Marcela Picanço

Criadora e editora do De Repente dá Certo! Este blog é um mapa de onde minha imaginação foi. Agora, o caminho é de vocês. Sejam bem-vindos! Pra saber mais é só clicar ali em cima no: "Quem escreve essas coisas?"

Disciplina é um processo e não apenas uma decisão

Disciplina. Esta palavra ronda nossa vida por meio de textos motivacionais, revistas fitness e livros de auto-ajuda. A gente sabe que só vai conseguir o que almeja se essa palavrinha mágica for inserida no dia a dia: disciplina. Nos sentimos até meio idiotas quando nos dizem que falta de disciplina é preguiça. Será que é só isso mesmo? Por que é tão difícil ter disciplina?

Porque ter disciplina significa abrir mão de alguma coisa, nem que seja de mais algumas horinhas de sono, de comer um chocolate, de assistir a mais um episódio de uma série. É complicado achar o equilíbrio entre a disciplina e o fazer o que você quer no momento, mas o segredo está aí.

Se a gente começar a seguir tudo certinho e nunca abrir mão de nada, a vida fica muito chata. O objetivo vai ser alcançado, mas será que vale a pena desfrutar só da linha de chegada e não do caminho?

É claro que eu coloco essa regra de modo geral, porque tem gente que é muito feliz sendo disciplinado e tendo o controle de tudo, mas acredito que, assim como eu, muita gente tem dificuldade criar esse hábito. E entre não ter disciplina nenhuma e ter um mínimo de disciplina, é melhor que a gente fique com a segunda opção se quisermos alcançar algum resultado.

A primeira coisa que devemos encontrar para começar a ter disciplina é a motivação. Qual é a sua motivação para criar uma rotina disciplinada? Se a motivação não for real, a disciplinada não vai fazer o menor sentido.

Primeiro você deve se perguntar: para que eu quero ter disciplina? Quando você encontrar o seu motivo,  crie metas diárias que não causem uma ruptura brusca na sua rotina. Por exemplo, se você quer começar a se exercitar, procure alguma atividade que não vá te tirar muito do caminho ou dos seus horários. Pode ser na hora do almoço ou entre o trabalho e a faculdade ou um curso livre que você faça.

Use o tempo a seu favor. Organize-se. Quer economizar dinheiro? Separe uma horinha para fazer mais comida e leve como uma quentinha para almoçar no trabalho. Pense que vai ser só mais uma hora gasta em um dia da semana para 5 dias de refeição economizadas.

Quer se especializar em algum assunto? Comece a fazer aulas onlines gratuitas duas ou três vezes por semana sempre no mesmo horário. Qualquer coisa que seja, você precisa começar aos pouquinhos. Na época da escola e da faculdade a gente tinha um compromisso com o horário da aula, certo? Marque um compromisso com você mesmo com data e local. Dedique-se por uma horinha no dia ou apenas uma horinha na semana para começar.

Tudo na vida começa aos poucos. Não adianta decidir que vai mudar o estilo de vida totalmente na segunda-feira. Aliás, na maioria das vezes, isso nos leva à frustração, porque não conseguimos, nos culpamos, ficamos ansiosos e continuamos parados no mesmo lugar.

A sensação de realmente fazer algo que você planejou te impulsiona. E, de repente, sem você notar, a disciplina virou um hábito.

Eu não tenho opinião sobre isso

Arte por Aykut Aydoğdu
Arte por Aykut Aydoğdu

Nesses últimos tempos eu me deparei com uma situação muito louca: o fato de eu ter medo de dizer que não tenho opinião sobre determinado assunto. Sempre que eu falo isso, começam a vociferar um bando de frases prontas do tipo “você tem que prestar atenção nisso”, “você tem que se informar mais”, “nossa, mas como você consegue passar os dias sem se questionar sobre isso?”.

Como se todas as pessoas do mundo precisassem saber o que está acontecendo o tempo inteiro e mais, ter uma opinião sobre tudo isso. Eu sou uma das maiores defensoras da Era Digital, quem me lê sabe disso, e eu acho realmente incrível o fato da gente poder estar a um clique de distancia de qualquer informação.

Beleza, mas de onde veio essa ideia de que a gente precisa estar inteirado sobre tudo o tempo todo? E pior, levantando um bandeira por tudo.

