Tudo que te desejo

Eu poderia te desejar tudo de pior não é? Te bloquear em todas as redes sociais e fingir que te odeio. É até o que os meu amigos querem, que nunca mais fale com você, que vire um completo desconhecido para mim, mas comigo não é assim. Jamais vou te odiar. Em nenhum momento vou te desejar mal.

No seu aniversário te darei parabéns, natal e ano novo vou desejar a você a sua família o melhor. Se sofri? Nossa, demais! Já cheguei de baladas e chorei sozinha por mais de hora em casa. Me perguntei tanto por que não demos certo, por que depois de tanto esforço deu tudo errado. Será mesmo que deu errado?

Quando olho para trás vejo tanto carinho, tanta alegria. Como poderia algum dia não querer te ver feliz? Quero que você encontre alguém que entenda o tanto que você valoriza os seus amigos e precisa da sua reunião semanal na casa deles, e que confie em você. Que saiba que você é meio confuso, mas que tem um coração de ouro. Do tanto que você me fez bem não tem como eu te desejar mal.

Quero que você alcance o seu potencial, que viaje, conheça mil pessoas e seja incrível. Eu sei da sua capacidade, talvez mais até do que você mesmo. Sabe qual o problema?

A maioria das pessoas olha pros ex’s romances e sente algo ruim, mas quando penso em você só lembro de coisas boas. Não porque não superei, ou porque não sei que não somos um pro outro. Não somos. Não sou a pessoa certa para você, nem você para mim. Mas te conheço e sei que você é alguém que merece ser amado, alguém que tem todo o meu respeito e quero para sempre o seu melhor. Que você encontre coisas incríveis nesse mundo, e melhor ainda, que nesse caminho encontre a si mesmo.

Porque todos esperam que eu queira o seu pior, mas sabe o que? Só posso te desejar felicidade e esperar que quando você pense em mim se lembre de alguém que sempre vai te olhar com todo o carinho possível.

Pra você que está entrando na minha vida agora

Para você que está entrando na minha vida agora… Hey, chegue mais!

Me deixa abrir a porta do meu coração pra você. Sinta-se em casa e não repare na bagunça!

O inquilino antigo não cuidou direito e aí as coisas ficaram meio desarrumadas por aqui, umas pilhas de roupa suja pra lavar ali no canto do quarto, mas tudo tranquilo, sem ressentimentos. A casa está em processo de reforma, mas ao que me parece tudo caminha pra uma considerável melhora.

Sim, tem umas rachaduras na parede. Me disseram que certas rupturas nunca se consertam por completo, mas dá um ar diferenciado para o local não? As paredes aqui viram muitas coisas, são cheias de experiências, porém estão ansiosas por novas. A estrutura até mudou, mas a essência continua a mesma. Ah não te disse?

Casa de solteiro é assim mesmo, muita loucura, uma reforma atrás da outra, mas nunca se cansa, de mudar, de tentar, de desistir e tentar de novo. É que a vontade de ser feliz supera as decepções. Para ser sincero às vezes até minto pra mim mesmo. Digo que dessa vez vou fechar as portas e não receber ninguém, afinal o processo de trocar pinturas, pisos, procurar uma nova decoração dói.

Às vezes é preciso derrubar paredes. Então, em vez de derrubar paredes, vou e construo mais, para tentar me proteger. Pelo menos fica com mais lugar para pintar. Sou simpático demais, gosto de receber gente aqui… de casa cheia sabe? O vazio é bom por um tempo, mas ter o coração repleto é essencial. Claro que tenho visitantes recorrentes: amigos, família, sonhos, mas ultimamente anseio por alguém que queira habitar aqui com ânimo definitivo.

E ai, está a fim de quebrar umas paredes?

Para o meu amigo: as demandas do amor

São onze horas da noite de uma segunda-feira.

Recebo vários prints da sua conversa com ela no whatsapp. Assim como aquela música você fica nessa de “Should I stay or should I go?”.

