Vamos pra Vênus

Juh Batah é a criadora do do blog Vamos pra Vênus, designer, ilustradora e webwriter.

Como sensualizar mais na vida

Talvez esse não seja um passo-a-passo para o sensual seduction, até porque eu jamais me consideraria especialista nisso, né zênti. Também não acredito que existe uma fórmula pra ser mais sexy e de repente quanto mais você tentar ser, menos será.

Porém, sempre tenho algumas percepções avulsas nessa vida que podem ser úteis e fazer sentido em algum momento, seja pra mim, pra você ou praquela irmã da amiga da sua vizinha. Então se eu fosse você não fecharia essa janela. Pelo menos não agora.

Esses dias eu me sujeitei a novas experiências e fui fazer uma aula de pole-dance. Se foi por vontadinha de achar minha sensualidade interior, pra pesquisar conteúdo pro blog, ou se foi apenas por mera curiosidade – HÁ, você nunca saberá. Entrei na sala, fiquei semi-pelada e observei as coleguinhas. Aparentemente, por mais esforço físico e dor que elas pareciam estar passando, existia sim uma atmosfera de sexapiu por metro quadrado alí. Ninguém pode negar.

A professora começou me passando uns exercícios mais leves que fiz com dedicação. Depois aumentou a dificuldade – junto com a minhatensão. Tentava me pendurar naquele pau – se é que posso me referir dessa forma – da maneira mais correta possível, queria fazer tudo bonitinho e não errar nenhum movimento.

Tinha um espelhão na minha frente, então resolvi dar uma olhadinha enquanto reproduzia os passos, assim de canto de olho, sem compromisso. Poderia estar ali uma nova mulher habitando o meu eu, talvez uma Demi Moore da geração Y? Vamos ver.

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Só que o que eu vi, na verdade foi um pouco diferente da foto acima e um pouco mais parecido com isso aqui:

R O B O T  – Sim, eu achei foto de um robô dançando no queijo e não me pergunte como.

O que eu vi no espelho não era nada sexy. Eu tava tensa, inexpressiva, dura & frustrada. A professora que dançava ao meu lado e as outras alunas pareciam muito mais encantadoras – em seus diversos físicos. Comecei a me questionar: o que eu tô fazendo de errado?

Confesso que a aula de pole-dance me trouxe muitos hematomas, mas também alguns insights e o primeiro foi: a sensualidade é uma arte. E assim como qualquer outra arte, além de técnica para executá-la é também de extrema importância uma dose cavalar de feeling. Se não, tudo fica mecânico e robótico mesmo.

Junto com ele, uma pitada de segurança naquilo que se está fazendo é bem-vinda, independente de certos e errados. Percebi que confiar no próprio taco e no próprio corpo é a chave pra começarmos a falar de sensualidade. Quanto mais a gente se soltava e dava impulso pra girar na barra, mais leve nosso corpo ficava e conseguíamos subir mais alto. É preciso se soltar e agir com o coração sem pensar tanto em cada passo dado. Acreditar no que você é e no que faz.

“Se joga”, “vai mesmo”, “sem medo” – foram frases que a professora usou e que funcionaram mais que terapia pra mim. Coragem, por que não? Do que a gente têm tanto medo? Por que as vezes bate tanta insegurança? A gente cai sim: eu caí, outras alunas caíram e até a professora caiu, mas foram poucas as que se incomodaram: a maioria levantou e continuou o que estava fazendo – e isso, melben, é muito sexy.

Depois dessas percepções em fração de segundos, olhei no espelho de novo. Eu ainda tentava fazer os movimentos corretamente, mas dessa vez eu estava me divertindo, confiando em mim e nos meus passos e sem me cobrar tanto pra que saíssem perfeitos. Eu não precisava de um salto 15cm, ou de um bocão vermelho, eu estava descalça, feliz e de boa. Acreditando em mim mesma e sem me levar tão a sério. Difícil? Pode ser. Mas te garanto: nunca me senti tão sensual na vida.

Este texto foi publicado originalmente no site Vamos pra Vênus, nosso parceiro de conteúdo. Isso quer dizer que você vai encontrar alguns textos do De Repente dá Certo lá e outros textos do Vamos pra Vênus aqui!

Os garotos de brinquedo de Lud Lower

Se você ainda não conhece o projeto MyBoyToys, não sabe o que tá perdendo. Elaborado e concretizado pelas mãos da fotógrafa Lud Lower, o trabalho cria através de fotos e gifs uma atmosfera de interação, aonde fotógrafa + expectadora participam de momentos quentes com boys encantadoramente lindos.

Ela descreve a experiência como “duas pessoas, desejos, beijos, pegações e abraços”. Pra sentir na pele, acompanhe o trabalho pelo tumblr: myboytoys.tumblr.com  e pelo insta: @myboytoys

Entrevistei a Lud pra saber um pouco mais desse projeto foda e de onde veio a inspiração – e ela me contou tudinho, vem com nóix!

VV: Como tudo começou pra Lud? 

