O botão das desculpas esfarrapadas

Se você vive reclamando que coloca muita força nas coisas e recebe pouco em troca, chegou a hora de refletir um pouquinho.
Chegou a hora de parar de reclamar do outro e de olhar para dentro de você. A hora de desativar esse botãozinho automático que vive dando desculpa, justificando erros alheios e passando a mão no seu coração repetindo “calma, que vai melhorar”. Não vai, não.

Será que você não está DESPERDIÇANDO a sua força? Botando fé em pessoas e situações que são mais FRACAS ou que lá no fundo não têm tanta FORÇA DE VONTADE? Não seria melhor se você MUDASSE O FOCO dessa força para algo que pode te dar mais resultado?
Você também pode estar exagerando na força, é claro, mas é provável que NÃO. Porque quando a gente quer algo muito, e é do bem, o esforço é visto com bons olhos. Ele é RECONHECIDO. Coloco tudo em CAIXA ALTA para entrar na sua (na nossa) cabecinha. E eu não estou falando de algo específico, serve para quase tudo na vida. Trabalho, família, relacionamento e coisa e tal. A lei da reciprocidade é geral.

Não tenho a fórmula certa. Raramente a gente tem. O mais comum é insistir até não saber mais se aquilo é legal ou saudável. Pode parecer terrível dizer isso, mas sim, nos acostumamos até com o que é ruim. Daí, perdemos a noção de quanto o bom pode ser incrível. Já pode ter acontecido com você uma situação mais ou menos assim: depois de se acomodar tanto com algo, quando finalmente desistiu e vivenciou outra coisa muito melhor, pensou: “como que eu não quis sentir essa sensação maravilhosa antes?” ou “nossa, se eu soubesse que era tão bom assim”. Lembrou?

Nos falta coragem. Quando se usa o coração, dar adeus para momentos e pessoas é difícil demais. A cabeça já está no futuro, pensando em coisas melhores, fazendo novos planos. O coração, coitado, se apega ao passado, ao que foi bom e que nem é mais. Ele repete “mas foi bom, mas foi bom, mas foi bom” e o cérebro acredita e responde “tá bom, vou esperar amanhã, vai que melhora”.

A minha dica é que você se arrisque, mesmo com muito medo. Pode dar errado, pode dar arrependimento, choro, mágoa e sensação ruim. Você provavelmente vai se sentir um lixo até experimentar aquela maravilhosa sensação do “nossa, é muito melhor agora”, por isso tem que segurar firme e ser forte.
Afinal, setenta vezes zero, não é setenta. É zero. O primeiro passo é entender isso.

Esse texto é do site Sem Clichê, nosso novo parceiro de conteúdo! Isso quer dizer que trocamos textos e vocês podem ler um pouco de De Repente dá Certo lá e um pouco de Sem Clichê aqui! <3 

Sem Clichê

Marcella Brafman é autora do Sem Clichê. Ela é jornalista, escritora e mineira. Sofre de imaginação fértil que só passa escrevendo.