10 coisas que eu aprendi sozinha na Bahia

Como toda boa sagitariana, a minha cabeça vai até Júpiter e volta em alguns rápidos segundos (ou fica por lá mesmo). Estou sempre pensando, planejando e sonhando com algum destino novo. A minha penúltima grande viagem foi para bem longe, para encontrar uma pessoa. Peguei um avião só, rumo a Europa. Essa última de agora foi para encontrar comigo mesma. Peguei um carro, dois aviões, mais um carro e uma van para Bahia.

E tudo aconteceu mais ou menos assim… Há um mês eu resolvi mudar alguns hábitos que estavam me incomodando muito. Muitas vezes a minha vontade de mudar ficava somente no mundo das ideias, eu acabava me enganando e procrastinando (sempre foi o caminho mais fácil). O famoso “ah, amanhã eu começo a fazer um exercício”, “vou parar de fumar na segunda”, “vou tentar acordar mais cedo e não sair nem beber durante o final de semana”. Quantas vezes eu já tardei o que eu tinha pra fazer? Algumas muitas vezes.

As minhas insatisfações andavam acompanhadas de um término de namoro e a minha nova vida de freela, trabalhando de casa. Trampar da minha casa não estava funcionando de forma alguma. Li um post de uma amiga no Facebook e acabei encontrando uma salinha charmosa com ótimas companhias de trabalho. – Esse foi o primeiro passo rumo ao mundo das não procrastinações. – O segundo passo foi parar com a desculpa que o meu barato nunca foi academia e que o resto é muito caro. Tomei vergonha na cara, peguei meu tênis cheio de poeira no fundo do armário (literalmente) e fui correr sozinha na praia. Eu nunca me imaginei correndo, sempre me achei a Phoebe desengonçada correndo com a Rachel naquele episódio de Friends. Mas aí que aconteceu a bela descoberta: eu amo correr – é a minha melhor terapia para estancar qualquer tipo de pensamento ruim ou problema. A historinha que esse tipo de hormônio te coloca pra cima, é verdade verdadeira. É uma das melhores sensações que eu já senti.

E foi aí que eu pensei: já dei o primeiro passo e consegui a minha sala, comecei a fazer exercício e consequentemente estava me alimentando bem melhor e aí? O buraco que tava faltando ser preenchido era a minha vontade louca de sair de casa e viajar sozinha. Não pensei em nenhum momento chamar uma amiga ou um amigo. Eu queria e precisava ir mesmo sozinha.

Achei um curso que parecia bem legal, chamado “Arte do Ser” em uma ecovila no sul da Bahia e fui. Foram 9 dias muito intensos e com muitos aprendizados que eu gostaria muito de compartilhar.

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1. Quer viajar? Não pensa muito, só vai.

(Com um planejamento financeiro incluído, claro). Se apegar demais no nosso conforto do lar e tudo o que já conhecemos com a palma da nossa mão nos prende. Nos limita em muitas coisas e oportunidades incríveis de conhecer a cultura do outro. Muitas vezes pensamos que para conhecer o mundo, é preciso sair do país. O Brasil é um mundão a ser descoberto. Já fui seis vezes para a Bahia e sempre tenho uma sensação de estar em casa.

2. Sair da zona de conforto é também respeitar os hábitos e crenças do lugar.

Fui para uma ecovila em que a água da pia era a mesma que a gente bebia e tomava banho. Ou seja, tudo o que era jogado pelo ralo ia imediatamente pro lençol freático da comunidade. Todos os produtos químicos eram fortemente proibidos. Não teve ninguém que olhou as minhas coisas, pelo contrário. A relação era na base da confiança e consciência. Se eu tomasse banho com o mesmo shampoo e sabonete que uso no Rio, eu beberia uma água com todos os componentes químicos que descartei. – Isso me fez repensar nos produtos que eu compro (e nunca li a embalagem) e a quantidade de lixo que produzo diariamente. (Principalmente os plásticos).

3. Estar e viajar sozinha é libertador.

Você não precisa de ninguém para te fazer companhia. Você é a sua melhor companhia. – e não é papo de auto ajuda! – E os livros! Não posso me esquecer deles. Consequentemente você vai acabar conhecendo novas pessoas. Eu tive a sorte grande de encontrar duas amigas durante a minha viagem e fiz outras amizades maravilhosas.

4. Auto conhecimento não é luxo.

Já ouvi de muitas pessoas, inclusive de amigos meus que terapia, análise ou qualquer coisa que seja focada para si próprio é “para poucos”. Não concordo, até porque acho que é uma coisa muito importante para levar para vida (e também para os nossos relacionamentos). Se escutar é muito raro, ainda mais no mundo cheio de informações e cobranças em que vivemos. Então de vez quando aperta um pause em todas as suas comunicações e olha pra dentro.

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5. Participar de uma roda de mulheres é transformador.

Eu nunca tinha participado de uma roda do sagrado antes. Éramos em vinte e quatro mulheres, contando com a Adriana, que facilitou lindamente a nossa noite. A apresentação era feita primeiro com o seu nome, o nome da sua mãe, irmãs, avós e bisavós. Ter falado o nome da minha família me emocionou muito. Lembrei do tamanho da força que elas tiveram e a grande importância e influência para mim.

