Não dá mais tempo de ser feliz

Foto por margaret durow
Foto por margaret durow

Passo a mão no meu cabelo tentando desembaraçar um nó que sempre insiste em se formar. Enquanto isso, como um saquinho com 10 mini pães de queijo e espero o ônibus do metrô chegar, pensando que não dá mais tempo de ser feliz. Passaram-se alguns anos desde que eu me lembro que fui feliz de verdade. Foi naquelas férias que eu fiquei bronzeada, saí pra dançar e não me importava se a minha calça 38 ia entrar ou não. Nunca liguei para isso de padrão de beleza, mas de repente me vi querendo colocar silicone, por mais que meus peitos parecessem ideais. Não dá mais tempo de ser feliz.

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Túnel do tempo

 

Era uma manhã como outra qualquer. Nada de especial havia acontecido, ele não estava triste, nem muito animado, apenas com os olhos baixos ainda de sono. 7 horas. Olhou o relógio e não pensou nada, apenas que teria levantar. Tomou banho, colocou uma roupa e tomou o café que já estava pronto em cima da mesa. Entrou no carro, ligou o rádio e se preparou para o trânsito que iria enfrentar. Começou a pensar o que faria no fim de semana. Era um sujeito louco como todas as outras pessoas. Não se achava normal e gostava de ser assim. Gostava do trabalho que fazia, mas não achava extraordinário. Tinha preguiça de sair para trabalhar, como a maioria dos mortais. Tinha uma namorada. Do tipo que gostava de prender o cabelo de lado e roer as unhas. Ele era apaixonado por dela. Às vezes chegava a pensar em casamento. Outras vezes achava a ideia absurda.

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Elogio da paixão

Sei que pelo menos uma vez na vida alguém já disse que não queria me ver nunca mais. Alguns até resistiram aos meus caprichos e se fecharam, outros não conseguiram ficar nem uma semana sem mim. Acho engraçado pensar que as pessoas têm medo de mim. Sempre afirmam que eu não sirvo para nada além de fazer sofrer, perder a cabeça, levar à loucura. Mas convenhamos: essa é a minha função. Durante a paixão ardente eu sei que cada um de vocês sente a minha plenitude. Eu gosto de ver isso nas pessoas quando estou com elas. Gosto de vê-las secando de desejo, sentindo fome, sede, uma vontade absurda e inexplicável por dentro. Quando estou aí dentro é a melhor sensação que vocês já sentiram. Podem admitir!  O problema vem depois… Muitos odeiam quando eu vou embora rapidamente, outros se questionam quando eu chego sem avisar, outros piram quando eu apareço queimando por dentro. A verdade é que ninguém vive sem mim. Pode tentar fugir, mas um dia eu vou te encontrar e você vai se render. Pode ser criança, jovem, adulto ou velho. Não me importo com idade, sexo, religião, cultura ou etnia. Não tenho preconceito nenhum e sempre arranjo um jeito de me fixar em seu peito. Apertando, apertando, apertando cada vez mais. Uma dor boa. Um frio na barriga, um sorriso no rosto, uma cabeça no mundo da lua.
Um vírus. É exatamente isso que eu sou. Um vírus, uma doença. Já reparou que quando as pessoas quando estão apaixonadas elas têm os mesmo sintomas? Vem, incomoda, aflora e passa. A diferença entre mim e uma doença é que a doença é um incomodo ruim, eu sou um incomodo bom. Às vezes nem sou um incomodo. Isso depende de cara organismo, ou melhor, de cada tipo de alma ou de cabeça.

Alguns são fracos e eu parto-os ao meio. Outros são fortes e me curtem até o ultimo momento. Como um vírus, eu também venho em diferentes intensidades, já que um mesmo vírus não entra duas vezes no mesmo corpo. É como se existissem vários eus e por isso uma paixão nunca é igual a outra.

Não precisa ter medo de mim. Fugir da paixão, fugir do amante. Eu não vou te machucar tanto. Eu passo e vou embora, prometo. Quanto mais você me evitar, mais desastrosos serão os sintomas quando eu te encontrar. Eu posso deixar seqüelas, mas se você aprender a lidar comigo elas serão cada vez menores, juro. Eu posso demorar um pouco para sair de você, mas isso também depende de cada organismo. Alguns sentem falta de mim, choram para me ter logo por perto e outros choram para que eu me afaste. Geralmente os que me desejam são os que já passaram por muitas coisas, e precisam de mim para aliviar o estresse do dia a dia, afinal eles sabem que uma hora eu vou embora.Já os outros que têm medo de me encontrar acham que eu vou ficar cravada no coração por um bom tempo, impedindo-os de viver. Isso só acontece se você me permitir, mas é uma opção perigosa que não costuma ser eterna, porque eu vou embora algum dia. Talvez quem fique depois seja o meu companheiro, o amor. Muitas pessoas nos confundem, mas confesso que somos bem diferentes. Tem vezes que eu o apresento, outras vezes ele me apresenta às pessoas e isso acaba causando um mal entendido. Às vezes andamos lado a lado, mas não somos o mesmo.

