10 coisas que eu aprendi sozinha na Bahia

Como toda boa sagitariana, a minha cabeça vai até Júpiter e volta em alguns rápidos segundos (ou fica por lá mesmo). Estou sempre pensando, planejando e sonhando com algum destino novo. A minha penúltima grande viagem foi para bem longe, para encontrar uma pessoa. Peguei um avião só, rumo a Europa. Essa última de agora foi para encontrar comigo mesma. Peguei um carro, dois aviões, mais um carro e uma van para Bahia.

E tudo aconteceu mais ou menos assim… Há um mês eu resolvi mudar alguns hábitos que estavam me incomodando muito. Muitas vezes a minha vontade de mudar ficava somente no mundo das ideias, eu acabava me enganando e procrastinando (sempre foi o caminho mais fácil). O famoso “ah, amanhã eu começo a fazer um exercício”, “vou parar de fumar na segunda”, “vou tentar acordar mais cedo e não sair nem beber durante o final de semana”. Quantas vezes eu já tardei o que eu tinha pra fazer? Algumas muitas vezes.

As minhas insatisfações andavam acompanhadas de um término de namoro e a minha nova vida de freela, trabalhando de casa. Trampar da minha casa não estava funcionando de forma alguma. Li um post de uma amiga no Facebook e acabei encontrando uma salinha charmosa com ótimas companhias de trabalho. – Esse foi o primeiro passo rumo ao mundo das não procrastinações. – O segundo passo foi parar com a desculpa que o meu barato nunca foi academia e que o resto é muito caro. Tomei vergonha na cara, peguei meu tênis cheio de poeira no fundo do armário (literalmente) e fui correr sozinha na praia. Eu nunca me imaginei correndo, sempre me achei a Phoebe desengonçada correndo com a Rachel naquele episódio de Friends. Mas aí que aconteceu a bela descoberta: eu amo correr – é a minha melhor terapia para estancar qualquer tipo de pensamento ruim ou problema. A historinha que esse tipo de hormônio te coloca pra cima, é verdade verdadeira. É uma das melhores sensações que eu já senti.

E foi aí que eu pensei: já dei o primeiro passo e consegui a minha sala, comecei a fazer exercício e consequentemente estava me alimentando bem melhor e aí? O buraco que tava faltando ser preenchido era a minha vontade louca de sair de casa e viajar sozinha. Não pensei em nenhum momento chamar uma amiga ou um amigo. Eu queria e precisava ir mesmo sozinha.

Achei um curso que parecia bem legal, chamado “Arte do Ser” em uma ecovila no sul da Bahia e fui. Foram 9 dias muito intensos e com muitos aprendizados que eu gostaria muito de compartilhar.

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1. Quer viajar? Não pensa muito, só vai.

(Com um planejamento financeiro incluído, claro). Se apegar demais no nosso conforto do lar e tudo o que já conhecemos com a palma da nossa mão nos prende. Nos limita em muitas coisas e oportunidades incríveis de conhecer a cultura do outro. Muitas vezes pensamos que para conhecer o mundo, é preciso sair do país. O Brasil é um mundão a ser descoberto. Já fui seis vezes para a Bahia e sempre tenho uma sensação de estar em casa.

2. Sair da zona de conforto é também respeitar os hábitos e crenças do lugar.

Fui para uma ecovila em que a água da pia era a mesma que a gente bebia e tomava banho. Ou seja, tudo o que era jogado pelo ralo ia imediatamente pro lençol freático da comunidade. Todos os produtos químicos eram fortemente proibidos. Não teve ninguém que olhou as minhas coisas, pelo contrário. A relação era na base da confiança e consciência. Se eu tomasse banho com o mesmo shampoo e sabonete que uso no Rio, eu beberia uma água com todos os componentes químicos que descartei. – Isso me fez repensar nos produtos que eu compro (e nunca li a embalagem) e a quantidade de lixo que produzo diariamente. (Principalmente os plásticos).

3. Estar e viajar sozinha é libertador.

Você não precisa de ninguém para te fazer companhia. Você é a sua melhor companhia. – e não é papo de auto ajuda! – E os livros! Não posso me esquecer deles. Consequentemente você vai acabar conhecendo novas pessoas. Eu tive a sorte grande de encontrar duas amigas durante a minha viagem e fiz outras amizades maravilhosas.