Eu já mudei tanto de opinião sobre tantos assuntos que cheguei a duvidar de mim. Será que eu sou tão vulnerável assim? Como se estar aberta para entender os outros lados fosse sinal de fraqueza.

Quanto mais eu vejo as pessoas cheias de certezas, mais eu chego à conclusão de que ninguém sabe de nada, porque não existe certo e errado. No fundo, tudo é uma construção nossa, tudo é uma opinião, um ponto de vista.

São tantas camadas de informações que, até chegarem na gente, já estão todas distorcidas. Quem nunca leu uma história no jornal, mas conheceu um amigo de um amigo que estava lá e disse que foi completamente diferente? Talvez tudo seja realmente relativo e a gente está brigando e julgando o outro simplesmente por estar enxergando as formas de outro angulo.

A única certeza que eu tenho, apesar de tentar desconstruir todas as certezas que eu criei, é que a gente não deve ultrapassar o limite de liberdade do outro. Então, se eu cumprir com esse papel que eu acho justo, ninguém pode me julgar por eu não ter uma opinião ou por não levantar a bandeira de algo que eu não tenho certeza.

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Às vezes eu me sinto incompreendida nesse mundo flaXflu entre esquerda e direita. Me criticam por eu ter ideias sociais de esquerda, feminista, puta, socialista. Me criticam por eu defender algumas ideias de direita, capitalista, fria, não pensa nos outros. Você tem que tomar uma posição para votar nas pessoas que vão governar o seu país, você é responsável por essa merda toda que você reclama.

Eu sei, eu sei que é importante. Mas até que ponto esse discurso não é mais da certeza mesquinha de alguém? Até que ponto isso é mais importante do que construir algo que eu realmente acredite, que faça realmente diferença na vida das pessoas, mesmo que em uma escala menor?

Por isso eu parei de ouvir o que eu tenho que fazer, sobre o que que eu tenho que saber, sobre onde eu preciso me informar. A gente lida com tanta informação que acaba virando um bando de informação superficial. Tem gente que consegue, tem tempo e adora se envolver com mil assuntos. Tudo bem. Eu só não acho justo que eu tenha que fazer isso também. Esse negócio de multitarefa não é pra mim. Eu adoro fazer nada, gente. E às vezes eu me julgo por gostar de fazer isso. Olha só que doentio.

E fora o trabalho de 8 horas por dia e minhas 8 horas de sono, sobram 8 horas para eu aprender alguma coisa nova, estudar sobre meu trabalho, ler um livro, conversar com meus amigos que moram longe, me divertir, cuidar do blog, ir pra academia, fazer nada…

Uma decisão sábia é filtrar quais informações você quer que cheguem até você e escolher qual delas você vai se aprofundar, sem tentar participar de tudo de forma superficial, sem ter certeza. E claro, sem julgar o outro por ele não querer se aprofundar nas mesmas coisas que você, só porque você tem certeza que é importante.

Eu tenho feito isso há um tempo e minha ansiedade tem me dado uma trégua. Aceitar não ter uma opinião e não sentir necessidade de estar a par de tudo te dá mais tempo de se aprofundar e pensar em coisas que você realmente quer. É mais produtivo e menos estressante viver assim,  pode apostar.

Encontro do mar com o rio

Ela se doa, se entrega, se dissipa
Como água corrente, se transforma
Tenta ser pedra, tenta segurar
Mas quando vê, já foi
Já é não mais ser

Pede muito por ser muito
Não sabe ser pequena, simples
Inventa, seduz, deduz
que as linhas são ondas
que o amor é fácil

Quem vê até pensa
que ela é ingênua
mas ingenuo é quem não vê
O mundo como ela vê
Enquanto os outros veem um copo
Ela enxerga a tempestade

 

 

O privilégio de não saber o que fazer da vida

Arte por Alpay Efe

Eu sei que não saber o que fazer da vida pode ser muito angustiante. Somos impactados por tantas histórias de pessoas que juntaram profissão com o propósito de vida e foram viver felizes para sempre que parece obrigação encontrar a nossa vocação e arriscar tudo por pela.