Você me diz que está com medo de sofrer, mas percebe que o medo já é um sofrimento em si? O amor, querido amigo, demanda coragem. É ver o fim do precipício e se jogar mesmo assim. É não somente correr o risco de se magoar, mas escolher quem vai ter o poder de fazer isso contigo.

Amar é ter alguém que você possa mandar mensagem a qualquer hora. É ter, de maneira romântica, um melhor amigo. É beijar alguém e sentir arrepios, mas em um abraço se sentir seguro. É ter, em uma hora de não pensar em ninguém, alguém que você pensa toda hora.

Amar também demanda um pouco de burrice… É colocar o outro antes de você. É escolher uma única pessoa dentro das 7 bilhões que existem no mundo. É ter trabalho e discussão chata de relação. É ter que se expor, ser vulnerável. Ter que dar satisfação. É não ter nada novo porque está com a mesma pessoa e, ao mesmo tempo, ter que descobrir o novo nela todos os dias.

Não sei te dizer se você deve ir ou ficar, mas se existe um último ponto para te dizer é isso: o amor é aquilo que aquele cara, que você acha idiota, não sentiu por mim. É o que ela sente por você.

É preciso estar aberto para as oportunidades

Quarta-feira foi a abertura da ArtRio, uma feira de arte contemporânea que acontece todo ano no Rio e, por causa disso, o Consulado da França resolveu fazer uma festinha/coquetel no hotel Caesar Park, que fica na Vieira Souto em Ipanema, ou seja, bem de frente pra praia, no rooftop. Essa festinha era pra homenagear o artista Claude Viallat, por isso, era também uma super exposição com obras dele.

Eu nunca sou convidada pra esse tipo de evento, mas escrever sobre arte e cidades no blog tem me aberto um mundo novo e eu nunca conheci tanta gente diferente de mim em tão pouco tempo. A maioria da galera saiu da abertura da ArtRio e foi direto pro lá.

A festa estava cheia de gente chique, elegante, entendedores e admiradores de arte. Era óbvio que eu, de calça jeans e bota, não fazia parte daquele ambiente de terno, salto fino e vestido, mas nada que um vinho branco e umas caipirinhas não tenham resolvido. Tinha um buffet incrível, só com comida maravilhosa tipo salmão e camarão. Eu nem saberia descrever os pratos, de tão elaborados que eram. Tinha um mesa de doces do estilo que eu nunca vi antes, só coisa realmente muito fina.

Em pouco tempo eu já estava dançando e conversando com as pessoas. Essa é a mágica que acontece quando as pessoas bebem e a aumentam o volume da música. Todo mundo se sente mais confortável, né? Até que eu comecei a conversar com a mulher mais estilosa da festa. Cabelão cacheado, jaqueta com estampa de um grafiteiro (que ela não lembra o nome) e um coturno com salto giga. Ela, com o maior sorrisão, foi toda simpática e começamos a conversar sei lá sobre o quê. Tem gente que passa empatia de imediato. Sabe quando bate? Você só quer continuar ali conversando com a pessoa, tentando entender mais sobre ela.

Elsaine era uma mulher independente, divertida, mente aberta e que adora Louis Vitton. Quando ela me falou isso, eu não imaginava que ela era a maior compradora de Louis Vitton do Rio (foi mal galera, não consigo evitar de dar um Google em toda pessoa nova que eu conheço). É claro que essa é uma realidade completamente diferente da minha, já que eu só tenho uma bolsa que comprei na forever 21 e uma mochila que já está caindo aos pedaços. Eu não ligo mesmo pra sapato e bolsa. Mas a Elsaine, em vez de ser aquelas pessoas esnobes, tinha uma energia incrível e boas histórias. Combinamos de ir na ArtRio, inclusive ela me deu o ingresso vip dela quando eu falei que queria escrever sobre a feira aqui no blog. Quase morri de amor. Falou que eu tinha que conhecer o Beto, que faz parte da organização e é um adorador de arte. A troca com as pessoas existe em tantos, mas tantos níveis que a gente nem imagina. Conhecer alguém novo, em qualquer situação que seja é sempre especial se a gente estiver aberto. Como eu já falei aqui mil vezes, se conectar com pessoas é o nosso maior trunfo.

