Morar sozinha é curtir a própria companhia

 

By Pascal Campion
By Pascal Campion

Em tempos de solidão, transformo meu tempo em espaço e caminho pela casa de calcinha sem me importar com o que os vizinhos vão achar.

Morar sozinha é transformar vinho em amigo, é fazer da internet minha janela pro mundo e poder fechá-la quando bem entender pra abrir outra janela e olhar pro céu. É imaginar planetas distantes e amores incompletos. Imaginar ser qualquer coisa e dormir enrolada no cobertor quentinho com a certeza de tudo é possível.

Morar sozinha é ler um livro inteiro de tarde sem ser interrompida, fazer quantas maratonas de série quiser. É poder descer e comprar um pote de sorvete, é poder fazer sua comida saudável e guardar em potinhos pro resto da semana.

É poder dançar no quarto sem medo de alguém entrar, é poder se perder na própria bagunça e ter o prazer de arrumar tudo depois. É poder deixar tudo impecável, nos mínimos detalhes. É poder fazer jantares, festas e pequenas reuniões de amigos. É poder chegar sozinha e acompanhada com a mesma emoção.

É poder fazer a decoração que quiser, passar a tarde de sábado pintando um pallet que você pegou na feira e vendo utilidade naquele spray dourado que ficou guardado no armário.

É perceber que plantas são a melhor forma de decorar a casa, mas depois entender o sentido que elas fazem por todos os dias crescerem um pouquinho.

Morar sozinha é pagar 300 reais pelo conserto de alguma coisa idiota e depois pensar que deveria aprender a fazer isso sozinha.

Morar sozinha pode ser bom e ruim, como tudo na vida. Dependendo do dia, bate aquela sensação de querer chegar em casa e desandar a falar com outra pessoa.. Falar sobre qualquer coisa,porque é bom saber que tem alguém te ouvindo.

Mas em compensação, em outros dias você só quer chegar em casa e não falar nada. Só quer deitar com o pé pra cima do sofá e ouvir seus próprios pensamentos.

Morar sozinha é poder ficar envolvida com alguma atividade até de madrugada e ficar tão empolgada com que está fazendo que esquece quanto tempo já passou. Ao mesmo tempo é fazer um esforcinho pra levantar cedo e fazer um super café da manhã pra si mesma, porque sim.

Morar sozinha é conseguir ouvir o corpo, é saber acalmar a mente com a própria mente, é saber cuidar de si mesma. É se mimar de vez em quando, se trazer flores, deixar a luz entrar e mudar a vibe da casa com música.

É sentir-se livre por ser quem é, é saber que você nunca estará sozinha enquanto tiver a própria companhia.

Eu não tenho opinião sobre isso

Arte por Aykut Aydoğdu
Arte por Aykut Aydoğdu

Nesses últimos tempos eu me deparei com uma situação muito louca: o fato de eu ter medo de dizer que não tenho opinião sobre determinado assunto. Sempre que eu falo isso, começam a vociferar um bando de frases prontas do tipo “você tem que prestar atenção nisso”, “você tem que se informar mais”, “nossa, mas como você consegue passar os dias sem se questionar sobre isso?”.

Como se todas as pessoas do mundo precisassem saber o que está acontecendo o tempo inteiro e mais, ter uma opinião sobre tudo isso. Eu sou uma das maiores defensoras da Era Digital, quem me lê sabe disso, e eu acho realmente incrível o fato da gente poder estar a um clique de distancia de qualquer informação.

Beleza, mas de onde veio essa ideia de que a gente precisa estar inteirado sobre tudo o tempo todo? E pior, levantando um bandeira por tudo.

Eu já mudei tanto de opinião sobre tantos assuntos que cheguei a duvidar de mim. Será que eu sou tão vulnerável assim? Como se estar aberta para entender os outros lados fosse sinal de fraqueza.

Quanto mais eu vejo as pessoas cheias de certezas, mais eu chego à conclusão de que ninguém sabe de nada, porque não existe certo e errado. No fundo, tudo é uma construção nossa, tudo é uma opinião, um ponto de vista.

