Um dia o amor bateu na minha porta e eu não abri

Arte por Federica Bordoni

Mentira, eu abri sim. Mas confesso que fazer isso foi bem difícil e tem sido um dos maiores aprendizados até agora. Há um processo longo pela frente pra eu conseguir me olhar de frente e dizer “tudo bem, você pode ser feliz com alguém”. Eu nunca achei que isso seria possível.

É meio louco, mas indo contra a corrente, desde muito nova comecei a me blindar pro amor. Achava que eu era boa demais para passar pelos perrengues de um relacionamento Seria muito mais simples viver a vida sem me envolver demais com ninguém e, assim, estaria protegida de ser enganada ou sofrer por coisas desnecessárias.

Isso vem desde lá de cedo, da separação dos meus pais. Quando eles se separaram, minha mãe, que usava só roupas largas e escuras e passava o dia reclamando, se transformou em um mulherão independente, com roupas descoladas. Ela estava sempre com amigos, namorados e enfim, muito feliz. E essa sementinha foi plantada na minha cabeça. Uma mulher sem um homem é muito melhor, a equação fechava.

É claro que eu só fui descobrir essa influência depois de muita terapia, mas na adolescência me lembro de ver todo mundo namorando e não me identificar nem um pouco com aquele modelo. E cá pra nós, o modelo de relacionamento proposto pela nossa sociedade, de maneira geral, é machista e doentio. Com muita possessão, pouco diálogo, desrespeito e viradinha de olhos sem paciência.

Eu me envolvi com muita gente, porque era isso que eu queria, muitos casinhos, mas nada sério. Eu queria me entregar intensamente, e nossa! Como eu fazia isso… Me apaixonava desesperadamente, queria sugar todo aquele amor momentâneo porque eu sabia que ia passar. E passava. Na mesma velocidade que eu me apaixonava, eu me desapaixonava e eu amava isso. Amava me apaixonar mesmo sem ser correspondida e isso é lindo também. Valia a pena só pra sentir aquelas borboletas no estômago. Eu aprendi que todos os relacionamentos, por mais que durem um segundo, valem a pena serem vividos com vontade.

Até que um dia, um desses casinhos durou mais e quando vi que isso podia dar em algo sério, dei um jeito de acabar logo com tudo. Depois eu achei que o modelo ideal de relacionamento pra mim seria um namoro aberto. Vivi essa história também.  Deu certo durante o tempo de durou. Terminou por causa dos deslocamentos da vida e não por ser aberto. Eu queria mais.

A questão não era poder ficar com quem eu quisesse e sim saber que eu estava livre de ter que encarar um amor de verdade. Não poder me desapaixonar a qualquer momento me deixava louca. Eu achava que amar era sinônimo de fraqueza, porque  me sentia vulnerável. E como disse Sun Tzu, autor da Arte da Guerra: quem não tem nada a perder é invencível.

E era isso que eu queria ser, invencível. Planejei minha vida pra nunca amar ninguém de verdade. Igual ao filme “Da Magia à Sedução”, que a personagem cria um feitiço para si mesma para nunca se apaixonar por ninguém, só por um homem muito específico, que seria impossível de encontrar. Acontece que esse homem apareceu na vida dela e apareceu na minha também.

Ele tirou a minha base e destruiu todas as minhas certezas, mas plantou algo que eu nunca imaginei que sentiria, a felicidade compartilhada. O amor, aquele que acontece quando duas pessoas completas se somam e conquistam o mundo.

E eu comecei a viver um relacionamento incrível, até que eu reparei que eu estava realmente feliz, mais feliz do que eu era antes até. Eu sempre achei que fosse impossível. Então, comecei a me sabotar de todas as formas possíveis, tentando me convencer de que eu estava entrando em uma furada, que amor assim não existe e que, enfim, eu não poderia ser feliz assim. Como assim você tá feliz com um cara? Não, você não planejou ser feliz assim, volte duas casas.

Hoje, é óbvio pra mim que era apenas medo de descobrir que é totalmente possível ser feliz com alguém. Uma teoria de vida inteira sendo jogada no lixo. Não podia ser.

Mas amadurecer é isso, descobrir que certezas são ideias estagnadas fantasiadas de confiança. E viver sem ter certeza é que é o grande barato. É descobrir, descobrir e descobrir. Arriscar a viver uma vida a dois, ainda me dá frio na barriga, mas é o que mais me faz feliz agora. E amadurecer também é descobrir que não existe jeito certo de viver nada, a única coisa que faz sentido é ser feliz e não importa como. Essa é a única coisa que a gente tem que buscar, ser feliz sem que ninguém e nem você mesmo te diga o contrário.

