Se o mundo fosse o filme “Inception”

Gaiola de Concreto

Dia de tédio no Instagram, sabe como é, né? O dedo só vai… a cabeça tá sei lá onde, você nem sabe por que tá ali naquela situação. De repente, o dedo pára. Você volta pra realidade. Pera aí, isso aqui é bom pra caralho. Foi assim que achei o perfil do Décio Araújo (@dearaujo).

As fotos dele são dessas que faz você prestar atenção, olhar de novo. Arquiteto, ele brinca com a relação entre pessoas, cidades e natureza. E assim tenta provocar a gente a olhar de forma mais crítica pras cidades. Nos estimula a achar beleza no dia-a-dia de concreto. São Paulo, obviamente, é o lugar perfeito pra isso.

Usando os diferentes tons de cinza típicos de São Paulo, aquele cinza bem claro quase sempre presente no céu, o cinza médio do concreto, o cinza escuro das pistas e as cores desbotadas de uma cidade usada e reusada a exaustão. Podia ser feio, se não fosse lindo.

As cores desbotadas viram poesia, as formas, quando repetidas e desapropriadas do seu contexto real, dão vida a outras viagens visuais.

A densidade urbana vira uma textura. E vendo ela pelo olhar dele, nos esquecemos da maçante e caótica realidade que é viver numa megametrópole.

As imagens que ele cria lembram aqueles bloquinhos de madeira que a gente brincava de construir prédios e castelos quando éramos crianças, lembra disso?

Só que em vez de bloquinhos ele usa apps ( UnionAppFragmentApp, e Filterstorm) e um celular. Piramos? Claro que sim.

Além de questionar o próprio espaço urbano, ele também vem pra questionar o espaço da arte. Um artista que produz imagens tão incríveis pode ser menos artista que alguém que expõem em um espaço físico? Ou que produz imagens com cola e papel? Parece que não, já que esse ano ele foi convidado pelo Instituto Inhotim, junto com outros artistas, para um visita privada que você pode conferir na #emptyinhotim.

Ele conta que a primeira vez que expôs suas fotos foi por meio da rede social.  E só através dela sua mensagem pôde chegar ao mundo todo.

O arquiteto, que cansou de construir e achou na fotografia uma forma de desconstruir e construir outras realidades, nos faz olhar de um jeito diferente pra esses espaços e isso, provavelmente, mude um pouquinho como a gente trata esse lugares.

A verdade é que desde que o homem se tornou seu próprio deus ao devastar o natural e reconstruir todo um relevo novo baseado nas suas (des)necessidades modernas, o homem materializou sua mente em uma nova paisagem, a selva de pedra, terra de arranha-céus e tudo aquilo. É claro que hoje temos consciência de que erramos feio em destruir a natureza, mas quem pode negar a beleza do que o homem construiu depois de ver essas imagens do Décio? Vamos olhar com mais paixão pras cidades e achar, em meio ao caos da falta de planejamento urbano, a poesia e beleza desses lugares que querendo ou não, são a nossa casa.

Vamos.

Claustrofobia urbana
Claustrofobia urbana
Mutação Urbana II
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Superpopulação XII
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Barreiras Urbanas
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Percursos Caóticos
Percursos Caóticos
Claustrofobia urbana XVIII
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Oscilação urbana XXIV
Oscilação urbana XXIV
Gaiola de Concreto XX
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Claustrofobia urbana

Claustrofobia urbana
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Gaiola de Concreto
Gaiola de Concreto
Superpopulação XVI
Superpopulação XVI
Oscilação urbana XVI
Oscilação urbana XVI

Sophia Alziri

A Sophia odeia fazer minibiografias. Mas ela é a pessoa mais autêntica e cheia de nuances que eu conheço.