Natália Beraldi

Jornalista, fotógrafa, viajante. Apaixonada por estradas, acostumada com partidas, viciada em sentir. Sempre acompanhada de uma câmera e uma xícara de café.

Sebastião Salgado descobre um mundo novo em Genesis

Visitar a exposição Genesis de Sebastião Salgado é como fazer as malas e viajar para África, Indonésia, Sudão, Etiópia, Alasca, Rússia, Sibéria, Venezuela, muitos outros países além de explorar a Amazônia brasileira e o pantanal Mato-grossense, tudo isso dentro de um galpão localizado no SESC Campinas, no Bairro Bonfim.

O espaço reúne 100 fotografias de lugares intocados no planeta e que você jamais imaginaria que alguém conseguiria chegar. A exposição é dividida em cinco seções geográficas: Planeta Sul, Santuários, África, Terras do Norte e Amazônia e Pantanal. Percorre oceanos, desertos de gelo e areia, montanhas, selvas, tribos indígenas e animais exóticos ao redor do mundo. Uma imensidão de sentimentos gerados a cada fotografia, uma mistura de texturas intocáveis, detalhes inigualáveis e deslumbre nas imagens em preto e branco que só nos frustram por um motivo: não poder mergulhar tela adentro para viver e sentir a emoção de cada lugar.

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Carta pra quem você já foi até agora

Você já aprendeu a cortar os próprios cabelos, como quem corta raízes na hora certa, depois que, aos poucos, tudo foi perdendo o brilho e despontando ilusões. Olha só menina, no seu guarda roupa não ficam mais coisas sem valor para o coração, você conseguiu desapegar do que não tinha sentido, já sabe guardar só coisas que te fazem bem. Moça, o tempo passou… O sapato que te levou para tantos lugares tortos foi substituído por outro que só te faz caminhar para frente. Você vai se tronar uma pessoa ainda mais forte e corajosa, mas não estará segura de estar mal acompanhada algumas vezes, tome cuidado! Eu sei que já tem tanta coisa pronta ai dentro do seu coração, esperando a hora certa para sair, para florir, só aguarde, meu bem!

Doeu ter que deixar tanta coisa para trás, mas só vai continuar doendo se você continuar abrindo essas feridas que há  tempo já deveriam ter cicatrizado. Deixe a vida cobrir tudo isso, promete? Tá na hora de desapegar dos antigos planos e vestir um vestido de mim mesma, quer dizer, de você, de nós. Eu sou quem você já foi, e quem você ainda será. Eu sou a sua historia, sou o que você ainda deseja ser um dia. Não tenha medo de mudar, de casa, de roupa, de rumo. Você já bateu tantas vezes no peito e colocou em ordem essa bagunça, não tenha medo de falhar.

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Uma resolução de nós

Eu não deixei de pensar nele. Não deixei de pensar na maneira como ele me olhava, porque isso me fazia ir pra longe, longe de mim. Eu deixei de caminhar longe do mar, quis ficar mais perto do lugar onde ele estaria. Deixei de ter medo da montanha para evitar relembrar o jeito como ele obrigava que eu me entregasse. Eu me entreguei pra vida como quem não precisa de mais nada além disso, além dele. Eu quis viver minhas possibilidades como as tantas que ele me dava em um dia de domingo.

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Seja bem-vindo, dezembro!

Enfim, dezembro! Todas as minhas melhores mudanças aconteceram e acontecem quando você decide chegar… Coincidência ou não, eu tenho muito o que te agradecer. Em meio ao caos e a bagunça, você chega bagunçando mais ainda, mas aí eu tenho que te agradecer de novo. Confesso que dessa vez você chegou mais rápido do que eu esperava, nem deu tempo de fechar os olhos, nem de descansar, mas deu tempo de sonhar, e sonhei demais, voei demais, fui pra longe e agora voltei pra comemorar, porque quando você for embora vai vir um novo, de novo, só pra mim.