São tantas camadas de informações que, até chegarem na gente, já estão todas distorcidas. Quem nunca leu uma história no jornal, mas conheceu um amigo de um amigo que estava lá e disse que foi completamente diferente? Talvez tudo seja realmente relativo e a gente está brigando e julgando o outro simplesmente por estar enxergando as formas de outro angulo.

A única certeza que eu tenho, apesar de tentar desconstruir todas as certezas que eu criei, é que a gente não deve ultrapassar o limite de liberdade do outro. Então, se eu cumprir com esse papel que eu acho justo, ninguém pode me julgar por eu não ter uma opinião ou por não levantar a bandeira de algo que eu não tenho certeza.

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Às vezes eu me sinto incompreendida nesse mundo flaXflu entre esquerda e direita. Me criticam por eu ter ideias sociais de esquerda, feminista, puta, socialista. Me criticam por eu defender algumas ideias de direita, capitalista, fria, não pensa nos outros. Você tem que tomar uma posição para votar nas pessoas que vão governar o seu país, você é responsável por essa merda toda que você reclama.

Eu sei, eu sei que é importante. Mas até que ponto esse discurso não é mais da certeza mesquinha de alguém? Até que ponto isso é mais importante do que construir algo que eu realmente acredite, que faça realmente diferença na vida das pessoas, mesmo que em uma escala menor?

Por isso eu parei de ouvir o que eu tenho que fazer, sobre o que que eu tenho que saber, sobre onde eu preciso me informar. A gente lida com tanta informação que acaba virando um bando de informação superficial. Tem gente que consegue, tem tempo e adora se envolver com mil assuntos. Tudo bem. Eu só não acho justo que eu tenha que fazer isso também. Esse negócio de multitarefa não é pra mim. Eu adoro fazer nada, gente. E às vezes eu me julgo por gostar de fazer isso. Olha só que doentio.

E fora o trabalho de 8 horas por dia e minhas 8 horas de sono, sobram 8 horas para eu aprender alguma coisa nova, estudar sobre meu trabalho, ler um livro, conversar com meus amigos que moram longe, me divertir, cuidar do blog, ir pra academia, fazer nada…

Uma decisão sábia é filtrar quais informações você quer que cheguem até você e escolher qual delas você vai se aprofundar, sem tentar participar de tudo de forma superficial, sem ter certeza. E claro, sem julgar o outro por ele não querer se aprofundar nas mesmas coisas que você, só porque você tem certeza que é importante.

Eu tenho feito isso há um tempo e minha ansiedade tem me dado uma trégua. Aceitar não ter uma opinião e não sentir necessidade de estar a par de tudo te dá mais tempo de se aprofundar e pensar em coisas que você realmente quer. É mais produtivo e menos estressante viver assim,  pode apostar.

CONSELHO PARA TODAS AS MINHAS AMIGAS SOLTEIRAS: VIVAM.

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Toda mulher solteira já teve medo de ser solteira. Essa frase é muito esquisita, mas acredito que seja uma verdade para muitas mulheres. Eu mesma confesso que já passei por isso, mas hoje já enxergo a grande besteira que é sentir medo de ser solteira.

Se tentarmos entender a origem disso tudo, começaremos a filosofar sobre os inúmeros padrões que a sociedade estabelece e como isso afeta principalmente as mulheres, que desde pequenas se veem na obrigação de seguir o famoso “felizes para sempre” da Disney.

Bom, mas esse texto não é para indagar os padrões e nem tentar entender por que a sociedade é tão sacana com a mulher em alguns aspectos. Esse texto é para realmente tentar libertar essas mulheres solteiras que se sentem tão pressionadas.

Meu grande e precioso conselho para as minhas amigas solteiras é apenas um: vivam. Existem tantas coisas maravilhosas para se fazer quando se é solteira. Por favor, joguem essa carência pro lado, sacudam a poeira da necessidade constante de ter alguém com quem conversar no Whatsapp, e venham viver a vida com tudo o que ela tem de bom para oferecer.

