Foi por cada um desses motivos

Foi o vento. O vento do meu suspiro forte que te levou pra longe de mim, nessa história que só vi o começo e o meio, o fim está aqui agora, com esse bilhete ao lado da cama.

Foi meu suspiro forte ao final de cada frase sua, como sintoma de reprovação, que apagou cada chama nossa, na cama, na cozinha, no telefone, na vida. Foi cada levantar de sobrancelhas, cada estalar de dedos, cada abismo na cama que nos separou, de fato.

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AbeLLha: impacto social com economia colaborativa

De empreendedorismo de palco, ideias inovadoras e livros que ditam o segredo do sucesso nós já estamos cheios. Apesar de a Era Digital ser incrível por conectar pessoas num estalar de cliques, ela também constrói muitas celebridades vazias e nós acabamos consumindo esse tipo de informação.

A parte boa é que existe muita gente criando projetos que realmente fazem a diferença. E o melhor é algumas dessas pessoas estão aqui no Brasil. Pessoas que querem mudar o rumo da história pra melhor, abrindo o caminho para a economia colaborativa, que eu já tanto falei aqui.

Você já ouviu falar da AbeLLha? E do aplicativo GoodPeople? Então hoje eu vou apresentar pra vocês essas duas empresas, que no final acabam se transformando no Ecossistema Abellha. Calma que eu vou chegar lá!

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Hora de voar

Arte por Korrupt Kids
Arte por Korrupt Kids

Hoje acordei me sentindo um passarinho. Não no sentido frágil da figura, pelo contrário, acordei me sentindo um passarinho que já estava muito grande em um ninho muito apertado. Quase caindo desse ninho e me sentindo péssima por não caber mais neste lugar, comecei a reparar em mim. Nesse tempo em que vivi nesse ninho, minhas asas foram crescendo junto comigo. Assim como o resto do meu corpo, elas também ficaram mais fortes.

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Distante próxima

São sete da manhã.

O frio do inverno chegou e nos enlaça cuidadosamente. Ele faz parte de nós, nos envolvendo constantemente em sua atmosfera gélida.

Me levanto da cama em busca de uma xícara de café. Algo para me esquentar, para trazer o calor que você tanto nega, a ardência que tanto busco em seus braços, mas que me é repelida com tanta veemência. O vapor do café atinge meu rosto. Finalmente me permite uma sensação de aconchego que falsamente acalma meu apertado coração.

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Quase isso

Foto por Susanna Majuri
Foto por Susanna Majuri

Fiquei lá… Te esperando na porta só de calcinha, como já fiz com tantos outros, como sei que ainda farei. Mas isso não muda nada, porque ali, naquela tarde, eu estava lá só por você.
Esperava enquanto fumava um cigarro, como se ele pudesse me trazer calma.
Você. Você era a única coisa que poderia me trazer calma. Mas não, você foi embora sem despedidas, saiu correndo quase despido, quase culpado por ir me deixando lá.

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Entre o medo e a vontade existe um mundo

Aquela tensão quase elétrica. Mãos distanciadas apenas por alguns centímetros, que parecem ter o tamanho de um abismo.

Pra que essa timidez toda?

Você está sempre ai com essa cara de que está perdido, me procurando no meio de todas as pessoas que estão a sua volta. Entre tantas pessoas iguais, você fica buscando alguém diferente. E eu?Tento aparecer no meio da multidão esperando você me notar.

Os rostos passam por mim e quando não é o seu o dia perde um pouco da graça, as cores ficam menos saturadas e o coração desacelera..

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Para comer bem em Botafogo

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No final da rua Álvares Ramos (a rua do Bukowski), ali em Botafogo, tem um bistrô francês tão charmoso quanto o bairro. Marc e Greg são francêses e abriram o La Villa, para nossa felicidade, há uns dois anos e têm recebido cada vez mais clientes. Eu fico pensando quantos lugares eu ainda tenho que explorar no Rio, porque cada dia descubro uma coisa nova.

O restaurante é uma mistura de Paris com Rio de Janeiro. Tem o requinte francês e o despojado carioca tudo no mesmo lugar. Você se sente à vontade assim que chega lá. Não tem aquele ar de bistrô chique que tem que falar baixinho, até porque o Marc já chega te cumprimentando e fazendo você se sentir em casa. Acho que aconchegante é a palavra certa pro lugar.

Conversei com o Marc um tempão e vi que ele faz questão de verificar se estão todos bem e gostando da comida. Ele é meio francês e meio italiano, então disse que se adaptou fácil à dinâmica do Brasil. Não gosta de se chamado de chefe, porque é uma palavra muito requintada, mas ama cozinhar e fazer pratos novos. Sua arte é a comida e nisso ele manda muito bem. Parece clichê, mas o melhor tempero é a comida que é feita com prazer.

Além de Greg e Marc, a cozinha do La Villa conta com a mão de um brasileiro talentosíssimo e uma confeiteira maravilhosa. Para decidir os pratos do Menu, todos fazem um brainstorm até chegarem a um acordo. O legal é que todos trabalham em equipe e nenhum prato chega até o cliente sem que todos os funcionários tenham provado. Se a maioria aprovar, aí sim ele vai pro cardápio.