Outro exercício muito interessante, foi contar uma história em silêncio, para uma menina que eu nunca tinha visto antes. Foram cinco minutos eu contando a minha história para ela (olhando nos olhos) e depois ela para mim. Foi muito bonito!

6. Tente ser presente no que você fizer e com quem você está.

É normal o nosso pensamento “passear” de vez em quando mas ter presença é muito importante. Se você estiver conversando com alguém, esteja com essa pessoa e não com o seu celular.

8. Trabalhe os seus medos.

Fui acumulando alguns medos durante os anos. (Quem não, né?) Dos mais bobos (medo de insetos) até os mais sérios (medo de lugar fechado ou com multidões). Enfrentei esses dois com muita paciência. Tanto que no final nenhum deles me importava mais.

9. A meditação cura muita coisa.

Eu demorei bastante tempo para entender qual meditação me identificava mais. Não foi uma descoberta imediata, eu tentei diversos tipos. – e entendi que a meditação em silêncio não funcionava. – Descobri e aprendi a Meditação das Rosas, que é uma ferramenta de limpeza energética e limpeza da aura.

10. Não tenha medo de demonstrar ou colocar pra fora as suas emoções.

Ter o ascendente em câncer nunca foi uma tarefa muito fácil no meu campo emocional. Sou muito sensível e em alguns momentos eu me censurei por isso. No meu tempo sozinha eu aprendi que não tem nada de errado com isso. Outro dia eu li uma frase que me encantou e lembrei muito disso: “some words build houses in your throat, and they live there. Content and on fire”. Acredito que ter voz liberta.

Se eu pudesse resumir os meus dez aprendizados e dar um conselho em uma frase só, ela seria “vire-se do avesso”.

Happymoment: seu novo guia de lugares good vibes

Uma das coisas que eu mais gosto de fazer é conhecer lugares novos, mesmo que seja na cidade onde eu moro. E eu acho que o frio na barriga  de viver novas experiências é algo em comum com a maioria das pessoas. Se você gosta de trocar ideias e está sempre aberto para o novo, eu tenho um aplicativo pra te indicar: o Happymoment.

O app foi lançado este ano e funciona como um roteiro de lugares, mas esse roteiro é infinito porque é alimentado por pessoas ao redor do mundo, o tempo inteiro. Sabe aquele livro de 1000 lugares que você tem que conhecer antes de morrer? Ele é tipo esse livro, só que com visões diferentes, cada vez mais lugares e com o toque especial das redes sociais. Você pode conectar-se com pessoas,  trocar dicas dentro do app e fazer com que sua experiência seja compartilhada ou enriquecida.

O que é bem legal também é que os lugares não são apenas estabelecimentos. Pode ser uma praia, uma praça, um ponto específico de um parque. Qualquer lugar que tenha uma boa vibe tá valendo.

Outra coisa maneira é que você pode seguir pessoas específicas, que sempre vão para lugares legais, e descobrir onde as pessoas interessantes estão se escondendo por aí. Dá para escolher visualizar apenas locais que estejam próximos a sua localização, então, se você estiver viajando e quiser conhecer aquele lugar que só quem é local conhece, é só abrir o happymoment e escolher onde ir.

Recentemente, eu queria comer em algum restaurante legal e abri o app pra ver o que a galera me sugeria. Daí eu vi um bar chamado Adega Pérola, que fica em Copacabana, meu bairro. Resolvi conhecer. Quando eu cheguei lá, descobri que eu seeempre passava pelo bar e  achava que era um pé sujo igual a mil outros, mas quando você entra é um bar super legal, bem temático estilo Copacabana antiga. Comi um prato de polvo delicioso e tomei um vinho por um preço ótimo.

Fiquei de cara como eu não conhecia um lugar tão maneiro no meu bairro! E fiquei pensando quantos mil outros lugares a gente não conhece por simplesmente não dar a chance ou por passar batido.

O happymoment taí justamente pra gente conseguir aproveitar o máximo das cidades e das pessoas, para trocar dicas e dividir momentos. Como o próprio nome do app propõe, a ideia é que todo mundo compartilhe seus lugares preferidos e seus momentos felizes. Afinal, a felicidade só vale quando é compartilhada. E quando de quebra a gente conhece um lugar novo pra frequentar, em qualquer cidade que seja, é melhor ainda.

O aplicativo Happymoment está disponível para baixar na Google Play e na Apple Store.

Tá esperando o quê pra conhecer um lugar novo hoje?

 

*  Este texto é patrocinado.

É preciso estar aberto para as oportunidades

Quarta-feira foi a abertura da ArtRio, uma feira de arte contemporânea que acontece todo ano no Rio e, por causa disso, o Consulado da França resolveu fazer uma festinha/coquetel no hotel Caesar Park, que fica na Vieira Souto em Ipanema, ou seja, bem de frente pra praia, no rooftop. Essa festinha era pra homenagear o artista Claude Viallat, por isso, era também uma super exposição com obras dele.

Eu nunca sou convidada pra esse tipo de evento, mas escrever sobre arte e cidades no blog tem me aberto um mundo novo e eu nunca conheci tanta gente diferente de mim em tão pouco tempo. A maioria da galera saiu da abertura da ArtRio e foi direto pro lá.

