15 coisas que eu aprendi com um grande amor

1 – A vida é cheia de surpresas

Não esperava me apaixonar por ele, e quando percebi o que estava acontecendo tive que fazer muitas escolhas que tiveram várias consequências. Escolhi me entregar ao que eu estava sentindo, e viver essa história de amor com ele com certeza foi a melhor das consequências. Aquele pedacinho de vida que tivemos juntos durante aquele tempo finito mudou pedacinhos da pessoa que eu sou atualmente.

2- Como é estar em plena sintonia com uma pessoa

Nossa intuição em relação um ao outro era quase sempre exata de uma maneira mágica, e sabíamos exatamente o que o outro estava pensando e sentindo. Não conseguíamos fugir, e percebi que isso era tão incrível quanto assustador. Não precisávamos de palavras para falar e expressar pensamentos e sentimentos, muitas vezes um gesto, um olhar ou um sorriso era mais que suficiente. Entendi como era bom e gratificante fazer parte de alguém e da sua vida desse jeito tão intrínseco.

3 – Distância física não é um fator decisivo, mas é contribuinte

A distância física pode atrapalhar e tornar o relacionamento mais difícil, mas no fim cabe à nós insistir ou desistir, porque o sentimento não acaba quando um de nós vai morar longe. Às vezes falar por mensagens é tão intenso e significativo quanto estar frente-a-frente. Saudade é um sentimento palpável que surge de muitas maneiras, como declarações espontâneas por mensagens, ou lágrimas derramadas na solidão do seu quarto.

4 – Música é uma linguagem racional e emocional por si só

Músicas realmente falam com sua alma e você se identifica com as palavras de amor, com o ritmo da tristeza, e até com o calor da raiva. Uma música pode tanto te dar conforto quanto te fazer chorar copiosamente porque o cantor soube expressar exatamente o que você estava pensando e sentindo. As coisas fazem um pouco mais de sentido acompanhadas de uma boa trilha sonora.

5 – O poder e a importância das amizades girl power

As amigas são sempre essenciais, mas se tornam ainda mais nesses momentos. Elas estão ali para ouvir, dar apoio, comemorar as conquistas, dar colo na necessidade, dar conselho, xingar o maldito quando te machuca, beber cerveja para superar as dores e ver filmes do Magic Mike juntas para apreciar homens bonitos e gostosos. Algumas vezes acontece de vocês estarem passando por situações parecidas na mesma época e a amizade de vocês atingirá níveis antes inimagináveis. Você descobre que a vida é muito melhor vivida com sua melhor amiga do seu lado.

6 – Para amar é preciso confiar profunda e plenamente

Ele me admitiu uma vez que tinha medo do “poder” que me dava, mas a verdade era que ele confiava em mim o suficiente para ser completamente vulnerável, e em troca cuidava da minha vulnerabilidade que eu confiava nele. A sensação era libertadora e maravilhosa, mas também vinha junto daquele medinho de despencar de uma altura tão alta que talvez não sobrevivêssemos à queda. De vez em quando a auto-preservação que aprendemos ao longo das nossas vidas nos fazia hesitar, e aprendi que era um constante esforço consciente pular na direção dele. Em compensação cair naquele abraço era um dos maiores confortos, e estar com ele era mais aconchegante que minha cama.

7 – Amor pode ser um sentimento muito poderoso e arrebatador

Amar plenamente alguém é uma das maiores aventuras que podemos viver, e sentir tão intensamente pode ser uma das melhores coisas que você tem capacidade de fazer. Sentir alegria, carinho, amor, paixão, confiança, cumplicidade, amizade, companheirismo, intimidade e uma miríade de emoções e receber isso tudo em troca pode ser uma das maiores honras que temos como seres humanos.