Conversei com mais mil pessoas, tirei foto com a Vanessa da Mata, descobri que o Caesar Park vai deixar o rooftop aberto ao público no verão. Isso mesmo. De graça, e a gente paga apenas o que for consumir lá em cima. E de repente eu não me senti mais totalmente desconfortável naquele ambiente cheio de pessoas ricas e famosas e colecionadores de arte.

Quanto mais eu me desafio a sair da minha bolha, dos lugares que eu vou sempre e daquilo que eu chamo de realidade, eu me surpreendo. É claro que o blog tem me ajudado a ir a lugares que eu nunca iria, mas de vez em quando eu me proponho fazer alguma coisa totalmente diferente e a experiência é sempre rica. A gente fala tanto de viajar, conhecer novos lugares e novas pessoas, mas às vezes dá pra fazer isso na nossa cidade. Vá a um forró, se você não curte forró, vá a um show de algum cantor desconhecido… Sei lá. É difícil sair dessa zona de conforto, porque dá preguiça, mas a experiencia é tão rica. O mundo tem tanto a nos oferecer, mas a gente insiste em olhar sempre pro mesmo canto.

Eu entendo ter preguiça das pessoas. Eu tenho isso diversas vezes, diversos dias. Mas você sabe que existem pessoas fodas por aí que vão te arrancar uma gargalhada quando você menos esperar, que vão te emocionar, te inspirar, que vão te surpreender de alguma forma. Mas isso só vai acontecer se você estiver aberto pro novo. E o novo é sempre dá frio na barriga.

Eu sou os anos 90

Eu sou os anos 90. Sou uma geração inteira de privilégios. Os anos 60 e 70 trabalharam muito, desde os 18 anos, ganharam dinheiro e em mim viram um investimento. Eu era o futuro. Gastaram com cursinho de inglês, aulas de balé e judô, colégio particular.

Aliás o que é bem irônico, gastar rios de dinheiro com colégio particular para eu conseguir entrar numa universidade federal.

Fui mimado, as gerações anteriores me disseram que poderia ter tudo que quisesse. Cresci e sempre acreditei nesse mar de oportunidades, afinal com 12 anos já possuía um currículo impressionante com o tanto de atividades extracurriculares que fazia. Tive uma criação conservadora, julgava as garotas que faziam sexo no colégio, fui machista durante um bom tempo.

Acreditei tanto que idealizei muito e fiz pouco, achei que ia ter emprego de sobra, como na épocas passadas e que conseguiria tudo que sonhei simplesmente porque mereço. O problema é que o país entrou em crise: política, econômica, social. Me formei na faculdade. Todos os coleguinhas se formaram também. Quase ninguém conseguiu emprego.

Aliás nem todos que fazem parte de mim estão nessa fase, o que é até pior. Tem gente que achou o amor da vida, conseguiu emprego, tem filho já. Mas a maioria dos meus participantes fica em casa vendo netflix e mandando currículo na internet. Ficamos invejando essa minoria que, nas redes sociais, parece viver o sonho enquanto estou aqui me sentindo meio lixo. Problema é que assim como no meu perfil do facebook, o deles também deve estar bem maquiado.

Me sinto mal de ter sido um investimento ruim.

Quero um amor pra vida toda, mas não acredito nele de verdade. Tem muito homem e mulher por ai… Aliás, esqueci de avisar, entrei na faculdade e comecei a ser menos machista e conservador. Pelo menos uma coisa que estou melhorando! Experimentei muita coisa. Não quero mais definir gênero ou sexualidade, sou mais aberto hoje em dia. Me revolto com o país, reclamo horrores, falo de corrupção, mas furo fila para entrar mais rápido na balada.

Digo que todo mundo é superficial e ninguém se relaciona bem, mas sou inseguro e sempre espero os outros correram atrás de mim. Sou especial, incrível, qualquer um teria sorte de me ter. Não é engraçado que sendo tão bom assim, continuo sem ninguém?

