CONSELHO PARA TODAS AS MINHAS AMIGAS SOLTEIRAS: VIVAM.

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Toda mulher solteira já teve medo de ser solteira. Essa frase é muito esquisita, mas acredito que seja uma verdade para muitas mulheres. Eu mesma confesso que já passei por isso, mas hoje já enxergo a grande besteira que é sentir medo de ser solteira.

Se tentarmos entender a origem disso tudo, começaremos a filosofar sobre os inúmeros padrões que a sociedade estabelece e como isso afeta principalmente as mulheres, que desde pequenas se veem na obrigação de seguir o famoso “felizes para sempre” da Disney.

Bom, mas esse texto não é para indagar os padrões e nem tentar entender por que a sociedade é tão sacana com a mulher em alguns aspectos. Esse texto é para realmente tentar libertar essas mulheres solteiras que se sentem tão pressionadas.

Meu grande e precioso conselho para as minhas amigas solteiras é apenas um: vivam. Existem tantas coisas maravilhosas para se fazer quando se é solteira. Por favor, joguem essa carência pro lado, sacudam a poeira da necessidade constante de ter alguém com quem conversar no Whatsapp, e venham viver a vida com tudo o que ela tem de bom para oferecer.

Nem de longe esse é um texto para incentivar o desapego. Até porque seria um pouco esquisito alguém como eu desacreditar no amor. Não. Eu acredito muito na importância do amor pelo outro. Mas eu também acredito MUITO no amor próprio. É ele que nos move o tempo todo, que nos faz descobrir coisas novas, superar obstáculos, e enxergar o mundo de várias formas diferentes ao mesmo tempo.

Estar com alguém é realmente muito bom, não nego. Porém, estar sozinha também é extraordinário. E confesso que morro de aflição de ver esse monte de mulheres que simplesmente não conseguem passar um fim de semana sozinhas, que não ficam um dia sem trocar mensagens completamente banais com algum cara, que não têm nenhum medo na vida que vá além do pavor de ficar para a titia.

Garotas, acordem! Primeiro de tudo: o amor chega para os distraídos. Já repararam como as maiores paixões de nossas vidas batem na nossa porta quando não estamos esperando por elas? Pois é… Segundo: há milhares de coisas incríveis para fazer quando se é solteira. E calma lá que eu nem estou me referindo a sair pegando todos os caras que existem. Estou querendo dizer exatamente o contrário.

Estar solteira é poder fazer absolutamente o que quiser no fim de semana. Pegar o carro e descer pra praia sem dar satisfações, sair com as amigas para dançar e voltar de madrugada, ou simplesmente ficar em casa enfiada embaixo das cobertas vendo seu filme preferido pela milésima vez. É claro que também podemos fazer tudo isso quando estamos namorando, mas o gostinho sempre muda dependendo do nosso estado civil.

Porém, eu ainda acho que estar solteira é mais do que isso. Para mim, a maior vantagem de estar solteira é a autodescoberta que isso promove. É claro que ao nos relacionarmos com alguém também fazemos uma grande viagem dentro de nós mesmos, mas é quando estamos apenas em nossa própria companhia que desvendamos nossos maiores medos, inseguranças, e também descobrimos muitos dos nossos sonhos.

E não poderia ser diferente… Afinal, é na solidão que temos nossos momentos de maiores reflexões. Então, é claro que meu conselho não poderia ser diferente. Mulheres solteiras de todos os cantos, parem de se lamentar por não terem ninguém com quem dividir a xícara de café. Apenas vivam. Até porque se vocês querem tanto um “felizes para sempre” com alguém, é mais do que primordial terem um momento sozinhas antes disso. Só assim terão certeza de que estão plenas com si mesmas e prontas para dividirem uma vida quando encontrarem a pessoa certa.

Texto publicado originalmente no blog Para Preencher, nosso parceiro de conteúdo. Isso quer dizer que você vai encontrar textos do De Repente dá Certo por lá e textos do Para Preencher por aqui :)

Sobre visões nada a ver e ser solteira

Esses dias li uma frase que achei bem legal e me fez pensar em algumas coisas. Ela dizia: “Você chega em casa, faz um café, senta na sua poltrona favorita e não tem ninguém…Você decide se isso é solidão ou liberdade”. Esse texto podia ser sobre perspectivas e formas de se encarar determinadas coisas, mas não é. Esse texto é sobre relacionamentos, ou melhor, a falta de relacionamentos (amorosos, no caso). Eu não sei se é errado falar isso e, sinceramente, eu não sei nem se me sinto confortável em dizer, principalmente porque geralmente quando uma pessoa fica reafirmando uma coisa demais, na verdade ela acaba falando o contrário. Mas, para fins, digamos, de consistência textual, acho que vale a pena arriscar — Eu sempre achei que ser solteira tinha lá suas grandes vantagens. E sempre achei que não ter ninguém atrelado à você te abre um leque bem legal de possibilidades. Resumindo, ser sozinha tem um quê libertador que acho necessário pra qualquer pessoa, pelo menos em algum momento da vida. Só que no meu caso não é só um momento, ou pelo menos é um momento que busco prolongar muitas vezes. Não, eu não to desiludida com a vida ou com ninguém pra tá escrevendo esse texto e não, eu não sou revoltada-contra-casais-e-relacionamentos-só-porque-não-tenho-um. E também isso não quer dizer que quero morrer solteira e não quero me relacionar com ninguém nunca mais. Calma. Vamos por partes.

