Abundância: Porque o futuro vai ser melhor do que você pensa

Precisamos falar sobre o futuro, e hoje eu vim falar dele de um jeito positivo. Chega de negatividade.

Há um tempo li esse livro que mudou muito jeito de ver o futuro. Sabe aquele tipo de coisa que você fala: cara, o mundo todo precisa saber disso!!!!!

Então, caro leitor, vou te contar porque esse livro mudou minha vida e assim você nem vai precisar lê-lo, mas vai poder citá-lo nas conversas de bar e parecer maneiro. Bom negócio, diz aí.

A premissa de Abundância é a seguinte: A humanidade está agora entrando em um período de transformações radicais no qual a tecnologia tem o potencial de fazer com que as necessidades básicas de todos os seres humanos do planeta sejam alcançadas. Dentro de algumas gerações nós vamos prover serviços que antes eram reservados a apenas uma parte da população para todos.

Tá achando que é utopia né? Papo de hippie?

Mas não tem nada disso não, os autores do livro são figuras mega influentes do Vale do Silício que simplesmente têm acesso a todo tipo de inovação tecnológica e às pesquisas mais modernas. Resumindo, eles tão vendo agora tudo de mais avançado rolando que fatalmente vai chegar a todo mundo em algum momento.

E, ó, o livro não tem nada de Era de Aquários não. São 50 páginas só de gráficos pra provar pro céticos.

Então,

Abundância, nesse caso, tem a ver com recursos, dos mais básicos aos menos emergenciais. Do tipo: alimentação, moradia, educação, saúde, ar limpo, água potável, acesso a cultura e internet.

O jeito de chegar a esse paraíso de abundância é tecnologia. Que no caso é qualquer aparato que sirva de ajuda pro ser humano trabalhar de forma mais eficiente. Do tipo: Tenho uma árvore de maçãs, eu sozinha tenho acesso a um certo número de maçãs. Mas com a ajuda de uma escada posso chegar ao topo da árvore e então pegar mais frutas, gerando assim abundância de recursos.

Até aqui está bem obvio, né?

Mas olha essa história:

Napoleão III em 1840 ofereceu um banquete aos seus convidados Vips. Reis, nobres, só gente fina. Os convidados receberam talheres de ouro mas só os mais tops comeram em talheres de alumínio. O fato de alumínio ser um dos metais mais presentes na Terra não significava nada porque sua extração era dificílima. (fato interessante: é por isso que a ponta do monumento de Washington, que foi construído nessa mesma época, é feita de alumínio).

Mas em 1854 Henri Sainte-Claire Deville descobriu uma forma de extrair o metal que reduziu seu preço em 90%. Depois ainda veio a eletrólise que gerou de uma vez uma abundância do metal. E a ideia é que isso possa acontecer com outros recursos também.

Continuemos…

Pra começar, o livro já começa explicando as causas psicológicas do sentimento mais natural de se sentir quando lendo a frase ”porque o futuro vai ser melhor que você imagina”: o pessimismo.

Lá na época das cavernas, há muitos anos, quando nossa espécie tinha que sobreviver na natureza selvagem, nós desenvolvemos um cérebro preparado pra detectar o perigo. Nosso cérebro dá naturalmente mais atenção a notícias negativas porque, há milhões de anos, se você não fizesse isso significaria o seu fim.

A mídia, que não é boba nem nada sabe disso e usa dessa nossa falha pra vender mais. Assassinatos, ataques terroristas, crises econômicas e políticas preenchem nossos dias. Não é à toa que somos pessimistas em relação ao futuro.

Mas a verdade é que analisando a nível macro a situação mundial, absolutamente todos os indicativos básicos melhoraram em todos os países do mundo.

Alguns exemplos:

Em 100 anos dobramos a expectativa de vida mundial. Estamos vivendo no momento mais pacifico da nossa história.  A renda per capita média mundial triplicou.

Se você não acredita em mim, acredite nesse cara:

[youtube https://www.youtube.com/watch?v=hVimVzgtD6w]

Outro ponto sobre nosso cérebro é que ele foi desenvolvido em uma lógica local e linear. Mas, hoje, o mundo é tudo menos isso. Ele é global e exponencial.

Pra você entender a diferença entre linear e exponencial olha isso aqui: Se você der 30 passos lineares você sabe que vai chegar a mais ou menos 30 metros. Agora se você der 30 passos de forma exponencial sabe quanto vai dar? 1,2,4,8,16,32,64… Em 30 passos serão 1,073,741,824 metros ( é um bilhão tá?)

QUER DIZER, nosso cérebro evoluiu em um mundo linear, mas criou algo (a tecnologia) que evolui a nível exponencial. Isso significa que a mente do ser humano é limitada ao conceber o futuro. Ele só consegue enxergar um futuro seguindo a lógica linear mas a tecnologia avança e transforma a sociedade de modo exponencial.