Sou nervoso, tenho ansiedade, mas escuto todos os dias os anos 60, 70 e 80 falando que isso é frescura da minha geração. Que sou muito sensível, que pra mim tudo é “ismo”, machismo, racismo… recebo perguntas diárias sobre o que faço, se tenho um(a) namoradinho (a), se arranjei emprego, porque na época deles eles já eram casados e bem sucedidos. Porém acho que amo mais, aceito mais, acredito que todos deveriam ter os mesmos direitos. Sou bem mais inclusivo que as gerações anteriores.

Me junto com os amigos na mesa do bar e reclamamos juntos das nossas desgraças. Compartilhamos memes sobre como a gente só se ferra e seguimos a noite, nos sentimos invencíveis e pequenos ao mesmo tempo.

Descobri recentemente que não sou imortal, as pessoas morrem o tempo todo, até as que fazem parte de mim, os anos 90. A vida é curta, reclamo, mas gosto tanto dela, meu maior medo é o de não viver.

Um dia me falaram “o que é um ano da sua vida fazendo o que você não gosta, comparado aos 80 que você provavelmente vai ter?”, respondi que até onde sei posso morrer amanhã. Foi a única coisa que realmente aprendi dessa vida, que preciso ir atrás do que amo, dos meus sonhos, viver o hoje.

Me fizeram um investimento, viram mais em mim do do que realmente era. Mas sou uma voz, uma geração.

Somos todos anos 90 e queremos ser muito mais do que o agora.

Eu não preciso falar sobre o amor

Semana passada muitos questionaram o amor. Discutiram o texto do Gregório Duvivier.

E aí? Amor ou marketing?

Eu não sei nada sobre o amor.

Não sei se amor de verdade é ter o coração palpitando pela primeira vez ao ver a garota bonitinha na aula de jazz, ou se é estar casado com alguém por 20 anos. Não sei nem como é estar com alguém por mais de oito meses.

Sei muito, muito pouco sobre amor.

Agora sei bem como é olhar para aquela pessoa na festa e sentir uma vontade doida de beijar. Pensar “é hoje que eu pego ele”, passar a festa inteira olhando pro sujeito, ele não perceber e você não pegar.

Stalkear no facebook e instagram. Pensar se adiciona ou não adiciona. Quando adiciona: será que curto essa foto do cachorro dele de 2005 ou fico só nas fotos recentes?

– Curte as recentes só pra começar. Depois decide ser mais ousada e curtir as antigas mesmo.

Rola uma troca de likes e o coração já salta, já começa a pensar que próxima balada vai rolar sim, ta muito afinzão, ta na minha…

Vocês trocam likes e nada acontece. Um dia a paciência acaba e você resolve mandar uma mensagem. Sua melhor amiga te incentiva e fala “manda logo, morrer não vai amiga”. Você fica tão nervosa que tem que colocar o seu celular na mão dela e pedir pra ela mandar por você.

Sei do nervosismo, do medo da rejeição.

Quando você está com a pessoa, mas ao mesmo tempo não é nada sério então você não sabe se podem ou não ficar com outras pessoas. Cada festa que você encontra o sujeito é um nó no coração do medo de ver ele ficando com outra menina e de saber que talvez você nem possa reclamar disso.

Sei somente como é gostar de alguém.

Gostar a ponto de querer sair sempre com a pessoa, mas não chamar toda hora para não parecer que está grude demais.

Seus amigos se dividem em grupos: aqueles que botam fé que dessa vez vai dar certo e aqueles que acham que é só mais um cara que vai ficar ai por um ou dois meses e, ou ele vaza, ou você enjoa dele.

Você apenas espera a hora que tudo vai dar errado. Espera com o coração apertado porque no fundo você quer mesmo é que dê certo. Fica o tempo todo tentando se convencer de que não gosta, que não é nada demais, só pegação. Mas ai no meio da aula pensa nele. E na academia, na festa, no bar, no shopping…

Gostar de alguém é querer falar para a pessoa logo “Hey eu gosto de você”.

Você fica lá nervosa. Respira uma vez. Duas vezes. Abre a boca pra falar e fecha logo em seguida. Nossa não vou falar agora. Mas se bem que eu preciso. Pior é que já está tão na cara que você gosta…

É ter medo de que após falar essa frase a pessoa saia correndo para as montanhas do Himalaia.