8 – Algumas coisas a lógica e a racionalidade não conseguem explicar

No meio das brigas, eu tinha a certeza do amor dele por mim; No meio das lágrimas, das mágoas, e da vontade de ir embora, eu tinha certeza que ele não queria me machucar propositalmente; Entre os medos, eu sabia da sua bondade como pessoa. Mesmo que meu cérebro não soubesse explicar como algumas dessas certezas eram tão claras e óbvias, meu coração simplesmente sabia e aceitava, do mesmo jeito que aquela mágica da intuição funcionava. Apesar disso, também me dei conta que às vezes isso não é suficiente e não faz doer menos.

9 – Amar é um sentimento que vem acompanhado

Amor e medo são dois sentimentos muito poderosos que parecem opostos, mas muitas vezes andam de mãos dadas. Amor e dor, ou amor e tristeza, de vez em quando são sinônimos. Ocasionalmente é preciso escolher entre eles, e essa escolha dita como o relacionamento flui.

10 – Grandes amores deixam marcas

Existem alguns momentos que serão monumentais, marcantes e verdadeiros game-changers. Eles farão o relacionamento mudar, para bom ou ruim, e não temos como prevê-los ou ignorá-los. Ocasionalmente até podemos sentir um deles chegando e o medo da mudança ou do desconhecido nos fará tentar evitá-los a todo custo, mas eles são inevitáveis. Esses momentos marcam nossas almas com seu impacto, e uma parte desses sentimentos nunca vai embora, simplesmente viram aprendizados para o resto da sua vida.

11- Sentimentos mudam

Eles podem mudar rapidamente, se transformarem momentaneamente em raiva, tristeza ou decepção, ou podem ir mudando devagar e aos poucos, deixando de ser uma paixão arrebatadora ou um amor grandioso e se transformando em carinho e amizade. Essas mudanças muitas vezes são assustadoras e difíceis de lidar e aceitar, mas também são incontroláveis e inevitáveis.

12 – É possível viver sem arrependimentos

Mesmo quando tudo dá errado e o relacionamento termina, é muito bom ter a plena certeza de que você fez de tudo o que podia fazer, foi o mais honesta que pôde, se entregou o máximo que conseguia, tentou de tudo, e que mesmo assim não foi o suficiente para funcionar. Terminar não é fracassar, aprender é evoluir e é bom não ficar ressentida quando não dá certo. Às vezes a culpa não é realmente de ninguém senão da metamorfose da vida.

13 – Você não será mais a mesma pessoa, e isso é bom

Você aprende muito sobre si mesma, como sua capacidade de perdão nos momentos de mágoa, sua imensurável força e resiliência nos momentos difíceis, sua inacreditável coragem nos momentos assustadores, sua liberdade nos momentos plenos, resistência nos momentos cansativos, e da sua imensa capacidade para amor que antes nem sequer imaginava ter. Amar é expansivo e você evolui com cada experiência.

14 – O tempo realmente ajuda

Com o tempo você supera a dor, deixa pra lá a mágoa e verdadeiramente segue em frente com a sua vida. As lembranças ficarão com você, descoloridas dos sentimentos mais fortes, mas tingidas de nostalgia e aprendizado. Ocasionalmente você lembrará dele, de vocês, do amor, e vai sentir apenas paz.

15 – Existirão outros grandes amores

Vai ficar tudo bem. Eventualmente as coisas darão certo novamente, você precisa apenas continuar tendo coragem e abertura para futuros grandes amores na sua vida, eles virão.

 

“Nós” é maior que eu e você

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O todo é maior que a soma das partes. Uma bicicleta é mais do que apenas duas rodas e algumas peças. Ela é infância, é alegria, é transporte, é esporte…

Assim somos eu e você. Juntos.

Eu e você não somos apenas a junção de duas pilhas que ligam o controle remoto da TV. Somos o filme que te faz chorar, a série que não te deixa dormir, o último capítulo da novela que você não quer perder. Somos todos os frutos que a nossa mistura possa gerar.

Eu e você não somos apenas dois indivíduos numa relação. Somos o sabonete que compartilhamos, o café da manhã que tomamos, o carinho que nos damos, as pessoas que gostamos, os lugares que fomos, os quilos que ganhamos, a conta do netflix que nomeamos (bichinho), as sensações que experimentamos, o amor que sentimos.