Doido, né?

A doidera não pára por aí, não. Existe um lei pra definir esse avanço da tecnologia e desde que foi criada, em 1965, tem se mantido constante mesmo em períodos de guerras e recessões econômicas.

A Lei de Moore diz que o poder de processamento dos computadores dobraria a cada 18 meses (Entenda computadores como a informática geral, vale para todos os tipos de processadores, desde calculadoras, câmeras digitais, sensores, computadores domésticos até super computadores).

Gordon Moore foi um cara que observando a indústria de tecnologia do qual ele fazia parte e tendo acesso às pesquisas mais avançadas da época (exatamente o mesmo caso dos autores do livro) chegou a essa lei.

Isso quer dizer o que a gente já sabe. Quanto mais o tempo passa, mais a tecnologia mais avançada fica cada vez mais barata.

Na prática, isso quer dizer que hoje esse africano aí da foto tem acesso a um serviço de comunicação melhor que o presidente dos EUA tinha há 25 anos. Isso porque se ele tivesse um smartphone ele teria acesso a mais informação que o Bill Clinton, há 15 anos atrás.

Também significa que o seu Iphone tem mais poder computacional que os computadores da NASA que colocaram o homem na lua. É sério. Essa imprevisibilidade para nós meros mortais não super cientistas é o que faz a tecnologia ser tão poderosa.

Quem poderia prever em 1995 (além dessa cara em 1974) quando menos de 1% da população mundial tinha acesso a internet que em 2005 teríamos o primeiro bilhão de pessoas conectadas, em 2010 o segundo e em 2014 o terceiro. Hoje 40% do mundo tem acesso a esse serviço e segundo a UNESCO em 2020 seremos 5 bilhões. Então, em 5 anos teremos mais 2 bilhões de pessoas conectadas. E com mais 2 bilhões de mentes conectadas o que vamos aprender? O que essas pessoas que nunca tiveram voz vão acrescentar a nossa grande conversa mundial? O que eles tem pra nos dizer? E mais importante, o que elas vão criar?

Essas novas mentes são uma força chave pra entendermos porque o futuro pode ter um resultado melhor do que imaginamos. Isso junto com o que o livro chama de poder do DIY dá uma possibilidade infinita de inovação.

Durante uma tarde brincando de montar um avião de lego com seu filho, Chris Anderson editor da revista Wired teve a ideia de montar um avião de controle remoto. Como ele não sabia nada sobre o assunto, resolveu montar um fórum on-line chamado DIY drones. Aos poucos pessoas do mundo inteiro começaram a entrar e trazer suas ideias. Com o uso de um design open-source a conclusão desse fórum foi a criação totalmente colaborativa de um drone que tem 90% das capacidades de drones militares, mas custa 1% do seu preço.

Drones obviamente podem ser usados pra coisa terríveis, mas também pra levar alimento, remédios ou outros materiais básicos pra lugares onde não existem nem rodovias. A um custo de 6 centavos (de dólar) por quilo. Bem incrível.

Essa história dele você pode ouvir aqui:

[youtube https://www.youtube.com/watch?v=aQ91qpiXHGo]

O legal desse exemplo é observar que, hoje, graças a conexão, pequenos grupos trabalhando em conjunto, sem nem precisar se encontrar, tem o mesmo poder de criação e execução que há alguns anos só governos e grandes corporações tinham. E exemplo atrás de exemplo fica mais claro que esses grupos de DIY innovators são muito mais eficientes que essas instituições gigantes.

O livro traz mil exemplos de tecnologias disruptivas de mil áreas, desde biotecnologia, nanotecnologia, energia, saúde, robótica, inteligência artificial, impressão 3d até liberdade de expressão (que a Primavera Árabe deixou bem óbvio o poder da tecnológica nesse campo)

Alguns dos exemplos mais legais:

[vimeo 114286950 w=500 h=281]

SLINGSHOT TRAILER from White Dwarf Productions on Vimeo.

Dean Kamen e sua Slingshot transforma água salgada ou até de esgoto em água potável a custo de 1 centavo por litro. Adeus papo de guerra no Brasil pra roubar nossa água (e, ei, governo de SP, precisamos!).

Falando em água, sabia que 70% da água que é gasta no mundo vai pra agricultura né?

Pois Dickson Despommier já tem uma solução de fazendas verticais envolvendo agricultura aeroponica. Aeroponicos são 70% mais eficientes que hidropônicos que são 70% mais eficiente que a agricultura tradicional. Sentiu o drama?

O resultado é um processo que usa 80% menos de área cultivada, 90% menos de água e 100% menos pesticidas a um custo quase zero de transporte já que essas fazendas estariam localizadas em qualquer prédio no centro de cidades. Segundo seus cálculos, 150 dessas fazendas poderiam alimentar Nova York inteira por 1 ano. Dá uma olhada nesse projeto.