LL: Fotografo profissionalmente há 3 anos, mas desde os meus 15/16 anos eu gosto muito de fotografia. Aos 17 consegui convencer o meu pai a me dar uma câmera, ele comprou uma compacta super zoom da Kodak, e comecei a tirar fotos. Na época, frequentava uns encontros de carros antigos na Luz com uns amigos meus e tirava fotos deles perto dos carros. Eles falavam “Nossa meu, muito dahora a sua visão pra tirar fotos, parece com o Estevan Oriol (*cujo foco são fotos de gangues, bandas, “subcultura”)…

Mas na época, eu não conhecia nenhum fotografo, não tinha referências ou inspiração alguma… NADA! Eu simplesmente gostava de tirar fotos e fui atrás de conhecer o trabalho do Oriol. Gostei pra caramba e pensei “Nossa, quero fazer isso da minha vida quando eu crescer”. (Risos – HÁ!)

Comecei a tirar fotos mais profissionais e a galera veio perguntar quanto eu cobrava pra fotografar. Cheguei a fazer um projeto nessa época, chamava Subculturais – que eu pretendo retomar. Eu ainda não tinha técnica o suficiente pra manter um projeto de fotografia. Vendi minha câmera, comprei uma um pouco melhor e fui treinando. Há 3 anos peguei uma 60D, e já estavam me chamando para trabalhos, revistas entraram em contato. Foi algo bem natural, eu não forcei nada, como até hoje não forço no meu trabalho. E é isso, hoje estou aqui! Hehe fazendo meu trampinho, vivendo disso e sendo feliz.

Você fez algum curso?

Fiz um curso rápido na Belas Artes, na época que eu precisava de um certificado. Não aprendi muita técnica além do que eu já sabia, foi um curso bem básico. Foi mais enriquecedor na parte de história da fotografia, na experiência de trabalhar com outras pessoas, nas saídas fotográficas – essa parte foi bem bacana. Estudo muito sozinha em casa, aprendi a fotografar sozinha, com livros de fotografia. Pedi ajuda para algumas pessoas, que chegaram a negar – o que achei ridículo, então prometi pra mim mesma que ia aprender sozinha. Hoje eu ajudo uma pá de gente, todos que vem tirar dúvidas comigo. Não quero ser como essas outras pessoas, faço diferente.

Beleza Lud! Vamos falar do projeto #MyBoysToys? Como teve a ideia?

Então, já faz uns 3 anos que tenho a ideia desse projeto, mas estava esperando amadurecer profissionalmente. E também na época eu era casada (- A Lud casou com 19 aninhos, com seu primeiro namorado. Hoje ela tem 25.). Meu ex não se opunha a ideia de que eu fizesse fotos sensuais de homens ou mulheres, mas ele não concordava com a interação. Cheguei a fazer um projeto com 10 meninos – não em um contexto sensual, mas como se eles estivessem saindo de brigas – e nesse projeto eu já queria envolver  as minhas mãos nas fotos, fazendo parte daquela cena. E meu ex não concordou com aquilo. Então acabei fazendo esse projeto sem a interação nas fotos.

Passada!

Recentemente nós nos separamos e eu pensei “vou por o projeto em prática!”. No começo foi meio difícil, eu tinha muita vergonha. Mas depois, aos poucos eu fui me soltando. Os meninos que eu chamo viram como é o projeto, eles curtem pra caramba, a gente conversa antes… É bem bacana.

No projeto eu quis trazer uma visão nova na fotografia. Projetos sensuais tem um moooonte e praticamente todos são femininos. E eu não queria fazer só um retrato, queria trazer mais sentimento, sensibilidade, ação para as fotos. E aí que entram os GIFS, que trazem essa dinâmica, a ação e entretenimento do expectador com o modelo. A minha intenção com o projeto é quebrar o paradigma de que mulher não tem vida sexual, não busca o prazer com fotos ou vídeos. Pra sociedade, a mulher busca o prazer com o casamento-filhos-cuidar da casa, e sabemos que não é mais assim. As mulheres sentem prazer ao trabalhar, ao alcançar status e grandes posições em empresas, na vida social. As mulheres inclusive também buscam prazeres casuais. Nem toda mulher está em busca de um relacionamento sério, de um marido. Minha ideia com o projeto é quebrar isso. É mostrar que as meninas também brincam pesado como os meninos.

Como você seleciona os meninos?

A grande maioria dos meninos que participaram são meus amigos, ou indicação de amigos ou amigas. Só tem duas regras para ser um MyBoyToys: Ser realmente bonito! – Não seleciono por bio físico e sim pela beleza no geral, charme, olhar, fotogenia. E a outra regra é ser hétero. Como fiz o projeto pras minas, não vejo sentido em colocar um homossexual. Se ele não gosta de minas, não tem sentido nenhum ele pegar em mim e eu nele, acho um desrespeito com a sexualidade dele. Quero oferecer algo real pras minas, pessoas que elas possam sonhar em um dia conhecer, que possam ser reais nas vidas delas.

E como vocês conseguem ficar tão a vontade?

Converso antes com os Boys, as vezes bebemos uma cerveja, mas no geral, todo os meninos foram bem de boa, super respeitosos. E a parte mais legal é que eles realmente querem participar, então muitos já vem com ideias. Rola um pouco de vergonha no começo, mas acredito que é mais da minha parte do que deles. Vivo com crise de risos nos ensaios! hahahaha.