Nem de longe esse é um texto para incentivar o desapego. Até porque seria um pouco esquisito alguém como eu desacreditar no amor. Não. Eu acredito muito na importância do amor pelo outro. Mas eu também acredito MUITO no amor próprio. É ele que nos move o tempo todo, que nos faz descobrir coisas novas, superar obstáculos, e enxergar o mundo de várias formas diferentes ao mesmo tempo.

Estar com alguém é realmente muito bom, não nego. Porém, estar sozinha também é extraordinário. E confesso que morro de aflição de ver esse monte de mulheres que simplesmente não conseguem passar um fim de semana sozinhas, que não ficam um dia sem trocar mensagens completamente banais com algum cara, que não têm nenhum medo na vida que vá além do pavor de ficar para a titia.

Garotas, acordem! Primeiro de tudo: o amor chega para os distraídos. Já repararam como as maiores paixões de nossas vidas batem na nossa porta quando não estamos esperando por elas? Pois é… Segundo: há milhares de coisas incríveis para fazer quando se é solteira. E calma lá que eu nem estou me referindo a sair pegando todos os caras que existem. Estou querendo dizer exatamente o contrário.

Estar solteira é poder fazer absolutamente o que quiser no fim de semana. Pegar o carro e descer pra praia sem dar satisfações, sair com as amigas para dançar e voltar de madrugada, ou simplesmente ficar em casa enfiada embaixo das cobertas vendo seu filme preferido pela milésima vez. É claro que também podemos fazer tudo isso quando estamos namorando, mas o gostinho sempre muda dependendo do nosso estado civil.

Porém, eu ainda acho que estar solteira é mais do que isso. Para mim, a maior vantagem de estar solteira é a autodescoberta que isso promove. É claro que ao nos relacionarmos com alguém também fazemos uma grande viagem dentro de nós mesmos, mas é quando estamos apenas em nossa própria companhia que desvendamos nossos maiores medos, inseguranças, e também descobrimos muitos dos nossos sonhos.

E não poderia ser diferente… Afinal, é na solidão que temos nossos momentos de maiores reflexões. Então, é claro que meu conselho não poderia ser diferente. Mulheres solteiras de todos os cantos, parem de se lamentar por não terem ninguém com quem dividir a xícara de café. Apenas vivam. Até porque se vocês querem tanto um “felizes para sempre” com alguém, é mais do que primordial terem um momento sozinhas antes disso. Só assim terão certeza de que estão plenas com si mesmas e prontas para dividirem uma vida quando encontrarem a pessoa certa.

Texto publicado originalmente no blog Para Preencher, nosso parceiro de conteúdo. Isso quer dizer que você vai encontrar textos do De Repente dá Certo por lá e textos do Para Preencher por aqui :)

Sobre visões nada a ver e ser solteira

Esses dias li uma frase que achei bem legal e me fez pensar em algumas coisas. Ela dizia: “Você chega em casa, faz um café, senta na sua poltrona favorita e não tem ninguém…Você decide se isso é solidão ou liberdade”. Esse texto podia ser sobre perspectivas e formas de se encarar determinadas coisas, mas não é. Esse texto é sobre relacionamentos, ou melhor, a falta de relacionamentos (amorosos, no caso). Eu não sei se é errado falar isso e, sinceramente, eu não sei nem se me sinto confortável em dizer, principalmente porque geralmente quando uma pessoa fica reafirmando uma coisa demais, na verdade ela acaba falando o contrário. Mas, para fins, digamos, de consistência textual, acho que vale a pena arriscar — Eu sempre achei que ser solteira tinha lá suas grandes vantagens. E sempre achei que não ter ninguém atrelado à você te abre um leque bem legal de possibilidades. Resumindo, ser sozinha tem um quê libertador que acho necessário pra qualquer pessoa, pelo menos em algum momento da vida. Só que no meu caso não é só um momento, ou pelo menos é um momento que busco prolongar muitas vezes. Não, eu não to desiludida com a vida ou com ninguém pra tá escrevendo esse texto e não, eu não sou revoltada-contra-casais-e-relacionamentos-só-porque-não-tenho-um. E também isso não quer dizer que quero morrer solteira e não quero me relacionar com ninguém nunca mais. Calma. Vamos por partes.