É voltar de uma festa no carro do seu melhor amigo, escutar um sertanejo brega com ele e lembrar do crush. Olhar pro seu amigo e falar que você ta ferrada. Ta apaixonada. E ele ficar rindo da sua cara porque todo mundo já tinha percebido menos você.

O amor? Não conheço muito bem não. Ele parece é ser muito sussa…

Difícil é gostar de alguém.

Como sensualizar mais na vida

Talvez esse não seja um passo-a-passo para o sensual seduction, até porque eu jamais me consideraria especialista nisso, né zênti. Também não acredito que existe uma fórmula pra ser mais sexy e de repente quanto mais você tentar ser, menos será.

Porém, sempre tenho algumas percepções avulsas nessa vida que podem ser úteis e fazer sentido em algum momento, seja pra mim, pra você ou praquela irmã da amiga da sua vizinha. Então se eu fosse você não fecharia essa janela. Pelo menos não agora.

Esses dias eu me sujeitei a novas experiências e fui fazer uma aula de pole-dance. Se foi por vontadinha de achar minha sensualidade interior, pra pesquisar conteúdo pro blog, ou se foi apenas por mera curiosidade – HÁ, você nunca saberá. Entrei na sala, fiquei semi-pelada e observei as coleguinhas. Aparentemente, por mais esforço físico e dor que elas pareciam estar passando, existia sim uma atmosfera de sexapiu por metro quadrado alí. Ninguém pode negar.

A professora começou me passando uns exercícios mais leves que fiz com dedicação. Depois aumentou a dificuldade – junto com a minhatensão. Tentava me pendurar naquele pau – se é que posso me referir dessa forma – da maneira mais correta possível, queria fazer tudo bonitinho e não errar nenhum movimento.

Tinha um espelhão na minha frente, então resolvi dar uma olhadinha enquanto reproduzia os passos, assim de canto de olho, sem compromisso. Poderia estar ali uma nova mulher habitando o meu eu, talvez uma Demi Moore da geração Y? Vamos ver.

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Só que o que eu vi, na verdade foi um pouco diferente da foto acima e um pouco mais parecido com isso aqui:

R O B O T  – Sim, eu achei foto de um robô dançando no queijo e não me pergunte como.

O que eu vi no espelho não era nada sexy. Eu tava tensa, inexpressiva, dura & frustrada. A professora que dançava ao meu lado e as outras alunas pareciam muito mais encantadoras – em seus diversos físicos. Comecei a me questionar: o que eu tô fazendo de errado?

Confesso que a aula de pole-dance me trouxe muitos hematomas, mas também alguns insights e o primeiro foi: a sensualidade é uma arte. E assim como qualquer outra arte, além de técnica para executá-la é também de extrema importância uma dose cavalar de feeling. Se não, tudo fica mecânico e robótico mesmo.

Junto com ele, uma pitada de segurança naquilo que se está fazendo é bem-vinda, independente de certos e errados. Percebi que confiar no próprio taco e no próprio corpo é a chave pra começarmos a falar de sensualidade. Quanto mais a gente se soltava e dava impulso pra girar na barra, mais leve nosso corpo ficava e conseguíamos subir mais alto. É preciso se soltar e agir com o coração sem pensar tanto em cada passo dado. Acreditar no que você é e no que faz.

“Se joga”, “vai mesmo”, “sem medo” – foram frases que a professora usou e que funcionaram mais que terapia pra mim. Coragem, por que não? Do que a gente têm tanto medo? Por que as vezes bate tanta insegurança? A gente cai sim: eu caí, outras alunas caíram e até a professora caiu, mas foram poucas as que se incomodaram: a maioria levantou e continuou o que estava fazendo – e isso, melben, é muito sexy.

