Sebastião Salgado descobre um mundo novo em Genesis

Visitar a exposição Genesis de Sebastião Salgado é como fazer as malas e viajar para África, Indonésia, Sudão, Etiópia, Alasca, Rússia, Sibéria, Venezuela, muitos outros países além de explorar a Amazônia brasileira e o pantanal Mato-grossense, tudo isso dentro de um galpão localizado no SESC Campinas, no Bairro Bonfim.

O espaço reúne 100 fotografias de lugares intocados no planeta e que você jamais imaginaria que alguém conseguiria chegar. A exposição é dividida em cinco seções geográficas: Planeta Sul, Santuários, África, Terras do Norte e Amazônia e Pantanal. Percorre oceanos, desertos de gelo e areia, montanhas, selvas, tribos indígenas e animais exóticos ao redor do mundo. Uma imensidão de sentimentos gerados a cada fotografia, uma mistura de texturas intocáveis, detalhes inigualáveis e deslumbre nas imagens em preto e branco que só nos frustram por um motivo: não poder mergulhar tela adentro para viver e sentir a emoção de cada lugar.

Tudo isso piora com as explicações dos guias da exposição do que aconteceu por trás de cada imagem e como o fotógrafo conseguiu chegar até ali, seja participando de rituais indígenas, alcançados pela primeira vez há apenas duas décadas, ou em cima da asa de monomotor em um mórbido deserto. Existe beleza em todos os cantos, em cada pixel, preso em uma moldura de riquezas.

Em Gênesis, Sebastião Salgado quis mostrar uma nova forma de ver nosso planeta, um ensinamento de como amar, respeitar e protegê-lo. Uma maneira de valorizar e enfatizar a nossa obrigação de recuperar tudo o que destruímos. Foram 32 viagens, 8 anos de trabalho e incontáveis quilômetros percorridos em todo globo terrestre em busca de capturar a vida de milhares de animais e pessoas que vivem completamente isoladas das civilizações modernas.

Sebastião Salgado descobriu a sua paixão pela fotografia em uma viagem a trabalho enquanto visitava plantações de café com uma câmera emprestada em 1973. Quando retornou a Londres, o então economista mineiro mudou radicalmente de profissão. Que sorte a nossa! Depois disso passou por grandiosas agências de fotografia no mundo, como a Magnum, criada por Robert Capa e Henri Cartie Bresson na década de 80. Financiado pelo seu trabalho no fotojornalismo, lançou seu primeiro projeto de fotografia autoral e documental explorando a África em 1986, o “Outras Américas”. Não parou mais… Mas quase encerrou sua carreira após concluir “Êxodos”, que causou um impacto devastador no fotografo quando registrou pilhas de corpos em Ruanda, na África, em meio a populações em migração por conta de guerras, perseguições políticas e crises econômicas, além de outros dramas mundiais. A salvação veio com “Genesis”, com o objetivo de mostrar que 46% do planeta ainda está como o dia da Gênesis – dia da criação do mundo.

Informações:

“Gnesis” – obras selecionadas de Sebastião Salgado
Local: Galpão do Sesc – Rua Dom José I, 270/333, Bonfim – Campinas
Data: De 4 de maio a 31 de julho
Horário: De terça a sexta, das 8h30 às 21h30;
sábados, domingos e feriados, das 9h30 às 18h
Entrada: gratuita

A exposição Genesis já passou pelo Rio de Janeiro, São Paulo e Brasília.

Natália Beraldi

Jornalista, fotógrafa, viajante. Apaixonada por estradas, acostumada com partidas, viciada em sentir. Sempre acompanhada de uma câmera e uma xícara de café.