10 coisas que eu aprendi sozinha na Bahia

Como toda boa sagitariana, a minha cabeça vai até Júpiter e volta em alguns rápidos segundos (ou fica por lá mesmo). Estou sempre pensando, planejando e sonhando com algum destino novo. A minha penúltima grande viagem foi para bem longe, para encontrar uma pessoa. Peguei um avião só, rumo a Europa. Essa última de agora foi para encontrar comigo mesma. Peguei um carro, dois aviões, mais um carro e uma van para Bahia.

E tudo aconteceu mais ou menos assim… Há um mês eu resolvi mudar alguns hábitos que estavam me incomodando muito. Muitas vezes a minha vontade de mudar ficava somente no mundo das ideias, eu acabava me enganando e procrastinando (sempre foi o caminho mais fácil). O famoso “ah, amanhã eu começo a fazer um exercício”, “vou parar de fumar na segunda”, “vou tentar acordar mais cedo e não sair nem beber durante o final de semana”. Quantas vezes eu já tardei o que eu tinha pra fazer? Algumas muitas vezes.

As minhas insatisfações andavam acompanhadas de um término de namoro e a minha nova vida de freela, trabalhando de casa. Trampar da minha casa não estava funcionando de forma alguma. Li um post de uma amiga no Facebook e acabei encontrando uma salinha charmosa com ótimas companhias de trabalho. – Esse foi o primeiro passo rumo ao mundo das não procrastinações. – O segundo passo foi parar com a desculpa que o meu barato nunca foi academia e que o resto é muito caro. Tomei vergonha na cara, peguei meu tênis cheio de poeira no fundo do armário (literalmente) e fui correr sozinha na praia. Eu nunca me imaginei correndo, sempre me achei a Phoebe desengonçada correndo com a Rachel naquele episódio de Friends. Mas aí que aconteceu a bela descoberta: eu amo correr – é a minha melhor terapia para estancar qualquer tipo de pensamento ruim ou problema. A historinha que esse tipo de hormônio te coloca pra cima, é verdade verdadeira. É uma das melhores sensações que eu já senti.

E foi aí que eu pensei: já dei o primeiro passo e consegui a minha sala, comecei a fazer exercício e consequentemente estava me alimentando bem melhor e aí? O buraco que tava faltando ser preenchido era a minha vontade louca de sair de casa e viajar sozinha. Não pensei em nenhum momento chamar uma amiga ou um amigo. Eu queria e precisava ir mesmo sozinha.

Achei um curso que parecia bem legal, chamado “Arte do Ser” em uma ecovila no sul da Bahia e fui. Foram 9 dias muito intensos e com muitos aprendizados que eu gostaria muito de compartilhar.

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1. Quer viajar? Não pensa muito, só vai.

(Com um planejamento financeiro incluído, claro). Se apegar demais no nosso conforto do lar e tudo o que já conhecemos com a palma da nossa mão nos prende. Nos limita em muitas coisas e oportunidades incríveis de conhecer a cultura do outro. Muitas vezes pensamos que para conhecer o mundo, é preciso sair do país. O Brasil é um mundão a ser descoberto. Já fui seis vezes para a Bahia e sempre tenho uma sensação de estar em casa.

2. Sair da zona de conforto é também respeitar os hábitos e crenças do lugar.

Fui para uma ecovila em que a água da pia era a mesma que a gente bebia e tomava banho. Ou seja, tudo o que era jogado pelo ralo ia imediatamente pro lençol freático da comunidade. Todos os produtos químicos eram fortemente proibidos. Não teve ninguém que olhou as minhas coisas, pelo contrário. A relação era na base da confiança e consciência. Se eu tomasse banho com o mesmo shampoo e sabonete que uso no Rio, eu beberia uma água com todos os componentes químicos que descartei. – Isso me fez repensar nos produtos que eu compro (e nunca li a embalagem) e a quantidade de lixo que produzo diariamente. (Principalmente os plásticos).

3. Estar e viajar sozinha é libertador.

Você não precisa de ninguém para te fazer companhia. Você é a sua melhor companhia. – e não é papo de auto ajuda! – E os livros! Não posso me esquecer deles. Consequentemente você vai acabar conhecendo novas pessoas. Eu tive a sorte grande de encontrar duas amigas durante a minha viagem e fiz outras amizades maravilhosas.

4. Auto conhecimento não é luxo.

Já ouvi de muitas pessoas, inclusive de amigos meus que terapia, análise ou qualquer coisa que seja focada para si próprio é “para poucos”. Não concordo, até porque acho que é uma coisa muito importante para levar para vida (e também para os nossos relacionamentos). Se escutar é muito raro, ainda mais no mundo cheio de informações e cobranças em que vivemos. Então de vez quando aperta um pause em todas as suas comunicações e olha pra dentro.

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5. Participar de uma roda de mulheres é transformador.

