Bianca Siqueira

Sou uma psicóloga apaixonada por conversas, Londres, livros, chocolate e a cor azul. Sempre gostei de escrever sobre minha vida para mim mesma, mas agora resolvi compartilhar meus pensamentos com o mundo. E vamos ver no que vai dar, não é?

15 coisas que eu aprendi com um grande amor

1 – A vida é cheia de surpresas

Não esperava me apaixonar por ele, e quando percebi o que estava acontecendo tive que fazer muitas escolhas que tiveram várias consequências. Escolhi me entregar ao que eu estava sentindo, e viver essa história de amor com ele com certeza foi a melhor das consequências. Aquele pedacinho de vida que tivemos juntos durante aquele tempo finito mudou pedacinhos da pessoa que eu sou atualmente.

2- Como é estar em plena sintonia com uma pessoa

Nossa intuição em relação um ao outro era quase sempre exata de uma maneira mágica, e sabíamos exatamente o que o outro estava pensando e sentindo. Não conseguíamos fugir, e percebi que isso era tão incrível quanto assustador. Não precisávamos de palavras para falar e expressar pensamentos e sentimentos, muitas vezes um gesto, um olhar ou um sorriso era mais que suficiente. Entendi como era bom e gratificante fazer parte de alguém e da sua vida desse jeito tão intrínseco.

3 – Distância física não é um fator decisivo, mas é contribuinte

A distância física pode atrapalhar e tornar o relacionamento mais difícil, mas no fim cabe à nós insistir ou desistir, porque o sentimento não acaba quando um de nós vai morar longe. Às vezes falar por mensagens é tão intenso e significativo quanto estar frente-a-frente. Saudade é um sentimento palpável que surge de muitas maneiras, como declarações espontâneas por mensagens, ou lágrimas derramadas na solidão do seu quarto.

4 – Música é uma linguagem racional e emocional por si só

Músicas realmente falam com sua alma e você se identifica com as palavras de amor, com o ritmo da tristeza, e até com o calor da raiva. Uma música pode tanto te dar conforto quanto te fazer chorar copiosamente porque o cantor soube expressar exatamente o que você estava pensando e sentindo. As coisas fazem um pouco mais de sentido acompanhadas de uma boa trilha sonora.

5 – O poder e a importância das amizades girl power

As amigas são sempre essenciais, mas se tornam ainda mais nesses momentos. Elas estão ali para ouvir, dar apoio, comemorar as conquistas, dar colo na necessidade, dar conselho, xingar o maldito quando te machuca, beber cerveja para superar as dores e ver filmes do Magic Mike juntas para apreciar homens bonitos e gostosos. Algumas vezes acontece de vocês estarem passando por situações parecidas na mesma época e a amizade de vocês atingirá níveis antes inimagináveis. Você descobre que a vida é muito melhor vivida com sua melhor amiga do seu lado.

6 – Para amar é preciso confiar profunda e plenamente

Ele me admitiu uma vez que tinha medo do “poder” que me dava, mas a verdade era que ele confiava em mim o suficiente para ser completamente vulnerável, e em troca cuidava da minha vulnerabilidade que eu confiava nele. A sensação era libertadora e maravilhosa, mas também vinha junto daquele medinho de despencar de uma altura tão alta que talvez não sobrevivêssemos à queda. De vez em quando a auto-preservação que aprendemos ao longo das nossas vidas nos fazia hesitar, e aprendi que era um constante esforço consciente pular na direção dele. Em compensação cair naquele abraço era um dos maiores confortos, e estar com ele era mais aconchegante que minha cama.

7 – Amor pode ser um sentimento muito poderoso e arrebatador

Amar plenamente alguém é uma das maiores aventuras que podemos viver, e sentir tão intensamente pode ser uma das melhores coisas que você tem capacidade de fazer. Sentir alegria, carinho, amor, paixão, confiança, cumplicidade, amizade, companheirismo, intimidade e uma miríade de emoções e receber isso tudo em troca pode ser uma das maiores honras que temos como seres humanos.