Conversando com uma amiga um dia desses sobre relacionamentos — e acho que vale a pena dizer que essa minha amiga pensa que nem eu e, sim, é solteira também, nós acabamos comentando sobre um conhecido que praticamente emendava um relacionamento no outro (quem não tem um(a) conhecido(a) assim que atire a primeira pedra). Mas o que mais encucava a gente é que esse conhecido pratica o que considero o fenômeno-da-pessoa-que-namora-pelo-simples-ato-de-namorar. As pessoas que aderem a esse fenômeno não namoram porque encontraram uma pessoa bacana e têm vontade de partilhar a vida com ela, mas sim porque simplesmente: 1. “chegou a hora” ou 2.“não aguentam ser solteiros” (tem também o 3. “estamos ficando há muito tempo e acho que temos que começar a namorar”, mas esse eu prefiro não comentar. Regras de etiqueta relacionamentais nunca foram muito o meu forte). Não vou me estender muito no motivo número 1 porque eu não tenho muito o que argumentar sobre isso além de não entender como se dá essa epifania da hora exata que se deve namorar, mesmo que seja com a primeira pessoa que surgir pela frente. Será que temos um timing biológico embutido tipo o do mito da idade certa pra engravidar só que pra relacionamentos? Que meio que nos avisa qual a hora certa pra largar as baladas hétero que tocam Oração? Ou será que o valor do saldo da conta corrente é diretamente proporcional à tomada dessa decisão? Fica o questionamento.

Mas é o motivo 2 que acho que me intriga mais. É que eu nunca entendi muito bem esse negócio de não aguentar ou sustentar uma vida de solteiro(a). E eu já ouvi isso de muita gente. Eu e minha amiga chegamos à conclusão que na verdade o que exatamente não se consegue sustentar é apenas uma pequena parte que as pessoas encaram como um todo. Ir pra balada todo final de semana, pegar todo mundo, despirocar geral e acordar de ressaca todo domingo podem fazer sim parte da sua vida de solteiro, mas ela não precisa se resumir a isso. Nós não somos uma seita que só aceita gente baladeira e despirocada e que caso você queira ficar em casa de boa vai levar advertência. E eu acho que é isso que muita gente não entende. E acha que pra poder ficar em casa, ir no cinema, comer umas coisas gostosas, fazer “coisas de casal”, você, necessariamente, tem que ser, bom… um casal. Porque se você é solteiro você não pode fazer essas coisas. Você tem que ir na balada que todo mundo tá indo. Você tem que postar a música Oração no snapchat (parei). Você tem que bombar seu insta. Você tem que dar pt quase todo mês. E você, principalmente, tem que pegar uma ou várias pessoas nesse meio tempo. E, realmente, se for pra ser assim, acho que ninguém sustenta. E eu digo ninguém mesmo.

Parece que recebemos um manual de instruções sociais que restringe o que você pode ou não fazer quando solteiro ou namorando. Só que não é assim. Ser solteiro também pode ser ficar em casa sozinha(o) vendo besteira na internet, vendo um filme/série debaixo do cobertor. Ser solteiro também é ir no cinema, é comer pizza no domingo, é ficar de boa. Você não precisa namorar pra fazer essas coisas. Assim como você também não precisa ser solteiro pra ir pra balada e beber todas.

Eu tenho uma amiga que namora há muitos anos e tem um relacionamento ótimo, e ela diz pra mim que ela precisa ter um me time pra fazer as coisas dela, ver Kardashians sozinha sem ninguém julgar etc. E eu acho que ser solteiro é ter me time 24h. Seja na balada ou em casa. Seja maquiada de salto 15 ou de pijama com a meia furada. É maravilhoso ser solteiro quando você entende que não é nada além de simplesmente ser você e fazer o que você quer. É maravilhoso namorar quando você entende a mesma coisa. Os dois podem ser ótimos, desde que aconteçam naturalmente, sem planejamento nem data e hora marcada pra fazer x ou y. Sem regras implícitas que você inventou na sua cabeça e acha que é o normal. E parar de deixar isso reger sua vida, como se seu estado civil determinasse todas as decisões e experiências que você deve ter. Calma, é só um rótulo pra organizar a galera. Você quem decide se é solidão ou se é liberdade.