Sei que já magoei muitos, mas não foi por mal. Todo mundo passa por isso de se apaixonar, e uma das minhas características é fazer sofrer, te angustiar. Mas sofrer de paixão faz bem pra alma, é a certeza que vocês têm de que estão vivos e têm a capacidade de amar, tem coisa mais incrível que isso?

Vejo alguns de vocês com uns lemas esquisitos de não se apegar a ninguém, de ser uma pessoa fria, arrasadora de corações. Qual é o problema de vocês? Não adianta fugir e achar que podem me controlar porque não vão. Se vocês se adaptarem ao meu estilo de vida, vai ser muito mais fácil. Se desapaixonar também é uma arte, tão intensa quanto se apaixonar. Como tudo na vida, você aprende a lidar com a situação. Concordo que dá um pouco de trabalho, mas quando você realmente não me quiser mais ao seu lado eu vou embora. Não insisto em algo que não é mais tão proveitoso.E você deveria fazer o mesmo…. Quanto mais rápido eu vier, mais rápido eu vou embora, e a minha saída você pode controlar algumas vezes. Só algumas.
Ando junto com a loucura, com a ausência de pensamento, com o impulso. Faço cegar, ficar à flor da pele, sensibilizo. Não gosto do bom senso. Gosto de ver vocês perdendo a cabeça. O mais legal é ver tudo isso acontecer e vocês ainda manterem o sorriso pregado no rosto, como se fossem todos bobos. Sei que todos vocês falam mal de mim, mas no fundo sabem que o meu amigo mais próximo é a felicidade ,e esta sim, anda sempre comigo.

Não adianta negar. Quando estou com vocês, vocês se sentem completos. Correspondidos ou não, eu tapo um buraco, eu cubro o vazio, eu ilumino o dia. Eu costumo dizer que movo montanhas, faço as pessoas fazerem coisas sem pensar duas vezes. Essa é a maior sensação de liberdade que existe, falar e fazer o que quiser na hora que quiser, sem pensar. É um alívio tão grande dentro de vocês, uma paz interna. Sou uma das únicas coisas que causa esse sentimento nas pessoas e isso sim é uma vida agradável. Vocês, porém, estão sempre em busca da felicidade, ou seja, sempre em busca de mim, porque sou eu quem pode lhes proporcionar isso.
Eu vou ser sempre uma coisa indecifrável, meio louca, diferente de todos os outros estados de espírito, mas é por isso que sou sempre tão temida e desejada, uma coisa fora do comum, porque sou o elemento que está mais perto da magia, que vocês tanto procuram por aí. É mágica. Aparece, e de repente some sem explicação. Sou assim, uma magia.
Um erro grave que vocês cometem falando de mim é falar que eu só vivo entre os humanos. Vocês podem me encontrar em todos os lugares. Estou entre os animais, as plantas, os elementos da natureza, os objetos, os objetivos de vida, os sonhos. Posso fazer vocês se apaixonarem por qualquer coisa que passe alegria. Vocês vão sempre estar cheios de vida enquanto eu estiver por perto e estou sempre voltando para vocês. Sou um parasita, preciso de vocês e do mundo para sobreviver e aplicar minhas funções. Mas sou um parasita do bem, afinal já disse todos os benefícios que eu causo. Trago o amor, o sentido da vida. Esse sim é o sentimento mais puro, que não pede nada em troca. Mas ele precisa de mim pra existir, para se propagar por aí. Deu pra entender agora a minha importância?

Roteiro da peça Talvez Tudo, Talvez Nada

Mari, você chegou aqui dizendo que queria ir embora! Eu não quero ir embora! Eu quero ficar aqui, aqui! Eu cansei de sempre te seguir pra onde quer que você vá. Eu cansei de aturar essa porra de relacionamento aberto só porque eu não aguento a ideia de não te ter ao meu lado. Eu aceitei e me acostumei com essa ideia, mas nunca foi o que eu quis, sempre te falei isso. Eu não consigo e nunca vou entender a sua liberdade que quebra todos os muros e sai voando mundo a fora. Eu entendi que você era uma pessoa que precisava de muito espaço e por isso eu fui abrindo todas as minhas portas pra você se acomodar em mim e ir ficando pra sempre. Mas acontece é que hoje eu não quero ir pro mesmo lugar que você. Você me ensinou que nossas vontades geralmente são mais importantes do que nosso relacionamento, que se a gente não estivesse em dia com nossas vontades nenhum relacionamento funcionava. E agora é isso, eu aprendi a ser assim. Hoje eu acho que aprendi a olhar pra mim em primeiro lugar, apesar de ser completamente apaixonado por você e achar que nunca mais na minha vida eu vou encontrar uma mulher tão foda quanto você, que me entenda, que me sustente emocionalmente, que me faz enlouquecer toda vez que você atravessa a porta do corredor pra dentro do quarto. Eu nunca vou aceitar direito essa minha decisão porque eu te amo tanto, mas tanto que eu achava que esse amor não pudesse caber. Mas você foi entrando até esse amor tomar conta do meu corpo todo. Hoje eu entendi o que você sempre quis me dizer. Às vezes o amor não é o suficiente.