Eu nunca tinha participado de uma roda do sagrado antes. Éramos em vinte e quatro mulheres, contando com a Adriana, que facilitou lindamente a nossa noite. A apresentação era feita primeiro com o seu nome, o nome da sua mãe, irmãs, avós e bisavós. Ter falado o nome da minha família me emocionou muito. Lembrei do tamanho da força que elas tiveram e a grande importância e influência para mim.

Outro exercício muito interessante, foi contar uma história em silêncio, para uma menina que eu nunca tinha visto antes. Foram cinco minutos eu contando a minha história para ela (olhando nos olhos) e depois ela para mim. Foi muito bonito!

6. Tente ser presente no que você fizer e com quem você está.

É normal o nosso pensamento “passear” de vez em quando mas ter presença é muito importante. Se você estiver conversando com alguém, esteja com essa pessoa e não com o seu celular.

8. Trabalhe os seus medos.

Fui acumulando alguns medos durante os anos. (Quem não, né?) Dos mais bobos (medo de insetos) até os mais sérios (medo de lugar fechado ou com multidões). Enfrentei esses dois com muita paciência. Tanto que no final nenhum deles me importava mais.

9. A meditação cura muita coisa.

Eu demorei bastante tempo para entender qual meditação me identificava mais. Não foi uma descoberta imediata, eu tentei diversos tipos. – e entendi que a meditação em silêncio não funcionava. – Descobri e aprendi a Meditação das Rosas, que é uma ferramenta de limpeza energética e limpeza da aura.

10. Não tenha medo de demonstrar ou colocar pra fora as suas emoções.

Ter o ascendente em câncer nunca foi uma tarefa muito fácil no meu campo emocional. Sou muito sensível e em alguns momentos eu me censurei por isso. No meu tempo sozinha eu aprendi que não tem nada de errado com isso. Outro dia eu li uma frase que me encantou e lembrei muito disso: “some words build houses in your throat, and they live there. Content and on fire”. Acredito que ter voz liberta.

Se eu pudesse resumir os meus dez aprendizados e dar um conselho em uma frase só, ela seria “vire-se do avesso”.

Um dia o amor bateu na minha porta e eu não abri

Arte por Federica Bordoni

Mentira, eu abri sim. Mas confesso que fazer isso foi bem difícil e tem sido um dos maiores aprendizados até agora. Há um processo longo pela frente pra eu conseguir me olhar de frente e dizer “tudo bem, você pode ser feliz com alguém”. Eu nunca achei que isso seria possível.

É meio louco, mas indo contra a corrente, desde muito nova comecei a me blindar pro amor. Achava que eu era boa demais para passar pelos perrengues de um relacionamento Seria muito mais simples viver a vida sem me envolver demais com ninguém e, assim, estaria protegida de ser enganada ou sofrer por coisas desnecessárias.

Isso vem desde lá de cedo, da separação dos meus pais. Quando eles se separaram, minha mãe, que usava só roupas largas e escuras e passava o dia reclamando, se transformou em um mulherão independente, com roupas descoladas. Ela estava sempre com amigos, namorados e enfim, muito feliz. E essa sementinha foi plantada na minha cabeça. Uma mulher sem um homem é muito melhor, a equação fechava.

É claro que eu só fui descobrir essa influência depois de muita terapia, mas na adolescência me lembro de ver todo mundo namorando e não me identificar nem um pouco com aquele modelo. E cá pra nós, o modelo de relacionamento proposto pela nossa sociedade, de maneira geral, é machista e doentio. Com muita possessão, pouco diálogo, desrespeito e viradinha de olhos sem paciência.

Eu me envolvi com muita gente, porque era isso que eu queria, muitos casinhos, mas nada sério. Eu queria me entregar intensamente, e nossa! Como eu fazia isso… Me apaixonava desesperadamente, queria sugar todo aquele amor momentâneo porque eu sabia que ia passar. E passava. Na mesma velocidade que eu me apaixonava, eu me desapaixonava e eu amava isso. Amava me apaixonar mesmo sem ser correspondida e isso é lindo também. Valia a pena só pra sentir aquelas borboletas no estômago. Eu aprendi que todos os relacionamentos, por mais que durem um segundo, valem a pena serem vividos com vontade.

Até que um dia, um desses casinhos durou mais e quando vi que isso podia dar em algo sério, dei um jeito de acabar logo com tudo. Depois eu achei que o modelo ideal de relacionamento pra mim seria um namoro aberto. Vivi essa história também.  Deu certo durante o tempo de durou. Terminou por causa dos deslocamentos da vida e não por ser aberto. Eu queria mais.

A questão não era poder ficar com quem eu quisesse e sim saber que eu estava livre de ter que encarar um amor de verdade. Não poder me desapaixonar a qualquer momento me deixava louca. Eu achava que amar era sinônimo de fraqueza, porque  me sentia vulnerável. E como disse Sun Tzu, autor da Arte da Guerra: quem não tem nada a perder é invencível.

