E assim eu sou, vibração e descompasso

Já não me importo que não gosta de mim. Não me afeta saber que repete isso em frente ao espelho ‘Já não gosto de ti’, e cola como lembrete na geladeira e escreve como nota de rodapé em todas as páginas de sua agenda ‘Já não gosto de ti’.

Já não me importo que não gosta de mim, assim como decisão contratual, com firma reconhecida em cartório e com mandato judicial impondo ordem de restrição ao seu coração ‘Fique longe’.

Já não me importo que não gosta de mim só porque existem outros olhos em sua janela e gosta de olhar pra eles também e por lei, então, teve que fechar as cortinas de nossos encontros de alma.

Já não me importo que não gosta de mim por ter gostado de uma de minhas faces e desgostado das outras tantas. Por não saber como conviver com territórios desconhecidos, por não querer que eu seja imprevisível, mesmo que eu te diga que sim, eu sou assim como as batidas do coração, que seguem ritmos, mas às vezes perdem o fôlego. E assim eu sou, vibração e descompasso. Mas me parece que você gosta só do que a vista alcança.

Já não me importo que não gosta de mim por ter encontrado em mim um cais e atrás dele uma floresta densa e hermética. Já não me importo se não pude te mostrar apenas o que em mim é cais e escondido o que é floresta. Já não me importo de ver que seu acampamento não ousa sair da praia. Que você tenha cercado todas as suas florestas e mulheres desbravadoras agora são animais em extinção em suas terras.

Já não me importa ver seus olhos brilharem por tantas outras praias que sabem esconder bem florestas, nunca me importei com isso de toda forma. Porque continuo achando que quem tem olhos de encontrar praias, ainda tem coração de desbravar florestas, mesmo que o coração tenha sido catequizado e civilizadamente tenha aprendido o monoteísmo de ver apenas uma praia por vez.

Já não me importa se já nem ousa perder os olhos em mim, mesmo que descuidados. Porque sei que o medo não é apenas o de desbravar matas, mas é acima de tudo o de criar incêndios incontroláveis que poderiam exterminar todas as outras praias. Mal sabe você o respeito que eu mesma nutro por praias, eu que com olhos binoculares, sempre encontro as minhas próprias.

Já não me importo que tenha aprendido a afunilar os brilhos dos olhares e na sua seleção natural de coisas miúdas e inteligíveis, eu não passei. Já não me importo com olhares curtos.

Já não me importo porque a sua falta de conhecimento te limitou a perceber que o que cresce e transborda em mim não é o medo e nem a dor, mas a paixão.

 

 

Ser apaixonado é diferente de ser trouxa


Era uma sexta-feira a noite. Não estávamos em Game of Thrones, mas o inverno  chegou. Havia muita frieza em todas as atitudes.

Era realmente necessário aguentar isso?

Eu estava no bar com o meu melhor amigo. Tremíamos com o frio que os nossos casacos falhavam miservalmente em bloquear. Para se distrair das rajadas de vento, meu amigo resolveu pagar uma cartomante – por brincadeira, não por crendice – para que lesse a minha mão. Ela chegou toda exótica, se apresentando como Baiana; pegou minha mão, falou coisas aleatórias e fechou seu discurso com a clássica frase: “você precisa dar valor a quem te valoriza”

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Foi por cada um desses motivos

Foi o vento. O vento do meu suspiro forte que te levou pra longe de mim, nessa história que só vi o começo e o meio, o fim está aqui agora, com esse bilhete ao lado da cama.

Foi meu suspiro forte ao final de cada frase sua, como sintoma de reprovação, que apagou cada chama nossa, na cama, na cozinha, no telefone, na vida. Foi cada levantar de sobrancelhas, cada estalar de dedos, cada abismo na cama que nos separou, de fato.

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Distante próxima

São sete da manhã.

O frio do inverno chegou e nos enlaça cuidadosamente. Ele faz parte de nós, nos envolvendo constantemente em sua atmosfera gélida.

Me levanto da cama em busca de uma xícara de café. Algo para me esquentar, para trazer o calor que você tanto nega, a ardência que tanto busco em seus braços, mas que me é repelida com tanta veemência. O vapor do café atinge meu rosto. Finalmente me permite uma sensação de aconchego que falsamente acalma meu apertado coração.

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Entre o medo e a vontade existe um mundo

Aquela tensão quase elétrica. Mãos distanciadas apenas por alguns centímetros, que parecem ter o tamanho de um abismo.

Pra que essa timidez toda?

Você está sempre ai com essa cara de que está perdido, me procurando no meio de todas as pessoas que estão a sua volta. Entre tantas pessoas iguais, você fica buscando alguém diferente. E eu?Tento aparecer no meio da multidão esperando você me notar.