Eu sempre achei que as pessoas fodas eram aquelas impenetráveis, independentes e que não se envolviam com ninguém. Mas quem é foda é quem se joga e se arrisca com medo mesmo, ainda que seja no amor. E o amor era um abismo escuro pra mim, até conseguir me jogar e descobrir que eu estava voando.

Se for pra namorar, que seja pra mergulhar um no outro

Diante da vastidão do universo e da relatividade do tempo, do big bang, da física e da química, da extinção dos dinossauros e da probabilidade da vida humana acontecer, eu aceito por completo que foi uma sorte imensa ter te encontrado. Ou, como dizem os novos entendidos sobre acaso, nós temos toda a responsabilidade quântica de termos nos encontrado. De uma maneira ou de outra, pra mim não importa. Tanta coisa podia ter dado errado pelo caminho e mesmo assim aconteceu.  A gente se encontrou, se apaixonou e pela primeira vez na vida eu entendi o que dizem nos filmes de amor.

E eu vejo tanta gente por aí querendo namorar só pra não ficar sozinho, só pra ter companhia. Mas se for só pra ter companhia, eu prefiro a minha. Se for pra namorar, que seja pra mergulhar um no outro. Se for pra namorar, eu só quero que seja que nem a gente.

Que seja pra sentir o coração acelerando quando eu ouço o barulho na chave entrando na fechadura quando você chega. Que seja pra ter vontade de te agarrar quando você passa no corredor. Que seja pra ter vontade de te levar pra qualquer lugar que eu vá, mesmo sabendo que eu preciso dos meus momentos solitários de vez em quanto. Que seja pra ter vontade de viver um no outro, entrar um no outro e virar um ser com duas mentes e um corpo. Que seja pra sentir suas conquistas e derrotas como se fossem minhas. Que seja pra acordar todo dia e sorrir só por você estar lá. Que seja pra ter essa ajuda mútua e motivação pra tudo novo que eu inventar de fazer.

Que seja pra fazer miojo quando a gente chega bêbado de madrugada. Que seja pra gente ter nossa liberdade, que é o que nos prende. Que seja pra gente sair à noite pra lugares diferentes e chegar em casa morrendo de saudade. Que seja para as nóias e os monstrinhos da minha cabeça hibernarem quando eu te ligar e ouvir que tá tudo bem. Que não seja um relacionamento com certezas ou dúvidas, mas com descobertas. Que seja exagerado mesmo. Que não precise existir a expectativa do futuro, porque a gente se basta agora e isso é o suficiente. Que a gente jure amor eterno, sabendo que ele não existe, mas achando que nós somos seres especiais e vamos viver o amor eterno, sim.

Que seja essa conexão de pensamentos e ideias. Que seja pra viver a telepatia humana. Que todas as camadas de uma conversa sejam entendidas e o outro saiba exatamente do que se trata. Que eu respire e você saiba que tem algo diferente no meu humor. Que seja pra experimentar outros níveis de consciência juntos. Que seja pra inspirar o outro e não para podar ideias. Que seja pra enlouquecer junto. Pra se divertir junto. Pra chorar junto. Pra levantar junto. Mudar junto. Que seja pra fazer tudo junto, mesmo em pensamento. Que seja pra estar sempre junto, mesmo separados, mesmo vivendo as rotinas individualmente, mesmo correndo atrás dos nossos sonhos por nós mesmos. Que seja pra eu querer ser o melhor de mim pra aflorar o melhor que tem em você.

Que nossas vidas continuem sendo vidas individuais, mas compartilhadas. Que você continue tendo seus segredos e eu os meus. Que tenha sempre alguma coisinha pra te surpreender.  Que cada um seja responsável pelas próprias escolhas, mas sabendo que vai sempre existir o impulso do outro pra toda escada que surgir e uma mola no fundo do penhasco quando o outro cair. Que seja pra diminuir o medo de arriscar. Que seja pra se jogar. Que seja pra ser feliz.

Eu não escrevo sobre amor

Eu não escrevo sobre amor. Sobre noites mal dormidas, expectativas criadas sem querer ou como é necessário um ato de coragem para poder se entregar a alguém. Também não escrevo sobre o pós-amor. O que se faz quando o fim fúnebre chega e resta aos sobreviventes passar pelo funeral daquela pessoa que morreu na sua vida, mas segue viva na de outros.