8 – Algumas coisas a lógica e a racionalidade não conseguem explicar

No meio das brigas, eu tinha a certeza do amor dele por mim; No meio das lágrimas, das mágoas, e da vontade de ir embora, eu tinha certeza que ele não queria me machucar propositalmente; Entre os medos, eu sabia da sua bondade como pessoa. Mesmo que meu cérebro não soubesse explicar como algumas dessas certezas eram tão claras e óbvias, meu coração simplesmente sabia e aceitava, do mesmo jeito que aquela mágica da intuição funcionava. Apesar disso, também me dei conta que às vezes isso não é suficiente e não faz doer menos.

9 – Amar é um sentimento que vem acompanhado

Amor e medo são dois sentimentos muito poderosos que parecem opostos, mas muitas vezes andam de mãos dadas. Amor e dor, ou amor e tristeza, de vez em quando são sinônimos. Ocasionalmente é preciso escolher entre eles, e essa escolha dita como o relacionamento flui.

10 – Grandes amores deixam marcas

Existem alguns momentos que serão monumentais, marcantes e verdadeiros game-changers. Eles farão o relacionamento mudar, para bom ou ruim, e não temos como prevê-los ou ignorá-los. Ocasionalmente até podemos sentir um deles chegando e o medo da mudança ou do desconhecido nos fará tentar evitá-los a todo custo, mas eles são inevitáveis. Esses momentos marcam nossas almas com seu impacto, e uma parte desses sentimentos nunca vai embora, simplesmente viram aprendizados para o resto da sua vida.

11- Sentimentos mudam

Eles podem mudar rapidamente, se transformarem momentaneamente em raiva, tristeza ou decepção, ou podem ir mudando devagar e aos poucos, deixando de ser uma paixão arrebatadora ou um amor grandioso e se transformando em carinho e amizade. Essas mudanças muitas vezes são assustadoras e difíceis de lidar e aceitar, mas também são incontroláveis e inevitáveis.

12 – É possível viver sem arrependimentos

Mesmo quando tudo dá errado e o relacionamento termina, é muito bom ter a plena certeza de que você fez de tudo o que podia fazer, foi o mais honesta que pôde, se entregou o máximo que conseguia, tentou de tudo, e que mesmo assim não foi o suficiente para funcionar. Terminar não é fracassar, aprender é evoluir e é bom não ficar ressentida quando não dá certo. Às vezes a culpa não é realmente de ninguém senão da metamorfose da vida.

13 – Você não será mais a mesma pessoa, e isso é bom

Você aprende muito sobre si mesma, como sua capacidade de perdão nos momentos de mágoa, sua imensurável força e resiliência nos momentos difíceis, sua inacreditável coragem nos momentos assustadores, sua liberdade nos momentos plenos, resistência nos momentos cansativos, e da sua imensa capacidade para amor que antes nem sequer imaginava ter. Amar é expansivo e você evolui com cada experiência.

14 – O tempo realmente ajuda

Com o tempo você supera a dor, deixa pra lá a mágoa e verdadeiramente segue em frente com a sua vida. As lembranças ficarão com você, descoloridas dos sentimentos mais fortes, mas tingidas de nostalgia e aprendizado. Ocasionalmente você lembrará dele, de vocês, do amor, e vai sentir apenas paz.

15 – Existirão outros grandes amores

Vai ficar tudo bem. Eventualmente as coisas darão certo novamente, você precisa apenas continuar tendo coragem e abertura para futuros grandes amores na sua vida, eles virão.

 

10 coisas que você aprende quando vai morar fora

1) O mundo é muito maior do que se imagina.