A questão é que eu vejo muita gente sem ideia do que fazer da vida, mesmo já sabendo o que faz seus olhos brilharem. E vejo outras que gostam de tantas, mas tantas coisas ao mesmo tempo que não querem se dedicar a uma coisa só. São pessoas do mundo, que preferem arrecadar experiências e histórias pra contar, preferem se dedicar a projetos pessoais, aprender, descobrir, viajar, amar. Inclusive, essas são as pessoas mais interessantes que eu conheço, porque elas olham pro mundo com vontade de absorver tudo que ele tem para nos oferecer.

E eu sinto que existe uma pressão tão grande para encontrarmos logo o que queremos fazer pro resto da vida que parece errado fazer as coisas só pelo prazer de fazer, de tentar, de curtir. Que medo é esse de perder tempo se estamos ganhando tanto por outro lado? Afinal, que obsessão é essa pela sucesso? Por que sentimos obrigação de ser o melhor em tudo que fazemos? Para mim, para obter sucesso em alguma coisa é preciso apenas concluí-la com prazer, nada mais.

Temos que ter em mente onde queremos estar daqui a 5 anos, mas nunca tivemos tanta oportunidade de fazer o que queremos. É um paradoxo. E fica difícil mesmo escolher um caminho só, traçar metas e alcançá-lo, porque escolher uma coisa, significa abdicar de todas as coisas. E se você tiver certeza do que quer, beleza. Vai fundo, porque vai valer a pena abrir mão de todas as outras coisas. Mas se você não tem tanta certeza assim, qual é o problema de aproveitar a vida com toda a intensidade, tentando viver tudo ao mesmo tempo, sem um objetivo?

Existem tantas formas de ser feliz e encontrar o propósito em coisas que a gente nem imagina. Às vezes o seu propósito é viajar mesmo, conhecer lugares e pessoas novas. Não é o que você mais gosta de fazer? Às vezes é tocar violão na sala, apresentar uma peça num pocket show. Às vezes não tem nada a ver com arte. Sua parada pode ser resolver problemas, ajudar pessoas a se desenvolverem, estudar, ensinar, conectar, empreender. E, vem cá, será que você precisa mesmo transformar essa paixão em profissão? Enquanto não tem dinheiro envolvido, ninguém pode te dizer como fazer.

E tudo bem também se sua vocação e propósito mudam de tempos em tempos, afinal, como disse o Guimarães Rosa no livro Grande Sertão: Veredas –  “O importante e bonito do mundo é isso: que as pessoas não estão sempre iguais, ainda não foram terminadas, mas que elas vão sempre mudando. Afinam e desafinam.

Pensando nisso, cheguei a conclusão de que quem não sabe o que fazer da vida tem o privilégio de não precisar viver com um objetivo e não há nenhuma inércia nisso, mas sim muito movimento. Você pode se dedicar a fazer uma coisa nova todos os dias. Pode encontrar talentos e vontades escondidos, pode descobrir o propósito na própria descoberta, sem medo do fracasso e sem o peso de obter êxito. E é assim que você vai descobrir que as coisas que fazemos sem expectativas, imersos no processo, são as mais verdadeiras. São as que realmente valem a pena.

Glossário da felicidade para 2017

Foto: weheartit.com
Foto: weheartit.com

Fiz algumas anotações no meu caderninho do ano passado e resolvi compartilhar aqui, já que são algumas dicas pra tornar a vida mais fácil de ser vivida. Claro que tem algumas coisas muito particulares e não vão ter nada a ver com você, mas acho que dá pra encaixar algumas coisas na vida de todo mundo.

1 – Beber pelo menos 3 litros de água por dia

Acredite, beber água o tempo todo é bom pra TUDO. Inclusive para o seu humor. É só andar com uma garrafinha de água e enchê-la sempre que der. No começo você vai esquecer, mas depois seu corpo vai pedir água o tempo todo.

2 – Assistir a algum TED ou procurar pela Internet qualquer assunto que você goste

Uma das coisas que mais me deixa mais feliz é aprender alguma coisa nova que eu me interesse. Eu começo a pesquisar e fico o dia todo ou a semana toda debruçada naquele universo novo tentando entender mais, descobrir mais, discutir mais. “A mente não alimentada devora a si mesma.”