Para o dia dos namorados eles fizeram um menu especial, que eu experimentei ontem, e vim aqui falar para vocês o quão maravilhoso está. Eu amo experimentar comidas com sabores diferentes do que eu estou acostumada, então, para mim, foi o melhor dos mundos. Se você também curte novos sabores, seu almoço de domingo pode ser lá, mesmo que você não tenha namorado. O legal é sair um pouquinho da rotina e experimentar alguma coisa nova.

Veja o menu especial do dia dos namorados! Eu já to salivando aqui.

Opções para entrada:
– Foie Gras com pão Brioche da casa e Chutney de Morango
– Raviolão Artesanal Recheado com Gravlax de Salmão e Creme Cheese, Molho do Namorado (Limão Siciliano, Beterraba e Gengibre)
– Salada Chicória ao Queijo de Cabra, Palmito Pupunha, Tapenade e Crisps de Presunto Serrano.

Opções para o prato principal:
– Risoto de Lagostim e Aspargos Verde com Bisque
– Charuto de File Mignon Recheado com Queijo Reblochon e Cogumelos, Batata Vapor com Creme, Mix de Ervas e Ervilha
– Torta Cassolete de Dourado e Frutos do Mar servido no seu Caldo com Musseline de Alho Poro e Rabo.

Opções para sobremesa:
– Opera Café
– Fraisier com Calda de Frutas Vermelhas
– Paris – Brest Prâliné.

Minha verdade e suas verdades

Foto por David Benincá
Foto por David Benincá

Certa vez me disseram que eu deveria parar: parar de ser assim tão sincera. Mas não consigo, então, se preferem que eu me cale, melhor viverem longe de mim. Essa sinceridade no viver e no acreditar sempre fizeram de mim uma pessoa meio calada, de poucas palavras, mas que, quando perguntada, falava na lata, chutava a barraca.

Não, não sofro de sincericídio, não sou grossa nem insensível, pelo contrário. Por ter coração demais, vivo da verdade, da palavra dita sem rodeios, da objetividade subjetiva. Poucas entrelinhas. Pouca confusão. Apenas direto e reto. Tem gente que não sabe conviver com isso, acha que sou grossa demais, me pede calma. Eu estou calma, só estou sendo sincera.

Essa roupa está boa? E esse sapato? Este texto? E esse namorado? Não, não está bom (da mesma forma que: sim, estão ótimos, combinam com você – para todas essas perguntas). Ser sincero dói muito em quem escuta a verdade, mas é mais difícil de ser falado que ouvido. É ruim você ver alguém iludido por algo que, cegamente, acredita ser real, quando, infelizmente, nada passa de um castelo de cartas prestes a se esvair no vento. E daí entra quem? A amiga/mãe/filha (ou seja-mais-lá-o-que-for) sincera.
 
Acredite: é bem melhor ouvir (ou ler) agora do que, depois, precisar falar “por que você não me avisou?”. É meio difícil, no meio de tanta gente perdida no que quer acreditar e no que, de fato, é realidade, que nem podemos culpar ninguém. Foi assim que tudo isso foi vendido. Por isso, se você é pé na nuvem, tenha sempre uma pessoa pé na lama – não no sentido ruim da palavra, porque essas pessoas são mesmo especiais (mesmo que algumas delas incompreendidas) – mas no sentido do que é real.
 
Todos nós devemos, queremos e podemos viver todas as nossas fantasias, desde que sempre, ao colocarmos a cabeça no travesseiro, tenhamos, no fim das contas, dito verdades a quem nos indagou respostas sinceras. Nossa verdade vale mais que mil mentiras inventadas, mil histórias mal contadas e mil imagens mal vendidas.

Não guarde o amor pra depois

Não guarde o amor pra depois!

Não queira escolher o momento propício, a hora sensata.

Não racionalize e divida em pequenas porções e distribua pelos dias esse amor tão recortado, diluído como homeopatia.

Placebo não aquieta minha fome, minha ânsia.

Há um vazio mais baixo que o buraco do estômago e ele quer devorar antes de ser decifrado.

Comamos para queimar a boca, enquanto ferve, enquanto está cru e sangra e pulsa e dá pra sentir o gosto espesso de vida.

Sejamos ao mesmo tempo presa e predador um do outro até que nossas dilaceradas peles caiam felizes num sono profundo, sono de fadiga, não de tédio.

Não deixe o amor pra depois!

Que quanto mais se requenta, mais outra gororoba vira e é melhor ter um jantar de rico do que muitos de pobre. Mais vale uma noite profunda do que quinhentas rasas. Nos deleitemos hoje, amanhã cultivamos memórias que podem se tornar sementes de outros amores amplos. E, de toda forma, eu prefiro morrer de fome amanhã e viver de vida hoje.

Não guarde o amor pra depois.

Te digo, ele passa da data de validade!

Pode ser que expire, que azede, que seja roubado por outros olhos famintos.

Não guarde por medo ou por cuidado.

Amor assim é para ser deleitado até o lamber dos dedos.