10 coisas que você aprende quando vai morar fora

1) O mundo é muito maior do que se imagina.

Claro que geograficamente falando você sabe que o mundo é enorme. Mas uma coisa é olhar o mapa mundi na aula de geografia, outra completamente diferente é ir andar pelo mundo, se aventurar por lugares novos, conhecer culturas diversas e expandir seu mundo interior cada vez mais. Quando se está acostumada a caminhar sempre pelos mesmos lugares, você já sabe o que esperar pelas ruas em que anda. Na primeira vez que fui pra Roma cheguei de noite e exausta, então eu e minhas amigas decidimos apenas andar pelas ruaszinhas perto do hotel procurando por um lugar barato para comer. As ruas eram simples, então eu não estava esperando virar uma esquina e dar de cara com o Pantheon e toda sua magnitude, me deixando completamente deslumbrada. O novo, inesperado e incrível te surpreendem e te mostram que existem muitas coisas boas escondidas pelo mundo.

2) Você vai conhecer muitas pessoas diferentes por aí.

Conhecendo lugares diferentes você inevitavelmente acaba conhecendo as pessoas que vivem nesses lugares. Dependendo para onde você for a língua pode ser um primeiro empecilho, mas você logo descobre que as pessoas reagem a um sorriso e bom humor. Além disso, existe brasileiro em qualquer lugar do mundo então você também acaba conhecendo amigo de amigo que conhece alguém, e quando você menos esperar seu grupo de amigos aumentou muito. Isso também proporciona potenciais colegas de apartamentos, como aconteceu comigo, e novos amigos que às vezes moram em outras cidades que você pode ir visitar e economizar na hospedagem. Minhas amigas do intercâmbio estão presentes na minha vida até os dias de hoje, então nunca se sabe onde você vai conhecer pessoas para a vida toda.

3) Morar sozinha/com amigas é muito bom, mas também dá bastante trabalho.

Sair de casa, mesmo que temporariamente, tem um lado bom e um ruim. Bom porque você passa a ser dona do seu próprio nariz, tem mais liberdade para fazer suas próprias escolhas como onde morar, como decorar seu quarto, o que cozinhar, deixar o quarto bagunçado ou não… Mas também é ruim porque você tem muito mais responsabilidades do que antes, como precisar ir ao mercado comprar comida, ter contas para pagar, lavar suas próprias roupas e, pior ainda, seus próprios lençóis. Eu mesma admito que talvez tenha trocado meu lençol menos vezes do que minha mãe teria trocado, e não tenho vergonha de admitir que não usei o ferro para passar minhas roupas nenhuma vez antes de usá-las. Era simplesmente mais trabalho do que eu queria, e a melhor parte era que eu não me importava nem um pouco com isso. Então, na minha opinião, por mais trabalhoso que seja morar sozinho, é algo que vale muito à pena.

4) A vida pode ser muito mais fácil.

Dependendo de onde for morar, você descobre o que é viver em um país onde as coisas funcionam. Onde os ônibus são pontuais e têm horários específicos para passar, o metrô funciona perfeitamente, é seguro andar pela rua com seu celular na mão, você pode deixar seu carro destrancado, não existe tanta burocracia difícil e sem sentido, e etc. A sensação de segurança ao andar de madrugada pela rua é algo que eu sinto falta até hoje depois de voltar para o Rio. Claro que existe perigo e assalto em qualquer parte do mundo, mas não existe a constante sensação de insegurança. Você se estressa com bem menos detalhes, sua vida muitas vezes é mais tranquila e segura, e quando você voltar para o Brasil vai ter muita saudade dessas pequenas coisas que fazem tanta diferença.

5) Viver com uma perspectiva diferente.

