Hora de voar

Arte por Korrupt Kids
Arte por Korrupt Kids

Hoje acordei me sentindo um passarinho. Não no sentido frágil da figura, pelo contrário, acordei me sentindo um passarinho que já estava muito grande em um ninho muito apertado. Quase caindo desse ninho e me sentindo péssima por não caber mais neste lugar, comecei a reparar em mim. Nesse tempo em que vivi nesse ninho, minhas asas foram crescendo junto comigo. Assim como o resto do meu corpo, elas também ficaram mais fortes.

Sair de um ninho nunca é fácil, mas como tudo na vida é ciclo, este é mais um que deve ser atravessado. Nós sempre precisamos colocar um ponto final em algumas coisas para que outras, também muito boas, também cheias de complicações, possam vir e nos ensinar mais um pouco.

Sair de um ninho também não deve ser confundido com uma perda, ou algo doloroso. Não é porque você está indo que o lugar onde estava não era bom o suficiente, ele só não te cabia mais. Dói esse sentimento de partida e por isso ela, a partida, deve ser feita com cuidado. Como o primeiro voo.

Muitos vão questionar o porquê daquela ida, do encerramento daquela fase. A verdade é que não existe um motivo certo, mas você provavelmente vai sentir quando tiver que ir. Também não busque muitas explicações, aceite como o que é, algo novo, uma surpresa que a vida te deu, na hora que tinha que dar.

Como passarinho, já quis voar muitas vezes e muitas vezes achei que o tinha feito, mas agora percebo que tudo foi uma construção. Com pequenos voos fui me preparando para agora fazer um voo maior, com um risco maior e com asas mais fortes. Hoje tenho certeza que está chegando a hora de voar, mas assim como me cuidaram muito bem dentro deste ninho em que fui crescendo até hoje, também vejo que tenho que ir com calma.

A verdade é que nunca estamos completos, totalmente prontos pra ir, às vezes as asas, mesmo maiores, ainda vão ter alguns pontos delicados que irão se fortificando com o tempo, mas depois que nos determinamos a partir, é só ir se levantando devagarinho, comprando geladeira, estocando comida, distribuindo abraços, chacoalhando as penas e abrindo os braços pra se jogar no ar, no mundo.

Vai dar aquele frio na barriga no começo, a insegurança, o medo de cair… até que você vai se ver voando, sozinho…

“Que meu voo seja tranquilo”

Natália Moreira

Sou uma alienígena disfarçada de gente, tentando voar com os pés no chão, viver em queda livre e explicar o que (não) entendo com perguntas. A contradição é p(arte) minha e mesmo sabendo que “pra viver mais, eu sei que eu devia viver menos”, quero demais até o fim – ou o começo.

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