A Vice perguntou e também quero saber: Seria uma objetificação do corpo masculino?

Não é objetificação, de nenhuma forma! Não sei como alguém consegue ver dessa maneira, porque é uma via de mão dupla: estou mostrando uma interação entre duas pessoas, não estou vendendo produtos ou corpos, não estou ditando padrões ou influenciando as pessoas com as fotos. Se influencio de alguma forma, seria pelo desejo e pela arte. Aqui não fotografo ninguém como um ser descartável, pelo contrário, mostro a interação de duas pessoas, desejos, beijos, pegações e abraços.

As meninas curtem? O que elas comentam?

As meninas curtem muito, muito mesmo. Ouço de tudo, desde que sou “Rainha”, “Deusa” até “obrigada por existir”, “melhor insta”, “melhor projeto” – eu estou muto feliz com a recepção das meninas, pelo que fiz para elas e por elas. Elas amam saber que os meninos estão ali marcados e que elas podem seguí-los, trocar ideias, saber que é real. Sabe aquele ídolo de Hollywood que você ama platonicamente mas sabe que as chances de você trocar ideia com ele são quase zero? Então, quebro isso no projeto, porque tem meninos lindos, gostosos de todas as formas, sexys, que poderiam ser a paixão platônica de várias minas, um “homem-desejo” e ali elas podem ”tocar”, podem falar, podem conversar, seguir, mandar mensagens, interagir.

-Bom saber dessa parte-

Já tem outro projetinho na manga?

Tenho outros projetos na manga sim, na verdade estou escrevendo um novo hoje mesmo, mas será mais voltado para vídeo. Tenho oMyGirlToys que vai chegar com tudooooo, bem pesado, com um grupo de meninas que estão arrasando em um outro projeto – mas esse vou deixar em segredo! Também tenho o projeto Coollab Grrlque será um coletivo de várias minas, de vários âmbitos profissionais, mas ainda está saindo do papel!

OUSEJE, essa mina tá lacrando.

Só podemos nos sentar e aguardar mais novidades!

A parte boa dos relacionamentos descartáveis

A era do iPhone te ensinou: defeito é descarte. Cansou de alguém? – Deleta! Se envolver em um relacionamento? Ugh, virou filme de terror. Noites podem ser incríveis mas são apenas noites. Ninguém mais se compromete, ninguém mais se telefona, ninguém mais espera nada de ninguém. Profundidade nas relações? – Esse sabor não vai ter hoje não, moça.

Mas é cráro que somos humanas e temos uma complexidade obscena dentro de nossos corações. Não fomos programadas para ser meramente descartáveis e muito menos para ter relacionamentos assim. Bem, talvez essa seja uma realidade meio difícil de mudar a essas alturas do campeonato. Mas mostrarei que tem sim como enxergar um lado bom nessa descartabilidade (essa palavra exxxssseste?) toda.

-Se a vida te der limões, faça um suco detox.

Vamos pensar que um relacionamento sério é uma macarronada (se acostume com as metáforas tá, elas vão ajudar a gente), beeeem caprichada. Cheia de temperos, sabores, cores. E vamos pensar que um relacionamento descartável é instantâneo, como um miojo. Rápido, sem mimimi e com aquele tempero vagabundinho que a gente gosta. As vezes dá vontade de comer aquele macarrão mas você tá deitada na cama assistindo Chaves tv e sua única capacidade física e psicológica é de se resolver com aquele pequeno pacote que em 3 minutos poderá salvar a sua vida.

Mas nós mulheres somos muuuuito complexas. Sabemos que não vamos nos contentar só com esse quebra-galho. Queremos muito mais do que isso, né? Queremos o molho de tomate, o queijo ralado, a massa caseira. – “Será que esse miojo vai me satisfazer?” – Mal provamos o seu sabor e já estamos imersas em um oceano de questionamentos. Ache o erro.

A carência por um bom prato de macarrão acaba fazendo com que a gente atropele um pouco as coisas, querendo dar sentido ao que não precisa fazer tanto sentido assim. Como um miojo. Será que somos capazes de apenas nos divertir com leveza e aproveitar o momento? Refletimos demais, queremos demais, esperamos sempre por “algo a mais”. Ficamos tão ansiosas (ó lá, a ansiedade denovo) em consolidar as relações, rotular pessoas/ lugares/ animais/ minhasograé, que nos esquecemos que sem rótulos tudo pode ficar infinitamente mais fácil de lidar. DUH!

Miga, cê tá precisando de uma palmadinha safada na bunda.

Deixe que eles entrem em cena: os relacionamentos descartáveis. Um, dois, três, vários. Se não rolou química com esse cara, neeeeeext! – E depois o anterior denovo, vai quê? Relacionamentos descartáveis gostam de viver sem pressa, expectativas ou obrigações. Esse descomprometimento que vem no pacotinho, deixa todo mundo mais a vontade e as relações ganham chances pra se desenrolar melhor. Pode até virar uma amizade no futuro, comigo aconteceu. Hoje tenho relacionamentos muito mais interessantes do que se tivessem se tornado algo ‘oficial’.