Me recuso veementemente: a fazer um texto fofo, falar de coisas melosas, discorrer sobre a dor do fim ou de como superar com auto-estima e amigos. Não vou discursar sobre bater os olhos naquela pessoa e pensar “esse (a) é o futuro pai dos meus filhos/ mãe dos meus filhos”. Muito menos sobre os pequenos atos do dia-a-dia. Credo, jamais sobre os pequenos atos do dia-a-dia.

Nem pense que gastarei meu tempo escrevendo sobre passar o dia inteiro na cama com aquela pessoa, jogar videogame, assistir Netflix juntos, cozinhar risoto com vinho na cozinha pequena, sentir e desejar que esses ínfimos momentos durem para sempre.

Jamais usarei experiências próprias em qualquer texto meu: citar o momento em que fomos ver o filme do Wolverine e, naquela cena que o herói se vinga de um caçador que, a sangue frio, matou um pobre urso, você havia dito que o Wolverine era uma espécie de Curupira canadense. Que eu ri tanto que o cinema inteiro se incomodou conosco.

Jamais colocarei isso em texto algum. Se me virem falando que se apaixonar é bom, é algo que só os fortes conseguem, que é preciso abrir o coração e se jogar, podem me internar. Não, sério! Sou totalmente anti-romântica.

Acredito no pega, mas não se apega. Na curtição infinita. Pra que apenas um quando se pode ter vários? Eu sou o símbolo do desapego, minha gente. Não tenho fossas, supero tudo muito rápido. Não choro em filmes românticos, não sinto falta de ninguém. É isso. Fim. Não escrevo sobre amor. E é só sobre amor que escrevo.

Para o meu amigo: as demandas do amor

São onze horas da noite de uma segunda-feira.

Recebo vários prints da sua conversa com ela no whatsapp. Assim como aquela música você fica nessa de “Should I stay or should I go?”.

Você me diz que está com medo de sofrer, mas percebe que o medo já é um sofrimento em si? O amor, querido amigo, demanda coragem. É ver o fim do precipício e se jogar mesmo assim. É não somente correr o risco de se magoar, mas escolher quem vai ter o poder de fazer isso contigo.

Amar é ter alguém que você possa mandar mensagem a qualquer hora. É ter, de maneira romântica, um melhor amigo. É beijar alguém e sentir arrepios, mas em um abraço se sentir seguro. É ter, em uma hora de não pensar em ninguém, alguém que você pensa toda hora.

Amar também demanda um pouco de burrice… É colocar o outro antes de você. É escolher uma única pessoa dentro das 7 bilhões que existem no mundo. É ter trabalho e discussão chata de relação. É ter que se expor, ser vulnerável. Ter que dar satisfação. É não ter nada novo porque está com a mesma pessoa e, ao mesmo tempo, ter que descobrir o novo nela todos os dias.

Não sei te dizer se você deve ir ou ficar, mas se existe um último ponto para te dizer é isso: o amor é aquilo que aquele cara, que você acha idiota, não sentiu por mim. É o que ela sente por você.

Eu não preciso falar sobre o amor

Semana passada muitos questionaram o amor. Discutiram o texto do Gregório Duvivier.

E aí? Amor ou marketing?

Eu não sei nada sobre o amor.

Não sei se amor de verdade é ter o coração palpitando pela primeira vez ao ver a garota bonitinha na aula de jazz, ou se é estar casado com alguém por 20 anos. Não sei nem como é estar com alguém por mais de oito meses.

Sei muito, muito pouco sobre amor.

Agora sei bem como é olhar para aquela pessoa na festa e sentir uma vontade doida de beijar. Pensar “é hoje que eu pego ele”, passar a festa inteira olhando pro sujeito, ele não perceber e você não pegar.

Stalkear no facebook e instagram. Pensar se adiciona ou não adiciona. Quando adiciona: será que curto essa foto do cachorro dele de 2005 ou fico só nas fotos recentes?

– Curte as recentes só pra começar. Depois decide ser mais ousada e curtir as antigas mesmo.

Rola uma troca de likes e o coração já salta, já começa a pensar que próxima balada vai rolar sim, ta muito afinzão, ta na minha…

Vocês trocam likes e nada acontece. Um dia a paciência acaba e você resolve mandar uma mensagem. Sua melhor amiga te incentiva e fala “manda logo, morrer não vai amiga”. Você fica tão nervosa que tem que colocar o seu celular na mão dela e pedir pra ela mandar por você.

Sei do nervosismo, do medo da rejeição.

