Pra que tanto drama?

Perceba. Olhe ao seu redor. Seja no ambiente familiar ou mesmo profissional, ser equilibrado – ou buscar pela neutralização dos polos – não é mais interessante. Ser, no mínimo, tumultuado é que está em alta. É “cool”, excêntrico, desafiador e garante uma série de “likes” nas redes sociais. E talvez você ache que a minha fala ultrapasse o politicamente correto e que eu também queira (só) chamar a sua atenção.
Como diria o escritor francês André Gide, com bons sentimentos não se faz boa literatura. Essa constatação não se aplica apenas às artes, área na qual é poético ter transtornos psíquicos ou uma certa dose de melancolia que seja, mas também se refere à nossa rotina, rotina essa que na maioria do tempo é pouco atraente, infeliz ou mesmo indiferente aos olhos dos outros.
Sem sombra de dúvidas, a complexidade da alma é altamente instigante, mas só até a página 2. Afinal de contas, seus personagens preferidos da ficção dariam péssimos vizinhos. Então, sem banalizar as questões humanas mais profundas, porque a dor é cada vez mais glamourizada nos dias atuais?
É claro que os dramas de Pedro Almodóvar são essenciais para fazer pensar além da caixinha. A depressão de Wood Allen pode parecer favorável aos seus filmes, mas, no dia a dia, não dá pra dispensar o “água com açúcar” das novelas mexicanas, caso contrário, tudo seria pesado demais. Insustentável até para os mais leves dos seres.
Por isso, o entediante, no melhor dos significados, talvez seja fugir dos extremos comportamentais. Ser um bom equilibrista na corda bamba das emoções e dos sentimentos a que estamos sujeitos, com períodos alternados de equilíbrio, inconstância, alegrias e tristezas.

Larissa Foresto

Advogada por formação. Concurseira por opção. Por meio da escrita busca dar vazão às emoções. Algumas, muito particulares, outras, comuns a todos. Sua palavra preferida é ‘des-envolver’: deixar de se envolver com sentimentos antigos e ultrapassados para se tornar a melhor versão (inédita) de si mesmo.

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