O ideal é nunca ter em mente que a porra pode ficar séria: a ansiedade pra ter um relacionamento consistente pode atrapalhar, tirar a graça das coisas e fazer você correr no sentido inverso ao que queria. Essa busca incessante por relacionamentos não-descartáveis pode resultar em relacionamentos ruins, a partir do momento que te leva a se envolver demais e de maneira afobada com pessoas que você mal conhece.

Assim, o que é considerado “relacionamentos descartáveis” pra você, é algo que pode ganhar um temperinho especial com o passar do tempo. Ao tentar abolir esse tipo de relacionamento da humanidade – ou pelo menos de nossas casas -, fechamos muitas portas da esperança para boas companhias que começam assim, meio nem aí. Não é que não seja maravilhoso se envolver de corpo e alma com alguém, é ótchemo. Mas procurar enlouquecidamente por isso, não é tão necessário quanto você pensa que é. O foco deveria estar mais na diversão e no aproveitar de cada momento – desse jeito coisas sempre fluem melhor.

– Sim, os famosos “namoricos” que sua avó dizia. E ela nem usava iPhone.

Uber Pool – Primeiras impressões

Outro dia eu tava no meu quarto, refletindo sobre a vida – pra variar- , e percebi que algumas coisas não estavam se encaixando. Eu precisava repensar minha rotina, meu estilo de vida, meu saldo bancário, minhas noites boêmias (ou a falta delas), e muitas dessas questões não cabiam mais só a mim. Eu definitivamente precisava de de uma ajuda externa, vinda dos céus. Então decidi fazer uma oração:

“Querido Deus, primeiramente admiro muito o seu trabalho. Olha, sem querer tomar muito do seu tempo, mas já tomando, gostaria que me ajudasse numa questão muitíssimo importante na minha vida: preciso de uma forma para sair mais pro rolêzinho sem passar por tantas tretas de locomoção. Minha casa é muito longe do centro, o metrô fecha cedo, ônibus é perigoso a noite, eu não posso dirigir bêbada, e não tenho dinheiro pra táxi. Não sei bem como funcionaria um pedido de orçamento pro 100-ôr, mas aguardo seu retorno com alguma solução criativa, inovadora e fora-da-caixa, atenciosamente Ju Batah.”

Alguns dias depois, recebi uma resposta por email: “O Uber Pool começará a funcionar amanhã em São Paulo”. Pra quem não acredita em Deus: ISSO é conexão divina.

O Uber Pool é uma ferramenta dentro do app Uber, que permite que você divida o carro com outros passageiros. Isso deixa a corrida mais barata do que se você pegasse um Uber individual – que já seria bem mais barato que um táxi.

Mas claro, quando falamos em dividir um carro com pessoas que você não conhece, estamos falando em comportamento humano e estamos falando em constrangimento. No metrô, a gente fica grudadinhos uns nos outros, mas é um espaço maior e fica cada um na sua. No carro, é misteriosamente diferente. É um espaço íntimo, com a presença da tão temida INTERAÇÃO.

Tem conversas, nas quais você precisa participar ou então será vista como alguém muito antipática ou sem nenhuma opinião. Tem discussões sobre o trânsito, sobre a política, tem casal que entra se pegando do seu lado, tem amiguinhos mais bêbados que você que estão prestes a chamar o Hugo, o Raul e o Juca – e no carro não vai ter lugar pra todo mundo -, tem dupla de migas falando do casório da outra miga, tem gente descolada que entra falando no celular e esfregando na sua cara uma vida muito mais interessante do que a sua.

Tem gente que tá do seu lado, já aproveita o clima aconchegante e dá em cima? Tem gente que faz isso, sim. Também tem gente que entra reclamando que tá atrasada e do fato de ter que pegar outras pessoas, mas isso é o Uber Pool né minha gente? Não chama o Pool se estiver atrasada. Às vezes também rola uma piada, você dá risada e quando começa a pensar “que pessoa legal essa, poderíamos ser amigonas” aí a corrida acaba. Ela se despede e desce. E você nunca mais vai vê-la de novo.

E acho esse o lance mais engraçado do carro compartilhado. Você fica alí, 20 ou 30 minutinhos, convivendo intensamente com pessoas vindas de lugares diferentes e no fim das contas vocês nunca mais vão se ver. É o reflexo da vida contemporânea. A convivência sem aprofundamento, rápida, prática, divertida e indolor. Será que o Uber Pool veio pra ajudar ou pra atrapalhar as relações, tornando todas elas ainda mais efêmeras?

Sinto que ainda teremos episódios curiosos provindos desse aplicativo, vamos comentando por aqui. Mas por enquanto o que posso garantir é que tá mais interessante que o Tinder.

Como parecer 100% descolada na internet sendo 0% descolada na vida real

Conheci uma menina, que assim como eu é dessas que acorda, toma um café preto e pensa que “até sexta eu tenho que ficar rica e encontrar o amor da minha vida pra já marcar de ter filhos até o fim do mês, porque essa pelinha aqui no meu queixo já está mais flácida do que na última semana.”

