Sophia Alziri

A Sophia odeia fazer minibiografias. Mas ela é a pessoa mais autêntica e cheia de nuances que eu conheço.

O passado que não era meu, mas passou a ser

Cresci escutando as histórias da minha bisavó Irma. Vó Irma sempre foi muito lembrada porque destoava da discrição que impera no resto da família. Era figurona. Exagerada em tudo, sempre usava vestidos estampadíssimos, falava palavrão, escondia dinheiro do marido embaixo do colchão, contou que escondia dinheiro do marido embaixo do colchão pro marido enquanto dormia, gostava de jogar, uma vez ganhou na loteria. Convidou todo mundo pra uma festa, prometeu uma tv a cores pro meu pai, só depois descobriu que a quantia não dava nem pra pagar as pizzas que tinha encomendado, porca miséria. Comia e cozinhava muito. Era de Napoli. Mesmo sem nunca ter conhecido ela sempre tive um carinho muito grande pelas histórias malucas dela e sempre pensei em como queria ter conhecido-a, tinha certeza que teríamos nos dado muito bem. Sentia falta de uma pessoa pra bagunçar aqueles almoços de domingo. Quando me mudei pra São Paulo fui morar na casa que tinha sido dela. Eu nunca entendi por que tinha uma banheira no banheiro da sala e não no da suíte, por que a cozinha e a sala eram tão grandes e o quarto extra tão pequeno, por que os azulejos eram tão espalhafatosos… Mas gostava dessas coisas. Gostei de encontrar TODAS as gavetas da casa forradas com um plástico estampado já amarelado pelo tempo. Ficava imaginando o tanto de horas que ela tinha passado fazendo aquele trabalho completamente inútil. Mas que na cabeça dela devia ser essencial. Onde já se viu vida sem estampa?

Esses dias estive na cidade dela e entendi tudo. Entendi as gavetas, os azulejos, as paredes completamente tomadas por armários e o chão de mármore do banheiro que sempre me fazia escorregar e soltar uns xingamentos ao léu. Entendi até o que nem sabia que tinha que entender. Vi e conversei com várias Irmas, me senti perto dela e mais perto de mim também.

Me dei conta de que as vezes a gente encontra mais sobre o que tem dentro da gente se perdendo pra fora. Me encontrei em vielas estreitas e pessoas desconhecidas.

Me apaixonei por um passado que não era pra ser meu, mas era. Se não era, agora é.

Fomos para Dismaland, o parque muito doido do Banksy

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Fotos por Sophia Alziri

Se você acabou de sair de um coma ou voltar de uma abdução alienígena e não tá sabendo que tá rolando uma exposição curada pelo Banksy, a gente explica aqui!

Se você não está nessa situação, além de ser um felizardo, já deve ter visto mil matérias sobre isso, mas agora você pode ler um relato de alguem que esteve lá e vai te contar o que viu.

Minha saga rumo à arte começou às 10h da manhã de (mais) um dia chuvoso, quando peguei um trem em Londres pra Weston-Super-Mare. Crente que ia chegar às 11h30, quando o parque estivesse abrindo. Coitada, depois de percorrer uma infinidade de quilômetros em que pelo menos 90% do caminho achei que estava indo pra puta que o pariu, cheguei na minha estação final e concluí que, de fato, estava, mas era lá mesmo que ficava a exposição.

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Abundância: Porque o futuro vai ser melhor do que você pensa

Precisamos falar sobre o futuro, e hoje eu vim falar dele de um jeito positivo. Chega de negatividade.

Há um tempo li esse livro que mudou muito jeito de ver o futuro. Sabe aquele tipo de coisa que você fala: cara, o mundo todo precisa saber disso!!!!!

Então, caro leitor, vou te contar porque esse livro mudou minha vida e assim você nem vai precisar lê-lo, mas vai poder citá-lo nas conversas de bar e parecer maneiro. Bom negócio, diz aí.

A premissa de Abundância é a seguinte: A humanidade está agora entrando em um período de transformações radicais no qual a tecnologia tem o potencial de fazer com que as necessidades básicas de todos os seres humanos do planeta sejam alcançadas. Dentro de algumas gerações nós vamos prover serviços que antes eram reservados a apenas uma parte da população para todos.

Tá achando que é utopia né? Papo de hippie?

Mas não tem nada disso não, os autores do livro são figuras mega influentes do Vale do Silício que simplesmente têm acesso a todo tipo de inovação tecnológica e às pesquisas mais modernas. Resumindo, eles tão vendo agora tudo de mais avançado rolando que fatalmente vai chegar a todo mundo em algum momento.

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São Paulo vive loucamente

Há alguns anos eu me preparava pra enfrentar São Paulo, a cidade que me prometia tudo. O que sempre me diziam era como ela era violenta/ assustadora/ cinza/ individualista/ suja/ com trânsito/ difícil. E como eu tinha que tomar cuidado, muuuuito cuidado. E sim, ela tem milhões de defeitos, mas, hoje, quando olho pra trás, só consigo ver como essa cidade rabiscada me ensinou.

São Paulo não te deixa sossegado. Ela não te deixa estagnar. Ela te obriga a repensar na vida o tempo todo. Ela mesma muda o tempo todo, sem olhar pra trás, não faz questão de preservar seu passado. Quase sem ligar pro que já foi. Transforma suas ruas burocráticas do centro em festas pra todos. Aceita ser ocupada.

Por Sophia Alziri
Por Sophia Alziri

Cada um tem sua São Paulo. Ela é diferente pra cada pessoa. E cada pessoa também pode ser alguém diferente em cada grupo que frequenta, porque na maioria das vezes eles nunca vão se conhecer.

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