E eu amei você mesmo assim

Eu sei que deixei o café esfriar, a geladeira esvaziar, a comida queimar, mas eu amei você mesmo assim. Eu sei que não vou pude burlar o futuro e deixei o passado pra trás, mas eu amei você mesmo assim. Eu sei que as pessoas perguntaram para onde eu fui e questionaram onde estaria agora, mas eu amei você mesmo assim. Eu sei que na nossa historia já existiram outras despedidas e dessa vez eu perdi o rumo de volta, mas eu amei você mesmo assim. Eu sei que fechei as janelas da nossa casa e que fiz com que elas já não significasse mais liberdade, mas eu amei você mesmo assim.

Eu sei que a porta já não dava mais boas vindas, o sofá já não era refugio, mas eu amei você mesmo assim. Eu sei que quebrei minhas promessas de não deixar tempestades entrarem aqui e que nenhuma neblina cobriria o nosso olhar sobre o outro, mas eu amei você mesmo assim. Eu sei que deixei a porta destrancada, o porta retrato virado e esqueci tudo pelo chão, mas eu amei você mesmo assim. Eu sei que me esperou no quarto pra dizer que tudo ia passar, que o inverno já ia acabar e que poderíamos sair daqui, mas eu amei você mesmo assim. Eu sei que aquele dia desligamos a TV, fechamos as janelas, batemos a porta e perdemos as chaves, mas eu amei você mesmo assim. Eu sei que eu parti, sem ter pra onde e nem porque, mas eu amei você mesmo assim. Eu sei que brilharia do seu lado, todo mundo via, mas hoje brilho mais por mim, porque eu amei você…

 

Natália Beraldi

Jornalista, fotógrafa, viajante. Apaixonada por estradas, acostumada com partidas, viciada em sentir. Sempre acompanhada de uma câmera e uma xícara de café.

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