Larissa Foresto

Advogada por formação. Concurseira por opção. Por meio da escrita busca dar vazão às emoções. Algumas, muito particulares, outras, comuns a todos. Sua palavra preferida é ‘des-envolver’: deixar de se envolver com sentimentos antigos e ultrapassados para se tornar a melhor versão (inédita) de si mesmo.

Pra que tanto drama?

Perceba. Olhe ao seu redor. Seja no ambiente familiar ou mesmo profissional, ser equilibrado – ou buscar pela neutralização dos polos – não é mais interessante. Ser, no mínimo, tumultuado é que está em alta. É “cool”, excêntrico, desafiador e garante uma série de “likes” nas redes sociais. E talvez você ache que a minha fala ultrapasse o politicamente correto e que eu também queira (só) chamar a sua atenção.
Como diria o escritor francês André Gide, com bons sentimentos não se faz boa literatura. Essa constatação não se aplica apenas às artes, área na qual é poético ter transtornos psíquicos ou uma certa dose de melancolia que seja, mas também se refere à nossa rotina, rotina essa que na maioria do tempo é pouco atraente, infeliz ou mesmo indiferente aos olhos dos outros.
Sem sombra de dúvidas, a complexidade da alma é altamente instigante, mas só até a página 2. Afinal de contas, seus personagens preferidos da ficção dariam péssimos vizinhos. Então, sem banalizar as questões humanas mais profundas, porque a dor é cada vez mais glamourizada nos dias atuais?
É claro que os dramas de Pedro Almodóvar são essenciais para fazer pensar além da caixinha. A depressão de Wood Allen pode parecer favorável aos seus filmes, mas, no dia a dia, não dá pra dispensar o “água com açúcar” das novelas mexicanas, caso contrário, tudo seria pesado demais. Insustentável até para os mais leves dos seres.
Por isso, o entediante, no melhor dos significados, talvez seja fugir dos extremos comportamentais. Ser um bom equilibrista na corda bamba das emoções e dos sentimentos a que estamos sujeitos, com períodos alternados de equilíbrio, inconstância, alegrias e tristezas.

Vaidade das vaidades

Pintura por RJ Poole
Pintura por RJ Poole

“Vaidade das vaidades. Tudo é vaidade”. A frase do Eclesiastes traduz bem a nossa época. A vaidade é a mentira que contamos sobre nós mesmos, por isso o assunto exige sinceridade e autocrítica. Nossa agonia de achar um lugar no mundo nos diz algo que é profundamente verdadeiro: somos pó.

A manifestação mais óbvia da vaidade é a beleza. Tempos atrás as cirurgias plásticas eram feitas para corrigir defeitos congênitos. Hoje pensamos que a falta de beleza é um defeito congênito, tal como o envelhecimento.

Preferimos acusar a ditadura da beleza física em defesa da democracia da beleza interior, porque sobre esta é mais fácil mentir. Ela é invisível e esconde um vazio maior: o da alma. Mas a vaidade não tem relação apenas com a beleza, ela vai além: é uma máscara, um véu sobre o vazio. Por isso, ela aparece como algo que deve ser superado. Uma doença da qual deveríamos curar com o tempo.

Diante desse contexto, indaga o filósofo Luiz Felipe Pondé: “Mas não seria vaidade maior ainda se orgulhar de não ter vaidades”? Só o rico pode criticar a riqueza? Só o belo pode maldizer a beleza? Só o sábio pode queixar-se do conhecimento? Sim, pois caso contrário corremos o risco de parecermos ressentidos, bradando contra aquilo que não temos.

Sempre queremos sair do clichê, mas como disse Oscar Wilde, só uma pessoa superficial não julga a outra pela aparência. Diante da beleza do outro nossas imperfeições se evidenciam. A vaidade se esconde atrás da inteligência, da atitude. Seria a vaidade intelectual mais perdoável?

A vaidade física esconde as rugas, a intelectual, as inseguranças. O fato é que não existe maquiagem ou cirurgia plástica para suprir a falta de inteligência. E a sua vaidade? O que ela esconde?

Procure ver a 3° margem do rio. Sua vulnerabilidade não pode te parar.

Arte por Sanja Marija Marušić.

A ideia pode ser batida, mas não há outra maneira tão eficaz quanto a de enfrentar os obstáculos que a vida te impõe. E isso não significa negar as dificuldades nas quais você está envolvido, fechando os olhos para o desconforto que sente dentro de si. Pelo contrário, é ter consciência de que algo precisa ser modificado e ter a ousadia de se desafiar cada dia mais em busca da sua evolução, seja ela pessoal ou profissional.

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Você sente o que sente?

Foto por Bárbara Garrido.
Foto por Bárbara Garrido.

Se estiver feliz, sorria. Se estiver triste, chore. Se estiver com medo, se esconda. Parece simples, mas identificar todas essas emoções, principalmente as negativas, com os seus corretos nomes não é uma tarefa fácil. Até porque em algum momento da vida você foi aconselhado a ‘deixar pra lá’ os sentimentos ruins como raiva, inveja, medo e frustração; ao mesmo tempo, a ideia de apologia à felicidade lhe foi imposta: é preciso estar bem e feliz, sempre!

Claro que buscamos o estado de contentamento, porém, negar ou maquiar o que se sente não é o melhor caminho para tanto. Aceitar o domínio de uma emoção negativa faz com que ela seja superada mais rapidamente. Nesse contexto está inserida a inteligência emocional, conceito trazido pela psicologia que descreve a capacidade de reconhecer os próprios sentimentos e os dos outros, assim como a habilidade de lidar com eles.

De acordo com Daniel Goleman (nome de referência sobre o assunto), a inteligência emocional também é responsável pelo sucesso ou não dos indivíduos em várias áreas da vida – é tão ou mais valiosa que o famoso QI. Como exemplo, recorda o autor que a maioria das situações de trabalho é envolvida por relacionamentos entre as pessoas e, desse modo, as que têm uma melhor compreensão de si e do ambiente que as cerca têm mais chances de obter êxito. Além disso, indivíduos com essa capacidade desenvolvida têm geralmente boa autoestima, motivam-se facilmente, são persistentes e controlados.

E se você acha que isso é tudo uma grande enrolação, saiba que a ciência já descobriu que pessoas com altos níveis de QI são superadas 70% das vezes por pessoas emocionalmente inteligentes. Basicamente, saber controlar suas próprias emoções, refletir sobre elas e colocar suas conclusões em prática pode fazer com que você se dê melhor do que o “gênio” da turma.

DICAS PRÁTICAS PARA DESENVOLVER A SUA MENTE EMOCIONAL.

Preste atenção no corpo. Em vez de ignorar os sinais físicos das emoções, comece a ouvi-los. Nossas mentes não são desconectadas do corpo, eles se afetam profundamente. Por exemplo: o estresse pode causar algo parecido com um nó no estômago, pressão no peito ou respiração acelerada.

Evite julgar as emoções. Todas elas são válidas e têm seu papel, até as negativas. Ao condená-las, você inibe a habilidade de sentir plenamente, o que dificulta o uso delas em seu favor.

Pratique decidir seu comportamento. Você não pode evitar as emoções que sente, mas pode decidir como reagir a elas.