4. Auto conhecimento não é luxo.

Já ouvi de muitas pessoas, inclusive de amigos meus que terapia, análise ou qualquer coisa que seja focada para si próprio é “para poucos”. Não concordo, até porque acho que é uma coisa muito importante para levar para vida (e também para os nossos relacionamentos). Se escutar é muito raro, ainda mais no mundo cheio de informações e cobranças em que vivemos. Então de vez quando aperta um pause em todas as suas comunicações e olha pra dentro.

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5. Participar de uma roda de mulheres é transformador.

Eu nunca tinha participado de uma roda do sagrado antes. Éramos em vinte e quatro mulheres, contando com a Adriana, que facilitou lindamente a nossa noite. A apresentação era feita primeiro com o seu nome, o nome da sua mãe, irmãs, avós e bisavós. Ter falado o nome da minha família me emocionou muito. Lembrei do tamanho da força que elas tiveram e a grande importância e influência para mim.

Outro exercício muito interessante, foi contar uma história em silêncio, para uma menina que eu nunca tinha visto antes. Foram cinco minutos eu contando a minha história para ela (olhando nos olhos) e depois ela para mim. Foi muito bonito!

6. Tente ser presente no que você fizer e com quem você está.

É normal o nosso pensamento “passear” de vez em quando mas ter presença é muito importante. Se você estiver conversando com alguém, esteja com essa pessoa e não com o seu celular.

8. Trabalhe os seus medos.

Fui acumulando alguns medos durante os anos. (Quem não, né?) Dos mais bobos (medo de insetos) até os mais sérios (medo de lugar fechado ou com multidões). Enfrentei esses dois com muita paciência. Tanto que no final nenhum deles me importava mais.

9. A meditação cura muita coisa.

Eu demorei bastante tempo para entender qual meditação me identificava mais. Não foi uma descoberta imediata, eu tentei diversos tipos. – e entendi que a meditação em silêncio não funcionava. – Descobri e aprendi a Meditação das Rosas, que é uma ferramenta de limpeza energética e limpeza da aura.

10. Não tenha medo de demonstrar ou colocar pra fora as suas emoções.

Ter o ascendente em câncer nunca foi uma tarefa muito fácil no meu campo emocional. Sou muito sensível e em alguns momentos eu me censurei por isso. No meu tempo sozinha eu aprendi que não tem nada de errado com isso. Outro dia eu li uma frase que me encantou e lembrei muito disso: “some words build houses in your throat, and they live there. Content and on fire”. Acredito que ter voz liberta.

Se eu pudesse resumir os meus dez aprendizados e dar um conselho em uma frase só, ela seria “vire-se do avesso”.

Guia prático para curar dias ruins e/ou sair sozinha da bad

Arte por Shang Chengxiang
Arte por Shang Chengxiang

Vez ou outra a gente é agraciado com um daqueles dias que não deviam nem ter começado. Tipo desventuras em série. Você acorda se sentindo estranha, sai de casa sem o guarda-chuva e começa a chover, dá aquela treta master no trabalho, você briga com alguém que ama sem querer, seu celular quebra e tudo isso antes das três da tarde. Acontece. Eu passei uma vida inteira me sentindo muito sortuda por  raramente ter um dia tão ruim que me deixasse realmente na merda, mas recentemente passei por umas barras (alôu saturno) e comecei a sacar que não é tanto o dia ruim, mas a maneira como a gente reage a ele. Se você está numa fase ótima, dá aquela raivinha mas logo passa. Se você já está mais ou menos, esses contratempos tendem a parecer maiores e a te deixar mais mal do que deveriam.

 E daí eu percebi que um dia ruim podia levar a outro dia ruim, e logo eu perdia metade de uma semana feeling sorry for myself. Não é legal e pode escalar pra um quadro mais sério de ansiedade e até depressão, então eu desenvolvi um pequeno ritual pra cortar o mal pela raiz. Assim que me dou conta de que estou me entregando a um dia ruim, coloco esse pequeno plano em ação.