3 – Andar mais a pé

Andar a pé é uma forma de fazer exercício, mas você não anda pensando que está se exercitando e mesmo assim está liberando endorfina. O legal de andar a pé é poder observar tudo a sua volta. Observar os detalhes da rua que você sempre passa, ver como as pessoas reagem, como a luz do dia muda totalmente a vibe do lugar dependendo da hora.

4 – Descomplicar tudo

Pense duas vezes antes de criar caso com alguma coisa ou antes de reclamar. Respira fundo, guarda pra você. Se for realmente necessário, fala numa boa, sem soltar faísca.

5 – Não deixar os monstrinhos da cabeça (nóias) te dominarem

Você precisa prestar atenção no que é real, como disse o Jake. A gente não controla nada, muito menos o que as pessoas pensam. Preste atenção na realidade e se apegue a isso em vez de ficar criando uma realidade paralela na sua cabeça. Se a pessoa não parece interessada, aja como se ela não estivesse interessada em vez de fica criando mil e uma histórias para justificar a ausência dela. Só ela tem a resposta. Se a pessoa está te dando atenção e parece gostar de você, não invente que ela não está nem aí. Tente se guiar pelas ações mais do que pela sua imaginação. Não estou dizendo que é fácil, mas é a única forma de não entrar em parafuso.

6 – Dar  a louca de vez em quando

Pode dar a louca, mas sem interferir na liberdade de qualquer outra pessoa, ok? Quando eu digo dar a louca, eu digo se permitir sentir as coisas lá do fundo do estômago. Se permitir errar, se permitir sentir, se permitir perguntar, escrever uma carta de amor, ou uma carta esculhambando tudo de vez. Sair por aí, comprar uma passagem pra Tailândia dividida em 12 vezes, pegar o carro e cair na estrada, beber todas, experimentar o mundo ou se esconder dele.

7 – Usar mais acessórios malucos tipo peruca, unhas postiças, cílios coloridos

Essa é uma das minhas metas pra este ano! Eu amo me fantasiar, amo glitter, amor peruca, amo poder ser outro personagem. Então, por que não? Por que só no carnaval a gente pode sair por aí fantasiado de alguma coisa? É tão mais divertido poder ser qualquer coisa qualquer dia.

8 – Ler pelo menos um livro por mês

Gente, tem atividade mais gostosa do que viajar sem sair do lugar, viver outra vida sem parar a sua, aprender, refletir, conversar com você mesmo e se envolver com personagens? Então, vamos praticar isso mais!

9 – Pensar mais na sua saúde mental do que na estética perfeita

Eu abro o instagram e me deparo com um monte de corpos sarados o dia inteiro. As pessoas só falam sobre isso o tempo todo e eu comecei a perceber que eu estava gastando mais tempo do que o necessário pensando em como ficar com o corpo perfeito, se é que isso existe. Minha meta é ser saudável, comer bem e me exercitar porque isso é bom para o meu equilíbrio e não porque eu quero ficar com a barriga da (insira qualquer blogueira fitness aqui). Acho que não tem problema nenhuuuuuum querer melhorar, ficar mais bonito, se sentir mais confiante. O problema é quando isso passa a ser uma paranóia e não um estímulo.

10 – Conectar-se mais com tudo

Conectar-se com pessoas que estão longe ou perto. Conectar-se com pessoas desconhecidas. Conectar-se com a natureza, com as coisas inanimadas, com as histórias, com uma obra de arte. Conectar-se com você mesmo. Acho que “conectar” é a palavra do século e a palavra da minha vida.  Arte é conectar, amor é conectar, viver é conectar. O barato da vida é se sentir conectado com o que quer que seja. É a única forma de se sentir pleno.

 

A vida é aquilo que acontece enquanto você quer que o ano acabe logo

Quem curte astrologia pode até acreditar que quando o ano acaba, um ciclo se fecha e outro começa, apesar de eu achar que isso faz mais sentido quando a gente faz aniversário. Mas eu também acredito que os astros têm influência sobre o mundo. Não necessariamente sobre nossas personalidade ou mudanças de humor, mas que eles nos influenciam, não temos como negar. E no dia 31 de dezembro, quando a terra finalmente dá uma volta inteira ao redor do sol, a gente tem todo direito de acreditar que vai viver um recomeço, que vai ter mais uma chance de mudar tudo.