E era isso que eu queria ser, invencível. Planejei minha vida pra nunca amar ninguém de verdade. Igual ao filme “Da Magia à Sedução”, que a personagem cria um feitiço para si mesma para nunca se apaixonar por ninguém, só por um homem muito específico, que seria impossível de encontrar. Acontece que esse homem apareceu na vida dela e apareceu na minha também.

Ele tirou a minha base e destruiu todas as minhas certezas, mas plantou algo que eu nunca imaginei que sentiria, a felicidade compartilhada. O amor, aquele que acontece quando duas pessoas completas se somam e conquistam o mundo.

E eu comecei a viver um relacionamento incrível, até que eu reparei que eu estava realmente feliz, mais feliz do que eu era antes até. Eu sempre achei que fosse impossível. Então, comecei a me sabotar de todas as formas possíveis, tentando me convencer de que eu estava entrando em uma furada, que amor assim não existe e que, enfim, eu não poderia ser feliz assim. Como assim você tá feliz com um cara? Não, você não planejou ser feliz assim, volte duas casas.

Hoje, é óbvio pra mim que era apenas medo de descobrir que é totalmente possível ser feliz com alguém. Uma teoria de vida inteira sendo jogada no lixo. Não podia ser.

Mas amadurecer é isso, descobrir que certezas são ideias estagnadas fantasiadas de confiança. E viver sem ter certeza é que é o grande barato. É descobrir, descobrir e descobrir. Arriscar a viver uma vida a dois, ainda me dá frio na barriga, mas é o que mais me faz feliz agora. E amadurecer também é descobrir que não existe jeito certo de viver nada, a única coisa que faz sentido é ser feliz e não importa como. Essa é a única coisa que a gente tem que buscar, ser feliz sem que ninguém e nem você mesmo te diga o contrário.

Eu sempre achei que as pessoas fodas eram aquelas impenetráveis, independentes e que não se envolviam com ninguém. Mas quem é foda é quem se joga e se arrisca com medo mesmo, ainda que seja no amor. E o amor era um abismo escuro pra mim, até conseguir me jogar e descobrir que eu estava voando.

Morar sozinha é curtir a própria companhia

 

By Pascal Campion
By Pascal Campion

Em tempos de solidão, transformo meu tempo em espaço e caminho pela casa de calcinha sem me importar com o que os vizinhos vão achar.

Morar sozinha é transformar vinho em amigo, é fazer da internet minha janela pro mundo e poder fechá-la quando bem entender pra abrir outra janela e olhar pro céu. É imaginar planetas distantes e amores incompletos. Imaginar ser qualquer coisa e dormir enrolada no cobertor quentinho com a certeza de tudo é possível.

Morar sozinha é ler um livro inteiro de tarde sem ser interrompida, fazer quantas maratonas de série quiser. É poder descer e comprar um pote de sorvete, é poder fazer sua comida saudável e guardar em potinhos pro resto da semana.

É poder dançar no quarto sem medo de alguém entrar, é poder se perder na própria bagunça e ter o prazer de arrumar tudo depois. É poder deixar tudo impecável, nos mínimos detalhes. É poder fazer jantares, festas e pequenas reuniões de amigos. É poder chegar sozinha e acompanhada com a mesma emoção.

É poder fazer a decoração que quiser, passar a tarde de sábado pintando um pallet que você pegou na feira e vendo utilidade naquele spray dourado que ficou guardado no armário.

É perceber que plantas são a melhor forma de decorar a casa, mas depois entender o sentido que elas fazem por todos os dias crescerem um pouquinho.

Morar sozinha é pagar 300 reais pelo conserto de alguma coisa idiota e depois pensar que deveria aprender a fazer isso sozinha.

Morar sozinha pode ser bom e ruim, como tudo na vida. Dependendo do dia, bate aquela sensação de querer chegar em casa e desandar a falar com outra pessoa.. Falar sobre qualquer coisa,porque é bom saber que tem alguém te ouvindo.

Mas em compensação, em outros dias você só quer chegar em casa e não falar nada. Só quer deitar com o pé pra cima do sofá e ouvir seus próprios pensamentos.

Morar sozinha é poder ficar envolvida com alguma atividade até de madrugada e ficar tão empolgada com que está fazendo que esquece quanto tempo já passou. Ao mesmo tempo é fazer um esforcinho pra levantar cedo e fazer um super café da manhã pra si mesma, porque sim.

Morar sozinha é conseguir ouvir o corpo, é saber acalmar a mente com a própria mente, é saber cuidar de si mesma. É se mimar de vez em quando, se trazer flores, deixar a luz entrar e mudar a vibe da casa com música.

É sentir-se livre por ser quem é, é saber que você nunca estará sozinha enquanto tiver a própria companhia.

É muito barato ser feliz

Hoje eu acordei estranha, meio fora de mim, angustiada e sem querer viver o dia de tanta coisa que eu tinha pra fazer. Cheguei no trabalho meio atordoada, sem conseguir me concentrar direito em nada, cada hora começava uma coisa e não terminava.