Quando você está com a pessoa, mas ao mesmo tempo não é nada sério então você não sabe se podem ou não ficar com outras pessoas. Cada festa que você encontra o sujeito é um nó no coração do medo de ver ele ficando com outra menina e de saber que talvez você nem possa reclamar disso.

Sei somente como é gostar de alguém.

Gostar a ponto de querer sair sempre com a pessoa, mas não chamar toda hora para não parecer que está grude demais.

Seus amigos se dividem em grupos: aqueles que botam fé que dessa vez vai dar certo e aqueles que acham que é só mais um cara que vai ficar ai por um ou dois meses e, ou ele vaza, ou você enjoa dele.

Você apenas espera a hora que tudo vai dar errado. Espera com o coração apertado porque no fundo você quer mesmo é que dê certo. Fica o tempo todo tentando se convencer de que não gosta, que não é nada demais, só pegação. Mas ai no meio da aula pensa nele. E na academia, na festa, no bar, no shopping…

Gostar de alguém é querer falar para a pessoa logo “Hey eu gosto de você”.

Você fica lá nervosa. Respira uma vez. Duas vezes. Abre a boca pra falar e fecha logo em seguida. Nossa não vou falar agora. Mas se bem que eu preciso. Pior é que já está tão na cara que você gosta…

É ter medo de que após falar essa frase a pessoa saia correndo para as montanhas do Himalaia.

É voltar de uma festa no carro do seu melhor amigo, escutar um sertanejo brega com ele e lembrar do crush. Olhar pro seu amigo e falar que você ta ferrada. Ta apaixonada. E ele ficar rindo da sua cara porque todo mundo já tinha percebido menos você.

O amor? Não conheço muito bem não. Ele parece é ser muito sussa…

Difícil é gostar de alguém.

Temos 20 e poucos anos

Acordamos mais cedo do que queríamos. Nos abastecemos com café. Líquido sagrado dos deuses. Tão necessário que existe até café de R$15,00. O café gourmet é muito caro para o orçamento universitário. Quando finalmente conseguimos comprar um, tiramos fotos para colocar no nosso Instagram e fingir que somos hipsters. Não sabemos se ser hipster ainda está na moda.

Temos 20 e poucos anos.

Entramos na faculdade. Vamos para todos os happy hours. Competição de beer pong. O drink está caro. Vamos comprar catuaba. Bumbum granada. Tá tranquilo. Tá favorável. A idade chega. Começamos a ter ressacas homéricas. Trocamos o happy hour da faculdade, a festinha que dá pra entrar de graça até a meia-noite por um vinho com os amigos em casa ou um jantarzinho tranquilo. Temos que fazer programas mais adultos, afinal. Não aguentamos mais o jantarzinho. Balada no dia seguinte. Ressaca homérica. Nunca mais vamos beber na vida. Semana seguinte tem jantarzinho. Tem a balada pós jantarzinho também.

Temos 20 e poucos anos.

Passamos a faculdade toda na pressa. É correria no dia a dia. Faculdade. Estágio. Academia. Queremos nos parecer com a Gabriela Pugliesi. Vamos ao nutricionista. Fazemos dieta por um mês. Esse mês a gente bebe menos. Ficamos de saco cheio da dieta. A gente não vive pra estudar e além disso ser gostoso de qualquer forma. Vamos ao barzinho depois, afinal malhamos tanto que merecemos uma cervejinha. Ficamos com vergonha porque saímos da dieta. Nunca mais voltamos ao nutricionista.

Temos 20 e poucos anos.

Chega a semana de provas na faculdade. Insônia. Nervosismo. Refluxo. Gastrite. Toma café. Mais gastrite. Omeprazol. Pega prova do semestre passado. Meu Deus essa prova não faz sentido nenhum. Passamos a madrugada estudando o que deveríamos ter estudado o semestre todo. Hora de fazer uma amizade sincera com a menina que anota tudo da aula. Posso pegar seu caderno emprestado? Obrigada. Qual a resposta da questão 1? Não queremos colar na prova. Olhamos para prova. Não entendemos nada. Chuta D de Deus que dá certo.

Temos 20 e poucos anos.
Terminamos a faculdade. Graças a Deus. Colação de grau. Bora no barzinho comemorar com os amigos. Um jantar com a família. Estamos comemorando. Estamos formados. Desempregados também. Mandamos currículo para mil empresas. Precisa ter experiência para poder trabalhar, mas como criar experiência se ninguém está contratando? Nossos pais começam a ficar agoniados. “Na sua idade eu já trabalhava e tinha dois filhos”. Prosseguimos desempregados. Começamos o cursinho para passar em um concurso público.