Os rostos passam por mim e quando não é o seu o dia perde um pouco da graça, as cores ficam menos saturadas e o coração desacelera..

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8 coisas estranhas e fofas que casais em um relacionamento longo fazem

1. Vocês são pais de um bichinho de estimação
Um cachorro ou um gatinho. Ele dorme no meio de vocês, às vezes no pé de um, no travesseiro do outro. Vocês narram tudo que o “filho” faz, trocam fotos e fazem aquela voz de bebê quando pegam ele no colo. Ele sempre está junto de vocês pela casa e muitas vezes vocês se pegam disputando sua atenção. O problema é como dividir a “guarda” se algum dia o relacionamento acabar, mas não pense nisso agora, né?

2. Vocês usam a roupa um do outro
Isso é algo que nem todo mundo admite. Principalmente os homens! Vocês às vezes dormem com as blusas trocadas, emprestam calças e shorts de pijama e adoram quando nessas roupas fica um cheirinho. O armário pode ir ganhando uma gaveta, depois uma prateleira, depois…

3. Vocês se enviam mensagem quando estão no mesmo lugar
Porque às vezes o lugar está um saco e você precisa dizer “ai, vamos embora para casa assistir Netflix?”.

4. Não se importam mais com o bafinho matinal
Quem liga? Vocês já se conhecem de cabeça para baixo.

5. Vocês se comunicam telepaticamente
Não precisa de muito além de um olhar. Você sabe dizer quando o outro está bravo, entediado, até apertado para fazer xixi. É impressionante como depois de algum tempo com alguém fica fácil ler aquele balãozinho de pensamento que paira em cima da cabeça.

6. Vocês não se importam de fazer “coisas de criança” juntos
Já reinstalaram o Nintendo, jogam Gameboy e soltam a real “hoje não vamos poder encontrar, tô assistindo maratona de Pokemon”.

7. Vocês usam um ao outro para escapar de compromissos sociais
“Ih, não vai dar amiga, hoje tenho que encontrar o Caio, combinamos de ir assistir um filme que ele tá louco para ver!”
“Cara, combinei de ver a Flávia hoje, tenho que ajudar ela no supermercado”
Quem nunca?

8. Vocês dançam sozinhos ou um para o outro
Dão uma reboladinha quando começa uma música ou fazem um passinho, sem vergonha alguma… É quase um convite tipo “vem dançar também”.

Eu prometo que passa

No dia que ele pediu que a gente sentasse no sofá para conversar rapidinho, fiquei por duas horas tentando entender por que tinha que terminar. Chega em algum ponto desse tipo de conversa, que você para de enrolar o cérebro para tentar entender o inexplicável e prefere pedir que a pessoa vá logo embora e leve embalado para viagem metade do seu coração. Pedi que ele fosse.

Dias depois, chegou aquele momento que o que estava na minha casa e o que estava no armário dele, precisava ser trocado e entregue. Isso geralmente precede uma mensagem de texto ou duas. “Você pode deixar na portaria?”, “Claro, é só você passar para pegar, avisei o Seu Manoel”. Injusto demais, querer ir embora quando já sabe até o nome do porteiro. Divididos em três sacolas velhas de lojas, vão duas camisetas de dormir, as caneleiras do futebol de sábado e a foto do porta retrato. A separação é sempre clichê como é do meio para o final de uma novela.
Depois disso, a gente fica triste quando olha: para o celular, o canto da sala que ficava o sapato, o comercial do seriado que assistia junto. Nosso olhar fica triste para qualquer coisa. Fechamos os olhos para descansar. Esses dias sem saber são os mais difíceis. Como pôde querer embora quando já se irrita até com o jeito que eu uso e deixo toda espremida a pasta de dente? Injusto demais.

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Às vezes nos surpreendemos

Foto: Rob Woodcox
Foto: Rob Woodcox

“Até quando você vai deixar ele ficar te enrolando desse jeito?” Foi o que ouvi de uma pessoa na época em que eu estava no meio de um relacionamento complicado. Foi bem ruim escutar aquilo. Não me entenda mal, eu acho que às vezes precisamos mesmo ouvir algumas frases assim na lata, dessas que vem como um tapa na cara para que finalmente comecemos a enxergar as coisas como elas realmente são. Foi por isso, por acreditar que às vezes precisamos ouvir certas coisas e pelo fato de que eu normalmente escuto o que as pessoas me dizem para então ver se concordo ou não, que me peguei ponderando se existia alguma verdade naquela frase com a minha situação e se, caso houvesse, porque eu não estava enxergando isso, porque estava deixando ele me enrolar do jeito que ela deixou implícito.