Vi o stories da minha melhor amiga que está viajando o mundo de bicicleta e comecei a chorar. Às vezes a gente acorda mesmo com uma angustia sem sentido, mas dá pra transforma-la em outra coisa ao longo do dia.

Chorei meio contida, mas chorei. Chorei por prestar atenção na letra da música que eu escutei pra malhar essa semana, pra você ver a profundidade da sensibilidade que eu to ( a musica é Heading Home do Gryffin – vamos ouvir e chorar juntos mentalmente de mãos dadas).

Saí pra almoçar e resolver umas coisas na rua. Coloquei a música no repeat e fui andando. Entrei numa rua que eu nunca tinha passado e me surpreendi com as casinhas coloridas, uma do lado da outra. Botafogo tem dessas surpresas.

E beleza, eu tinha que passar por essa rua hoje pra pegar uma encomenda, mas fiquei me perguntando por que a gente não se arrisca e não se permite se perder de vez em quando pra encontrar alguma coisa nova.

Fui andando e observando tudo em volta e tudo virou poesia de repente. Eu me encantei com todos os ângulos da rua, das pessoas, das cores.

Resolvi almoçar num lugar diferente, pedi uma taça de vinho branco. Por que não? Nada como apreciar nossa própria companhia. O dia tá lindo, ainda tenho meia hora pra voltar pro trabalho (aliás, estou escrevendo este texto no restaurante de esquina e olhando para uma palmeira toda verde lá no fundo em contraste com o céu azul. Meu deus vocês precisam ver isso).

Estou aqui pensando por que a gente não se permite fazer essas coisas de vez em quando. Dar um tempo, almoçar num lugar diferente sozinho, andar por novas ruas ouvindo música. A gente fica muito preso a uma rotina, mas a verdade é que podemos mudar o rumo das coisas todos os dias.  E eu nem to falando de uma forma radical, não. Que seja pra tomar um sorvete no meio da tarde, mas é preciso estar totalmente entregue, sentindo cada colherada como se fosse o melhor momento da vida, degustando o presente sem pressa, só vivendo e sentindo um calorzinho no peito e o corpo todo arrepiando. Sabe aquele momento que você sabe que é feliz? Você sente e sabe, de alguma forma, que aquilo é a felicidade, pura e simples. Você sabe que vai lembrar daquele momento com saudade.

Eu geralmente me encanto com tudo e quem ta em volta me acha doida, porque eu olho pra qualquer coisa e me apaixono instantaneamente e choro e pulo e grito. Sei lá, por ver a palmeira em contraste com o céu, por exemplo. E ninguém entende. E deve ser um saco viver sem ter esses deslumbres instantâneos.

É muito barato ser feliz. Mas o que custa caro é a gente não se permitir sentir isso. Sei lá, parece que a gente se sente culpado de ser feliz. Tem tanta merda acontecendo no mundo, as pessoas estão super ansiosas e depressivas, por que eu vou me permitir ser feliz?

Mas sentir isso é a unica forma de olhar pra trás e ter certeza de que a vida valeu a pena. A vida sempre vale a pena, aliás. E estar presente é a melhor forma de transformar o mundo, porque você consegue fazer as coisas que acredita sem se importar com o resultado e sim com o processo. Essas são ações mais puras e verdadeiras. São elas que mudam o mundo. Ou as pessoas, o que dá no mesmo.

O privilégio de não saber o que fazer da vida

Arte por Alpay Efe

Eu sei que não saber o que fazer da vida pode ser muito angustiante. Somos impactados por tantas histórias de pessoas que juntaram profissão com o propósito de vida e foram viver felizes para sempre que parece obrigação encontrar a nossa vocação e arriscar tudo por pela.

A questão é que eu vejo muita gente sem ideia do que fazer da vida, mesmo já sabendo o que faz seus olhos brilharem. E vejo outras que gostam de tantas, mas tantas coisas ao mesmo tempo que não querem se dedicar a uma coisa só. São pessoas do mundo, que preferem arrecadar experiências e histórias pra contar, preferem se dedicar a projetos pessoais, aprender, descobrir, viajar, amar. Inclusive, essas são as pessoas mais interessantes que eu conheço, porque elas olham pro mundo com vontade de absorver tudo que ele tem para nos oferecer.

E eu sinto que existe uma pressão tão grande para encontrarmos logo o que queremos fazer pro resto da vida que parece errado fazer as coisas só pelo prazer de fazer, de tentar, de curtir. Que medo é esse de perder tempo se estamos ganhando tanto por outro lado? Afinal, que obsessão é essa pela sucesso? Por que sentimos obrigação de ser o melhor em tudo que fazemos? Para mim, para obter sucesso em alguma coisa é preciso apenas concluí-la com prazer, nada mais.

Temos que ter em mente onde queremos estar daqui a 5 anos, mas nunca tivemos tanta oportunidade de fazer o que queremos. É um paradoxo. E fica difícil mesmo escolher um caminho só, traçar metas e alcançá-lo, porque escolher uma coisa, significa abdicar de todas as coisas. E se você tiver certeza do que quer, beleza. Vai fundo, porque vai valer a pena abrir mão de todas as outras coisas. Mas se você não tem tanta certeza assim, qual é o problema de aproveitar a vida com toda a intensidade, tentando viver tudo ao mesmo tempo, sem um objetivo?