A festa estava cheia de gente chique, elegante, entendedores e admiradores de arte. Era óbvio que eu, de calça jeans e bota, não fazia parte daquele ambiente de terno, salto fino e vestido, mas nada que um vinho branco e umas caipirinhas não tenham resolvido. Tinha um buffet incrível, só com comida maravilhosa tipo salmão e camarão. Eu nem saberia descrever os pratos, de tão elaborados que eram. Tinha um mesa de doces do estilo que eu nunca vi antes, só coisa realmente muito fina.

Em pouco tempo eu já estava dançando e conversando com as pessoas. Essa é a mágica que acontece quando as pessoas bebem e a aumentam o volume da música. Todo mundo se sente mais confortável, né? Até que eu comecei a conversar com a mulher mais estilosa da festa. Cabelão cacheado, jaqueta com estampa de um grafiteiro (que ela não lembra o nome) e um coturno com salto giga. Ela, com o maior sorrisão, foi toda simpática e começamos a conversar sei lá sobre o quê. Tem gente que passa empatia de imediato. Sabe quando bate? Você só quer continuar ali conversando com a pessoa, tentando entender mais sobre ela.

Elsaine era uma mulher independente, divertida, mente aberta e que adora Louis Vitton. Quando ela me falou isso, eu não imaginava que ela era a maior compradora de Louis Vitton do Rio (foi mal galera, não consigo evitar de dar um Google em toda pessoa nova que eu conheço). É claro que essa é uma realidade completamente diferente da minha, já que eu só tenho uma bolsa que comprei na forever 21 e uma mochila que já está caindo aos pedaços. Eu não ligo mesmo pra sapato e bolsa. Mas a Elsaine, em vez de ser aquelas pessoas esnobes, tinha uma energia incrível e boas histórias. Combinamos de ir na ArtRio, inclusive ela me deu o ingresso vip dela quando eu falei que queria escrever sobre a feira aqui no blog. Quase morri de amor. Falou que eu tinha que conhecer o Beto, que faz parte da organização e é um adorador de arte. A troca com as pessoas existe em tantos, mas tantos níveis que a gente nem imagina. Conhecer alguém novo, em qualquer situação que seja é sempre especial se a gente estiver aberto. Como eu já falei aqui mil vezes, se conectar com pessoas é o nosso maior trunfo.

Conversei com mais mil pessoas, tirei foto com a Vanessa da Mata, descobri que o Caesar Park vai deixar o rooftop aberto ao público no verão. Isso mesmo. De graça, e a gente paga apenas o que for consumir lá em cima. E de repente eu não me senti mais totalmente desconfortável naquele ambiente cheio de pessoas ricas e famosas e colecionadores de arte.

Quanto mais eu me desafio a sair da minha bolha, dos lugares que eu vou sempre e daquilo que eu chamo de realidade, eu me surpreendo. É claro que o blog tem me ajudado a ir a lugares que eu nunca iria, mas de vez em quando eu me proponho fazer alguma coisa totalmente diferente e a experiência é sempre rica. A gente fala tanto de viajar, conhecer novos lugares e novas pessoas, mas às vezes dá pra fazer isso na nossa cidade. Vá a um forró, se você não curte forró, vá a um show de algum cantor desconhecido… Sei lá. É difícil sair dessa zona de conforto, porque dá preguiça, mas a experiencia é tão rica. O mundo tem tanto a nos oferecer, mas a gente insiste em olhar sempre pro mesmo canto.

Eu entendo ter preguiça das pessoas. Eu tenho isso diversas vezes, diversos dias. Mas você sabe que existem pessoas fodas por aí que vão te arrancar uma gargalhada quando você menos esperar, que vão te emocionar, te inspirar, que vão te surpreender de alguma forma. Mas isso só vai acontecer se você estiver aberto pro novo. E o novo é sempre dá frio na barriga.

Para comer bem em Botafogo

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No final da rua Álvares Ramos (a rua do Bukowski), ali em Botafogo, tem um bistrô francês tão charmoso quanto o bairro. Marc e Greg são francêses e abriram o La Villa, para nossa felicidade, há uns dois anos e têm recebido cada vez mais clientes. Eu fico pensando quantos lugares eu ainda tenho que explorar no Rio, porque cada dia descubro uma coisa nova.

O restaurante é uma mistura de Paris com Rio de Janeiro. Tem o requinte francês e o despojado carioca tudo no mesmo lugar. Você se sente à vontade assim que chega lá. Não tem aquele ar de bistrô chique que tem que falar baixinho, até porque o Marc já chega te cumprimentando e fazendo você se sentir em casa. Acho que aconchegante é a palavra certa pro lugar.

Conversei com o Marc um tempão e vi que ele faz questão de verificar se estão todos bem e gostando da comida. Ele é meio francês e meio italiano, então disse que se adaptou fácil à dinâmica do Brasil. Não gosta de se chamado de chefe, porque é uma palavra muito requintada, mas ama cozinhar e fazer pratos novos. Sua arte é a comida e nisso ele manda muito bem. Parece clichê, mas o melhor tempero é a comida que é feita com prazer.