Ps.: Também faz parte desse processo concluir que na próxima segunda-feira tudo vai se encaixar melhor e jogar a culpa nos astros, que estão sempre atrapalhando.

Mas nas redes sociais essa moça não parecia tão paranóica, ansiosa e ridículamente normal quanto eu. No instagram ela era tão cool. No facebook tão tranquila. No snapchat tão divertida. Ela era a típica pessoa descolada e blasé que não deixa esse mundo podre intervir em seus devaneios. Que vive pra se divertir. Uma criatura que nos intriga.

Após uma profunda pesquisa de campo, descobri pequenos elementos que trazem essa aura descolada às redes sociais de uma pessoa, fazendo com que a vida dela pareça ótima, quando na realidade continua sendo tão sem graça como a de todos nós. São eles:

Foto de gatos + algum livro aberto: essa combinação é incrivelmente cool. Se ainda for sexta-feira e você estiver pra maldade, adicione uma taça de vinho em algum canto da foto e ganhe mais pontos ainda para o seu nível de descolamento. Se for uma terça ou quarta-feira então, é só salientar sobre esse dia da semana na legenda e triplicar a pontuação.

Não vou abrir um tópico sobre fotos poéticas dentro de supermercados, mas fica subentendido.

Festas caseiras com cliques profissionalmente espontâneos: geralmente com algum copo na mão, numa posição meio-torta-quase-caindo e olhando pra baixo, com pouco ou muito cabelo jogado na cara e óculos escuros ainda que seja 22h da noite. Abraçar as migas e sorrir? JAMÉ!

Yoga no parque: não sei você, mas eu tenho reparado que as pessoas que mais postam fotos sustentando o corpo inteiro em cima do dedo mindinho num lindo gramado ao pôr-do-sol são as primeiras a dar piti no restaurante quando a comida vem errada. Não julgo! Até porque a foto da comida errada também estará nas redes com a legenda “almocinho delícia com os queridos” + a marcação de duas ou três pessoas muito famosas, que não estão presentes e não vão reparar que a foto foi postada.

Inaugurações, festas fechadas, exposições ft. lançamentos: trate de descobrir onde será a próxima loja da gringa que virá pro Brasil, ou o próximo autor que ninguém conhece e que vai lançar um livro que ninguém vai ler, e VÁ até o local mesmo sem ser convidada. Poste uma foto na entrada (torta e olhando pra baixo, claro) e vá pra casa – a rua é de todos.

De novo sobre sorrir: evite. Cara de cansada, que está fazendo um favor pra sociedade ao se deixar fotografar: continue assim.

Coisas muito velhas: sempre inclua nas suas fotos vinis, câmeras dos anos 40, roupas compradas em brechós ou os seus sogros. Se eles forem corcundinhas melhor ainda, isso vai te inspirar a envergar um pouquinho também, o que vai qualificar muito a sua imagem, porque postura reta realmente não combina com gente que sabe o que quer e não se incomoda com a opinião alheia.

Por enquanto é isso. Se você chegar nesse nível de indiferença com a vida, continuamos essa conversa. Ou nem precisaremos continuar, né?

Esse texto é do site “Vamos pra Vênus“, nosso novo parceiro de conteúdo! Isso quer dizer que trocamos textos e vocês podem ler um pouco de De Repente dá Certo lá e um pouco de Vamos pra Vênus aqui! <3 

Como sobreviver na cozinha se você não manja nada de cozinha

Até uns dois anos atrás, se alguém me pedisse algo pra comer em casa, eu resolveria isso em 3 minutos. Já sabe como, né? Mas percebi que aprender a cozinhar pode ser legal. Dá mais opções pra gente, mais do que um simples miojão.

Não, eu não sou uma chef (minha irmã vai ser <3) e eu não tenho um foodtruck descoladinho, mas aprendi a não ter um ataque diante de um fogão aceso. Eu não tenho um truck, mas tenho uns truque: (HÁ!)

Organização & mise en place

Com licenciiinha, que tô usando termos gastronômicos porque sou xiq. A dica é: coloque tudo o que você vai usar na sua frente, de forma virgianianamente organizada. Isso serve pra você pensar no que pode fazer com um ovo, um abacaxi, duas salsichas e geleia de frutas vermelhas? Sim, mas também serve pra você não ter que ficar procurando as coisas quando o óleo já tá alí queimando na panela.

Óleo, alho e cebola no truque

Tendo isso refogado na panela, você pode até cozinhar uma folha sulfite A4, que vai ficar gostosinho.

Deixar o seu nariz falar por você

É importante pra quem tem rinite, dar aquela assoada caprichada no nariz antes de começar a cozinhar, porque a qualquer momento alguma coisa pode queimar e é o seu narizinho com cirurgia plástica ou não, que vai te avisar. Sentiu cheirinho de queimado, vira o botãozinho e desliga essa merdinha.

Fogo baixo pra começar

Se a sua experiência na cozinha é zero, não precisa armar uma puta fogueira logo de cara, né more?