Existem tantas formas de ser feliz e encontrar o propósito em coisas que a gente nem imagina. Às vezes o seu propósito é viajar mesmo, conhecer lugares e pessoas novas. Não é o que você mais gosta de fazer? Às vezes é tocar violão na sala, apresentar uma peça num pocket show. Às vezes não tem nada a ver com arte. Sua parada pode ser resolver problemas, ajudar pessoas a se desenvolverem, estudar, ensinar, conectar, empreender. E, vem cá, será que você precisa mesmo transformar essa paixão em profissão? Enquanto não tem dinheiro envolvido, ninguém pode te dizer como fazer.

E tudo bem também se sua vocação e propósito mudam de tempos em tempos, afinal, como disse o Guimarães Rosa no livro Grande Sertão: Veredas –  “O importante e bonito do mundo é isso: que as pessoas não estão sempre iguais, ainda não foram terminadas, mas que elas vão sempre mudando. Afinam e desafinam.

Pensando nisso, cheguei a conclusão de que quem não sabe o que fazer da vida tem o privilégio de não precisar viver com um objetivo e não há nenhuma inércia nisso, mas sim muito movimento. Você pode se dedicar a fazer uma coisa nova todos os dias. Pode encontrar talentos e vontades escondidos, pode descobrir o propósito na própria descoberta, sem medo do fracasso e sem o peso de obter êxito. E é assim que você vai descobrir que as coisas que fazemos sem expectativas, imersos no processo, são as mais verdadeiras. São as que realmente valem a pena.

“Nós” é maior que eu e você

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O todo é maior que a soma das partes. Uma bicicleta é mais do que apenas duas rodas e algumas peças. Ela é infância, é alegria, é transporte, é esporte…

Assim somos eu e você. Juntos.

Eu e você não somos apenas a junção de duas pilhas que ligam o controle remoto da TV. Somos o filme que te faz chorar, a série que não te deixa dormir, o último capítulo da novela que você não quer perder. Somos todos os frutos que a nossa mistura possa gerar.

Eu e você não somos apenas dois indivíduos numa relação. Somos o sabonete que compartilhamos, o café da manhã que tomamos, o carinho que nos damos, as pessoas que gostamos, os lugares que fomos, os quilos que ganhamos, a conta do netflix que nomeamos (bichinho), as sensações que experimentamos, o amor que sentimos.

“Eu e você” é plural, mas “nós” é singular. Não me refiro ao correto uso dos pronomes pessoais, mas à personalidade única que uma relação constrói. “Nós” é uma terceira pessoa a parte das singularidades de “eu e você”. Não nos exclui, nos acrescenta.

A totalidade de um amor não poderá ser copiada. As peças têm encaixe único e se moldam cada vez mais à medida em que se fundem. Se separadas, perdem sua forma inicial e se encaixam de novo com outras peças, mas nunca no mesmo formato.

Esse “nós” só existe em “eu e você”. Em nenhum lugar mais.

Te amo.

Glossário da felicidade para 2017

Foto: weheartit.com
Foto: weheartit.com

Fiz algumas anotações no meu caderninho do ano passado e resolvi compartilhar aqui, já que são algumas dicas pra tornar a vida mais fácil de ser vivida. Claro que tem algumas coisas muito particulares e não vão ter nada a ver com você, mas acho que dá pra encaixar algumas coisas na vida de todo mundo.

1 – Beber pelo menos 3 litros de água por dia

Acredite, beber água o tempo todo é bom pra TUDO. Inclusive para o seu humor. É só andar com uma garrafinha de água e enchê-la sempre que der. No começo você vai esquecer, mas depois seu corpo vai pedir água o tempo todo.

2 – Assistir a algum TED ou procurar pela Internet qualquer assunto que você goste

Uma das coisas que mais me deixa mais feliz é aprender alguma coisa nova que eu me interesse. Eu começo a pesquisar e fico o dia todo ou a semana toda debruçada naquele universo novo tentando entender mais, descobrir mais, discutir mais. “A mente não alimentada devora a si mesma.”

3 – Andar mais a pé

Andar a pé é uma forma de fazer exercício, mas você não anda pensando que está se exercitando e mesmo assim está liberando endorfina. O legal de andar a pé é poder observar tudo a sua volta. Observar os detalhes da rua que você sempre passa, ver como as pessoas reagem, como a luz do dia muda totalmente a vibe do lugar dependendo da hora.

4 – Descomplicar tudo

Pense duas vezes antes de criar caso com alguma coisa ou antes de reclamar. Respira fundo, guarda pra você. Se for realmente necessário, fala numa boa, sem soltar faísca.