Pedro, o personagem que eu mesma inventei, escrevi e acabei de me apaixonar. Juro que depois eles criam vida própria.

As histórias

No dia que eu terminei meu namoro, me afoguei em histórias. Nas dos outros e nas minhas. Só queria saber de escrever histórias surrealistas e ler aquilo que fugia completamente da minha realidade. As histórias sempre me salvam. Depois, comecei a mergulhar nas pessoas, porque descobri que todo mundo tem um lado obscuro e surreal. Mesmo sendo rasas, as pessoas têm sempre um lado mais fundo. Eu escrevi uma carta pra você, em que eu era um peixe e perdia o ar porque quando você foi embora o meu lago todo secou. Você não ia entender nada, porque nunca gostou muito de metáforas, então eu resolvi soltar ela no mar. Com a esperança de que um dia você estivesse na praia e ela chegasse até você.

Sem Regras

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– Me proponha algo novo.
Foi a primeira coisa que ela disse ao chegar em casa. Tinha sido um dia como outro qualquer e eu a esperava no sofá verde da sala, vendo TV. Ela entrou dizendo isso e eu achei um pouco de graça. Mariana era dessas pessoas que estavam sempre mudando, sempre querendo conhecer coisas novas e experiências diferentes. No começo do namoro eu achei isso o máximo. Ela era diferente das outras meninas com quem eu havia saído, mas eu era um cara totalmente ao contrário dela. Era bem pacato, gostava de sair, mas sempre prezei um namoro tradicional,com aquelas regras básicas. Mariana falava que não se importava muito com fidelidade e sim com lealdade. Eu achava isso um completo absurdo no começo do nosso relacionamento, mas ela conseguiu me convencer ´de que aquele outro modo de ver a vida era mais interessante do que eu pensava. Se ela me traiu mais de uma vez eu não sei. Me senti inseguro um milhão de vezes quanto a isso, mas eu sempre pedi a ela que quando isso acontecesse, que ela me contasse. Ela me contou uma vez, mas só porque eu perguntei. Fiquei mal por um bom tempo, mas depois ela me convenceu de que isso era bobeira e que não era traição, pois se sentir atraído por outra pessoa era algo natural e que me amava de verdade. Eu também traí ela, umas 3 vezes. Mas nunca contei nada a ela porque ela pediu. Ao contrário de mim, ela não queria saber se eu tinha traído, contanto que eu continuasse gostando dela e tratando bem como normalmente. Foi o que aconteceu, não deixei transparecer nunca, mas me senti mal todas as vezes que eu traí. Era um tipo de peso na consciência junto com a vontade de ter a mariana logo em meus braços de novo. Mariana era diferente de todas até hoje, e ninguém tinha a mesma vontade de viver que ela. Nenhuma outra mulher me fez sentir o que mariana me fez sentir . Em todo esse tempo de namoro eu sabia que ela queria fazer outras coisas, mas nunca tinha falado na minha cara que queria realmente algo novo.
– como assim algo novo?
– não sei, mas não isso. Cansei.
– mas cansou em que sentido?
– em todos! Até o sexo perdeu a graça
– e o que podemos fazer?
– não sei. Quero uma coisa diferente e agora. Um relacionamento a três, uma viagem incrível sem planejar nada, mudança de emprego, de casa, de estilo. Eu não sei. Sei que quero uma mudança na minha vida.
– voce sabe que é complicado. Coisas sem planejamento nunca dão certo.
-então planeje, mas não me conte. Quero fingir que tudo está saindo perfeitamente por ordem do destino.
– ta, vamos fazer algo novo então. Mas podemos esperar?
-não, não quero adiar nem mais um minuto. Se voce ficar parado nesse sofá eu vou arrumar as minhas coisas agora e ir embora sozinha.
Mariana era assim mesmo. Era bem impulsiva. Podia voltar atrás algumas vezes,pois ela dizia que as pessoas podiam errar e graças a deus tinham o direito de voltar para arrumar as coisas. É bem verdade que raramente ela voltava atrás, porque sempre fazia o que queria fazer, sem perguntar para ninguém. Era feliz assim, não se importava com o que os outros iam pensar e queria apenas o seu bem estar. Eu tentei durante muito tempo aderir a esse estilo de vida, mas falhei. Eu sentia que quanto mais eu me reservava, mas chances eu tinha de perdê-la e por isso eu sempre tentava me adaptar. Ela tentou também, mas a vontade dela de conhecer as coisas do mundo era muito mais forte e eu ficava extremamente irritado com isso. Muitas vezes briguei com ela, sou cabeça dura também, mas ela sempre arrumava um jeito de me convencer.
– Mariana, espera. Voce está sempre querendo mudar as coisas do nada. Calma, vamos pensar um pouco.
– Pensar? Enquanto voce está pensando já se passaram 10 anos! Eu vou embora.
-Embora? Voce disse que queria qualquer coisa diferente e não ir embora.
– Mas se voce não quer mudar a única opção que eu tenho é ir embora.
Eu queria ir com ela, mas não queria mais mudar. As coisas estavam boas para mim naquele momento. Eu estava feliz e comecei a pensar em como ela era egoísta de querer que minha vida mudasse também. Ouvi a porta batendo bem forte e barulho de carro ligando. Dessa vez ela ia sozinha. Tinha decidido isso por alguns segundos. Mas quando pensei na minha vida sem Mariana eu levantei do sofá num pulo e fui correndo para fora da casa. O carro estava saindo da garagem e eu parei em frente a ele.
– e aí, mudou de ideia?
Ela falou com um sorriso enorme no rosto.
Entrei no carro e fomos embora. Não me pergunte pra onde porque eu não sei, e muito menos ela.

