O que chamam errar, eu chamo de experimentar a vida

Arte por Witchoria
Arte por Witchoria

O que chamam errar, eu chamo de experimentar a vida. O que chamam de decisões ruins, eu chamo de capítulos interessantes de uma história. O que avaliam como quedas, eu sinto como incansáveis tentativas de voos. O que punem como irresponsabilidades, equívocos, imaturidades, eu me absolvo com a impunidade do verbo amar.
Defendo o descontrole natural do caminho. O que nomeiam pensamentos vãos, escolhas absurdas, frouxidão dos atos, fragilidade do olhar, eu não classifico, apenas encho o peito de encantos.
Dos assuntos que não cabem nas mesas de bar eu respiro os dias. Poderia dar as mãos para tudo o que foge, para o que cai, quebra e não se reestabelece, poderia deitar junto aos restos, poderia conversar profundamente com as ondas do mar. Poderia morar nos porões e entender os ratos. Poderia gritar tudo o que andam falando aos cochichos.
Poderia viver desdizendo o mundo.

Clara Baccarin

Clara Baccarin é poeta, escritora e tradutora. Autora do romance Castelos Tropicais (Ed. Chiado, 2015), e do livro de poemas Instruções para Lavar a Alma (Ed. Sempiterno, 2016). É uma contadora de histórias que adora poetizar o mundo. Escreve por amor e rebeldia: desconstruindo verdades, brincando com as palavras e ressignificando a vida. www.clarabaccarin.com

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