5 – Não deixar os monstrinhos da cabeça (nóias) te dominarem

Você precisa prestar atenção no que é real, como disse o Jake. A gente não controla nada, muito menos o que as pessoas pensam. Preste atenção na realidade e se apegue a isso em vez de ficar criando uma realidade paralela na sua cabeça. Se a pessoa não parece interessada, aja como se ela não estivesse interessada em vez de fica criando mil e uma histórias para justificar a ausência dela. Só ela tem a resposta. Se a pessoa está te dando atenção e parece gostar de você, não invente que ela não está nem aí. Tente se guiar pelas ações mais do que pela sua imaginação. Não estou dizendo que é fácil, mas é a única forma de não entrar em parafuso.

6 – Dar  a louca de vez em quando

Pode dar a louca, mas sem interferir na liberdade de qualquer outra pessoa, ok? Quando eu digo dar a louca, eu digo se permitir sentir as coisas lá do fundo do estômago. Se permitir errar, se permitir sentir, se permitir perguntar, escrever uma carta de amor, ou uma carta esculhambando tudo de vez. Sair por aí, comprar uma passagem pra Tailândia dividida em 12 vezes, pegar o carro e cair na estrada, beber todas, experimentar o mundo ou se esconder dele.

7 – Usar mais acessórios malucos tipo peruca, unhas postiças, cílios coloridos

Essa é uma das minhas metas pra este ano! Eu amo me fantasiar, amo glitter, amor peruca, amo poder ser outro personagem. Então, por que não? Por que só no carnaval a gente pode sair por aí fantasiado de alguma coisa? É tão mais divertido poder ser qualquer coisa qualquer dia.

8 – Ler pelo menos um livro por mês

Gente, tem atividade mais gostosa do que viajar sem sair do lugar, viver outra vida sem parar a sua, aprender, refletir, conversar com você mesmo e se envolver com personagens? Então, vamos praticar isso mais!

9 – Pensar mais na sua saúde mental do que na estética perfeita

Eu abro o instagram e me deparo com um monte de corpos sarados o dia inteiro. As pessoas só falam sobre isso o tempo todo e eu comecei a perceber que eu estava gastando mais tempo do que o necessário pensando em como ficar com o corpo perfeito, se é que isso existe. Minha meta é ser saudável, comer bem e me exercitar porque isso é bom para o meu equilíbrio e não porque eu quero ficar com a barriga da (insira qualquer blogueira fitness aqui). Acho que não tem problema nenhuuuuuum querer melhorar, ficar mais bonito, se sentir mais confiante. O problema é quando isso passa a ser uma paranóia e não um estímulo.

10 – Conectar-se mais com tudo

Conectar-se com pessoas que estão longe ou perto. Conectar-se com pessoas desconhecidas. Conectar-se com a natureza, com as coisas inanimadas, com as histórias, com uma obra de arte. Conectar-se com você mesmo. Acho que “conectar” é a palavra do século e a palavra da minha vida.  Arte é conectar, amor é conectar, viver é conectar. O barato da vida é se sentir conectado com o que quer que seja. É a única forma de se sentir pleno.

 

Alívio Feminino

Alguns podem falar que é o meio da noite, mas para este grupo talvez seja só o início. Depois de algumas horas ingerindo bebidas o desconforto começa. As pernas balançam inquietamente, pequenos pulos são feitos, enquanto observam-se todos que estão à sua frente, a quantidade praticamente imensurável de corpos que almejam o alívio imediato.

Quando a vontade bate, não tem para onde fugir. É o momento que muitos evitam, se seguram de forma inútil, numa tentativa de evitar o inevitável: perder minutos preciosos da noite. Unidas pelo desconforto doído que se localiza na bexiga, as mulheres formam uma imensa fila, em comparação com a dos indivíduos do sexo masculino, que exibe poucos seres, em nada desesperados com a agonizante espera sem fim.

Os homens que me perdoem, mas pela sorte que vocês tem, acabam perdendo um momento singular da balada. A amizade de banheiro. A fila, esse lugar que reúne as mulheres no ápice do seu desconforto e aflição, também cria laços da mais sincera amizade. No lado de dentro do toalete as pessoas se livram da hidratação em excesso, enquanto do lado de fora livram-se da timidez, da ansiedade, pedem conselhos a completas desconhecidas e o vínculo é formado.

É neste momento, de alto nível de vulnerabilidade, que as mulheres se expõem umas às outras. Não queremos saber se a roupa da fulaninha é bonita, também não queremos discutir a crise política. Na fila, queremos apenas que o tempo passe mais rápido e, numa espécie de cooperação mútua, formamos amizades com tempo de expiração, que nos ajudam a superar essa fase desagradável da noite.

Observamos quando uma companheira sai do ambiente com cara de nojo, reunimos dicas importantes sobre qual box está sem papel, até fazemos cabaninha para as novas amigas, quando o banheiro não tem porta. Ali pode sair tanto uma pequena reclamação sobre as filas absurdas nas festas, quanto um convite para viajar no final de semana.