“Eu e você” é plural, mas “nós” é singular. Não me refiro ao correto uso dos pronomes pessoais, mas à personalidade única que uma relação constrói. “Nós” é uma terceira pessoa a parte das singularidades de “eu e você”. Não nos exclui, nos acrescenta.

A totalidade de um amor não poderá ser copiada. As peças têm encaixe único e se moldam cada vez mais à medida em que se fundem. Se separadas, perdem sua forma inicial e se encaixam de novo com outras peças, mas nunca no mesmo formato.

Esse “nós” só existe em “eu e você”. Em nenhum lugar mais.

Te amo.

Se for pra namorar, que seja pra mergulhar um no outro

Diante da vastidão do universo e da relatividade do tempo, do big bang, da física e da química, da extinção dos dinossauros e da probabilidade da vida humana acontecer, eu aceito por completo que foi uma sorte imensa ter te encontrado. Ou, como dizem os novos entendidos sobre acaso, nós temos toda a responsabilidade quântica de termos nos encontrado. De uma maneira ou de outra, pra mim não importa. Tanta coisa podia ter dado errado pelo caminho e mesmo assim aconteceu.  A gente se encontrou, se apaixonou e pela primeira vez na vida eu entendi o que dizem nos filmes de amor.

E eu vejo tanta gente por aí querendo namorar só pra não ficar sozinho, só pra ter companhia. Mas se for só pra ter companhia, eu prefiro a minha. Se for pra namorar, que seja pra mergulhar um no outro. Se for pra namorar, eu só quero que seja que nem a gente.

Que seja pra sentir o coração acelerando quando eu ouço o barulho na chave entrando na fechadura quando você chega. Que seja pra ter vontade de te agarrar quando você passa no corredor. Que seja pra ter vontade de te levar pra qualquer lugar que eu vá, mesmo sabendo que eu preciso dos meus momentos solitários de vez em quanto. Que seja pra ter vontade de viver um no outro, entrar um no outro e virar um ser com duas mentes e um corpo. Que seja pra sentir suas conquistas e derrotas como se fossem minhas. Que seja pra acordar todo dia e sorrir só por você estar lá. Que seja pra ter essa ajuda mútua e motivação pra tudo novo que eu inventar de fazer.

Que seja pra fazer miojo quando a gente chega bêbado de madrugada. Que seja pra gente ter nossa liberdade, que é o que nos prende. Que seja pra gente sair à noite pra lugares diferentes e chegar em casa morrendo de saudade. Que seja para as nóias e os monstrinhos da minha cabeça hibernarem quando eu te ligar e ouvir que tá tudo bem. Que não seja um relacionamento com certezas ou dúvidas, mas com descobertas. Que seja exagerado mesmo. Que não precise existir a expectativa do futuro, porque a gente se basta agora e isso é o suficiente. Que a gente jure amor eterno, sabendo que ele não existe, mas achando que nós somos seres especiais e vamos viver o amor eterno, sim.

Que seja essa conexão de pensamentos e ideias. Que seja pra viver a telepatia humana. Que todas as camadas de uma conversa sejam entendidas e o outro saiba exatamente do que se trata. Que eu respire e você saiba que tem algo diferente no meu humor. Que seja pra experimentar outros níveis de consciência juntos. Que seja pra inspirar o outro e não para podar ideias. Que seja pra enlouquecer junto. Pra se divertir junto. Pra chorar junto. Pra levantar junto. Mudar junto. Que seja pra fazer tudo junto, mesmo em pensamento. Que seja pra estar sempre junto, mesmo separados, mesmo vivendo as rotinas individualmente, mesmo correndo atrás dos nossos sonhos por nós mesmos. Que seja pra eu querer ser o melhor de mim pra aflorar o melhor que tem em você.

Que nossas vidas continuem sendo vidas individuais, mas compartilhadas. Que você continue tendo seus segredos e eu os meus. Que tenha sempre alguma coisinha pra te surpreender.  Que cada um seja responsável pelas próprias escolhas, mas sabendo que vai sempre existir o impulso do outro pra toda escada que surgir e uma mola no fundo do penhasco quando o outro cair. Que seja pra diminuir o medo de arriscar. Que seja pra se jogar. Que seja pra ser feliz.