Claro que geograficamente falando você sabe que o mundo é enorme. Mas uma coisa é olhar o mapa mundi na aula de geografia, outra completamente diferente é ir andar pelo mundo, se aventurar por lugares novos, conhecer culturas diversas e expandir seu mundo interior cada vez mais. Quando se está acostumada a caminhar sempre pelos mesmos lugares, você já sabe o que esperar pelas ruas em que anda. Na primeira vez que fui pra Roma cheguei de noite e exausta, então eu e minhas amigas decidimos apenas andar pelas ruaszinhas perto do hotel procurando por um lugar barato para comer. As ruas eram simples, então eu não estava esperando virar uma esquina e dar de cara com o Pantheon e toda sua magnitude, me deixando completamente deslumbrada. O novo, inesperado e incrível te surpreendem e te mostram que existem muitas coisas boas escondidas pelo mundo.

2) Você vai conhecer muitas pessoas diferentes por aí.

Conhecendo lugares diferentes você inevitavelmente acaba conhecendo as pessoas que vivem nesses lugares. Dependendo para onde você for a língua pode ser um primeiro empecilho, mas você logo descobre que as pessoas reagem a um sorriso e bom humor. Além disso, existe brasileiro em qualquer lugar do mundo então você também acaba conhecendo amigo de amigo que conhece alguém, e quando você menos esperar seu grupo de amigos aumentou muito. Isso também proporciona potenciais colegas de apartamentos, como aconteceu comigo, e novos amigos que às vezes moram em outras cidades que você pode ir visitar e economizar na hospedagem. Minhas amigas do intercâmbio estão presentes na minha vida até os dias de hoje, então nunca se sabe onde você vai conhecer pessoas para a vida toda.

3) Morar sozinha/com amigas é muito bom, mas também dá bastante trabalho.

Sair de casa, mesmo que temporariamente, tem um lado bom e um ruim. Bom porque você passa a ser dona do seu próprio nariz, tem mais liberdade para fazer suas próprias escolhas como onde morar, como decorar seu quarto, o que cozinhar, deixar o quarto bagunçado ou não… Mas também é ruim porque você tem muito mais responsabilidades do que antes, como precisar ir ao mercado comprar comida, ter contas para pagar, lavar suas próprias roupas e, pior ainda, seus próprios lençóis. Eu mesma admito que talvez tenha trocado meu lençol menos vezes do que minha mãe teria trocado, e não tenho vergonha de admitir que não usei o ferro para passar minhas roupas nenhuma vez antes de usá-las. Era simplesmente mais trabalho do que eu queria, e a melhor parte era que eu não me importava nem um pouco com isso. Então, na minha opinião, por mais trabalhoso que seja morar sozinho, é algo que vale muito à pena.

4) A vida pode ser muito mais fácil.

Dependendo de onde for morar, você descobre o que é viver em um país onde as coisas funcionam. Onde os ônibus são pontuais e têm horários específicos para passar, o metrô funciona perfeitamente, é seguro andar pela rua com seu celular na mão, você pode deixar seu carro destrancado, não existe tanta burocracia difícil e sem sentido, e etc. A sensação de segurança ao andar de madrugada pela rua é algo que eu sinto falta até hoje depois de voltar para o Rio. Claro que existe perigo e assalto em qualquer parte do mundo, mas não existe a constante sensação de insegurança. Você se estressa com bem menos detalhes, sua vida muitas vezes é mais tranquila e segura, e quando você voltar para o Brasil vai ter muita saudade dessas pequenas coisas que fazem tanta diferença.

5) Viver com uma perspectiva diferente.