Temos 20 e poucos anos.

Sonhamos com o amor das nossas vidas. Essa aí eu tenho certeza de que é a pessoa certa. Passou um mês. Enjoamos. Na verdade não queremos nada sério. Tem muita gente por aí. Saímos com uma galera. Pegamos geral. Carência. Enjoamos. Encontramos uma pessoa legal na balada. Essa aí eu tenho certeza de que é a pessoa certa. Passou um mês. A pessoa não é exatamente como eu pensava que o amor da minha vida ia ser sabe. É legal. Mas não tem aquela química. Tem aquela química. Mas é meio babaca. Ah vamos continuar solteiros mesmo. Vamos dar um like numa foto de 2005 do novo alvo. Será que vai entender a indireta? O like é retribuído. Coração dispara. Essa aí eu tenho certeza de que é a pessoa certa.

Temos 20 e poucos anos.

Estamos assustados. Largados no mundo. Não somos adultos. Não somos crianças. Podemos fazer algumas cagadas. Outras já estão fora de questão. As fazemos da mesma forma. O mundo é gigante. É minúsculo. É aterrorizante. O mundo é lindo. As pessoas são estranhas. As pessoas são incríveis. São os piores anos das nossas vidas. São os melhores anos da nossas vidas.

Temos 20 e poucos anos.

Ser apaixonado é diferente de ser trouxa


Era uma sexta-feira a noite. Não estávamos em Game of Thrones, mas o inverno  chegou. Havia muita frieza em todas as atitudes.

Era realmente necessário aguentar isso?

Eu estava no bar com o meu melhor amigo. Tremíamos com o frio que os nossos casacos falhavam miservalmente em bloquear. Para se distrair das rajadas de vento, meu amigo resolveu pagar uma cartomante – por brincadeira, não por crendice – para que lesse a minha mão. Ela chegou toda exótica, se apresentando como Baiana; pegou minha mão, falou coisas aleatórias e fechou seu discurso com a clássica frase: “você precisa dar valor a quem te valoriza”

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Foi por cada um desses motivos

Foi o vento. O vento do meu suspiro forte que te levou pra longe de mim, nessa história que só vi o começo e o meio, o fim está aqui agora, com esse bilhete ao lado da cama.

Foi meu suspiro forte ao final de cada frase sua, como sintoma de reprovação, que apagou cada chama nossa, na cama, na cozinha, no telefone, na vida. Foi cada levantar de sobrancelhas, cada estalar de dedos, cada abismo na cama que nos separou, de fato.

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Entre o medo e a vontade existe um mundo

Aquela tensão quase elétrica. Mãos distanciadas apenas por alguns centímetros, que parecem ter o tamanho de um abismo.

Pra que essa timidez toda?

Você está sempre ai com essa cara de que está perdido, me procurando no meio de todas as pessoas que estão a sua volta. Entre tantas pessoas iguais, você fica buscando alguém diferente. E eu?Tento aparecer no meio da multidão esperando você me notar.

Os rostos passam por mim e quando não é o seu o dia perde um pouco da graça, as cores ficam menos saturadas e o coração desacelera..

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Não guarde o amor pra depois

Não guarde o amor pra depois!

Não queira escolher o momento propício, a hora sensata.

Não racionalize e divida em pequenas porções e distribua pelos dias esse amor tão recortado, diluído como homeopatia.

Placebo não aquieta minha fome, minha ânsia.

Há um vazio mais baixo que o buraco do estômago e ele quer devorar antes de ser decifrado.

Comamos para queimar a boca, enquanto ferve, enquanto está cru e sangra e pulsa e dá pra sentir o gosto espesso de vida.

Sejamos ao mesmo tempo presa e predador um do outro até que nossas dilaceradas peles caiam felizes num sono profundo, sono de fadiga, não de tédio.

Não deixe o amor pra depois!

Que quanto mais se requenta, mais outra gororoba vira e é melhor ter um jantar de rico do que muitos de pobre. Mais vale uma noite profunda do que quinhentas rasas. Nos deleitemos hoje, amanhã cultivamos memórias que podem se tornar sementes de outros amores amplos. E, de toda forma, eu prefiro morrer de fome amanhã e viver de vida hoje.

Não guarde o amor pra depois.

Te digo, ele passa da data de validade!

Pode ser que expire, que azede, que seja roubado por outros olhos famintos.

Não guarde por medo ou por cuidado.

Amor assim é para ser deleitado até o lamber dos dedos.