Mas sabe quando a gente tem o poder de mudar tudo também? Todos os dias. Todos os dias que a terra gira em torno de si mesma e o sol nasce de novo, temos uma chance de recomeçar. E eu acho super importante ter esses marcos que nos façam dar uma pausa para ter pique e energia de viver melhor.

Jamais recriminaria a comemoração do ano novo, até porque eu amo aquela energia de todas as pessoas acreditando que tudo vai dar certo. O que me deixa encucada é que em todo lugar que eu vou as pessoas querem que o ano acabe logo. Tudo bem, foi um ano louco, complicado demais para o Brasil como um todo, complicado para o mundo também. Estamos em grande fase de mudanças globais e é normal estarmos em crise econômica e existencial. Mas aguenta firme, agarre-se naquilo que você gosta e acredita.

Apesar de ter muita podreira rolando no mundo, existem coisas incríveis e lindas sendo feitas. Fique de olho nas podreiras para elas não saírem muito do controle, mas não deixe elas te influenciarem ou tirarem a sua energia de fazer coisas melhores.

E em vez de querer que o ano termine logo, por causa do seu cansaço, lembre-se de que a vida é agora. O antes e o depois são só construções da  nossa memória. A gente tá vivo e esse é o melhor presente, mesmo que tudo de ruim esteja acontecendo e você não tenha mais esperanças.

A gente pode sentir a água do mar salgada entrando nos dedos do pé, enquanto ele escorrega pra baixo por causa da areia molhada. A gente pode sentir o vento mexendo o nosso cabelo, enquanto ele mexe também as folhas das árvores. A gente pode ver o céu se transformando em várias pinturas diferentes por minuto. A gente pode sentir o gosto de chocolate derretendo na boca. A gente pode ler e dormir na rede. A gente pode se apaixonar e rir muito e sentir frio na barriga. E pode abraçar e se sentir abraçado. Mas nada disso faz sentido se você só quer que o tempo passe mais rápido. Se você não percebe o valor dessas coisas é porque não viveu essas coisas enquanto elas aconteciam. E aí fica tudo chato mesmo. Quando você não se entrega em nada, a vida fica insuportável.

Eu sei que não é fácil estar presente no momento e isso é normal. Não tem como a gente se sentir pleno o tempo inteiro, e a gente entraria em outra loucura, que é a de querer ser 100% bem resolvido toda hora. Tem vezes que a gente precisa extravasar, dar a louca, e não tem nada de errado nisso. Aliás, eu acho que esses momentos são tão importantes quanto todos os outros. Nenhum sentimento se desperdiça. A ideia é sentir tudo pela raiz, do fundo do estômago.

Seria incrível se nossa ansiedade não nos matasse um pouquinho todos os dias. Ou se a gente não tivesse a tal da FOMO (fear of missing out), que é o sentimento de querer estar em todos os lugares ao mesmo tempo, fazendo todas coisas ao mesmo tempo, porque estar fazendo apenas uma coisa é abdicar de todas as outras coisas. Pra quem sofre disso, assim como eu, tenho uma técnica pra sugerir. Segundo a física quântica, todas as possibilidades existem e estão acontecendo ao mesmo tempo. Então, toda vez que eu fico angustiada por querer fazer tudo ao mesmo tempo, eu penso que em uma realidade paralela eu estou fazendo todas essas coisas. E eu aproveito a única realidade que foi dada de presente: o agora.

Happymoment: seu novo guia de lugares good vibes

Uma das coisas que eu mais gosto de fazer é conhecer lugares novos, mesmo que seja na cidade onde eu moro. E eu acho que o frio na barriga  de viver novas experiências é algo em comum com a maioria das pessoas. Se você gosta de trocar ideias e está sempre aberto para o novo, eu tenho um aplicativo pra te indicar: o Happymoment.

O app foi lançado este ano e funciona como um roteiro de lugares, mas esse roteiro é infinito porque é alimentado por pessoas ao redor do mundo, o tempo inteiro. Sabe aquele livro de 1000 lugares que você tem que conhecer antes de morrer? Ele é tipo esse livro, só que com visões diferentes, cada vez mais lugares e com o toque especial das redes sociais. Você pode conectar-se com pessoas,  trocar dicas dentro do app e fazer com que sua experiência seja compartilhada ou enriquecida.