Quando nos acostumamos com uma maneira específica para as coisas serem, acabamos esquecendo que outras culturas têm costumes diferentes. Então quando você se imersa em uma cultura nova passa a enxergar tudo de uma perspectiva diferente. Desde coisas simples, como comidas diferentes, até hábitos novos, como, por exemplo, em algumas cidades na Espanha eles tem o costume de fazer ciesta, um horário de descanso pós-almoço. Eu, que sempre fiz tudo de tarde, levei algum tempo para me acostumar a fazer minhas coisas ou de manhã ou de noite, mas com o tempo passei a apreciar bastante o cochilo pós-almoço. Lá também passei por maus bocados com a polícia porque eu e minhas amigas estávamos a caminho de uma festa bebendo cerveja na rua, algo que é proibido por lá e não sabíamos. Por sorte quando os policiais descobriram que não éramos de lá foram legais e nos deixaram ir embora apenas com um aviso. Então também aprendi a importância de pesquisar um pouco sobre os costumes e, principalmente, as leis do lugar que você está indo antes de chegar lá.

6) Arriscar.

Quando se está em um lugar novo parece mais fácil arriscar. Você sente uma sensação de liberdade das expectativas alheias, como um ‘ninguém aqui me conhece, e daqui a pouco vou embora mesmo’. Isso se aplica desde puxar conversa com um desconhecido em uma festa, até comprar espontaneamente uma passagem de avião para um lugar desconhecido e exótico. Você fica com essa vontade/necessidade de aproveitar cada momento porque sabe que um dia o intercâmbio vai acabar e você vai voltar para casa, então acaba arriscando mais e, como consequência, vivendo, aprendendo e aproveitando muito mais. Algumas das minhas histórias e lembranças favoritas são de momentos em que eu pensei um ‘foda-se’ e arrisquei, como decidir ir em cima da hora para uma festa que acabou sendo incrível, até perder algumas aulas na faculdade porque eu preferi ir com minhas amigas para Londres no Natal.
7) Você vai sentir medo, mas vai superá-lo.

Ter medo é inevitável quando se está vivendo uma experiência desconhecida. Medo de não encontrar um lugar bom para morar, de andar sozinha de madrugada pela rua porque ainda não sabe se é seguro, de ir visitar um lugar novo, de viajar para algum destino exótico, etc. Medo é uma maneira de nos mantermos seguros, nos impedindo de fazer coisas que podem representar perigo. Se você sentir medo é preciso parar, respirar, analisar a situação, pedir ajuda se necessário e às vezes experimentar mesmo com medo, porque muitas vezes o perigo está apenas na nossa mente. Uma vez fiz uma viagem sozinha em que absolutamente tudo que podia dar errado, deu. Me lembro de, em um certo momento, estar à beira das lágrimas sem saber o que fazer para resolver os problemas e pensei que se tivesse ficado em casa tudo estaria bem. No fim das contas decidi não me preocupar tanto, arrisquei mesmo com medo e acabei tendo uma viagem maravilhosa.

8) Viajar é uma das melhores coisas do mundo, mas requer um certo esforço.

Eu não tenho dúvidas que viajar é incrível, mas também aprendi que muitas vezes dá muito trabalho. Principalmente se você está em um lugar onde consegue voos baratos para cidades incríveis, então acaba aproveitando e viajando bastante. Dá trabalho desde arrumar uma mala pequena porque não quer pagar super caro pelos quilos extras, até sentar em uma poltrona pequena e muito desconfortável, pegar voos em horários desumanos porque são muito mais baratos, caminhar muito pelas cidades, comer porcarias para economizar e gastar no bar à noite, ficar em albergues que não são exatamente como eram nas fotos do site… Viajar cansa, e não tem nada como dormir na sua própria cama, mas eu acredito que as vantagens com certeza superam o trabalho e o torcicolo, e as experiências que você vive se tornam ou aprendizado ou histórias engraçadas para se contar na volta.

9) Liberdade vem de dentro.

Liberdade é um sentimento, uma sensação incrível que você sente de leveza e independência. Muitas vezes ser livre fisicamente, como ir para um lugar novo, te ajuda a perceber que você precisa se sentir dessa maneira para verdadeiramente ser. Livre de preocupações, medos ou anseios, poder viver no presente aproveitando as coisas boas e superando as ruins, fazendo suas próprias escolhas e lidando com as consequências. É mais fácil sentir isso tudo quando se está em um lugar novo e diferente porque parece que as pessoas não têm as mesmas expectativas de você, e muitas vezes nem você de si mesmo. Essa sensação é viciante e, principalmente, interna. Então depois que se aprende a viver assim, é possível mantê-la mesmo quando você volta para casa.