Quando nos acostumamos com uma maneira específica para as coisas serem, acabamos esquecendo que outras culturas têm costumes diferentes. Então quando você se imersa em uma cultura nova passa a enxergar tudo de uma perspectiva diferente. Desde coisas simples, como comidas diferentes, até hábitos novos, como, por exemplo, em algumas cidades na Espanha eles tem o costume de fazer ciesta, um horário de descanso pós-almoço. Eu, que sempre fiz tudo de tarde, levei algum tempo para me acostumar a fazer minhas coisas ou de manhã ou de noite, mas com o tempo passei a apreciar bastante o cochilo pós-almoço. Lá também passei por maus bocados com a polícia porque eu e minhas amigas estávamos a caminho de uma festa bebendo cerveja na rua, algo que é proibido por lá e não sabíamos. Por sorte quando os policiais descobriram que não éramos de lá foram legais e nos deixaram ir embora apenas com um aviso. Então também aprendi a importância de pesquisar um pouco sobre os costumes e, principalmente, as leis do lugar que você está indo antes de chegar lá.

6) Arriscar.

Quando se está em um lugar novo parece mais fácil arriscar. Você sente uma sensação de liberdade das expectativas alheias, como um ‘ninguém aqui me conhece, e daqui a pouco vou embora mesmo’. Isso se aplica desde puxar conversa com um desconhecido em uma festa, até comprar espontaneamente uma passagem de avião para um lugar desconhecido e exótico. Você fica com essa vontade/necessidade de aproveitar cada momento porque sabe que um dia o intercâmbio vai acabar e você vai voltar para casa, então acaba arriscando mais e, como consequência, vivendo, aprendendo e aproveitando muito mais. Algumas das minhas histórias e lembranças favoritas são de momentos em que eu pensei um ‘foda-se’ e arrisquei, como decidir ir em cima da hora para uma festa que acabou sendo incrível, até perder algumas aulas na faculdade porque eu preferi ir com minhas amigas para Londres no Natal.
7) Você vai sentir medo, mas vai superá-lo.

Ter medo é inevitável quando se está vivendo uma experiência desconhecida. Medo de não encontrar um lugar bom para morar, de andar sozinha de madrugada pela rua porque ainda não sabe se é seguro, de ir visitar um lugar novo, de viajar para algum destino exótico, etc. Medo é uma maneira de nos mantermos seguros, nos impedindo de fazer coisas que podem representar perigo. Se você sentir medo é preciso parar, respirar, analisar a situação, pedir ajuda se necessário e às vezes experimentar mesmo com medo, porque muitas vezes o perigo está apenas na nossa mente. Uma vez fiz uma viagem sozinha em que absolutamente tudo que podia dar errado, deu. Me lembro de, em um certo momento, estar à beira das lágrimas sem saber o que fazer para resolver os problemas e pensei que se tivesse ficado em casa tudo estaria bem. No fim das contas decidi não me preocupar tanto, arrisquei mesmo com medo e acabei tendo uma viagem maravilhosa.

8) Viajar é uma das melhores coisas do mundo, mas requer um certo esforço.

Eu não tenho dúvidas que viajar é incrível, mas também aprendi que muitas vezes dá muito trabalho. Principalmente se você está em um lugar onde consegue voos baratos para cidades incríveis, então acaba aproveitando e viajando bastante. Dá trabalho desde arrumar uma mala pequena porque não quer pagar super caro pelos quilos extras, até sentar em uma poltrona pequena e muito desconfortável, pegar voos em horários desumanos porque são muito mais baratos, caminhar muito pelas cidades, comer porcarias para economizar e gastar no bar à noite, ficar em albergues que não são exatamente como eram nas fotos do site… Viajar cansa, e não tem nada como dormir na sua própria cama, mas eu acredito que as vantagens com certeza superam o trabalho e o torcicolo, e as experiências que você vive se tornam ou aprendizado ou histórias engraçadas para se contar na volta.

9) Liberdade vem de dentro.

