coisas do baú do ano e me lembrei de várias coisas que me tiraram o ar, me fizeram chorar, rir, me descabelar e sentir no fundo da alma uma felicidade enorme por existir.  Sabe aquele sentimento que dá um calorzinho no coração e você pensa, puta que pariu, como é bom estar vivo?

Perdi o emprego, perdoei pessoas, conheci pessoas incríveis, me aproximei de outras mais incríveis ainda, trabalhei com uma parada que eu nunca imaginava, ganhei dinheiro e amei muito. Eu lembro que eu senti muito amor neste ano, talvez por eu estar mais preparada para amar e doar esse amor. E eu não conquistei o que eu tinha me prometido, mas ganhei tanto por outro lado, e coisas que eu nem imaginava.

Acho que sentir-se conectado é o grande barato da vida. Você se encaixa e percebe que não precisa mais procurar proposito nenhum. O propósito é ficar conversando com alguém sobre suas conclusões da vida até o sol nascer, o proposito é mandar uma mensagem de madrugada e ser respondido na hora com a mesma intensidade, o propósito é se perder na história de um livro, o propósito é ouvir sem esperar sua vez de falar, o propósito é comer a sobremesa antes do almoço, o propósito é lembrar de alguma coisa engraçada e começar a rir no metrô lotado, o propósito é amar e ser amado de volta, o propósito é estar presente, seja no quer for.

E como isso é difícil, mas a gente precisa aprender a fazer. A gente precisa aprender a se conectar e pra isso acontecer é preciso estar aberto, não tem jeito. E eu não estou falando que é preciso contar sobre sua vida. Estar aberto é estar aberto pra trocar. Que nem aquela música “pela lei natural dos encontros, eu doou e recebo um tanto”.

E o que ficou de aprendizado é que viver olhando apenas para o prêmio faz com que você se esqueça de todas as outras coisas ao redor, tão ou mais valiosas do que atingir seus objetivos. Não adianta conquistar algo se você não curtir o processo, porque a vida é só um processo gigante que te leva a lugar nenhum, então é melhor começar a curtir o caminho enquanto ele se cria. Muito livro de auto-ajuda, né? Mas to sendo sincera e tive que me frustar e colocar a cabeça pra pensar pra chegar a essa conclusão. Fiquei tão apegada às minhas promessas que quase me esqueci do resto que eu conquistei este ano.

Claro que é importante ter objetivos, mas sem fechar portas para outras oportunidades e sem fechar olhos para o que o mundo nos oferece constantemente. Por isso, esse negócio de fazer resolução de ano novo não é pra mim.  Tem gente que precisa estabelecer metas, mas eu funciono melhor sob inspiração e não sob pressão.

No começo do ano que vem, quando eu for pular as sente ondinhas, em vez de me prometer coisas que eu nem sei se vou querer mais, vou prometer me escutar mais e ser sincera com as minhas vontades. E, logo agora, terminando este texto, cheguei a conclusão de que eu estava certa e realmente conquistei tudo que eu queria no meu ano, eu só não sabia que era isso que eu tenho agora.