Energia?

É estimado que a terra seja atingida pelo sol por 5 mil vezes mais energia do que a demanda mundial de um ano todo. Hoje só 1% da nossa energia é produzida por painéis solares, mas você já entendeu que com a penetração da tecnologia exponencial tudo é possível.

Saúde?

Um dos autores do livro, Peter Diamandis é também fundador de um fundação chamada Xprize que organiza competições do tipo: 10 milhões de dólares pra qualquer time que criar um dispositivo móvel do tamanho de um celular que te diagnostica melhor que um grupo de médicos certificados. E já tem 7 grupos finalistas do mundo todo competindo.

Enfim, podemos ficar o dia todo aqui dando exemplos.

A esse ponto você deve ter pensado ok, mas que existem mil tecnologias limpas no mundo a gente já sabe. O problema são as mega corporações que vão querer manter o status quo pra continuar ganhando dinheiro.

Sim, isso fatalmente vai acontecer.

Mas se não for pro bem acontecer por empatia que seja então pelo capital que sempre se provou um grande catalizador de mudanças. Muita gente já percebeu que a população pobre quando empoderada ao mesmo que se torna um mercado consumidor valioso melhora a economia dos lugares onde essas pessoas estão inseridas. Iqbal Quadir foi um dos primeiros caras que percebeu a capacidade de gerar riqueza por transações feitas por celulares se liga na história dele:

[ted id=79]

No Kênia, uma empresa lançou um serviço de banco por celulares como o dele. M-pesa tinha 20 mil consumidores no primeiro mês de vida em 2007, em 2011 eram 13 milhões. Um mercado inexistente em 2007 que movimenta 16 bilhões 4 anos depois é um acontecimento bem surreal. E bom, apesar de bancos não serem as instituições mais amadas do mundo (e não deveriam ser mesmo) o resultado disso foi um crescimento de 5 a 30% na renda média dos kenianos que usam o banco.

Sobre isso uma pesquisa da London School of Business and Finance descobriu que adicionando 10 celulares a cada 100 pessoas adiciona 0,6% ao do PIB do país.

Doidera.

Há 20 anos, um americano gastaria 10 mil dólares em mil objetos tipo câmera, celular, cd player, relógio, alarme, enciclopédias e etc que hoje o cara da periferia tem na palma da mão por bem menos que isso. Isso deixa claro o quão “desmonetizadora” é a tecnologia exponencial. Olha como esses 10 mil dólares não significam nada hoje. Esse é o poder do que estamos falando aqui. A tecnologia evolui a um outro nível do que podemos conceber.

E não existiu um plano de fazer com que essas coisas sumissem. Inventores simplesmente fizeram um aparelho mais eficiente, e as pessoas fizeram o resto (criaram apps, fóruns on-line, blogs etc).

Mas assim como já estamos vendo na guerra Uber x Taxistas, a transição não será fácil. No meio do caminho vamos ter que lidar com desemprego em massa que sem dúvidas será um grande desafio (mas que já tem gente apresentando soluções).

E se olharmos a história, a tecnologia e a eficiência que ela traz, nunca perderam a batalha. E não só nós sempre conseguimos nos adaptar como também melhoramos a vida de todo mundo nesse processo. A conclusão que a gente tira dessa história toda é uma coisa que eu já repeti mil vezes e vou falar de novo: é que tecnologia é uma parada poderosa pra caramba. Ela, assim como qualquer ferramenta, pode e é usada pra coisas horríveis e maravilhosas.

As tecnologias de comunicação não asseguram um mundo mais livre e democrático por si só.  O que ela claramente garante é uma plataforma de cooperação. Onde empresas podem se juntar a governos que podem se juntar a pessoas que podem cooperar com outras pessoas a fim de empoderar o indivíduo, promover democracia e igualdade.

A diferença é que dessa vez não precisamos torcer pro acaso do governo ou grandes corporações se movimentarem por nós. Nós sabemos onde temos que chegar e temos acesso a todo tipo de informação que precisamos pra chegar lá. E não precisa ser cientista ou mega influente no Vale do Silício. A tecnologia colocou, literalmente, nas nossas mãos a responsabilidade de tomar partido.

E da próxima vez que seu amigo pessimista vier com mimimi só coloca um desses vídeos aqui do texto pra ele.

Pra saber ouvir o próprio autor falando do livro (vale muuuito a pena) dá um play aqui:

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Sophia Alziri

A Sophia odeia fazer minibiografias. Mas ela é a pessoa mais autêntica e cheia de nuances que eu conheço.

  • Ana Carolina

    O texto está ótimo. A dica é traduzir para o inglês e obter maior alcance.

  • Julio

    Fantástico o texto. Parabéns, pela injeção de otimismo e pela pesquisa.

  • This post have resolved our problem,thanks very much and hope you writting more good articles.