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E eu amei você mesmo assim

Eu sei que deixei o café esfriar, a geladeira esvaziar, a comida queimar, mas eu amei você mesmo assim. Eu sei que não vou pude burlar o futuro e deixei o passado pra trás, mas eu amei você mesmo assim. Eu sei que as pessoas perguntaram para onde eu fui e questionaram onde estaria agora, mas eu amei você mesmo assim. Eu sei que na nossa historia já existiram outras despedidas e dessa vez eu perdi o rumo de volta, mas eu amei você mesmo assim. Eu sei que fechei as janelas da nossa casa e que fiz com que elas já não significasse mais liberdade, mas eu amei você mesmo assim.

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Sobre aquele mundo ao meu lado

Mais uma vez atrasada, corri pelo saguão do aeroporto buscando a porta 36 de embarque, cruzando 2 minutos antes de fechar. No corredor, a caminho da aeronave, avisto uma mulher que me tranquiliza pela calma e serenidade em que caminha, mostrando que não sou a única. Por coincidência a poltrona dela era ao lado da minha, na janela. Não trocamos nenhuma palavra, sentamos e logo ela virou o olhar fixamente para a janela, e dali não saiu mais. O voo durou um pouco mais de 5 horas, e foi a única coisa que ela fez. Passaram-se por nos pessoas de todos os cantos, falando diversos idiomas, e enquanto eu observava buscando entender o que se passava com cada um deles, ela continuava lá, intacta. Pensei em cutucá-la e dizer que foi sem querer, tentar puxar uma conversa, mas algo me dizia que aquele momento, apesar de parecer agoniante, era o tempo que ela precisava ter, era algo que ela precisava passar, um turbilhão de vida se passava ali, naquela reflexão, de dores, amores, desilusões talvez. Pensei se ela podia ter deixado seu coração para trás no momento em que embarcou, ou se ela estava indo de encontro a ele.

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Agora eu sei de você

Por Natália Beraldi

Eu já perdi a noção de quanto tempo alguém não me olhava desse jeito, com esses olhos de esperança, olhos de quem entrega da alma um amor compatível, de quem parece saber que está à frente de algo que vai mudar os seus dias. E eu vim pra isso… Mas foi difícil… Talvez por causa dos meus 3 graus de miopia e minha mania de esquecer o óculos no carro. Eu me esforcei, você reparou? Eu estava no chão, o tombo tinha sido forte, e era a sua mão que eu vi estendida ali. E levantei no momento em que esbarrei em você. Que contraditório, mas acredite. E agora, me diz que vai ficar? Que achou aqui o seu lugar?

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Por onde você anda

 

A verdade é que eu não te conheço ainda. Ainda não sonhei com você, não consigo imaginar como é seu rosto, o seu cheiro, o seu jeito de sorrir. Mas sou capaz de fechar os olhos e imaginar como é o brilho dos seus olhos quando se surpreende, o timbre da sua voz, como vai ser o seu tom da sua pele quando acordar, o seu jeito preguiçoso de domingo de manhã.

Eu ainda não posso planejar nossas viagens, planos futuros e furados, não posso colocar as fotos na parede. Mas já passo pelas casas e imagino qual será o seu muro, o som do portão se abrindo, cachorros latindo, talvez. Eu observo tudo com atenção e ternura, porque depois eu quero lembrar desses detalhes, como guardo a vontade de me esconder quando o amor chegar, de sair correndo pra te procurar nesse mundo de bilhões de almas, de cores, de rostos. E o fato é que estou pronta! É você que coloco em minhas orações, é do seu coração que o meu sente falta; e só peço que não demore, por favor.

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Sinto muito por não me acompanhar

 

E quem diria que, hoje, eu conseguiria enxergar que, ao perder você, eu me encontraria? Eu só acordei um dia sem rumo e não conseguia enxergar o meu caminho, só percebi o quanto eu havia me deixado para trás, junto com os meus sonhos, junto com as minhas perspectivas.

Era domingo, eu tive vontade de fazer as malas, de novo, e fiz. Faltou pegar algumas coisas no seu armário, mas deixei pra trás. Quando dei por mim, quilômetros já nos separavam e não houve tempo nem de despedida. Tudo bem, você já estava se despedindo havia tempo. Talvez no dia em que eu te disse que queria conhecer o mundo inteiro você se assustou, me olhou firme, disso eu lembro bem, com olhos de mentira disse que estaria do meu lado onde quer que fosse, mas na primeira travessia você deu passos para trás. O dia brilhava e eu era tão solar e você não me viu.

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