Ter a rapidez de desligar o fogo em caso de incêndio 

Se você perceber que o fogo está tomando conta da sua cozinha, da sua geladeira, dos seus ímãs de geladeira, dos livros de receita da sua tataravó, do seu ipad, porque você é moderninha e deixa seu ipad na cozinha, e esse fogo está se espalhando por toda a sua casa, talveeeez esteja na hora de desligar o fogo. E procurar um extintor. E ligar pro 193. Se o fogo só tiver estragado a sua coleção de livros da Bela Gil, fique tranquila que o prejuízo não foi assim, tão grande.

Ver a cor das coisas

Quando eu era criança não entendia como os adultos sabiam que a comida tava pronta. Depois de alguns anos e um bacharel em Design, descobri que além da textura, a cor daquilo que você está cozinhando, seja isso legumes, carnes ou cera de depilação, é uma ótima referência.

Experimentar o tempo todo

Fica com um garfinho na mãozinha, melhor dar uma provadinha no que você tá cozinhando do que deixar acontecer naturalmente, e servir algo com gosto de estopa velha pra mãe do seu namorado.

Menos sal do que mais sal

Aprendi a temperar comida de acordo com a minha vasta experiência em temperar salada. Porém, partindo do princípio que eu sempre acreditei que o alface era apenas um apoio para o tempero, e nunca comi alface com sal e sim sal com alface, percebi que quando se tratava de comida de verdade, seria mais interessante colocar um pouco menos de sal do que eu colocaria – ainda mais quando outras pessoas também iam comer. No Masterchef eles falam que é errado colocar pouco sal e corrigir depois com o saleiro na mesa, mas foda-se eu não quero ser a mais nova Masterchef do Brasil.

Se ficou tudo uma bosta, põe queijo e/ou batata palha por cima

Sobre isso não precisamos nem entrar em detalhes.

Eu já peguei um falso-bonzinho. E você?

Imagina uma mina sensível, legalzinha e meio desligada que sem nenhuma intenção conquista o coração de um cara muito canalha, mas que se torna fofo e romântico apenas porque jamais tinha se encantado de verdade por alguém. Coloque uma trilha sonora do The Smiths e uma cena final no aeroporto e você tem uma típica comédia romântica americana. UGH!

Eu tenho um ódio profundo desse formato de filme, ele é um combo de problemas – personagens rasos e estereotipados, tramas clichês e trilhas sonoras duvidosas – que têm que ser resolvidos urgente. Mas quando liguei a tevê esses dias depois de terminar Breaking Bad, queria assistir qualquer coisa que tirasse da minha cabeça aquele lance de derreter os corpos nos barris, então escolhi “Love” (nova série da Netflix) que parecia ser uma comediazinha com fins distrativos e a opção menos violenta diante de Dexter, Narcos e Peppa Pig.

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Relações tóxicas: 5 tipos de pessoas que você não vai querer ter ao seu lado

Arte por Lissy Elle
Arte por Lissy Elle

Detesto classificar as pessoas em categorias e odeio posts que começam com “Tipos de pessoas que blablablá”. Acho isso injusto já que os seres humanos são complexos, cheios de nuances, conflitos internos, contradições e experiências diversas. Não dá pra generalizar.

PORÉM

Também não dá pra negar que existem padrões de comportamento e grupos de pessoas que repetem involuntariamente esses padrões. Mas se o título desse texto fosse algo como “5 padrões de comportamento adotados por pessoas que você não vai querer ter ao seu lado” – provavelmente você nem estaria aqui. Sim, as vezes a gente se vende!

A questão é que me relacionei algumas vezes com pessoas que seguiam alguns comportamentos que na minha humilde opinião não eram muito positivos e não foram relações bem sucedidas – falo de amores, amizades e até relações profissionais.

A convivência com elas me deixava pra baixo, sem energia e eu não entendia muito bem o porquê – muitas vezes achava que o problema era comigo. Mas depois de um tempo, comecei a identificar o que são as relações tóxicas. E não custa nada vir aqui e te dizer como e do que elas são feitas.

Pessoas que só falam de si.
Eu tinha uma amiga que me ligava todos os dias e a gente ficava horas no telefone. O problema é que os assuntos eram só sobre a vida dela. Sobre a faculdade, o trabalho, os relacionamentos dela. Até sobre o primo de segundo grau dela que estava com algum problema social e fazendo terapia (linha da psicanálise, se não me engano) eu tinha que escutar. E se eu tentasse dar a minha opinião sobre a tal psicanálise, ou mudar o assunto pra qualquer outro, eu ouviria algo tipo “Parkinson, miga? Puts, melhoras. Mas viu, hoje na aula um cara muito gato veio falar comigo, será que ele vai me chamar pra sair?”. Pensando agora, acho que nossa amizade durou tempo até demais.

Pessoas que ficam lembrando dos seus podres. Eu tive uma outra amiga que sempre dava um jeito de incluir na roda alguma vergonha que eu tinha passado. No começo era engraçado: “Ju, lembra aquele dia que você caiu no banheiro do shopping fazendo montinho em duas idosas? HA-HA-HA”. Todo mundo ri, HA-HA-HA. Aí quando eu passei na faculdade ela: “Parabéns, nem parece que você era a pior aluna da escola! HA-HA-HA.” Se eu ganhasse um prêmio Nobel, ela ia fazer questão de lembrar de algum dia que eu vomitei tequila em cima de algum desconhecido na festa da irmã dela – não que isso tenha acontecido. A questão é que ela não era grossa, eraengraçada. Só que a gente cansa desse humor todo. Me afastei e se você quer um spoiler: não sinto falta nenhuma, HA-HA-HA.

