Roteiro para fingir que estamos de férias mesmo trabalhando (semana 2)

E aí, conseguiu seguir o roteiro da semana passada? Pra quem dormiu no ponto, vou explicar.  Estou divulgando roteiros semanais do que fazer no Rio de Janeiro pra parecer que estamos de férias mesmo tendo que trabalhar. Eu segui e juro que me senti muito mais tranquila e com ânimo de fazer as coisas, a semana passou voando e a rotina passou a não ser rotina, já que todo dia fiz uma coisa diferente. Preparados pra próxima? Vambora!

Veja o roteiro passado: Roteiro para fingir que estamos de férias mesmo trabalhando (semana 1)

Primeiro, vamos recordar as lições pra conseguir entrar no clima

Primeira lição: não pensar no trabalho enquanto estiver fora do trabalho
Segunda lição: reclamar no máximo 3 vezes ao dia
Terceira lição: ter sempre um bom café pela manhã ( vamos precisar!)
Quarta lição: manter a mente aberta para novas pessoas e novos programas
Quinta Lição e a mais difícil: deixar a preguiça de lado. O mundo é um lugar incrível.

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O passado que não era meu, mas passou a ser

Cresci escutando as histórias da minha bisavó Irma. Vó Irma sempre foi muito lembrada porque destoava da discrição que impera no resto da família. Era figurona. Exagerada em tudo, sempre usava vestidos estampadíssimos, falava palavrão, escondia dinheiro do marido embaixo do colchão, contou que escondia dinheiro do marido embaixo do colchão pro marido enquanto dormia, gostava de jogar, uma vez ganhou na loteria. Convidou todo mundo pra uma festa, prometeu uma tv a cores pro meu pai, só depois descobriu que a quantia não dava nem pra pagar as pizzas que tinha encomendado, porca miséria. Comia e cozinhava muito. Era de Napoli. Mesmo sem nunca ter conhecido ela sempre tive um carinho muito grande pelas histórias malucas dela e sempre pensei em como queria ter conhecido-a, tinha certeza que teríamos nos dado muito bem. Sentia falta de uma pessoa pra bagunçar aqueles almoços de domingo. Quando me mudei pra São Paulo fui morar na casa que tinha sido dela. Eu nunca entendi por que tinha uma banheira no banheiro da sala e não no da suíte, por que a cozinha e a sala eram tão grandes e o quarto extra tão pequeno, por que os azulejos eram tão espalhafatosos… Mas gostava dessas coisas. Gostei de encontrar TODAS as gavetas da casa forradas com um plástico estampado já amarelado pelo tempo. Ficava imaginando o tanto de horas que ela tinha passado fazendo aquele trabalho completamente inútil. Mas que na cabeça dela devia ser essencial. Onde já se viu vida sem estampa?

Esses dias estive na cidade dela e entendi tudo. Entendi as gavetas, os azulejos, as paredes completamente tomadas por armários e o chão de mármore do banheiro que sempre me fazia escorregar e soltar uns xingamentos ao léu. Entendi até o que nem sabia que tinha que entender. Vi e conversei com várias Irmas, me senti perto dela e mais perto de mim também.

Me dei conta de que as vezes a gente encontra mais sobre o que tem dentro da gente se perdendo pra fora. Me encontrei em vielas estreitas e pessoas desconhecidas.

Me apaixonei por um passado que não era pra ser meu, mas era. Se não era, agora é.

Como fingir que estamos de férias mesmo trabalhando?

Eu também tô achando um saco voltar pra rotina. Ter que trabalhar depois de ficar uma semana de recesso dá até uma dor no coração. Pensando nisso, me veio um sentimento súbito de alegria e empolgação. Que tal a gente fingir que está de férias mesmo trabalhando? Eu sei, parece impossível, mas acho que tudo tem a ver com o jeito que a gente leva a vida. E eu sei também que eu moro no Rio de Janeiro, então fica mais fácil fingir que tá de férias com esse marzão lá fora. Mas pensa bem, também é muito mais chato ir trabalhar de calça jeans enquanto várias pessoas passam de biquíni e prancha de surf no seu caminho pro trabalho.

A minha ideia é montar um roteiro do que fazer no Rio de Janeiro nesse verão pra parecer que estamos de férias! Sim, vai ter que acordar cedo. Sim, vai ter que trabalhar. Sim, vai gastar mais dinheiro. E, sim, você vai dormir menos do que normalmente. Mas pensa bem, a gente tem mais é que aproveitar!  A ideia é se desprender um pouco daquele clima de rotina e do estresse em que a gente se submete diariamente. Pode ser que em alguns dias a gente só queira chegar em casa, trocar o sapato por uma cerveja gelada e ficar deitado no sofá. Tudo bem. Ficar de bobeira também está no roteiro das férias que não são férias. Vamos adorar o domingo e a segunda-feira como se fosse sexta e sábado, porque todo dia vai ser dia de ser feliz.

Se você não mora no Rio, pode adaptar os programas e, por exemplo, ir comer nos seus restaurantes preferidos, chamar os amigos pra fazer coisas diferentes e explorar as paisagens que sua cidade oferece. (SP tem paisagens incríveis. Já olhou de cima?)

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Maria Tangerina, consumo justo e consciente

Eu sei, eu sei.
Esse não é um blog de moda. Mas eu preciso falar sobre a loja Maria Tangerina.