Enquanto isso, os homens entram e saem com um nível de socialização mínima. Aliviados com certeza. Amigos? Nem tanto. Conforme a fila anda, observamos a amizade chegar a um fim.

Cada uma cumpre o seu objetivo e segue em frente. Se nos encontrarmos em outros lugares, talvez expressaremos um pequeno sorriso, ao lembrar que estivemos juntas em um momento único, mas fingiremos que nada aconteceu. Ou talvez a gente não lembre mesmo uma da outra, mas pelo menos nos ajudamos a superar um momento enfadonho.

Na realidade, a espera é um saco, e é muito mais fácil ser homem nessa sociedade. Mas podemos tirar umas risadas da situação, e sonhar em um mundo em que as amizades sejam tão puras como as da fila do banheiro.

A vida é aquilo que acontece enquanto você quer que o ano acabe logo

Quem curte astrologia pode até acreditar que quando o ano acaba, um ciclo se fecha e outro começa, apesar de eu achar que isso faz mais sentido quando a gente faz aniversário. Mas eu também acredito que os astros têm influência sobre o mundo. Não necessariamente sobre nossas personalidade ou mudanças de humor, mas que eles nos influenciam, não temos como negar. E no dia 31 de dezembro, quando a terra finalmente dá uma volta inteira ao redor do sol, a gente tem todo direito de acreditar que vai viver um recomeço, que vai ter mais uma chance de mudar tudo.

Mas sabe quando a gente tem o poder de mudar tudo também? Todos os dias. Todos os dias que a terra gira em torno de si mesma e o sol nasce de novo, temos uma chance de recomeçar. E eu acho super importante ter esses marcos que nos façam dar uma pausa para ter pique e energia de viver melhor.

Jamais recriminaria a comemoração do ano novo, até porque eu amo aquela energia de todas as pessoas acreditando que tudo vai dar certo. O que me deixa encucada é que em todo lugar que eu vou as pessoas querem que o ano acabe logo. Tudo bem, foi um ano louco, complicado demais para o Brasil como um todo, complicado para o mundo também. Estamos em grande fase de mudanças globais e é normal estarmos em crise econômica e existencial. Mas aguenta firme, agarre-se naquilo que você gosta e acredita.

Apesar de ter muita podreira rolando no mundo, existem coisas incríveis e lindas sendo feitas. Fique de olho nas podreiras para elas não saírem muito do controle, mas não deixe elas te influenciarem ou tirarem a sua energia de fazer coisas melhores.

E em vez de querer que o ano termine logo, por causa do seu cansaço, lembre-se de que a vida é agora. O antes e o depois são só construções da  nossa memória. A gente tá vivo e esse é o melhor presente, mesmo que tudo de ruim esteja acontecendo e você não tenha mais esperanças.

A gente pode sentir a água do mar salgada entrando nos dedos do pé, enquanto ele escorrega pra baixo por causa da areia molhada. A gente pode sentir o vento mexendo o nosso cabelo, enquanto ele mexe também as folhas das árvores. A gente pode ver o céu se transformando em várias pinturas diferentes por minuto. A gente pode sentir o gosto de chocolate derretendo na boca. A gente pode ler e dormir na rede. A gente pode se apaixonar e rir muito e sentir frio na barriga. E pode abraçar e se sentir abraçado. Mas nada disso faz sentido se você só quer que o tempo passe mais rápido. Se você não percebe o valor dessas coisas é porque não viveu essas coisas enquanto elas aconteciam. E aí fica tudo chato mesmo. Quando você não se entrega em nada, a vida fica insuportável.

Eu sei que não é fácil estar presente no momento e isso é normal. Não tem como a gente se sentir pleno o tempo inteiro, e a gente entraria em outra loucura, que é a de querer ser 100% bem resolvido toda hora. Tem vezes que a gente precisa extravasar, dar a louca, e não tem nada de errado nisso. Aliás, eu acho que esses momentos são tão importantes quanto todos os outros. Nenhum sentimento se desperdiça. A ideia é sentir tudo pela raiz, do fundo do estômago.

Seria incrível se nossa ansiedade não nos matasse um pouquinho todos os dias. Ou se a gente não tivesse a tal da FOMO (fear of missing out), que é o sentimento de querer estar em todos os lugares ao mesmo tempo, fazendo todas coisas ao mesmo tempo, porque estar fazendo apenas uma coisa é abdicar de todas as outras coisas. Pra quem sofre disso, assim como eu, tenho uma técnica pra sugerir. Segundo a física quântica, todas as possibilidades existem e estão acontecendo ao mesmo tempo. Então, toda vez que eu fico angustiada por querer fazer tudo ao mesmo tempo, eu penso que em uma realidade paralela eu estou fazendo todas essas coisas. E eu aproveito a única realidade que foi dada de presente: o agora.

Já é hora de fazer balanço geral do ano?