Depois dessas percepções em fração de segundos, olhei no espelho de novo. Eu ainda tentava fazer os movimentos corretamente, mas dessa vez eu estava me divertindo, confiando em mim e nos meus passos e sem me cobrar tanto pra que saíssem perfeitos. Eu não precisava de um salto 15cm, ou de um bocão vermelho, eu estava descalça, feliz e de boa. Acreditando em mim mesma e sem me levar tão a sério. Difícil? Pode ser. Mas te garanto: nunca me senti tão sensual na vida.

Este texto foi publicado originalmente no site Vamos pra Vênus, nosso parceiro de conteúdo. Isso quer dizer que você vai encontrar alguns textos do De Repente dá Certo lá e outros textos do Vamos pra Vênus aqui!

Por que o conselho “apenas faça o que você ama” pode ser tão ingrato?

grnade

É insensível e talvez até ignorante (no sentido de ignorar) afirmar que nossa geração é mimada, perdida e vive no mundo da ilusão. A verdade é que tem muita gente fazendo e criando muita coisa foda por aí. E digo mais, aqui no Brasil mesmo. Hoje, como eu já falei mil vezes em outros textos, temos a Internet, essa maravilhosa rede que nos conecta com qualquer pessoa do mundo. E hoje tudo que a gente precisa pra começar qualquer coisa é de uma rede wifi e uma ideia.

Vou dar alguns exemplos próximos de mim, de pessoas que eu conheço e abriram seus negócios não para apenas ganhar dinheiro, mas por acreditarem em uma ideia. Nem sempre esse seu negócio vai trazer dinheiro de imediato ou sucesso instantâneo, mas vai trazer motivação pra continuar criando e existindo e não sofrendo para chegar logo o fim de semana. Minha melhor amiga é urbanista e criou junto com outras amigas um coletivo chamado MOB, Movimente e Ocupe seu Bairro, e a ideia é deixar os espaços mais agradáveis para se habitar.

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O triste fim do romantismo

Foto por Roman Filippov
Foto por Roman Filippov

Não sei bem quando, como ou por que ele foi exterminado. Ex-ter-mi-na-do, palavra que por si só tem o poder da sua ação. Não poderia escolher outra, menos forte, para anunciar o iminente fim desse estado de espírito capaz de produzir as mais belas frases de amor, paixão, loucura e tristeza: o romantismo.

Exterminado do jornalismo, das escolas, das amizades e, principalmente, dos relacionamentos amorosos.

Isso mesmo, não somente dos amorosos. Passei a adolescência escrevendo e recebendo cartas das minhas amigas, com declarações de amizade e elogios. Eram muito bem decoradas, com letras em várias cores, adesivos e beijos de batom – tão afetivas! Vocês, que viveram isso, se lembram da sensação? Às vezes chorávamos de emoção.

O jornalismo literário era puro romantismo, até nas tragédias. Bons tempos de Nelson Rodrigues, que não foi meu tempo, mas eu li muito. Certa vez, ele teve que escrever sobre um incêndio. Ninguém se feriu, nada muito relevante aconteceu, seria uma nota qualquer. Porém, estamos falando de um jornalista romântico. Nelson inventou um passarinho, que havia ficado preso e teve um resgate emocionante. Depois, vários leitores escreveram ao jornal para saber mais detalhes do tal passarinho, todos comovidos pela história e apaixonados pelo seu personagem. “Danem-se os fatos.”, às vezes ele dizia e levava a sério – Obrigada!

Quanto ao romantismo nas relações amorosas, também preciso citar Nelson Rodrigues. Ele é o principal responsável pelo meu romantismo. Li suas crônicas durante toda a minha adolescência, além do livro “Não Se Pode Amar E Ser Feliz Ao Mesmo Tempo”, assinado pelo seu heterônimo, a conselheira sentimental Myrna. “Sofrer pela criatura amada – não é um mal, é quase um bem. Você conhece tristezas mais lindas, mais inspiradoras, do que as tristezas do amor?” – é uma das minhas frases preferidas do livro. Pois é, agora calculem o quanto eu sou romântica.