Conversando com uma amiga um dia desses sobre relacionamentos — e acho que vale a pena dizer que essa minha amiga pensa que nem eu e, sim, é solteira também, nós acabamos comentando sobre um conhecido que praticamente emendava um relacionamento no outro (quem não tem um(a) conhecido(a) assim que atire a primeira pedra). Mas o que mais encucava a gente é que esse conhecido pratica o que considero o fenômeno-da-pessoa-que-namora-pelo-simples-ato-de-namorar. As pessoas que aderem a esse fenômeno não namoram porque encontraram uma pessoa bacana e têm vontade de partilhar a vida com ela, mas sim porque simplesmente: 1. “chegou a hora” ou 2.“não aguentam ser solteiros” (tem também o 3. “estamos ficando há muito tempo e acho que temos que começar a namorar”, mas esse eu prefiro não comentar. Regras de etiqueta relacionamentais nunca foram muito o meu forte). Não vou me estender muito no motivo número 1 porque eu não tenho muito o que argumentar sobre isso além de não entender como se dá essa epifania da hora exata que se deve namorar, mesmo que seja com a primeira pessoa que surgir pela frente. Será que temos um timing biológico embutido tipo o do mito da idade certa pra engravidar só que pra relacionamentos? Que meio que nos avisa qual a hora certa pra largar as baladas hétero que tocam Oração? Ou será que o valor do saldo da conta corrente é diretamente proporcional à tomada dessa decisão? Fica o questionamento.

Mas é o motivo 2 que acho que me intriga mais. É que eu nunca entendi muito bem esse negócio de não aguentar ou sustentar uma vida de solteiro(a). E eu já ouvi isso de muita gente. Eu e minha amiga chegamos à conclusão que na verdade o que exatamente não se consegue sustentar é apenas uma pequena parte que as pessoas encaram como um todo. Ir pra balada todo final de semana, pegar todo mundo, despirocar geral e acordar de ressaca todo domingo podem fazer sim parte da sua vida de solteiro, mas ela não precisa se resumir a isso. Nós não somos uma seita que só aceita gente baladeira e despirocada e que caso você queira ficar em casa de boa vai levar advertência. E eu acho que é isso que muita gente não entende. E acha que pra poder ficar em casa, ir no cinema, comer umas coisas gostosas, fazer “coisas de casal”, você, necessariamente, tem que ser, bom… um casal. Porque se você é solteiro você não pode fazer essas coisas. Você tem que ir na balada que todo mundo tá indo. Você tem que postar a música Oração no snapchat (parei). Você tem que bombar seu insta. Você tem que dar pt quase todo mês. E você, principalmente, tem que pegar uma ou várias pessoas nesse meio tempo. E, realmente, se for pra ser assim, acho que ninguém sustenta. E eu digo ninguém mesmo.

Parece que recebemos um manual de instruções sociais que restringe o que você pode ou não fazer quando solteiro ou namorando. Só que não é assim. Ser solteiro também pode ser ficar em casa sozinha(o) vendo besteira na internet, vendo um filme/série debaixo do cobertor. Ser solteiro também é ir no cinema, é comer pizza no domingo, é ficar de boa. Você não precisa namorar pra fazer essas coisas. Assim como você também não precisa ser solteiro pra ir pra balada e beber todas.

Eu tenho uma amiga que namora há muitos anos e tem um relacionamento ótimo, e ela diz pra mim que ela precisa ter um me time pra fazer as coisas dela, ver Kardashians sozinha sem ninguém julgar etc. E eu acho que ser solteiro é ter me time 24h. Seja na balada ou em casa. Seja maquiada de salto 15 ou de pijama com a meia furada. É maravilhoso ser solteiro quando você entende que não é nada além de simplesmente ser você e fazer o que você quer. É maravilhoso namorar quando você entende a mesma coisa. Os dois podem ser ótimos, desde que aconteçam naturalmente, sem planejamento nem data e hora marcada pra fazer x ou y. Sem regras implícitas que você inventou na sua cabeça e acha que é o normal. E parar de deixar isso reger sua vida, como se seu estado civil determinasse todas as decisões e experiências que você deve ter. Calma, é só um rótulo pra organizar a galera. Você quem decide se é solidão ou se é liberdade.