10) Sua vida nunca mais será a mesma.

Depois de viver tanta coisa diferente, aprender tanta coisa nova, conhecer muitas pessoas e lugares incríveis, você com certeza não será mais aquela pessoa que chegou ali no primeiro dia. Seu mundo, sua mente, suas ideias estarão expandidas. Você muda e ao voltar para casa muitas vezes não se encaixa mais no mesmo lugar de antes, e isso não é necessariamente uma coisa ruim. Crescer, amadurecer e evoluir é inevitável e, principalmente, necessário. Viajar é apenas uma maneira mais intensa, rápida e maravilhosa disso acontecer.

Mariana, o amor não enxerga gênero

Arte por Sabrina Gevaerd
Arte por Sabrina Gevaerd

Eu já estava dormindo quando meu celular tocou naquela madrugada. Acordei meio assustada com o barulho alto, já que eu durmo com o celular quase grudado no rosto, e vi um número desconhecido na tela. Normalmente eu não atenderia, mas tive uma sensação esquisita de que eu precisava atender aquela ligação. Era um cara qualquer que trabalhava em um bar onde uma menina muito bêbada estava precisando de ajuda, e meu numero era o mais discado do seu celular. Tive certeza que era Mariana. Fui de pijama mesmo, o cabelo preso em um desses nós embaralhados no topo da cabeça, usando meus óculos velhos e uma havaiana desbotada. Quando cheguei lá a encontrei praticamente desmaiada, e senti uma misturade raiva pela sua falta de cuidado com uma preocupação em saber o que tinha acontecido. Mariana nunca foi dessas que bebe demais, então algo estava claramente errado.

Precisei acordar meu irmão para me ajudar a carregá-la do carro até meu quarto, tirei seus sapatos, coloquei um balde no chão e deitei do seu lado na cama. No dia seguinte acordei quando ela pulou para fora da cama em busca da privada e acabamos passando a tarde inteira entre cochilos, ela passando mal, eu perguntando o que tinha acontecido e recebendo de respostas apenas desculpas, como estresse, para ter bebido tanto. Eu sabia que ela estava me escondendo algo, mas achei melhor não pressionar e esperar ela me dizer quando quisesse. Apenas deixei claro que eu estaria ali para ouvir se quisesse me falar quando se sentisse preparada.

Read Article

Às vezes nos surpreendemos

Foto: Rob Woodcox
Foto: Rob Woodcox

“Até quando você vai deixar ele ficar te enrolando desse jeito?” Foi o que ouvi de uma pessoa na época em que eu estava no meio de um relacionamento complicado. Foi bem ruim escutar aquilo. Não me entenda mal, eu acho que às vezes precisamos mesmo ouvir algumas frases assim na lata, dessas que vem como um tapa na cara para que finalmente comecemos a enxergar as coisas como elas realmente são. Foi por isso, por acreditar que às vezes precisamos ouvir certas coisas e pelo fato de que eu normalmente escuto o que as pessoas me dizem para então ver se concordo ou não, que me peguei ponderando se existia alguma verdade naquela frase com a minha situação e se, caso houvesse, porque eu não estava enxergando isso, porque estava deixando ele me enrolar do jeito que ela deixou implícito.

A pessoa que me disse isso não era uma amiga, não era alguém que sabia sobre o meu relacionamento, era alguém que conhecia a mim e a ele em um nível apenas social e, principalmente, era uma pessoa que falava o que pensava sem papas na língua. Por causa de todos esses fatores eu normalmente não me importaria com o que ela falou, mas aquela frase mexeu comigo, me incomodou, e eu fiquei algum tempo pensando muito seriamente nisso: se ele estava me fazendo de idiota e eu não via, se eu estava em um relacionamento sem futuro, se as pessoas ao meu redor viam essas coisas mas eu não e, ainda mais assustador para mim, se ele era tão bom em enganar que eu não enxergava nada disso.