Além de Greg e Marc, a cozinha do La Villa conta com a mão de um brasileiro talentosíssimo e uma confeiteira maravilhosa. Para decidir os pratos do Menu, todos fazem um brainstorm até chegarem a um acordo. O legal é que todos trabalham em equipe e nenhum prato chega até o cliente sem que todos os funcionários tenham provado. Se a maioria aprovar, aí sim ele vai pro cardápio.

Eu amo experimentar comidas com sabores diferentes do que eu estou acostumada, então, para mim, foi o melhor dos mundos. Se você também curte novos sabores, você pode aproveitar as noites quentes no Rio e ir jantar lá.  O legal é sair um pouquinho da rotina e experimentar alguma coisa nova.

 

Uber Pool – Primeiras impressões

Outro dia eu tava no meu quarto, refletindo sobre a vida – pra variar- , e percebi que algumas coisas não estavam se encaixando. Eu precisava repensar minha rotina, meu estilo de vida, meu saldo bancário, minhas noites boêmias (ou a falta delas), e muitas dessas questões não cabiam mais só a mim. Eu definitivamente precisava de de uma ajuda externa, vinda dos céus. Então decidi fazer uma oração:

“Querido Deus, primeiramente admiro muito o seu trabalho. Olha, sem querer tomar muito do seu tempo, mas já tomando, gostaria que me ajudasse numa questão muitíssimo importante na minha vida: preciso de uma forma para sair mais pro rolêzinho sem passar por tantas tretas de locomoção. Minha casa é muito longe do centro, o metrô fecha cedo, ônibus é perigoso a noite, eu não posso dirigir bêbada, e não tenho dinheiro pra táxi. Não sei bem como funcionaria um pedido de orçamento pro 100-ôr, mas aguardo seu retorno com alguma solução criativa, inovadora e fora-da-caixa, atenciosamente Ju Batah.”

Alguns dias depois, recebi uma resposta por email: “O Uber Pool começará a funcionar amanhã em São Paulo”. Pra quem não acredita em Deus: ISSO é conexão divina.

O Uber Pool é uma ferramenta dentro do app Uber, que permite que você divida o carro com outros passageiros. Isso deixa a corrida mais barata do que se você pegasse um Uber individual – que já seria bem mais barato que um táxi.

Mas claro, quando falamos em dividir um carro com pessoas que você não conhece, estamos falando em comportamento humano e estamos falando em constrangimento. No metrô, a gente fica grudadinhos uns nos outros, mas é um espaço maior e fica cada um na sua. No carro, é misteriosamente diferente. É um espaço íntimo, com a presença da tão temida INTERAÇÃO.

Tem conversas, nas quais você precisa participar ou então será vista como alguém muito antipática ou sem nenhuma opinião. Tem discussões sobre o trânsito, sobre a política, tem casal que entra se pegando do seu lado, tem amiguinhos mais bêbados que você que estão prestes a chamar o Hugo, o Raul e o Juca – e no carro não vai ter lugar pra todo mundo -, tem dupla de migas falando do casório da outra miga, tem gente descolada que entra falando no celular e esfregando na sua cara uma vida muito mais interessante do que a sua.

Tem gente que tá do seu lado, já aproveita o clima aconchegante e dá em cima? Tem gente que faz isso, sim. Também tem gente que entra reclamando que tá atrasada e do fato de ter que pegar outras pessoas, mas isso é o Uber Pool né minha gente? Não chama o Pool se estiver atrasada. Às vezes também rola uma piada, você dá risada e quando começa a pensar “que pessoa legal essa, poderíamos ser amigonas” aí a corrida acaba. Ela se despede e desce. E você nunca mais vai vê-la de novo.

E acho esse o lance mais engraçado do carro compartilhado. Você fica alí, 20 ou 30 minutinhos, convivendo intensamente com pessoas vindas de lugares diferentes e no fim das contas vocês nunca mais vão se ver. É o reflexo da vida contemporânea. A convivência sem aprofundamento, rápida, prática, divertida e indolor. Será que o Uber Pool veio pra ajudar ou pra atrapalhar as relações, tornando todas elas ainda mais efêmeras?

Sinto que ainda teremos episódios curiosos provindos desse aplicativo, vamos comentando por aqui. Mas por enquanto o que posso garantir é que tá mais interessante que o Tinder.

10 coisas que você aprende quando vai morar fora

1) O mundo é muito maior do que se imagina.

Claro que geograficamente falando você sabe que o mundo é enorme. Mas uma coisa é olhar o mapa mundi na aula de geografia, outra completamente diferente é ir andar pelo mundo, se aventurar por lugares novos, conhecer culturas diversas e expandir seu mundo interior cada vez mais. Quando se está acostumada a caminhar sempre pelos mesmos lugares, você já sabe o que esperar pelas ruas em que anda. Na primeira vez que fui pra Roma cheguei de noite e exausta, então eu e minhas amigas decidimos apenas andar pelas ruaszinhas perto do hotel procurando por um lugar barato para comer. As ruas eram simples, então eu não estava esperando virar uma esquina e dar de cara com o Pantheon e toda sua magnitude, me deixando completamente deslumbrada. O novo, inesperado e incrível te surpreendem e te mostram que existem muitas coisas boas escondidas pelo mundo.

2) Você vai conhecer muitas pessoas diferentes por aí.