Eu não escrevo sobre amor

Eu não escrevo sobre amor. Sobre noites mal dormidas, expectativas criadas sem querer ou como é necessário um ato de coragem para poder se entregar a alguém. Também não escrevo sobre o pós-amor. O que se faz quando o fim fúnebre chega e resta aos sobreviventes passar pelo funeral daquela pessoa que morreu na sua vida, mas segue viva na de outros.

Me recuso veementemente: a fazer um texto fofo, falar de coisas melosas, discorrer sobre a dor do fim ou de como superar com auto-estima e amigos. Não vou discursar sobre bater os olhos naquela pessoa e pensar “esse (a) é o futuro pai dos meus filhos/ mãe dos meus filhos”. Muito menos sobre os pequenos atos do dia-a-dia. Credo, jamais sobre os pequenos atos do dia-a-dia.

Nem pense que gastarei meu tempo escrevendo sobre passar o dia inteiro na cama com aquela pessoa, jogar videogame, assistir Netflix juntos, cozinhar risoto com vinho na cozinha pequena, sentir e desejar que esses ínfimos momentos durem para sempre.

Jamais usarei experiências próprias em qualquer texto meu: citar o momento em que fomos ver o filme do Wolverine e, naquela cena que o herói se vinga de um caçador que, a sangue frio, matou um pobre urso, você havia dito que o Wolverine era uma espécie de Curupira canadense. Que eu ri tanto que o cinema inteiro se incomodou conosco.

Jamais colocarei isso em texto algum. Se me virem falando que se apaixonar é bom, é algo que só os fortes conseguem, que é preciso abrir o coração e se jogar, podem me internar. Não, sério! Sou totalmente anti-romântica.

Acredito no pega, mas não se apega. Na curtição infinita. Pra que apenas um quando se pode ter vários? Eu sou o símbolo do desapego, minha gente. Não tenho fossas, supero tudo muito rápido. Não choro em filmes românticos, não sinto falta de ninguém. É isso. Fim. Não escrevo sobre amor. E é só sobre amor que escrevo.

O amor não acaba assim

Anoiteceu em mim quando você me atravessou como se eu fosse um fantasma. Não por não querer me ver, mas por eu não ser mais nada dentro daquilo que você custa chamar de representatividade na vida.

E seu olhar me congela enquanto você pergunta, com um copo de cerveja na mão, na maior tranquilidade se está tudo bem. Eu olho pra você de volta e tenho certeza que dá pra ver meu coração saltando pelo vestido que eu fiquei duas horas pra escolher quando soube que você estaria ali. E mais do que todos os “nãos” e foras que eu já recebi já vida, esse olhar me diz que acabou.

E eu não sei entender as coisas que acabam. Como assim, acabou e pronto? Na natureza nada se perde, tudo se transforma. E o que não deixa o acabar na gente é aquele fio de esperança maldito de que tudo não passou de um mal entendido, de que é tudo uma transformação, não um fim. O amor não acaba assim, como um pote de sorvete que acaba e ainda se quer mais.

Seu olhar de indiferença me atravessa como uma espada fria e eu tenho vontade de te chacoalhar e perguntar onde você está, onde você foi parar? Quem é essa pessoa estranha aí dentro, com tantas certezas que não existiam antes. Saio de perto pra conseguir respirar, mas tenho vontade de sumir, tomar um remédio pra curar essa agonia. Eu não sei por que ainda não inventaram um remédio pra curar amor. Seria tão simples. Desligar essas sinapses que meu cérebro insiste em fazer toda vez que ele te vê atravessando a esquina.

O fim é sempre apavorante porque ele te obriga a olhar pra outros lados, a recomeçar. O fim te tira da zona de conforto sem você pedir. Não tem mais nada ali, amigo. Vai procurar outra coisa, porque insistir em algo que não vai te dar retorno é burrice ou falta de amor.