Pessoas que querem te colocar pra baixo. Esse tipo de pessoa parece a descrita acima, mas ela é um pouco mais sutil. Ela não fica fazendo piadas, mas alguns comentários sucintos em doses homeopáticas, que vão te colocando pra baixo aos poucos, até que um belo dia você acorda odiando o mundo inteiro, checa seu calendário menstrual, vê que não é a TPM – você não sabe o que é. Ela chega com uma voz mansa, falando algo como “Amiga, promete que não vai ficar triste?” – ESSA FRASE já te deixa triste. Depois ela faz algum comentáriozinho meio maldoso mas sem a intenção de te ofender. De novo, não soa como grosseria, então você releva. Mas é desnecessário e não convivo mais com pessoas assim desde 2005.

Pessoas que julgam o tempo inteiro. Todo mundo julga um pouquinho e até me incluo nessa roda. Mas tem gente que só sabe falar mal de gente. Tive colegas que ficavam julgando os outros, julgando a si mesmos e quando eu não estava olhando – ou muitas vezes até na minha frente e de forma descarada – eles julgavam minhas escolhas, minhas atitudes, meu estilo de vida, achando que pela “intimidade” podiam invadir o meu espaço e dizer o que viesse na telha sem nenhum respeito. Parou, né?

E por fim, mas não menos importante:

Pessoas que têm mania de perseguição. Tem essas pessoas né? As que acham que o mundo tá todo errado – só elas que estão no caminho certo. Elas costumam achar que todos querem “roubar” o emprego delas, o namorado delas, o brilho do cabelo delas – porque claro, tudo o que diz respeito a elas é perfeito. Se você discorda de alguma atitude que ela teve, você só pode estar com inveja – DUUUH!. Geralmente esse comportamento vem atrelado a pessoas egoístas, superficiais e que subestimam os outros. E acredito que no fundo elas sabem que a vida delas não é tão incrível assim, elas só querem que os outros pensem que é.

E vou parar por aqui hoje pro post não ficar tão longoooooooo. Se eu lembrar – ou vocês também – de mais alguns perfis de pessoas pra evitar a amizade, a gente faz um PARTE II!

Esse texto é do site “Vamos pra Vênus“, nosso novo parceiro de conteúdo! Isso quer dizer que trocamos textos e vocês podem ler um pouco de De Repente dá Certo lá e um pouco de Vamos pra Vênus aqui! <3 

Deixa ele pra lá

Arte por Phazed
Arte por Phazed

Sexta-feira, 21:15h. Sapato, bolsa, documento, chaves. Eu já tava saindo de casa quando meu celular me chamou, pedindo pra eu olhar aquela mensagem acabada de chegar.

“Oi, hum. Desculpa, não vou conseguir ir hoje… Um amigo apareceu aqui, e fiquei enrolado.”

Um amigo apareceu aqui e fiquei enrolado. Um parente veio do interior e vai ter um jantar de família surpresa que ninguém sabia. Meu melhor amigo levou um fora da namorada e precisa sair pra conversar. Queria que as campanhas de cerveja aqui no Brasil, tivessem esse nível de criatividade.

Sorte que não passei rímel, pensei. Se eu tivesse passado, o desfecho dessa história seria um pouco mais agressivo. Sim, porque o rímel é a cereja do bolo na produção e depois que o pincel acaricia suavemente os seus cílios, te fazendo subir todos os degraus da escada do glamour, é bem brochante ter que tirá-lo logo em seguida pra… dormir. É um tombo, um tapa na cabeça. A não ser que você queira deixar sua fronha manchada e seus olhos vermelhos. Mas nada disso vem ao caso.

Não era a primeira vez que ele fazia isso, e eu sabia que também não seria a última. Há um certo tempo, já percebia que eu dava mais importância pra nossa história, do que ele. Mas eu não conseguia me desprender de nossos encontros, porque eu gostava dele e quando ele vinha pedir desculpas e me chamar pra sair de novo ele conseguia ser tão fofo. Sim, ele é meio quieto e misterioso, mas é o jeito dele. Eu gosto assim.

Vesti um pijama e entre dormir ou ligar o Netflix, decidi comprar uma garrafa de vinho e chamar minhas duas amigas-irmãs para darmos risada de todos os caras que furam em cima da hora e mandam mensagem no dia seguinte pedindo “nudes”, como se nada tivesse acontecido. Frustração pouca é bobagem.

Mas tem o tempo né, ele sempre passa.
E faz a gente pensar em algumas coisas que antes não pensava.

Cheguei na festa de aniversário de uma amiga algumas semanas depois, e ele tava lá. Era um amigo em comum. Acho que dos amigos dela. Bem, você entendeu. Logo que ele me viu seus olhos brilharam e ele acenou com a cabeça. Respondi com um sorriso, até que verdadeiro. Cumprimentei algumas pessoas que se encontravam perto de mim na entrada, pedi uma cerveja no bar, não circulei pelo ambiente como costumo fazer. Não fui até ele.