Conhecendo lugares diferentes você inevitavelmente acaba conhecendo as pessoas que vivem nesses lugares. Dependendo para onde você for a língua pode ser um primeiro empecilho, mas você logo descobre que as pessoas reagem a um sorriso e bom humor. Além disso, existe brasileiro em qualquer lugar do mundo então você também acaba conhecendo amigo de amigo que conhece alguém, e quando você menos esperar seu grupo de amigos aumentou muito. Isso também proporciona potenciais colegas de apartamentos, como aconteceu comigo, e novos amigos que às vezes moram em outras cidades que você pode ir visitar e economizar na hospedagem. Minhas amigas do intercâmbio estão presentes na minha vida até os dias de hoje, então nunca se sabe onde você vai conhecer pessoas para a vida toda.

3) Morar sozinha/com amigas é muito bom, mas também dá bastante trabalho.

Sair de casa, mesmo que temporariamente, tem um lado bom e um ruim. Bom porque você passa a ser dona do seu próprio nariz, tem mais liberdade para fazer suas próprias escolhas como onde morar, como decorar seu quarto, o que cozinhar, deixar o quarto bagunçado ou não… Mas também é ruim porque você tem muito mais responsabilidades do que antes, como precisar ir ao mercado comprar comida, ter contas para pagar, lavar suas próprias roupas e, pior ainda, seus próprios lençóis. Eu mesma admito que talvez tenha trocado meu lençol menos vezes do que minha mãe teria trocado, e não tenho vergonha de admitir que não usei o ferro para passar minhas roupas nenhuma vez antes de usá-las. Era simplesmente mais trabalho do que eu queria, e a melhor parte era que eu não me importava nem um pouco com isso. Então, na minha opinião, por mais trabalhoso que seja morar sozinho, é algo que vale muito à pena.

4) A vida pode ser muito mais fácil.

Dependendo de onde for morar, você descobre o que é viver em um país onde as coisas funcionam. Onde os ônibus são pontuais e têm horários específicos para passar, o metrô funciona perfeitamente, é seguro andar pela rua com seu celular na mão, você pode deixar seu carro destrancado, não existe tanta burocracia difícil e sem sentido, e etc. A sensação de segurança ao andar de madrugada pela rua é algo que eu sinto falta até hoje depois de voltar para o Rio. Claro que existe perigo e assalto em qualquer parte do mundo, mas não existe a constante sensação de insegurança. Você se estressa com bem menos detalhes, sua vida muitas vezes é mais tranquila e segura, e quando você voltar para o Brasil vai ter muita saudade dessas pequenas coisas que fazem tanta diferença.

5) Viver com uma perspectiva diferente.

Quando nos acostumamos com uma maneira específica para as coisas serem, acabamos esquecendo que outras culturas têm costumes diferentes. Então quando você se imersa em uma cultura nova passa a enxergar tudo de uma perspectiva diferente. Desde coisas simples, como comidas diferentes, até hábitos novos, como, por exemplo, em algumas cidades na Espanha eles tem o costume de fazer ciesta, um horário de descanso pós-almoço. Eu, que sempre fiz tudo de tarde, levei algum tempo para me acostumar a fazer minhas coisas ou de manhã ou de noite, mas com o tempo passei a apreciar bastante o cochilo pós-almoço. Lá também passei por maus bocados com a polícia porque eu e minhas amigas estávamos a caminho de uma festa bebendo cerveja na rua, algo que é proibido por lá e não sabíamos. Por sorte quando os policiais descobriram que não éramos de lá foram legais e nos deixaram ir embora apenas com um aviso. Então também aprendi a importância de pesquisar um pouco sobre os costumes e, principalmente, as leis do lugar que você está indo antes de chegar lá.

6) Arriscar.

Quando se está em um lugar novo parece mais fácil arriscar. Você sente uma sensação de liberdade das expectativas alheias, como um ‘ninguém aqui me conhece, e daqui a pouco vou embora mesmo’. Isso se aplica desde puxar conversa com um desconhecido em uma festa, até comprar espontaneamente uma passagem de avião para um lugar desconhecido e exótico. Você fica com essa vontade/necessidade de aproveitar cada momento porque sabe que um dia o intercâmbio vai acabar e você vai voltar para casa, então acaba arriscando mais e, como consequência, vivendo, aprendendo e aproveitando muito mais. Algumas das minhas histórias e lembranças favoritas são de momentos em que eu pensei um ‘foda-se’ e arrisquei, como decidir ir em cima da hora para uma festa que acabou sendo incrível, até perder algumas aulas na faculdade porque eu preferi ir com minhas amigas para Londres no Natal.
7) Você vai sentir medo, mas vai superá-lo.

Ter medo é inevitável quando se está vivendo uma experiência desconhecida. Medo de não encontrar um lugar bom para morar, de andar sozinha de madrugada pela rua porque ainda não sabe se é seguro, de ir visitar um lugar novo, de viajar para algum destino exótico, etc. Medo é uma maneira de nos mantermos seguros, nos impedindo de fazer coisas que podem representar perigo. Se você sentir medo é preciso parar, respirar, analisar a situação, pedir ajuda se necessário e às vezes experimentar mesmo com medo, porque muitas vezes o perigo está apenas na nossa mente. Uma vez fiz uma viagem sozinha em que absolutamente tudo que podia dar errado, deu. Me lembro de, em um certo momento, estar à beira das lágrimas sem saber o que fazer para resolver os problemas e pensei que se tivesse ficado em casa tudo estaria bem. No fim das contas decidi não me preocupar tanto, arrisquei mesmo com medo e acabei tendo uma viagem maravilhosa.