Sobre o romantismo na escola, na minha época o dia dos namorados era um evento. Os meninos, anônimos, deixavam presentes para as suas paqueras (hoje crushs). Eles chegavam mais cedo na sala de aula pra isso, vocês têm noção? Os dias que antecediam eram tensos, as meninas confabulavam nas aulas e no recreio sobre os possíveis admiradores secretos. Chegado o dia, o burburinho era ainda maior. O coração acelerava quando víamos um embrulho em cima da nossa mesa. Depois, todas reunidas, cada uma se gabava do seu presente e palpitava sobre os alheios. Quando me lembrei dessa tradição romântica, fui perguntar à uma amiga da época se as suas irmãs, ambas com 14 anos e que estudam em escolas diferentes, vivenciaram o mesmo. As respostas:

“Não, só se for de fato namoro.”

“Não, eu acho o dia dos namorados uma data ridícula, para a indústria lucrar com o amor. E os meninos que eu conheço pensam isso também.”

Nããããão… Nããããão moçada! Aonde vamos parar sendo assim tão racionais?!!

Com o imediatismo da Internet, acabamos trocando muitas palavras… vazias. Valorizamos mais as nossas próprias cobranças e inseguranças do que o amor que damos e recebemos – como deve ser – gratuitamente. Estamos mais preocupados com o status online do que com o relacionamento propriamente dito.

A ausência dá espaço ao imaginário. Antes da Internet, nós tínhamos tempo de romantizar mentalmente, por dias, meses e anos. Uma troca de olhar e poucas palavras, na padaria ou na locadora de filmes, eram suficientes para semear um romance imaginário de meses. Hoje, não tem locadora de filmes e tem Tinder. Não trocamos olhares, apenas pelo reflexo de nós mesmos na tela do celular, ou na selfie.

Passamos tempo de mais no feed.

Antes da Internet, tinha saudade. Hoje tem Skype, FaceTime, What’s App… Antes tinha carta, a gente escrevia e escolhia as palavras com carinho. Hoje não conseguimos nem enviar um parágrafo por mensagem, cada pequena frase é separada por um send. A saudade alimentava o nosso imaginário, nosso romantismo.

Ah, se essa juventude soubesse do prazer em escolher belas palavras e presenteá-las a quem se ama… E se não forem palavras, que sejam olhares, flores, desenhos…

“Viver é desenhar sem borracha.”, disse Millôr Fernandes. Podemos ficar desenhando cubos ou nos arriscar em traços mais belos, que nem sempre sairão firmes ou corretos. Mas o que é correto tratando-se de algo tão abstrato como a vida? Arrisquemos mais em desenhar com alma.

O que é isso senão o romantismo?

Sobre visões nada a ver e ser solteira

Esses dias li uma frase que achei bem legal e me fez pensar em algumas coisas. Ela dizia: “Você chega em casa, faz um café, senta na sua poltrona favorita e não tem ninguém…Você decide se isso é solidão ou liberdade”. Esse texto podia ser sobre perspectivas e formas de se encarar determinadas coisas, mas não é. Esse texto é sobre relacionamentos, ou melhor, a falta de relacionamentos (amorosos, no caso). Eu não sei se é errado falar isso e, sinceramente, eu não sei nem se me sinto confortável em dizer, principalmente porque geralmente quando uma pessoa fica reafirmando uma coisa demais, na verdade ela acaba falando o contrário. Mas, para fins, digamos, de consistência textual, acho que vale a pena arriscar — Eu sempre achei que ser solteira tinha lá suas grandes vantagens. E sempre achei que não ter ninguém atrelado à você te abre um leque bem legal de possibilidades. Resumindo, ser sozinha tem um quê libertador que acho necessário pra qualquer pessoa, pelo menos em algum momento da vida. Só que no meu caso não é só um momento, ou pelo menos é um momento que busco prolongar muitas vezes. Não, eu não to desiludida com a vida ou com ninguém pra tá escrevendo esse texto e não, eu não sou revoltada-contra-casais-e-relacionamentos-só-porque-não-tenho-um. E também isso não quer dizer que quero morrer solteira e não quero me relacionar com ninguém nunca mais. Calma. Vamos por partes.