Virei uns 50 mil shots de cachaça,prometi mundos e fundos pra quem eu não conhecia, me permiti sentir tudo com tanto afinco que acho que me revirei do avesso e resolvi abrir a janela pra vida. Acordei com a cabeça explodindo de dor e um gosto de poeira na boca. Era a primeira parte de você que com começava a virar lembrança.

Para o meu amigo: as demandas do amor

São onze horas da noite de uma segunda-feira.

Recebo vários prints da sua conversa com ela no whatsapp. Assim como aquela música você fica nessa de “Should I stay or should I go?”.

Você me diz que está com medo de sofrer, mas percebe que o medo já é um sofrimento em si? O amor, querido amigo, demanda coragem. É ver o fim do precipício e se jogar mesmo assim. É não somente correr o risco de se magoar, mas escolher quem vai ter o poder de fazer isso contigo.

Amar é ter alguém que você possa mandar mensagem a qualquer hora. É ter, de maneira romântica, um melhor amigo. É beijar alguém e sentir arrepios, mas em um abraço se sentir seguro. É ter, em uma hora de não pensar em ninguém, alguém que você pensa toda hora.

Amar também demanda um pouco de burrice… É colocar o outro antes de você. É escolher uma única pessoa dentro das 7 bilhões que existem no mundo. É ter trabalho e discussão chata de relação. É ter que se expor, ser vulnerável. Ter que dar satisfação. É não ter nada novo porque está com a mesma pessoa e, ao mesmo tempo, ter que descobrir o novo nela todos os dias.

Não sei te dizer se você deve ir ou ficar, mas se existe um último ponto para te dizer é isso: o amor é aquilo que aquele cara, que você acha idiota, não sentiu por mim. É o que ela sente por você.

Eu não preciso falar sobre o amor

Semana passada muitos questionaram o amor. Discutiram o texto do Gregório Duvivier.

E aí? Amor ou marketing?

Eu não sei nada sobre o amor.

Não sei se amor de verdade é ter o coração palpitando pela primeira vez ao ver a garota bonitinha na aula de jazz, ou se é estar casado com alguém por 20 anos. Não sei nem como é estar com alguém por mais de oito meses.

Sei muito, muito pouco sobre amor.

Agora sei bem como é olhar para aquela pessoa na festa e sentir uma vontade doida de beijar. Pensar “é hoje que eu pego ele”, passar a festa inteira olhando pro sujeito, ele não perceber e você não pegar.

Stalkear no facebook e instagram. Pensar se adiciona ou não adiciona. Quando adiciona: será que curto essa foto do cachorro dele de 2005 ou fico só nas fotos recentes?

– Curte as recentes só pra começar. Depois decide ser mais ousada e curtir as antigas mesmo.

Rola uma troca de likes e o coração já salta, já começa a pensar que próxima balada vai rolar sim, ta muito afinzão, ta na minha…

Vocês trocam likes e nada acontece. Um dia a paciência acaba e você resolve mandar uma mensagem. Sua melhor amiga te incentiva e fala “manda logo, morrer não vai amiga”. Você fica tão nervosa que tem que colocar o seu celular na mão dela e pedir pra ela mandar por você.

Sei do nervosismo, do medo da rejeição.

Quando você está com a pessoa, mas ao mesmo tempo não é nada sério então você não sabe se podem ou não ficar com outras pessoas. Cada festa que você encontra o sujeito é um nó no coração do medo de ver ele ficando com outra menina e de saber que talvez você nem possa reclamar disso.

Sei somente como é gostar de alguém.

Gostar a ponto de querer sair sempre com a pessoa, mas não chamar toda hora para não parecer que está grude demais.

Seus amigos se dividem em grupos: aqueles que botam fé que dessa vez vai dar certo e aqueles que acham que é só mais um cara que vai ficar ai por um ou dois meses e, ou ele vaza, ou você enjoa dele.