8) Viajar é uma das melhores coisas do mundo, mas requer um certo esforço.

Eu não tenho dúvidas que viajar é incrível, mas também aprendi que muitas vezes dá muito trabalho. Principalmente se você está em um lugar onde consegue voos baratos para cidades incríveis, então acaba aproveitando e viajando bastante. Dá trabalho desde arrumar uma mala pequena porque não quer pagar super caro pelos quilos extras, até sentar em uma poltrona pequena e muito desconfortável, pegar voos em horários desumanos porque são muito mais baratos, caminhar muito pelas cidades, comer porcarias para economizar e gastar no bar à noite, ficar em albergues que não são exatamente como eram nas fotos do site… Viajar cansa, e não tem nada como dormir na sua própria cama, mas eu acredito que as vantagens com certeza superam o trabalho e o torcicolo, e as experiências que você vive se tornam ou aprendizado ou histórias engraçadas para se contar na volta.

9) Liberdade vem de dentro.

Liberdade é um sentimento, uma sensação incrível que você sente de leveza e independência. Muitas vezes ser livre fisicamente, como ir para um lugar novo, te ajuda a perceber que você precisa se sentir dessa maneira para verdadeiramente ser. Livre de preocupações, medos ou anseios, poder viver no presente aproveitando as coisas boas e superando as ruins, fazendo suas próprias escolhas e lidando com as consequências. É mais fácil sentir isso tudo quando se está em um lugar novo e diferente porque parece que as pessoas não têm as mesmas expectativas de você, e muitas vezes nem você de si mesmo. Essa sensação é viciante e, principalmente, interna. Então depois que se aprende a viver assim, é possível mantê-la mesmo quando você volta para casa.

10) Sua vida nunca mais será a mesma.

Depois de viver tanta coisa diferente, aprender tanta coisa nova, conhecer muitas pessoas e lugares incríveis, você com certeza não será mais aquela pessoa que chegou ali no primeiro dia. Seu mundo, sua mente, suas ideias estarão expandidas. Você muda e ao voltar para casa muitas vezes não se encaixa mais no mesmo lugar de antes, e isso não é necessariamente uma coisa ruim. Crescer, amadurecer e evoluir é inevitável e, principalmente, necessário. Viajar é apenas uma maneira mais intensa, rápida e maravilhosa disso acontecer.

Quando a lembrança dá os ares da graça

Eu estava lá, onde exatamente não me recordo, mas me lembro do carro em movimento. Da risada de minhas amigas no banco da frente. O vidro meio aberto, o vento batendo em meu rosto, os cabelos, fio por fio, voando em diferentes posições, ora batendo em meu rosto. Mas a lembrança, a que desejo rememorar, está dentro desta outra. A verdadeira lembrança foi aquela da qual recordei olhando para a cidade iluminada pelas luzes da noite, as pessoas nos bares passando como borrões, a cidade em movimento, uma agitação que, por algum momento, me fez recordar da selva de pedra, e enquanto as amigas riam no banco da frente, eu me lembrava no banco de trás.

Eu tinha olhado pela janela. O gelado sol americano, como haviam me dito, emanava sua luz por entre os galhos da árvore que ficava em frente a grande janela de vidro do meu quarto. Eu sabia que não estava quente, apesar do sol brilhar intensamente, lá fora não seria possível sentir o calor. Coloquei os tênis e peguei meu moletom branco da faculdade para colocar por cima da blusa de manga comprida que já havia vestido. Olhei-me no pequeno espelho do quarto, peguei as chaves de casa, o iPod e sai para a rua. A brisa gélida veio de encontro ao meu rosto, cortando as bochechas sensíveis ao frio que ainda me era desconhecido.

Sai sem rumo, queria apenas aquele momento, aqueles instantes na qual eu poderia carregar na memória para sempre. Queria decorar a cor do restaurante chinês que ficava de esquina e as placas dos carros estacionados. Lembro-me daquelas placas, para cada Estado diferente existia um lema próprio. O lema da cidade na qual perteci por aqueles poucos meses era The Empire State.

Subi a rua enquanto colocava os fones no ouvido. Queria sentir a dureza do chão de concreto por onde passava, me lembrar das raças dos cachorros que passavam por mim com seus donos e suas vidas naquela cidade.

Segui em linha reta a avenida por onde passavam tantos carros, e ônibus, e motos, e pessoas atravessando as ruas, e a fumaça saindo de bueiros, e máquinas consertando ruas e prédios, era o som daquela cidade e mesmo assim, mesmo com carros buzinando e máquinas funcionando, como em qualquer outro lugar, lá o som era diferente, a cidade era única.

Afastando-me da turbulenta avenida e pegando um caminho por entre as casas mais afastadas, as árvores começavam a tomar conta da paisagem. Não queria esquecer as infinitas tonalidades de cores que as folhas conseguiam atingir em um espaço tão curto de tempo. Ao som de Matthew Barber, “it´s one little part of my love you can’t take” (esta pequena parte do meu amor você não pode tomar), eu observo toda a composição da paisagem a minha frente enquanto dou passo por passo. As árvores, os carros, os restaurantes, as folhas, as casas, os cachorros, as pessoas, a cidade.