Olhei para trás, percebi que ele tava sozinho. E olhando pra mim. Com um sorriso frouxo, aquela cara de cão sem dona que ele adora fazer. Eu iria lá. Eu daria um beijo no canto da boca dele e faria uma piadinha boba com a nossa história efêmera, só pra ele achar que eu não me importo tanto assim com os furos que ele dá. Pra ele achar que eu sou leve e que topo esse nosso esquema moderninho de sair só quando dá na telha, só quando é conveniente pranós. Ruim? Não, jamais poderia ser. Ele me abraçaria como fez das outras vezes, me beijaria, me esquentaria, me levaria pra casa, e eu me sentiria tão… tão, é…

Tão o quê?

Calma, se eu me esforçar consigo explicar. Ah, esquece… com a cerveja subindo, jamais conseguiria. Quer saber? Acho que tô de boa. Deu preguiça de tentar entender, preguiça de tentar explicar o que sinto quando estamos juntos. Muito mais preguiça de ir até lá falar com ele, interpretar uma personagem que eu não sou, encher meu coração com uma alegria de R$1,99 que duraria só até o próximo perdido dele e acordar esse gigante que já tá aqui quase caindo numa sonequinha boa.

“Ju, estamos indo embora. Quer vir com a gente, ou vai mais tarde?” – uma amiga chamou. Entrei no carro dela, ele ainda me olhava de dentro do bar, agora com um ponto de interrogação no lugar do rosto. Ah, moço… Eu adoraria ficar mais um tempinho com você, mas bateu essa preguiça que nem com criatividade de publicitário eu saberia te explicar. Amanhã acordo cedo.

Esse texto é do site “Vamos pra Vênus“, nosso novo parceiro de conteúdo! Isso quer dizer que trocamos textos e vocês podem ler um pouco de De Repente dá Certo lá e um pouco de Vamos pra Vênus aqui! <3 

Querer ficar em casa é crime?

A maquiagem demora, o rolê é longe, mas o mais difícil é ter que explicar pros amigos por que você não quer ir. É que poucos seres humanos entendem as delícias de ficar em casa e que às vezes nem um show da Madonna é o suficiente pra te tirar do conforto do seu sofá. Mas se você se arrisca a lançar qualquer tentativa de desculpa pra não ir, eles já arregalam o olho com um “COMASSIM VOCÊ NÃO VAI??” – sua creammynósa!

É longe! “Eu te busco!” Mas tô sem grana. “Eu pago pra você!” É que tô cansada. “Pára, vai! Você tem 25 anos!” É que não tô afim, mesmo. “Chegando lá você vai ver, vai adorar!”

E aí você acaba indo. Afim de manter a saúde da sua amizade com aquelas pessoas e a integridade da sua juventude que supostamente não combina com aquela maratona de House of Cards embaixo das cobertas, você acaba indo. Acaba tendo que colocar um salto porque o rolê é nos Jardins, acaba tendo que beber vários drinks pra não sentir que seu mindinho está em carne viva, e acaba pagando a conta inteira porque seus amigos ficaram bêbados e foram cada um pra um lado com uma turma diferente.

-Aquele dia foi loco.

E aí a ideia de sair, que no início da noite já parecia meio errada, agora ganhou um combo de arrependimento + tortura com batata grande – sim, sua batata da perna ficou inchada.

Não é que você não gosta de sair, você adora. Mas tem dias e dias.

Tem dias que uma boa bebedeira vai dar aquela endireitada nas suas costas e na sua vida, mas tem dias que você sabe que nada vai te recompensar mais do que ficar horas lendo um livro sem ver o tempo passar.

Tem dias que nada vai te trazer mais alegria do que assistir 5 filmes comendo fandangos & todas as tranqueiras do mundo, hibernando no sofá.

Tem dias que dançar a noite toda não vai fazer seus pés mais felizes do que ficar passando eles entre o lençol e o edredom depois de um banho quente.

Tem dias que qualquer conversa de bar pode não ser tão interessante quanto aquele podcast cheio de diálogos que vai te abrir a cabeça e que você vai ouvir recostadinha na cama entre uma taça de vinho e outra.

Tem dias que o cheirinho daquele café ou chá no fim da tarde vai ser muito mais gostoso do que qualquer cangote de Hugo Boss.

Tem dias que a gente quer ficar só.

E eu tenho muitos dias assim – na verdade até mais do que seria permitido por lei na minha idade. Momentos em que só quero fazer minhas coisas e me conectar com o meu interior. Que simplesmente não quero fazer nada, apenas ficar à toa  me hidratando, me abastecendo de mim mesma e tirando aquelas pelinhas de bolha que ficaram no pé por conta de noitadas passadas. E claro, assistindo os diálogos mais incríveis do cinema pra depois jogar por cima de algumas conversas da vida real e rir quando me acham poética.

Esse texto é do site “Vamos pra Vênus“, nosso novo parceiro de conteúdo! Isso quer dizer que trocamos textos e vocês podem ler um pouco de De Repente dá Certo lá e um pouco de Vamos pra Vênus aqui! <3