Liberdade é um sentimento, uma sensação incrível que você sente de leveza e independência. Muitas vezes ser livre fisicamente, como ir para um lugar novo, te ajuda a perceber que você precisa se sentir dessa maneira para verdadeiramente ser. Livre de preocupações, medos ou anseios, poder viver no presente aproveitando as coisas boas e superando as ruins, fazendo suas próprias escolhas e lidando com as consequências. É mais fácil sentir isso tudo quando se está em um lugar novo e diferente porque parece que as pessoas não têm as mesmas expectativas de você, e muitas vezes nem você de si mesmo. Essa sensação é viciante e, principalmente, interna. Então depois que se aprende a viver assim, é possível mantê-la mesmo quando você volta para casa.

10) Sua vida nunca mais será a mesma.

Depois de viver tanta coisa diferente, aprender tanta coisa nova, conhecer muitas pessoas e lugares incríveis, você com certeza não será mais aquela pessoa que chegou ali no primeiro dia. Seu mundo, sua mente, suas ideias estarão expandidas. Você muda e ao voltar para casa muitas vezes não se encaixa mais no mesmo lugar de antes, e isso não é necessariamente uma coisa ruim. Crescer, amadurecer e evoluir é inevitável e, principalmente, necessário. Viajar é apenas uma maneira mais intensa, rápida e maravilhosa disso acontecer.

A breve história da fossa

Vou receber a notícia como um baque, uma dor no coração. Vou me sentir idiota, achando que idealizei demais, que fui trouxa de novo. Vou recusar a me sentir mal por você não me querer mais, afinal não tenho direito de gostar de alguém com quem fiquei tão pouco tempo…que burra. Vou tentar negar o sentimento de todo o jeito.

Vou perceber que não consigo parar de pensar em você. Vou a uma festa e beber pra te esquecer. Vou te encontrar na festa e ficar pior ainda. Vou beber demais e acabar ficando triste. Vou beijar alguma outra pessoa pra tentar te substituir. Vou ficar chateada porque eu queria estar beijando você e não ele e vou voltar pra casa.Vou te ligar de madrugada te pedindo pra me ver e você vai recusar. Vou dormir sozinha me sentindo de novo a pessoa mais trouxa do mundo.

Vou acordar arrependida de tudo que fiz, mistura de ressaca física e moral. Vou me trancar em casa durante uma semana, só assistir netflix e comer chocolate durante esse tempo. Vou parar de te seguir nas redes sociais porque não consigo ver sua foto e não sentir meu coração se contorcendo por dentro. Vou decidir que preciso me afastar do mundo e concentrar em mim mesma.

Vou focar no que eu gosto e no meu trabalho. Vou me dedicar às minhas obrigações pra não pensar em você. Vou malhar feito doida pra me sentir bem comigo mesma. Vou começar a fazer novas amizades.

Vou prometer a mim mesma que não vou beijar mais ninguém até te superar. Vou voltar a ir em festas. Vou poder voltar a beber sem dar problema, sem ficar mal. Vou dançar até o sol raiar, me divertindo como nunca e vou começar a conseguir passar noites sem pensar em você.

Vou começar a ser bem sucedida. Vou perceber que esse tempo que tirei pra mim mesma está dando retorno, vou alcançar meus objetivos.Vou ir atrás das minhas paixões. Vou me sentir mais feliz, mais amada. Vou ser mais presente no momento, vou parar de pensar no que eu fiz de errado, vou focar nas novas pessoas que conheço.

Vou te encontrar em outra festa. Vou ver você beijando outra garota. Vou pensar que nessa hora meu coração vai parar e vai doer muito. Vou realizar que na verdade não doeu nada. Vou me tocar que agora consigo te ver e não ficar mal, consigo estar sem você e me sentir bem mesmo assim. Vou atrás das minhas amigas e vou me divertir até não poder mais. Vou perceber que não preciso de você pra ser feliz porque eu estava sendo esse tempo todo de qualquer forma.

Vou te ver na festa andando por ai. Vou te cumprimentar quando você vier falar comigo. Vou conversar com você, vou ser simpática. Vou te desejar tudo de melhor, porque eu desejo mesmo. Vou te dizer que adorei o tempo que fiquei contigo, porque eu adorei mesmo. Vou te abraçar e te dar tchau e você vai tentar me beijar. Vou me afastar de você porque não te olho mais daquele jeito. Vou perceber que eu parei de gostar de você.