A pessoa que me disse isso não era uma amiga, não era alguém que sabia sobre o meu relacionamento, era alguém que conhecia a mim e a ele em um nível apenas social e, principalmente, era uma pessoa que falava o que pensava sem papas na língua. Por causa de todos esses fatores eu normalmente não me importaria com o que ela falou, mas aquela frase mexeu comigo, me incomodou, e eu fiquei algum tempo pensando muito seriamente nisso: se ele estava me fazendo de idiota e eu não via, se eu estava em um relacionamento sem futuro, se as pessoas ao meu redor viam essas coisas mas eu não e, ainda mais assustador para mim, se ele era tão bom em enganar que eu não enxergava nada disso.

Boa parte dessas coisas eu pensei porque, infelizmente, a realidade é que muitos homens hoje em dia são, como minha amiga Luisa falou em um texto dela, jogadores profissionais no flerte. Escutamos e vivemos tantas histórias de homens enganando mulheres, fazendo nos sentirmos idiotas, não sendo honestos e agindo de maneiras para que fiquemos presas em um ciclo sem fim onde continuamos gostando deles enquanto eles não se envolvem. Uma situação dessas é realmente muito exaustiva, principalmente para a mulher.

Mas o que eu quero falar aqui é de uma situação diferente. Depois de muito pensar sobre a frase que me foi dita, percebi que eu não estava levando em consideração o tipo de pessoa que eu sou e o tipo de pessoa que ele era. Eu e ele tínhamos sempre sido muito honestos, e a nossa confusão no relacionamento era com o que queríamos para o futuro e como realmente nos sentíamos um com o outro. Apesar disso, eu reconheci sinais que talvez, em algum nível inconsciente, ele estivesse mesmo me enrolando.

Vou explicar. Eu não acho que ele fazia joguinhos comigo propositalmente, sabendo que se me mandasse uma mensagem genérica programada a cada dois dias ele teria certeza que eu estava sempre lembrando e pensando nele, marcando seu território. Acho que no nosso caso era apenas o tipo de pessoa que ele era. Quando ele ficava desconfortável com o que sentia, ou com o nível de intimidade no relacionamento, seu primeiro instinto era sumir, se proteger e não lidar com o que quer que o incomodasse. Muitas vezes a responsável por fazer ele se sentir daquele jeito era eu, então era óbvio que o mais fácil era simplesmente não falar mais comigo durante algum tempo. O que acabava me deixando sem entender nada, me fazendo me sentir enganada e extremamente cansada.

A verdade é que, de algum modo, ele estava sim me enrolando. Mas como eu o conhecia muito bem,sabia que não era de nem de propósito, nem por maldade, nem era um jogo para marcar território, era apenas mais simples e menos doloroso para ele agir daquele jeito, então acabava sendo o seu natural. Claro que para mim isso não tornava a situação mais fácil, nem menos cansativa, nem menos dolorosa. É apenas uma visão diferente de algo que continua sendo muitomuitoruim.

Existem pessoas que vão te enrolar de propósito e existem mesmo situações em que você ficará perdida sem conseguir enxergar as coisas direito. Quando suas amigas te falarem frases como aquela ou derem conselhos, recomendo que as escute e pare pra pensar se elas podem ter razão ou não. Às vezes o cara realmente é um jogador profissional de flerte que não vale à pena se envolver, mas às vezes a situação pode ser diferente e inusitada, como foi o meu caso.

Quando aquela pessoa me disse aquela frase ficou claro para mim que ela estava me julgando como uma idiota por estar naquela situação. Eu não era idiota, e apesar da situação não ser como ela tinha julgado, eu sabia que algo estava acontecendo então tomei a atitude que eu achava certa: conversei com ele. Fui honesta e falei como ele estava fazendo eu me sentir, e quando ele se deu conta de como estava agindo comigo mudou de atitude, porque em momento nenhum quis me machucar de propósito, era apenas a maneira como ele tinha aprendido a lidar com situações difíceis ao longo da vida. Isso não desculpa a atitude dele, mas com certeza me faz vê-lo como humano. Todos nós temos nossos problemas, padrões comportamentais ruins e inconscientes, então meu conselho é que estejamos sempre abertos a falar e a ouvir. Às vezes podemos nos surpreender.

Carta para quem mudou a história

Cena do filme Zabriskie Point.
Cena do filme Zabriskie Point.

Flávio,

Você, da forma mais sacana e fofa do mundo, me mostrou o que eu não quero. Sacana, porque eu passei setenta mil longas noites pesquisando dentro do meu cérebro cansado onde estava a falha. Algo estava muito errado por você ter desistido tão fácil e fechado a porta do elevador em câmera lenta dizendo que ainda “me amava, mas”.