Conversando com uma amiga um dia desses sobre relacionamentos — e acho que vale a pena dizer que essa minha amiga pensa que nem eu e, sim, é solteira também, nós acabamos comentando sobre um conhecido que praticamente emendava um relacionamento no outro (quem não tem um(a) conhecido(a) assim que atire a primeira pedra). Mas o que mais encucava a gente é que esse conhecido pratica o que considero o fenômeno-da-pessoa-que-namora-pelo-simples-ato-de-namorar. As pessoas que aderem a esse fenômeno não namoram porque encontraram uma pessoa bacana e têm vontade de partilhar a vida com ela, mas sim porque simplesmente: 1. “chegou a hora” ou 2.“não aguentam ser solteiros” (tem também o 3. “estamos ficando há muito tempo e acho que temos que começar a namorar”, mas esse eu prefiro não comentar. Regras de etiqueta relacionamentais nunca foram muito o meu forte). Não vou me estender muito no motivo número 1 porque eu não tenho muito o que argumentar sobre isso além de não entender como se dá essa epifania da hora exata que se deve namorar, mesmo que seja com a primeira pessoa que surgir pela frente. Será que temos um timing biológico embutido tipo o do mito da idade certa pra engravidar só que pra relacionamentos? Que meio que nos avisa qual a hora certa pra largar as baladas hétero que tocam Oração? Ou será que o valor do saldo da conta corrente é diretamente proporcional à tomada dessa decisão? Fica o questionamento.

Mas é o motivo 2 que acho que me intriga mais. É que eu nunca entendi muito bem esse negócio de não aguentar ou sustentar uma vida de solteiro(a). E eu já ouvi isso de muita gente. Eu e minha amiga chegamos à conclusão que na verdade o que exatamente não se consegue sustentar é apenas uma pequena parte que as pessoas encaram como um todo. Ir pra balada todo final de semana, pegar todo mundo, despirocar geral e acordar de ressaca todo domingo podem fazer sim parte da sua vida de solteiro, mas ela não precisa se resumir a isso. Nós não somos uma seita que só aceita gente baladeira e despirocada e que caso você queira ficar em casa de boa vai levar advertência. E eu acho que é isso que muita gente não entende. E acha que pra poder ficar em casa, ir no cinema, comer umas coisas gostosas, fazer “coisas de casal”, você, necessariamente, tem que ser, bom… um casal. Porque se você é solteiro você não pode fazer essas coisas. Você tem que ir na balada que todo mundo tá indo. Você tem que postar a música Oração no snapchat (parei). Você tem que bombar seu insta. Você tem que dar pt quase todo mês. E você, principalmente, tem que pegar uma ou várias pessoas nesse meio tempo. E, realmente, se for pra ser assim, acho que ninguém sustenta. E eu digo ninguém mesmo.

Parece que recebemos um manual de instruções sociais que restringe o que você pode ou não fazer quando solteiro ou namorando. Só que não é assim. Ser solteiro também pode ser ficar em casa sozinha(o) vendo besteira na internet, vendo um filme/série debaixo do cobertor. Ser solteiro também é ir no cinema, é comer pizza no domingo, é ficar de boa. Você não precisa namorar pra fazer essas coisas. Assim como você também não precisa ser solteiro pra ir pra balada e beber todas.

Eu tenho uma amiga que namora há muitos anos e tem um relacionamento ótimo, e ela diz pra mim que ela precisa ter um me time pra fazer as coisas dela, ver Kardashians sozinha sem ninguém julgar etc. E eu acho que ser solteiro é ter me time 24h. Seja na balada ou em casa. Seja maquiada de salto 15 ou de pijama com a meia furada. É maravilhoso ser solteiro quando você entende que não é nada além de simplesmente ser você e fazer o que você quer. É maravilhoso namorar quando você entende a mesma coisa. Os dois podem ser ótimos, desde que aconteçam naturalmente, sem planejamento nem data e hora marcada pra fazer x ou y. Sem regras implícitas que você inventou na sua cabeça e acha que é o normal. E parar de deixar isso reger sua vida, como se seu estado civil determinasse todas as decisões e experiências que você deve ter. Calma, é só um rótulo pra organizar a galera. Você quem decide se é solidão ou se é liberdade.