O que é bem legal também é que os lugares não são apenas estabelecimentos. Pode ser uma praia, uma praça, um ponto específico de um parque. Qualquer lugar que tenha uma boa vibe tá valendo.

Outra coisa maneira é que você pode seguir pessoas específicas, que sempre vão para lugares legais, e descobrir onde as pessoas interessantes estão se escondendo por aí. Dá para escolher visualizar apenas locais que estejam próximos a sua localização, então, se você estiver viajando e quiser conhecer aquele lugar que só quem é local conhece, é só abrir o happymoment e escolher onde ir.

Recentemente, eu queria comer em algum restaurante legal e abri o app pra ver o que a galera me sugeria. Daí eu vi um bar chamado Adega Pérola, que fica em Copacabana, meu bairro. Resolvi conhecer. Quando eu cheguei lá, descobri que eu seeempre passava pelo bar e  achava que era um pé sujo igual a mil outros, mas quando você entra é um bar super legal, bem temático estilo Copacabana antiga. Comi um prato de polvo delicioso e tomei um vinho por um preço ótimo.

Fiquei de cara como eu não conhecia um lugar tão maneiro no meu bairro! E fiquei pensando quantos mil outros lugares a gente não conhece por simplesmente não dar a chance ou por passar batido.

O happymoment taí justamente pra gente conseguir aproveitar o máximo das cidades e das pessoas, para trocar dicas e dividir momentos. Como o próprio nome do app propõe, a ideia é que todo mundo compartilhe seus lugares preferidos e seus momentos felizes. Afinal, a felicidade só vale quando é compartilhada. E quando de quebra a gente conhece um lugar novo pra frequentar, em qualquer cidade que seja, é melhor ainda.

O aplicativo Happymoment está disponível para baixar na Google Play e na Apple Store.

Tá esperando o quê pra conhecer um lugar novo hoje?

 

*  Este texto é patrocinado.

Se for pra namorar, que seja pra mergulhar um no outro

Diante da vastidão do universo e da relatividade do tempo, do big bang, da física e da química, da extinção dos dinossauros e da probabilidade da vida humana acontecer, eu aceito por completo que foi uma sorte imensa ter te encontrado. Ou, como dizem os novos entendidos sobre acaso, nós temos toda a responsabilidade quântica de termos nos encontrado. De uma maneira ou de outra, pra mim não importa. Tanta coisa podia ter dado errado pelo caminho e mesmo assim aconteceu.  A gente se encontrou, se apaixonou e pela primeira vez na vida eu entendi o que dizem nos filmes de amor.

E eu vejo tanta gente por aí querendo namorar só pra não ficar sozinho, só pra ter companhia. Mas se for só pra ter companhia, eu prefiro a minha. Se for pra namorar, que seja pra mergulhar um no outro. Se for pra namorar, eu só quero que seja que nem a gente.

Que seja pra sentir o coração acelerando quando eu ouço o barulho na chave entrando na fechadura quando você chega. Que seja pra ter vontade de te agarrar quando você passa no corredor. Que seja pra ter vontade de te levar pra qualquer lugar que eu vá, mesmo sabendo que eu preciso dos meus momentos solitários de vez em quanto. Que seja pra ter vontade de viver um no outro, entrar um no outro e virar um ser com duas mentes e um corpo. Que seja pra sentir suas conquistas e derrotas como se fossem minhas. Que seja pra acordar todo dia e sorrir só por você estar lá. Que seja pra ter essa ajuda mútua e motivação pra tudo novo que eu inventar de fazer.

Que seja pra fazer miojo quando a gente chega bêbado de madrugada. Que seja pra gente ter nossa liberdade, que é o que nos prende. Que seja pra gente sair à noite pra lugares diferentes e chegar em casa morrendo de saudade. Que seja para as nóias e os monstrinhos da minha cabeça hibernarem quando eu te ligar e ouvir que tá tudo bem. Que não seja um relacionamento com certezas ou dúvidas, mas com descobertas. Que seja exagerado mesmo. Que não precise existir a expectativa do futuro, porque a gente se basta agora e isso é o suficiente. Que a gente jure amor eterno, sabendo que ele não existe, mas achando que nós somos seres especiais e vamos viver o amor eterno, sim.