Ano passado eu tinha certeza deste ano. Ouvia as pessoas falando que seria um ano difícil, mas eu entrei nele de cabeça, com flores pra Yemanjá, lista de resoluções e uma certeza que palpitava na cabeça: esse ano eu vou conquistar tudo que eu quero. E olha que eu nunca fui de fazer resolução ou me prometer coisas pro ano. Sempre gosto de fazer o que me der na telha, sem nada muito programado. Afinal, a vida é uma caixinha de surpresas e comprometer-se a fazer coisas que você ainda não sabe se vai querer fazer é a receita certa para se frustrar.

Tinha muito tempo que eu não fazia resolução de ano novo, mas ano passado eu resolvi fazer, porque estava confiante. Acontece que nenhuma das minhas resoluções se concluiu, talvez por eu não estar preparada para elas. Pra falar a verdade, eu nem tentei, porque fui sempre deixando pro próximo mês e de repente eu estava em novembro. E em vez de correr atrás pra conseguir fechar as contas até dia 31 de dezembro, eu simplesmente quero deixar pra lá.

E eu olhei pra trás, pro meu ano, e vi que eu não tinha feito nada do que eu tinha me prometido. Que foi um ano paradão, blasé, sem conquistas, perdas ou frio na barriga. O equilibro é bom, mas o morno? O sem tempero? Não vale a pena viver sem borboletas no estomago, por qualquer coisa que seja. E quando eu pensei nisso me veio uma enorme onda de frustração, porque a culpa tinha sido minha.

Eu que não corri atrás pra conquistar as coisas que eu queria. Mas quando eu realmente me dediquei um tempo pra destrinchar meu ano, percebi que eu não queria bem fazer essas coisas que eu tinha planejado. Eu queria conquistá-las, mas sem gastar um pingo de tempo para, de fato, efetuá-las. E sinto informar,  mas também não foi neste ano que eu encontrei o gênio da lâmpada. Porque só assim pra conquistar coisas sem esforço nenhum.

E quando essa frustração me pegou no meio de uma terça-feira chuvosa, eu comecei a tirar um monte de coisas do baú do ano e me lembrei de várias coisas que me tiraram o ar, me fizeram chorar, rir, me descabelar e sentir no fundo da alma uma felicidade enorme por existir.  Sabe aquele sentimento que dá um calorzinho no coração e você pensa, puta que pariu, como é bom estar vivo?

Perdi o emprego, perdoei pessoas, conheci pessoas incríveis, me aproximei de outras mais incríveis ainda, trabalhei com uma parada que eu nunca imaginava, ganhei dinheiro e amei muito. Eu lembro que eu senti muito amor neste ano, talvez por eu estar mais preparada para amar e doar esse amor. E eu não conquistei o que eu tinha me prometido, mas ganhei tanto por outro lado, e coisas que eu nem imaginava.

Acho que sentir-se conectado é o grande barato da vida. Você se encaixa e percebe que não precisa mais procurar proposito nenhum. O propósito é ficar conversando com alguém sobre suas conclusões da vida até o sol nascer, o proposito é mandar uma mensagem de madrugada e ser respondido na hora com a mesma intensidade, o propósito é se perder na história de um livro, o propósito é ouvir sem esperar sua vez de falar, o propósito é comer a sobremesa antes do almoço, o propósito é lembrar de alguma coisa engraçada e começar a rir no metrô lotado, o propósito é amar e ser amado de volta, o propósito é estar presente, seja no quer for.

E como isso é difícil, mas a gente precisa aprender a fazer. A gente precisa aprender a se conectar e pra isso acontecer é preciso estar aberto, não tem jeito. E eu não estou falando que é preciso contar sobre sua vida. Estar aberto é estar aberto pra trocar. Que nem aquela música “pela lei natural dos encontros, eu doou e recebo um tanto”.

E o que ficou de aprendizado é que viver olhando apenas para o prêmio faz com que você se esqueça de todas as outras coisas ao redor, tão ou mais valiosas do que atingir seus objetivos. Não adianta conquistar algo se você não curtir o processo, porque a vida é só um processo gigante que te leva a lugar nenhum, então é melhor começar a curtir o caminho enquanto ele se cria. Muito livro de auto-ajuda, né? Mas to sendo sincera e tive que me frustar e colocar a cabeça pra pensar pra chegar a essa conclusão. Fiquei tão apegada às minhas promessas que quase me esqueci do resto que eu conquistei este ano.

Claro que é importante ter objetivos, mas sem fechar portas para outras oportunidades e sem fechar olhos para o que o mundo nos oferece constantemente. Por isso, esse negócio de fazer resolução de ano novo não é pra mim.  Tem gente que precisa estabelecer metas, mas eu funciono melhor sob inspiração e não sob pressão.

No começo do ano que vem, quando eu for pular as sente ondinhas, em vez de me prometer coisas que eu nem sei se vou querer mais, vou prometer me escutar mais e ser sincera com as minhas vontades. E, logo agora, terminando este texto, cheguei a conclusão de que eu estava certa e realmente conquistei tudo que eu queria no meu ano, eu só não sabia que era isso que eu tenho agora.