Você apenas espera a hora que tudo vai dar errado. Espera com o coração apertado porque no fundo você quer mesmo é que dê certo. Fica o tempo todo tentando se convencer de que não gosta, que não é nada demais, só pegação. Mas ai no meio da aula pensa nele. E na academia, na festa, no bar, no shopping…

Gostar de alguém é querer falar para a pessoa logo “Hey eu gosto de você”.

Você fica lá nervosa. Respira uma vez. Duas vezes. Abre a boca pra falar e fecha logo em seguida. Nossa não vou falar agora. Mas se bem que eu preciso. Pior é que já está tão na cara que você gosta…

É ter medo de que após falar essa frase a pessoa saia correndo para as montanhas do Himalaia.

É voltar de uma festa no carro do seu melhor amigo, escutar um sertanejo brega com ele e lembrar do crush. Olhar pro seu amigo e falar que você ta ferrada. Ta apaixonada. E ele ficar rindo da sua cara porque todo mundo já tinha percebido menos você.

O amor? Não conheço muito bem não. Ele parece é ser muito sussa…

Difícil é gostar de alguém.

Relacionamento Fast-Food

Nos conhecemos numa festa aleatória num lugar apertado que mal dava pra andar sem esbarrar nas pessoas. Ele era conhecido de uma amiga minha. Achei bonitinho. Me interessei. Conversamos amenidades num lugar onde não dava para conversar amenidades. A caixa de som gigantesca atrás da gente pulsava uma música irreconhecível por causa do grave que latejava na minha cabeça. Vamos sair daqui, não tô escutando nada. Fomos para um canto que não era canto e tinha espaço de sobra. Conversamos sobre coisas que nem me lembro mais. Aliás, não me lembro de várias coisas. Dali a duas horas eu já tava pensando em como ele era a pessoa mais interessante que eu conheci nos últimos tempos. Uma da manhã eu já tava planejando o nosso primeiro encontro num lugar bem diferente fazendo um programa que nunca fiz com ninguém. Ele ia me achar muito interessante e imprevisível e ia falar sobre como eu pensava diferente e como isso era surpreendente. Duas da manhã eu já tava pensando como seria apresentar ele pros meus amigos e todos nós sairmos pra uma balada juntos, pra depois eles me contarem sobre como a gente combina e como eles o amaram. Três da manhã, enquanto a gente dançava desajeitado ao som de um música brasileira dessas que todo mundo conhece, eu já tava prevendo a nossa primeira briga depois de meses enrolando sem decidir nada sobre o nosso “relacionamento”. Ia ser uma briguinha boba, dessas que no meio a gente já nem lembra porque começou e ia servir pra gente perceber o quanto a gente se gosta. Até nas minhas fantasias os relacionamentos são complicados. Quatro da manhã e eu já tava pensando nos próximos aniversários de amigas que tenho marcados na agenda e de como eu ia poder levar ele e apresentá-lo pros namorados delas pra eles conversarem amenidades enquanto a gente fofoca sobre alguma coisa nova que as Kardashians fizeram. Cinco da manhã e eu já tô achando tudo incrível. Ele é a pessoa mais interessante do mundo. Como que eu não conheci ele antes? Vou fazer o mapa astral dele quando chegar em casa. Era sagitário com o que mesmo? Ele tem uma lua, ascendente, planeta ou satélite em comum comigo. A gente tem tudo a ver. Eu não quero ir embora. Quero ficar mais. Seis da manhã e não tem mais ninguém na festa. Tá na hora da gente ir embora. Seis e quarenta e cinco a gente já tá no Uber e eu já tô em êxtase pensando em como fomos felizes nesses meses de relacionamento que eu já vivi na minha cabeça. A gente se despede, eu entro em casa e durmo abraçando o travesseiro imaginando que é ele. No outro dia acordo e o êxtase passou. Tá mais com cara de ressaca. O travesseiro era só o travesseiro, sem personificações. Ele nem era tão interessante assim. Acho que ele tem cara de quem faria aquela coisa que me irrita. A gente não ia dar certo, ele demora pra responder mensagem de propósito. Eu não lembro muito bem se ele era tão bonito assim. A camisa dele tava ao contrário.