Meus pés me levam até uma antiga faculdade, onde os bosques parecem mágicos, daqueles retirados de contos infantis, onde fadas podem ser encontradas. Fico ali até ver as últimas folhas caírem de uma árvore e se juntarem as outras no chão, formando um lago de folhas em volta da árvore seca, com várias tonalidades de marrom, vermelho e laranja.

Volto pelo mesmo caminho. Decoro as casas, as ruas, os carros, os cachorros, os restaurantes, as árvores, os bosques e as finas gotas de chuva. Enquanto caminho por entre as folhas caídas no chão, enquanto passo por gramas que antes eram tão verdinhas, enquanto sinto o vento frio cortar minhas bochechas e as gotas de chuva respingarem em meu rosto.

Decoro o gosto do ar, as cores do concreto e a textura das árvores. Decoro as sensações que eu sentia enquanto vivenciava aquela cidade, a liberdade de caminhar sem rumo, os fones no ouvido e as mãos nos bolsos do moletom.

Desci a rua. Entrei em casa. Fechei a porta do quarto. Olhei o céu mais uma vez por entre os galhos daquela árvore. O gelado sol americano ainda estava lá, assim como as malas já feitas encostadas em uma das paredes do quarto. Era meu último dia naquela cidade, eu iria voltar para casa, mas deixaria meu lar ali na cidade que nunca dorme.

Um vento forte de brisa quente bateu em meu rosto conforme o carro pegava velocidade novamente e voltei a estar presente naquele momento. Aquele vento não cortava minhas bochechas, nem a lembrança doía. E enquanto pensava em uma lembrança, talvez tivesse pensado nesta não para recordá-la, mas sim para que eu soubesse que ainda não a esqueci.

Deserto do Atacama, onde o amor e a poeira se misturam

Atacama foi, sem dúvida, o lugar mais bonito que eu já fui. As paisagens são de tirar o fôlego (literalmente, por causa da altitude). Eu ficava uns 20 minutos olhando pra aquele horizonte infinito me perguntando como a natureza tem uma paleta de cores tão vasta e bonita. É como se fosse uma pintura que se move a cada segundo e, se você não estiver atento, pode perder o instante mágico das cores dançando entre o céu e a terra.

Essa é uma viagem legal pra fazer de casal ou com amigos, mas a galera tem que aguentar o pique.  Pra chegar até lá é chão, viu? Pegamos 3 voos e mais um ônibus até chegar na cidadezinha San Pedro de Atacama. Mas o caminho que o ônibus faz é maravilhoso e você já se sente curtindo a viagem. A cidade é muito pequenininha, com 5 mil habitantes, mas é MUITO aconchegante. O lugar é cheio de restaurantes fofinhos e CAROS, afinal é uma cidade que vive de turismo. Dá pra se hospedar no “centro” que é basicamente uma rua chamada “Caracoles” ou ficar um pouco mais afastado, que foi o nosso caso.

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Me emocionei na Cordilheira dos Andes

A viagem de carro pela América do Sul mal terminou e eu já sinto saudades. Tenho muuuitas coisas para contar. No último post, quase em tempo real, falei sobre Mendoza, na Argentina.

Logo depois, passamos pela Cordilheira dos Andes. Eu mal sabia o que estava me esperando. Esse foi um dos momentos mais marcantes do mochilão. A atravessamos para ir de Mendoza, na Argentina, até Santiago, no Chile. Santiago foi a primeira parada em território chileno.

A Cordilheira foi aparecendo aos poucos. Quanto mais subíamos e passávamos pelas curvas, mais nos assustava a paisagem incrível. É coisa de cinema mesmo. Tive que sair do carro e tirar umas fotos na estrada. Coloquei uma música do Wilco para tocar e fiquei muito emocionada.

Mas, não foram só flores. Eu tenho a pressão baixa e morro de medo de altura. Ao chegar na fronteira da Argentina com o Chile, estava tudo ok, tirando o frio. Saí do carro, preenchi os papéis da travessia e tudo mais. De repente, me senti tonta e depois disso, não lembro de mais nada.

Mas, caaaalma. Não era nada demais, porque logo depois, chegou um paramédico para me socorrer e disse que desmaiar naquelas condições era normal, já que eu tinha pressão baixa e me faltou ar no cérebro (hehe!). Foi uma aventura e tanto, coitada da minha mãe. Eu caí com um joelho no Chile e outro na Argentina. Nunca havia desmaiado antes e agora tenho noção do quanto é ruim! Cruiz!

Ao chegar no Chile, ainda na Cordilheira e depois de passar pela fronteira, está o famoso Caracol (Los Caracoles). É uma estrada literalmente em forma de caracol. SURREAL! É uma pena que pegamos ela no finalzinho do pôr-do-sol. Quem mandou desmaiar, né Marcella? Hihi. Tirei várias fotos mesmo assim. Não é difícil de descê-la e também não vi nenhum caminhão tirando o pé do freio.