Boa parte dessas coisas eu pensei porque, infelizmente, a realidade é que muitos homens hoje em dia são, como minha amiga Luisa falou em um texto dela, jogadores profissionais no flerte. Escutamos e vivemos tantas histórias de homens enganando mulheres, fazendo nos sentirmos idiotas, não sendo honestos e agindo de maneiras para que fiquemos presas em um ciclo sem fim onde continuamos gostando deles enquanto eles não se envolvem. Uma situação dessas é realmente muito exaustiva, principalmente para a mulher.

Mas o que eu quero falar aqui é de uma situação diferente. Depois de muito pensar sobre a frase que me foi dita, percebi que eu não estava levando em consideração o tipo de pessoa que eu sou e o tipo de pessoa que ele era. Eu e ele tínhamos sempre sido muito honestos, e a nossa confusão no relacionamento era com o que queríamos para o futuro e como realmente nos sentíamos um com o outro. Apesar disso, eu reconheci sinais que talvez, em algum nível inconsciente, ele estivesse mesmo me enrolando.

Vou explicar. Eu não acho que ele fazia joguinhos comigo propositalmente, sabendo que se me mandasse uma mensagem genérica programada a cada dois dias ele teria certeza que eu estava sempre lembrando e pensando nele, marcando seu território. Acho que no nosso caso era apenas o tipo de pessoa que ele era. Quando ele ficava desconfortável com o que sentia, ou com o nível de intimidade no relacionamento, seu primeiro instinto era sumir, se proteger e não lidar com o que quer que o incomodasse. Muitas vezes a responsável por fazer ele se sentir daquele jeito era eu, então era óbvio que o mais fácil era simplesmente não falar mais comigo durante algum tempo. O que acabava me deixando sem entender nada, me fazendo me sentir enganada e extremamente cansada.

A verdade é que, de algum modo, ele estava sim me enrolando. Mas como eu o conhecia muito bem,sabia que não era de nem de propósito, nem por maldade, nem era um jogo para marcar território, era apenas mais simples e menos doloroso para ele agir daquele jeito, então acabava sendo o seu natural. Claro que para mim isso não tornava a situação mais fácil, nem menos cansativa, nem menos dolorosa. É apenas uma visão diferente de algo que continua sendo muitomuitoruim.

Existem pessoas que vão te enrolar de propósito e existem mesmo situações em que você ficará perdida sem conseguir enxergar as coisas direito. Quando suas amigas te falarem frases como aquela ou derem conselhos, recomendo que as escute e pare pra pensar se elas podem ter razão ou não. Às vezes o cara realmente é um jogador profissional de flerte que não vale à pena se envolver, mas às vezes a situação pode ser diferente e inusitada, como foi o meu caso.

Quando aquela pessoa me disse aquela frase ficou claro para mim que ela estava me julgando como uma idiota por estar naquela situação. Eu não era idiota, e apesar da situação não ser como ela tinha julgado, eu sabia que algo estava acontecendo então tomei a atitude que eu achava certa: conversei com ele. Fui honesta e falei como ele estava fazendo eu me sentir, e quando ele se deu conta de como estava agindo comigo mudou de atitude, porque em momento nenhum quis me machucar de propósito, era apenas a maneira como ele tinha aprendido a lidar com situações difíceis ao longo da vida. Isso não desculpa a atitude dele, mas com certeza me faz vê-lo como humano. Todos nós temos nossos problemas, padrões comportamentais ruins e inconscientes, então meu conselho é que estejamos sempre abertos a falar e a ouvir. Às vezes podemos nos surpreender.