Vou embora da festa. Vou dirigir até a minha casa, escutando música alta e cantando sem parar. Vou estar feliz. Vou estar superada.

Vou chegar em casa. Vou abrir meu computador às 3h30 da manhã e vou escrever esse texto sobre você.

Sobre aquele mundo ao meu lado

Mais uma vez atrasada, corri pelo saguão do aeroporto buscando a porta 36 de embarque, cruzando 2 minutos antes de fechar. No corredor, a caminho da aeronave, avisto uma mulher que me tranquiliza pela calma e serenidade em que caminha, mostrando que não sou a única. Por coincidência a poltrona dela era ao lado da minha, na janela. Não trocamos nenhuma palavra, sentamos e logo ela virou o olhar fixamente para a janela, e dali não saiu mais. O voo durou um pouco mais de 5 horas, e foi a única coisa que ela fez. Passaram-se por nos pessoas de todos os cantos, falando diversos idiomas, e enquanto eu observava buscando entender o que se passava com cada um deles, ela continuava lá, intacta. Pensei em cutucá-la e dizer que foi sem querer, tentar puxar uma conversa, mas algo me dizia que aquele momento, apesar de parecer agoniante, era o tempo que ela precisava ter, era algo que ela precisava passar, um turbilhão de vida se passava ali, naquela reflexão, de dores, amores, desilusões talvez. Pensei se ela podia ter deixado seu coração para trás no momento em que embarcou, ou se ela estava indo de encontro a ele.

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L’equipée: 5 mulheres que viajam o mundo de moto

Assim que eu bati o olho nas fotos das meninas do L’ equipée, pensei “ah, é tudo uma super produção”. Eram mulheres francesas, lindas e produzidas para tirar fotos divertidas com motos. Ninguém anda de moto com bota de cowboy e roupas tão incríveis. Mas eu estava enganada e descobri isso só depois de encontrar com as meninas pessoalmente. Nossa entrevista foi em uma casa incrível na Gávea, onde a paisagem cheia de morros me deixou de queixo caído (é, eu ainda me surpreendo com as vistas que o Rio pode nos oferecer). Era a casa de um gringo francês que se apaixonou pelo Rio de Janeiro e agora usa a casa para hospedar pessoas do mundo todo e fazer festas.

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Todos os dias amor da vida

Foto por Bruno Brin

Há dois anos eu morria de medo de ter qualquer certeza. Tudo que era definitivo me apavorava, inclusive o amor. Eu sempre quis ser livre, mas você me ensinou que dá pra ser totalmente livre mesmo se sentido parte do outro. Eu percebi que não tem problema nenhum ser parte do outro. E hoje eu sei, de um jeito muito louco, que você se infiltrou em todos os meus espaços que ninguém soube acessar. Que você racionalizou aquilo que já era logico demais e me transbordou porque era mais do que eu esperava. Todos os dias você é mais do que eu esperava. E agora suas conquistas são minhas também e minhas manhãs são suas. E a estrada de repente ficou fácil. Eu que sempre odiei a palavra namoro, por ela ser a representação fútil daquilo que eu chamo de relacionamento, agora entendo melhor do que nunca que ela não é nada perto do que a gente sempre foi. Desde o primeiro dia, a gente soube que o infinito nascia dali. O dia que eu te salvei de cair no céu, foi o mesmo dia que você me salvou de cair em mim e me espatifar em pedacinhos por causa na minha certeza idiota de que amar é difícil. E eu tava muito confortável comigo. Eu me sentia confusa até você chegar e me mostrar aos poucos que se apaixonar não precisa mesmo ter sentido nenhum, por mais que eu tente dar sentido a isso todos os dias pra fixar meus pés no chão. Dá pra inventar uma vida inteira junto com você e eu quero realizar o sonho de viver pra sempre na certeza de que somos imortais. Eu achava que me bastava, mas você é o universo que faltava em mim.