 Não quer dizer que ninguém esteja autorizado a curtir uma fossa master, daquelas em que você passa 48h sem contato com o mundo exterior pedindo pizza e não penteando o cabelo – essas fossas cumprem um papel –, mas é bom embarcar com parcimônia. Você pode inclusive usar o meu guia pra quando achar que já deu desse comportamento. Vamos? Então vamos.

 1) Arrume a sua cama. Mas arrume mesmo, como se estivesse fazendo isso pra outra pessoa, ou num hotel. Se possível troque os lençóis. Afofe os travesseiros, coloque aquela almofadinha bonita no meio, passe um pouquinho de perfume (lavanda!) na fronha. Daí deixa ela lá bonitinha pra mais tarde.

2) Arrume a casa. Não precisa ser a casa inteira, mas algum pequeno projeto de arrumação. Pode ser lavar a louça, se tiver muita acumulada na pia. Pode ser arrumar a sua gaveta de lingerie. Organizar uma parte do seu armário por cor (aproveita e já separa umas coisas pra dar). Algum projetinho que vá te deixar orgulhosa de si mesma ao final.

 3) Coloque uma música, acenda uma vela e tome aquele banho espetacular. Aquele banho que você toma quando tá de férias em hotel bacana. Aquele banho em que você deixa o shampoo agir por alguns minutos e o creme também. Em que você esfolia o pé. Enfim, um banho demorado e bem aproveitado.

4) Findo esse banho, você vai usar todos os cremes que tiver à sua disposição. Aqueles que você comprou e tem preguiça de usar, aqueles que você nem nunca experimentou, aqueles que você nem sabe pra que servem. As amostrinhas. Junte tudo e escolha um kit. Hidrate os pés, as mãos, os cabelos, o rosto, as olheiras, as unhas. Aproveita e faz aquela massagem gostosa em você mesma.

5) Se ainda houver tempo e disposição, finalize a sessão de cuidados com algo a mais: pinte as unhas, faça um babyliss ou uma escova, limpe as sobrancelhas, sei lá. Qualquer ritual de beleza que você curta e que vá te fazer sentir mais bonita ao final. Eu curto muito cortar as pontinhas do cabelo e depois secar com o secador – dá aquela ligeira mudada de cara.

6) Daí você vai botar o seu melhor pijama ou camisola ou hobbie. Pode botar uma roupa confortável que você ame também. Algo que você não usaria pra ficar em casa normalmente, ou que você só usa em ocasiões especiais.

7) Agora que você lembrou que é linda e poderosa e capaz de cuidar das suas coisas e de si, você vai se dar um brinde. Um drink pra quem é de drink (pra mim é vinho ou whisky), um beck pra quem é de beck ou simplesmente uma comidinha gostosa que você mesma pode preparar ou pedir. Ou os três. Nesses dias eu prefiro pedir  uma comida, pra me sentir mimada.

8) Acertada essa questão dos comes e bebes, você vai escolher uma forma de entretenimento que te acalme. Eu acho que nessas horas tem que ser uma coisa que você já ame e que te deixe de bom humor. Aquele filme favorito que você já viu mil vezes, aquele livro que você ama e sempre quis reler, aquela série da adolescência. Se for série, você pode puxar pela memória um top 5 dos episódios e assistir só esses, pra matar as saudades. Se for livro você pode ir procurando seus trechos favoritos e fotografando com o celular pra poder reler sempre. Se não estiver a fim de absorver nenhum conteúdo, você pode pegar uma folha, uns lápis de cor ou giz de cera ou whatever e rabiscar a esmo.

9) Antes ou depois dessa sessão de entretenimento (eu prefiro depois, com a mente descansada), você pega papel e caneta e faz uma lista de afazeres para o dia ou a semana seguintes. Isso ajuda a aliviar a ansiedade e vai te fazer dormir melhor.

10) Quando o soninho bater, sua cama incrivelmente bem arrumada vai estar lá te esperando para o sono dos justos, e eu tenho certeza que você vai ter quebrado o ciclo das bad vibes.

 Parece muito, mas nem é. Basicamente o que você precisa pra não perpetuar essa sensação de “I’m a loser baby” é lembrar que você consegue dar conta do seu entorno e de si mesma, que as coisas não estão tão fora de controle assim.