Que seja essa conexão de pensamentos e ideias. Que seja pra viver a telepatia humana. Que todas as camadas de uma conversa sejam entendidas e o outro saiba exatamente do que se trata. Que eu respire e você saiba que tem algo diferente no meu humor. Que seja pra experimentar outros níveis de consciência juntos. Que seja pra inspirar o outro e não para podar ideias. Que seja pra enlouquecer junto. Pra se divertir junto. Pra chorar junto. Pra levantar junto. Mudar junto. Que seja pra fazer tudo junto, mesmo em pensamento. Que seja pra estar sempre junto, mesmo separados, mesmo vivendo as rotinas individualmente, mesmo correndo atrás dos nossos sonhos por nós mesmos. Que seja pra eu querer ser o melhor de mim pra aflorar o melhor que tem em você.

Que nossas vidas continuem sendo vidas individuais, mas compartilhadas. Que você continue tendo seus segredos e eu os meus. Que tenha sempre alguma coisinha pra te surpreender.  Que cada um seja responsável pelas próprias escolhas, mas sabendo que vai sempre existir o impulso do outro pra toda escada que surgir e uma mola no fundo do penhasco quando o outro cair. Que seja pra diminuir o medo de arriscar. Que seja pra se jogar. Que seja pra ser feliz.

Já é hora de fazer balanço geral do ano?

Ano passado eu tinha certeza deste ano. Ouvia as pessoas falando que seria um ano difícil, mas eu entrei nele de cabeça, com flores pra Yemanjá, lista de resoluções e uma certeza que palpitava na cabeça: esse ano eu vou conquistar tudo que eu quero. E olha que eu nunca fui de fazer resolução ou me prometer coisas pro ano. Sempre gosto de fazer o que me der na telha, sem nada muito programado. Afinal, a vida é uma caixinha de surpresas e comprometer-se a fazer coisas que você ainda não sabe se vai querer fazer é a receita certa para se frustrar.

Tinha muito tempo que eu não fazia resolução de ano novo, mas ano passado eu resolvi fazer, porque estava confiante. Acontece que nenhuma das minhas resoluções se concluiu, talvez por eu não estar preparada para elas. Pra falar a verdade, eu nem tentei, porque fui sempre deixando pro próximo mês e de repente eu estava em novembro. E em vez de correr atrás pra conseguir fechar as contas até dia 31 de dezembro, eu simplesmente quero deixar pra lá.

E eu olhei pra trás, pro meu ano, e vi que eu não tinha feito nada do que eu tinha me prometido. Que foi um ano paradão, blasé, sem conquistas, perdas ou frio na barriga. O equilibro é bom, mas o morno? O sem tempero? Não vale a pena viver sem borboletas no estomago, por qualquer coisa que seja. E quando eu pensei nisso me veio uma enorme onda de frustração, porque a culpa tinha sido minha.

Eu que não corri atrás pra conquistar as coisas que eu queria. Mas quando eu realmente me dediquei um tempo pra destrinchar meu ano, percebi que eu não queria bem fazer essas coisas que eu tinha planejado. Eu queria conquistá-las, mas sem gastar um pingo de tempo para, de fato, efetuá-las. E sinto informar,  mas também não foi neste ano que eu encontrei o gênio da lâmpada. Porque só assim pra conquistar coisas sem esforço nenhum.

E quando essa frustração me pegou no meio de uma terça-feira chuvosa, eu comecei a tirar um monte de coisas do baú do ano e me lembrei de várias coisas que me tiraram o ar, me fizeram chorar, rir, me descabelar e sentir no fundo da alma uma felicidade enorme por existir.  Sabe aquele sentimento que dá um calorzinho no coração e você pensa, puta que pariu, como é bom estar vivo?

Perdi o emprego, perdoei pessoas, conheci pessoas incríveis, me aproximei de outras mais incríveis ainda, trabalhei com uma parada que eu nunca imaginava, ganhei dinheiro e amei muito. Eu lembro que eu senti muito amor neste ano, talvez por eu estar mais preparada para amar e doar esse amor. E eu não conquistei o que eu tinha me prometido, mas ganhei tanto por outro lado, e coisas que eu nem imaginava.