Pegar estrada na Cordilheira dos Andes foi uma aventura a parte e merecia um post só dela. Espero que tenham gostado e não fiquem com medo, viu? É lindo demais!
Logo, logo, conto da chegada em Santiago e das pedras Lápis Lazuli maravilhosas que encontrei por lá!

 

4 curiosidades:

– O “Los Caracoles” é um conjunto de curvas somadas a um desnível de aproximadamente 670 metros. Nesse trecho não se deve passar dos 50 km/h nas retas e nas curvas dos 20 km/h.

– A fronteira da Argentina com o Chile, neste ponto, é um tanto quanto rigorosa. Enquanto na aduana entre Brasil e Argentina demoramos no máximo meia hora, na aduana Chilena ficamos por quase 1h30 (sem contar o meu desmaio, haha).

– Ainda na Argentina, está a Puente del Inca, um pequeno vilarejo que fica na margem da Ruta 7 e tem esse nome por causa da formação rochosa que forma uma ponte natural sobre o Rio Las Cuevas. Nela há o Hotel Puente del Inca, um hotel termal abandonado que foi inaugurado em 1.925 e desativado 40 anos depois.

– Ressalto que fomos no outono, então estava muito frio e a possibilidade de ver neve era enorme. Mas, o que mais me impressionou foi a mudança rápida de cenário. De repente, pluft! Você atravessa um túnel da Cordilheira e o visual é outro.

Esse texto é do site Sem Clichê, nosso novo parceiro de conteúdo! Isso quer dizer que trocamos textos e vocês podem ler um pouco de De Repente dá Certo lá e um pouco de Sem Clichê aqui! <3 

Winebar pra ser feliz em Copacabana

Copacabana é sem graça até você começar a explorar as ruas e descobrir as mil coisas legais, inexplicáveis, interessantes, exóticas que você só vai encontrar por lá. Eu to me prometendo que vou fazer um tour em Copa e escrever tudo de maluco e incrível que eu encontrar. Ai, esse Rio de Janeiro sempre tem alguma novidade. Pra quem se cansou, uma dica: explore os lugares que você acha que conhece, mas não conhece.

Foi num desses passeios pelas ruas de Copa que descobri um Wine Bar perfeito pra quem vive na praia. Sofisticadíssimo, mas sem ter aquele ar blasê que eu não aguento. Uma escapatória daquele caos que é a rua dos bares na Bolívar. Amo-a-Bolivar, mas vamos combinar que às vezes é legal experimentar um lugar com mais requinte.

Cheguei esculhambada, porque não sabia onde eu ia terminar meu final da tarde. De sandália velha e shortinho, entrei e fui super bem atendida no Simon Boccanegra. O lugar é muito agradável, com música boa e gente bonita. As paredes são adegas climatizadas gigantescas com todo tipo de vinho que você pode imaginar. Fiquei pensando que meu pai ficaria louco ali, porque eu, sinceramente, não entendo nada de vinho. Pela primeira vez me dei ao luxo de provar um vinho mais caro do que eu costumo tomar. Trabalhei a semana inteira e é mais do que justo me dar um presente no fim de semana. Fico sempre entre os vinhos 20 e 40 reais, mas dessa vez, eu e minha amiga pedimos uma garrafa que custava por volta de R$ 90 reais e me surpreendi com a diferença. Isso é vinho de verdade. Por favor, não me peça pra lembrar o nome.

Pedi umas bruschetta de entrada e resolvemos que iríamos ficar por lá. O cardápio é cheio de pratos especiais, preparados pelo chefe da casa. Fiquei com água na boca só de ler. Achei esse lugar legal porque não é um restaurante, mas também pode ser. Não é um barzinho, mas também pode ser. Inclusive, eu adorei a opção de ficar sentada só no bar observando o barman que é um deus grego. Por um instante, me esqueci da comida… Minha amiga que tava comigo quase engasgou e a gente teve um crise de riso sem entender como poderíamos ser bobas nesse nível.

“Manda um bilhete pra ele, Mari. Fala o que você quer de bebida e pede o telefone dele”. Mais uma crise de riso. Escrevemos o bilhete juntas. Ela foi entregar. Recebemos de volta só o drink chamado “Acidez de Amelia” e um sorriso que ficou guardado na memória. “Ele deve ser comprometido”, concluímos pra não pensar em rejeição. Tudo bem. Mais um drink. Uma sobremesa de Parfait de açaí com calda de baunilha Bourbon pra fechar com chave de ouro e ir pra casa se arrumar pra festa.  “Vão ter outros barmen na festa”, mentimos pra nós mesmas e tivemos outra crise de riso.

Fechamos a conta e estávamos naquele estado meio bêbadas, meio animadas pra saída da noite. Amo esses lugares que a gente bebe no final da tarde e ainda está cedo pra aproveitar o resto da noite. Decidimos passar no supermercado, comprar umas cervejas pra gente tomar enquanto se arrumava.

Na saída do restaurante, um dos garçons chamou a gente e entregou um bilhete pra Mari. Um número de telefone e o nome da festa que a gente ia com um ponto de interrogação. Não era o barman, mas outro cara incrivelmente gato que a gente não tinha visto sorriu com uma taça de vinho de vinho na mão, do lado do bar. Há males que vem para o bem. E o winebar passou a ser nosso lugar preferido do mundo naquele dia.

Também publiquei esse texto na NOO.