O mundo de repente mudou e aquela fase de querer ter um closet enorme simplesmente passou e finalmente ficou brega. Estamos vendo que os recursos estão se esgotando, não é possível continuar consumindo como se não  houvesse amanhã. Não tem mais espaço pra lixo, não tem mais espaço pra toda essa super produção e tem o pior: descobrimos que marcas de roupas que a gente a-m-a-v-a usam mão de obra escrava pra gente poder comprar uma calça por uma pechincha. Por causa disso, pessoas inteligentes e mega interessantes resolveram investir em outro caminho. E é por isso que cada vez mais estamos em contato com marcas independentes, que fazem seus produtos à mão e com muito amor. Além de serem produtos lindos e originais, sabemos que não estamos fazendo mal nenhum ao planeta e  muito menos a um ser humano.

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OMG: O Mais Gostoso

Todo mundo reclama que o Rio não é igual a São Paulo no quesito gastronomia. Tudo bem, admito que São Paulo tem muito mais restaurante e mais diversidade. Dá pra encontrar qualquer coisa que você queira comer. Mas aqui no Rio, acho que falta a gente procurar os lugares.

Passando pelo Leblon, um dos bairros mais caros aqui do Rio, eu já passo desconfiada pelos restaurantes, achando que tudo vai ser muito caro pro meu bolso. Mas em um desses passeios, descobri o OMG. Uma hamburgeria super aconchegante, com decoração moderna e cerveja da casa. Passei reto. Achei que não teria nenhum prato por menos de 70 reais.

Quando recebi o convite para conhecer a OMG, pensei “Opa, é aquele lugar legal que eu passei e não entrei”. Fui toda animada conhecer a tal hamburgueria chic, ou gourmet, como o pessoal costuma falar hoje. Cheguei lá e já fui super atendida por um dos garçons. Todos padronizados, mas com o papo natural. Sabe aquele garçom que já te deixa à vontade só pela conversa inicial? Então, cheguei e já me senti em casa.

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São Paulo vive loucamente

Há alguns anos eu me preparava pra enfrentar São Paulo, a cidade que me prometia tudo. O que sempre me diziam era como ela era violenta/ assustadora/ cinza/ individualista/ suja/ com trânsito/ difícil. E como eu tinha que tomar cuidado, muuuuito cuidado. E sim, ela tem milhões de defeitos, mas, hoje, quando olho pra trás, só consigo ver como essa cidade rabiscada me ensinou.

São Paulo não te deixa sossegado. Ela não te deixa estagnar. Ela te obriga a repensar na vida o tempo todo. Ela mesma muda o tempo todo, sem olhar pra trás, não faz questão de preservar seu passado. Quase sem ligar pro que já foi. Transforma suas ruas burocráticas do centro em festas pra todos. Aceita ser ocupada.

Por Sophia Alziri
Por Sophia Alziri

Cada um tem sua São Paulo. Ela é diferente pra cada pessoa. E cada pessoa também pode ser alguém diferente em cada grupo que frequenta, porque na maioria das vezes eles nunca vão se conhecer.

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O Rio que eu conheci nas férias é diferente do Rio onde eu moro

O Rio que eu conheci nas férias não é o mesmo Rio de onde eu moro. Eu conheci uma cidade só com gente bronzeada, bonita e pronta pra outra. Conheci uma cidade onde o atendimento é péssimo, mas as pessoas na rua são super solícitas. Conheci uma cidade cheia de artistas buscando mostrar sua arte de alguma forma. Eu respirava arte e sentia constantemente o cheirinho de mar. Me apaixonei por um carioca que me ligava todos os dias de manhã pra perguntar o que eu queria fazer . Ele me levava para todos os lugares mais incríveis, que ele tinha certeza de que eu iria gostar. Eu estava de férias. A única coisa que eu tinha pra fazer durante o dia era ir para aula de teatro, 4 vezes por semana, o que não me atrapalhava nem um pouco. Era só felicidade. Despois dessas férias, decidi que eu tinha que ficar. Aliás, que eu ia, mas eu voltava. E todo mundo me perguntava o que eu tinha visto no Rio de Janeiro pra me deixar tão encantada. Eu falei isso pro meu amor de verão; ele pegou minha mão, me levou até a beira do mar e disse “foi isso que te encantou”. E eu lembro bem da vista: o sol se pondo entre os dois irmãos e meu coração pulsando no peito. Eu não tinha a menor noção da vida.

O Rio de Janeiro que eu moro tem um trânsito infernal, ninguém é legal na rua e essas pessoas bronzeadas, no fundo, são muito vazias. O Rio onde eu moro, tem um prefeito chamado Eduardo Paes, que fez de tudo para o Rio ser uma cidade de férias. Pode perguntar pra quem mora longe da orla! Os artistas querem mais fama do que arte e tem muita gente tentando e se dando mal por fazer o que é certo ou aquilo que acredita. Não sinto cheiro de mar e vejo muita gente dormindo na rua. Na minha rua, inclusive. Meu amor de verão sumiu. Até cheguei a encontrar ele algumas vezes, mas já achava que ele não combinava mais com a minha vida, nem com essa cidade. Amor de verão não volta no inverno. Só vejo a praia no fim de semana, quando tá cheio de gente. Eu amava o cara do Mate gritando “olha o mate”. Agora eu só queria que ele passasse quietinho. Minha maior preocupação é como vou conseguir viver fazendo aquilo que eu acredito. Eu tinha certeza de que tudo daria certo de uma hora pra outra, mas eu não tinha a menor noção da vida.  

Hoje, se me perguntarem se eu prefiro o Rio das férias ou o Rio onde eu moro, vou responder que prefiro o Rio de agora. Eu ainda não tenho a menor noção da vida, mas sei que essa foi a vida que eu escolhi e por isso que eu gosto mais dela. A responsabilidade é toda minha. E, no fim, eu aprendi que não existe nada disso de cidade mudar. Quem muda é a gente. E o mundo fica todo diferente quando a gente olha pra ele sob uma nova perspectiva. Hoje eu olho o Rio de Janeiro de frente e não de cima. Nunca me senti tão em casa.