Quase isso

Foto por Susanna Majuri
Foto por Susanna Majuri

Fiquei lá… Te esperando na porta só de calcinha, como já fiz com tantos outros, como sei que ainda farei. Mas isso não muda nada, porque ali, naquela tarde, eu estava lá só por você.
Esperava enquanto fumava um cigarro, como se ele pudesse me trazer calma.
Você. Você era a única coisa que poderia me trazer calma. Mas não, você foi embora sem despedidas, saiu correndo quase despido, quase culpado por ir me deixando lá.


Quase. Esse era nosso problema… Você quase se apaixonou quando me viu prendendo o cabelo propositalmente bagunçado, e quase foi nadar pelado comigo no lago à luz da noite escura. Quase quis voltar atrás pra olhar minhas pernas mais uma vez, e me ouvir gritando sobre nós como uma louca no hall do elevador.
Mas assim como a vida, seu tempo era curto demais para mim, você me amou como se fosse máquina e como se o despertador já estivesse tocando alto.
Engraçado é que mesmo sabendo que você já ia correndo de novo, pra não voltar mais, eu me esqueci do tempo e fiquei parada. Sei lá quantas horas, ou dias.
Na verdade essa espera ao pé da porta só foi pra não me igualar a você. Mostrar pra mim que eu posso parar, fechar os olhos e escutar. E dedicar meu dia à isso; sentir.
Coisa que você não pode.
Não quer ou não quis…

Passou um tempo e fui levantando, como um despertar, andei pela casa, me espreguicei… Dessa vez não te procurei no espaço.

Natália Moreira

Sou uma alienígena disfarçada de gente, tentando voar com os pés no chão, viver em queda livre e explicar o que (não) entendo com perguntas. A contradição é p(arte) minha e mesmo sabendo que “pra viver mais, eu sei que eu devia viver menos”, quero demais até o fim – ou o começo.

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