Demorei a perceber que era uma negação que transbordava no peito como uma menina mimada que não aceita perder. O gentil da sua parte foi sumir. Desaparecer por alguns anos. Como se nunca tivesse existido ou passado tantos meses usando a terceira gaveta do meu armário. Com você distante, enxerguei melhor.
Isso pode parecer grosseiro, lido assim de uma maneira tão seca, mas ter mostrado o que eu não quero, basicamente significou me libertar para o que eu quis depois. Eu quis pessoas muito melhores. Hoje, eu busco alguém muito melhor. E não estou dizendo que você é ruim. É só aquela história: algumas pessoas são feitas pra gente. Outras não. Você não foi feito para mim. E precisou ser meu para que eu entendesse isso. O meu melhor é o que é mais parecido comigo. O seu também deve ser.

Vê se entende. Essa é só uma carta egoísta de agradecimento, depois de ter tomado uma garrafa do vinho que você mais gosta. Hoje, não sinto vontade nenhuma de dizer para as pessoas que “terminamos nos gostando”, como uma justificativa de porque era tão legal e de repente acabou. Cá pra nós, nem elas se interessam mais na gente. Hoje, não lembro de você quando escuto Ella Fitzgerald e nem quando passo na sua rua escura para poder cortar o caminho daquela avenida. Hoje, não consigo lembrar exatamente do seu cheiro de roupa limpa. Eu fecho os olhos para sentir e não sinto nada. Faço força para desenhar na minha mente os seus traços. Não sei dizer se seus olhos são puxados ou não. Se a sua boca é pequena ou grande. Se seu nariz é meio torto ou é só coisa da minha cabeça. Mas lembro o seu vinho preferido, e é por isso que tomei coragem para te escrever.

Certo dia fui em uma cartomante e ela disse que nós tínhamos uma conexão de vidas passadas. Achei a maior loucura. Falou que eu e você pagamos juntos no presente por algo muito ruim que te fiz em outra vida. Vai saber. Disse também que a sua passagem pela minha história seria intensa, mas não deixaria muitos rastros. Na época, acreditei em tudo. Fazia muito mais sentido do que o que a Clara e a Tatiana me falavam como consolo. Elas te xingavam e diziam que eu era meio louca de ainda chorar por alguém tão egoísta. Precisei da cartomante e de uma resposta genérica para curar o meu vício de falar a respeito de você. Todas as minhas amigas agradeceram.

Não sei se conseguiria te fazer algum mal em outras vidas, mas caso isso tenha acontecido, estamos quites. Sofrer você me abriu um mundo de possibilidades muito maior em busca do que eu realmente quero no amor. Eu aprendi da forma mais torta possível o que eu não busco em alguém. Você foi aquela parte da história que renasce dentro da mocinha a vontade de aprender tudo de novo. Alguém de novo.

Obrigada e se cuida,

Luiza.

Autora: Marcella Brafman 

Esse texto é do site Sem Clichê, nosso novo parceiro de conteúdo! Isso quer dizer que trocamos textos e vocês podem ler um pouco de De Repente dá Certo lá e um pouco de Sem Clichê aqui! <3 

O homem da minha vida que não é da minha vida

Então eu namorei você mesmo não sendo namorada de volta. Namoro sustentado em caronas, visitas em suas páginas e algumas paqueras baratas. Eu queria precisar de você porque eu te escolhi. Senti que finalmente havia encontrado aquela pessoa com características essenciais, aquela pessoa que eu gostaria de dividir as coisas boas que a vida tem para oferecer. Mas tão próximo e tão distante no mesmo instante?

De mundos distintos, me peguei pensando se suportaria viver no seu mundo, se aguentaria viver pacificamente nele. Será que eu me adaptaria ao seu mundo? Ao mesmo tempo, me perguntava se você aguentaria o meu, se se divertiria no meu. Entre essas dúvidas, cheguei na certeza de que não. Afinal, pertencemos a realidades diferentes. No começo demorei a aceitar, mas quando lembrei de toda a diferença de mundos e de todos os projetos que eu teria que abrir mão… Aceitar que homem da sua vida não é para sua vida, no início machuca, mas depois quando se percebe que ambos sofreriam no mundo do outro, vem a aceitação, a calmaria e a gratidão.

Então, homem da minha vida que não é para vida, que o destino seja doce contigo, como ele sempre foi, que você saiba reconhecer todos os privilégios que sempre teve. E que seja para sempre essa mistura de menino, homem com toda sua ternura e maneira de prestar atenção nas pessoas. Planejar o futuro que não aterroriza mais, assim a vida segue e você estará para sempre marcado com carinho e pesar como o homem da minha vida que não é da minha vida.