Acho que sentir-se conectado é o grande barato da vida. Você se encaixa e percebe que não precisa mais procurar proposito nenhum. O propósito é ficar conversando com alguém sobre suas conclusões da vida até o sol nascer, o proposito é mandar uma mensagem de madrugada e ser respondido na hora com a mesma intensidade, o propósito é se perder na história de um livro, o propósito é ouvir sem esperar sua vez de falar, o propósito é comer a sobremesa antes do almoço, o propósito é lembrar de alguma coisa engraçada e começar a rir no metrô lotado, o propósito é amar e ser amado de volta, o propósito é estar presente, seja no quer for.

E como isso é difícil, mas a gente precisa aprender a fazer. A gente precisa aprender a se conectar e pra isso acontecer é preciso estar aberto, não tem jeito. E eu não estou falando que é preciso contar sobre sua vida. Estar aberto é estar aberto pra trocar. Que nem aquela música “pela lei natural dos encontros, eu doou e recebo um tanto”.

E o que ficou de aprendizado é que viver olhando apenas para o prêmio faz com que você se esqueça de todas as outras coisas ao redor, tão ou mais valiosas do que atingir seus objetivos. Não adianta conquistar algo se você não curtir o processo, porque a vida é só um processo gigante que te leva a lugar nenhum, então é melhor começar a curtir o caminho enquanto ele se cria. Muito livro de auto-ajuda, né? Mas to sendo sincera e tive que me frustar e colocar a cabeça pra pensar pra chegar a essa conclusão. Fiquei tão apegada às minhas promessas que quase me esqueci do resto que eu conquistei este ano.

Claro que é importante ter objetivos, mas sem fechar portas para outras oportunidades e sem fechar olhos para o que o mundo nos oferece constantemente. Por isso, esse negócio de fazer resolução de ano novo não é pra mim.  Tem gente que precisa estabelecer metas, mas eu funciono melhor sob inspiração e não sob pressão.

No começo do ano que vem, quando eu for pular as sente ondinhas, em vez de me prometer coisas que eu nem sei se vou querer mais, vou prometer me escutar mais e ser sincera com as minhas vontades. E, logo agora, terminando este texto, cheguei a conclusão de que eu estava certa e realmente conquistei tudo que eu queria no meu ano, eu só não sabia que era isso que eu tenho agora.

O amor não acaba assim

Anoiteceu em mim quando você me atravessou como se eu fosse um fantasma. Não por não querer me ver, mas por eu não ser mais nada dentro daquilo que você custa chamar de representatividade na vida.

E seu olhar me congela enquanto você pergunta, com um copo de cerveja na mão, na maior tranquilidade se está tudo bem. Eu olho pra você de volta e tenho certeza que dá pra ver meu coração saltando pelo vestido que eu fiquei duas horas pra escolher quando soube que você estaria ali. E mais do que todos os “nãos” e foras que eu já recebi já vida, esse olhar me diz que acabou.

E eu não sei entender as coisas que acabam. Como assim, acabou e pronto? Na natureza nada se perde, tudo se transforma. E o que não deixa o acabar na gente é aquele fio de esperança maldito de que tudo não passou de um mal entendido, de que é tudo uma transformação, não um fim. O amor não acaba assim, como um pote de sorvete que acaba e ainda se quer mais.

Seu olhar de indiferença me atravessa como uma espada fria e eu tenho vontade de te chacoalhar e perguntar onde você está, onde você foi parar? Quem é essa pessoa estranha aí dentro, com tantas certezas que não existiam antes. Saio de perto pra conseguir respirar, mas tenho vontade de sumir, tomar um remédio pra curar essa agonia. Eu não sei por que ainda não inventaram um remédio pra curar amor. Seria tão simples. Desligar essas sinapses que meu cérebro insiste em fazer toda vez que ele te vê atravessando a esquina.

O fim é sempre apavorante porque ele te obriga a olhar pra outros lados, a recomeçar. O fim te tira da zona de conforto sem você pedir. Não tem mais nada ali, amigo. Vai procurar outra coisa, porque insistir em algo que não vai te dar retorno é burrice ou falta de amor.

Virei uns 50 mil shots de cachaça,prometi mundos e fundos pra quem eu não conhecia, me permiti sentir tudo com tanto afinco que acho que me revirei do avesso e resolvi abrir a janela pra vida. Acordei com a cabeça explodindo de dor e um gosto de poeira na boca. Era a primeira parte de você que com começava a virar lembrança.