Levanto, faço um suco verde e vou perguntar pras minhas amigas o que eu perdi enquanto namorava por todos esses meses numa única noite. A gente terminou. Vida que segue.

Nos tempos de crise

me demito.

nesses tempos de crise, o dólar subindo, o quilo do feijão mais caro que esmaltar minhas unhas: me demito.

não me permito mais olhar sempre a mesma indecisão, a bolsa instável, o coração palpitante a sair pela boca, a vontade louca de comer qualquer coisa sem fome. me demito, não permito.

me demito do meu posto de louca, possessiva e garçonete das suas cervejas. me demito das noites mal-dormidas, do sexo sem surpresa e dos bilhetes que nunca mais me mostraram “eu te amo”.

“-não! não há ninguém ocupando seu posto, nunca houve, não é questão de substituir”, eu disse.

mas parece que sempre deve haver um motivo – senão nossos próprios erros – pra algo acabar. te quis, um dia, e fui fiel aos meus compromissos por anos, mas hoje – e há um bom tempo – não faz mais sentido lutar por algo e alguém que não mais me fazem brilhar os olhos.

me demito, não permito, renuncio do nosso amor. me permito amar, mas a mim mesma, como deve ser e esqueci. me lembrei, anotei no coração e carimbei na mala de rodinhas que, antes emperradas, agora empurram meus sonhos que deixei pra trás ao entrar por esta porta.

E assim eu sou, vibração e descompasso

Já não me importo que não gosta de mim. Não me afeta saber que repete isso em frente ao espelho ‘Já não gosto de ti’, e cola como lembrete na geladeira e escreve como nota de rodapé em todas as páginas de sua agenda ‘Já não gosto de ti’.

Já não me importo que não gosta de mim, assim como decisão contratual, com firma reconhecida em cartório e com mandato judicial impondo ordem de restrição ao seu coração ‘Fique longe’.

Já não me importo que não gosta de mim só porque existem outros olhos em sua janela e gosta de olhar pra eles também e por lei, então, teve que fechar as cortinas de nossos encontros de alma.

Já não me importo que não gosta de mim por ter gostado de uma de minhas faces e desgostado das outras tantas. Por não saber como conviver com territórios desconhecidos, por não querer que eu seja imprevisível, mesmo que eu te diga que sim, eu sou assim como as batidas do coração, que seguem ritmos, mas às vezes perdem o fôlego. E assim eu sou, vibração e descompasso. Mas me parece que você gosta só do que a vista alcança.

Já não me importo que não gosta de mim por ter encontrado em mim um cais e atrás dele uma floresta densa e hermética. Já não me importo se não pude te mostrar apenas o que em mim é cais e escondido o que é floresta. Já não me importo de ver que seu acampamento não ousa sair da praia. Que você tenha cercado todas as suas florestas e mulheres desbravadoras agora são animais em extinção em suas terras.

Já não me importa ver seus olhos brilharem por tantas outras praias que sabem esconder bem florestas, nunca me importei com isso de toda forma. Porque continuo achando que quem tem olhos de encontrar praias, ainda tem coração de desbravar florestas, mesmo que o coração tenha sido catequizado e civilizadamente tenha aprendido o monoteísmo de ver apenas uma praia por vez.

Já não me importa se já nem ousa perder os olhos em mim, mesmo que descuidados. Porque sei que o medo não é apenas o de desbravar matas, mas é acima de tudo o de criar incêndios incontroláveis que poderiam exterminar todas as outras praias. Mal sabe você o respeito que eu mesma nutro por praias, eu que com olhos binoculares, sempre encontro as minhas próprias.

Já não me importo que tenha aprendido a afunilar os brilhos dos olhares e na sua seleção natural de coisas miúdas e inteligíveis, eu não passei. Já não me importo com olhares curtos.

Já não me importo porque a sua falta de conhecimento te limitou a perceber que o que cresce e transborda em mim não é o medo e nem a dor, mas a paixão.