Roteiro – Um Sopro – Parte 1

Escrevo como se fosse para salvar a vida de alguém.  A minha própria vida, provavelmente. O ato de escrever é sempre um desespero, um afogamento e ao mesmo tempo um respiro. Preciso me agarrar nas palavras como se elas fossem correntes pesadas segurando meus pés no chão. Preciso escrever para provar para mim mesma que eu existo. Escrever é a única coisa que me dá certeza da minha existência banal.

Eu sou real. Eu sempre fui e de repente não era mais. É sempre assim… Escrever é muito perigoso, a gente mexe com o oculto, com aquilo que não é visto no mundo. É que o mundo não está à tona. Está oculto em suas raízes submersas em profundidades do mar. É por isso que toda minha palavra tem um coração que pulsa e circula sangue.

Dia 1

Fico aqui pensando enquanto tomo um chá de qualquer coisa na janela… Será que não são todas as pessoas que piram, em claro, durante a madrugada, porque a madrugada é um lugar silencioso, onde a maioria das pessoas está vivendo em um mundo inventado pela própria cabeça delas? É que quando estamos acordados justo na hora que deveríamos estar no mundo dos sonhos, tudo fica meio desfocado. São nessas horas que eu penso que existir simplesmente é um fenômeno que transforma qualquer pessoa em doida.

Fico repetindo pra mim mesma, enquanto olho pra fora e escuto pouquíssimos barulhos das pessoas que estão acordadas na mesma hora que eu: Entre todos os caminhos, não posso me perder de vista. Não posso me perder de vista. Não posso me perder de vista. Caio no sono.

Dia 2

Eu… eu fico imaginando se os personagens das histórias tem ideia de que eles são apenas personagens. E será que eu mesma não sou um personagem que não sabe que é personagem? Será que não deu tempo de me concluírem? Vou ficar presa pra sempre nessas histórias onde os personagens não se definem?

Talvez eu seja um personagem que eu mesma inventei, então. Ele precisa ser lapidado por mim. Tenho que ter paciência comigo mesma, senão me perco dentro de mim. Vivo me perdendo de vista. Preciso ter paciência porque sou vários caminhos; inclusive o fatal beco sem saída.
Pode ser que eu também seja o vazio. O avesso. Talvez eu seja o personagem de mim mesmo. Porque, quanto a mim, sinto que de vez em quando que sou o personagem de alguém. É incomodo ser dois: eu para mim e eu para os outros.

Eu tenho medo de ser só uma invenção de própria autoria.

Texto de Marcela Picanço e Clarice Lispector (sempre quis falar isso). Fiz uma parceria do além com a Clarice Lispector e me dei o direito de pegar alguns trechos do livro dela “Um Sopro de Vida” e misturar com uma história que eu criei. Coloquei as frases da Clarice no meio das minhas frases, perdidas no texto. Quem leu o livro (e conhece bem ela), provavelmente conseguirá identificar o que é meu e o que é dela, mas achei que a junção, no final, foi como um rio se encontrando com o mar, se misturando e fazendo aquele fenômeno bonito. ( Ela sendo o mar, é claro, e elevando a qualidade do texto).

 É a primeira parte de um curta que será filmado na semana que vem, mas fiquei ansiosa demais para divulgar o trabalho.