10 coisas que você aprende quando vai morar fora

1) O mundo é muito maior do que se imagina.

Claro que geograficamente falando você sabe que o mundo é enorme. Mas uma coisa é olhar o mapa mundi na aula de geografia, outra completamente diferente é ir andar pelo mundo, se aventurar por lugares novos, conhecer culturas diversas e expandir seu mundo interior cada vez mais. Quando se está acostumada a caminhar sempre pelos mesmos lugares, você já sabe o que esperar pelas ruas em que anda. Na primeira vez que fui pra Roma cheguei de noite e exausta, então eu e minhas amigas decidimos apenas andar pelas ruaszinhas perto do hotel procurando por um lugar barato para comer. As ruas eram simples, então eu não estava esperando virar uma esquina e dar de cara com o Pantheon e toda sua magnitude, me deixando completamente deslumbrada. O novo, inesperado e incrível te surpreendem e te mostram que existem muitas coisas boas escondidas pelo mundo.

2) Você vai conhecer muitas pessoas diferentes por aí.

Conhecendo lugares diferentes você inevitavelmente acaba conhecendo as pessoas que vivem nesses lugares. Dependendo para onde você for a língua pode ser um primeiro empecilho, mas você logo descobre que as pessoas reagem a um sorriso e bom humor. Além disso, existe brasileiro em qualquer lugar do mundo então você também acaba conhecendo amigo de amigo que conhece alguém, e quando você menos esperar seu grupo de amigos aumentou muito. Isso também proporciona potenciais colegas de apartamentos, como aconteceu comigo, e novos amigos que às vezes moram em outras cidades que você pode ir visitar e economizar na hospedagem. Minhas amigas do intercâmbio estão presentes na minha vida até os dias de hoje, então nunca se sabe onde você vai conhecer pessoas para a vida toda.

3) Morar sozinha/com amigas é muito bom, mas também dá bastante trabalho.

Sair de casa, mesmo que temporariamente, tem um lado bom e um ruim. Bom porque você passa a ser dona do seu próprio nariz, tem mais liberdade para fazer suas próprias escolhas como onde morar, como decorar seu quarto, o que cozinhar, deixar o quarto bagunçado ou não… Mas também é ruim porque você tem muito mais responsabilidades do que antes, como precisar ir ao mercado comprar comida, ter contas para pagar, lavar suas próprias roupas e, pior ainda, seus próprios lençóis. Eu mesma admito que talvez tenha trocado meu lençol menos vezes do que minha mãe teria trocado, e não tenho vergonha de admitir que não usei o ferro para passar minhas roupas nenhuma vez antes de usá-las. Era simplesmente mais trabalho do que eu queria, e a melhor parte era que eu não me importava nem um pouco com isso. Então, na minha opinião, por mais trabalhoso que seja morar sozinho, é algo que vale muito à pena.

4) A vida pode ser muito mais fácil.

Dependendo de onde for morar, você descobre o que é viver em um país onde as coisas funcionam. Onde os ônibus são pontuais e têm horários específicos para passar, o metrô funciona perfeitamente, é seguro andar pela rua com seu celular na mão, você pode deixar seu carro destrancado, não existe tanta burocracia difícil e sem sentido, e etc. A sensação de segurança ao andar de madrugada pela rua é algo que eu sinto falta até hoje depois de voltar para o Rio. Claro que existe perigo e assalto em qualquer parte do mundo, mas não existe a constante sensação de insegurança. Você se estressa com bem menos detalhes, sua vida muitas vezes é mais tranquila e segura, e quando você voltar para o Brasil vai ter muita saudade dessas pequenas coisas que fazem tanta diferença.

5) Viver com uma perspectiva diferente.

Quando nos acostumamos com uma maneira específica para as coisas serem, acabamos esquecendo que outras culturas têm costumes diferentes. Então quando você se imersa em uma cultura nova passa a enxergar tudo de uma perspectiva diferente. Desde coisas simples, como comidas diferentes, até hábitos novos, como, por exemplo, em algumas cidades na Espanha eles tem o costume de fazer ciesta, um horário de descanso pós-almoço. Eu, que sempre fiz tudo de tarde, levei algum tempo para me acostumar a fazer minhas coisas ou de manhã ou de noite, mas com o tempo passei a apreciar bastante o cochilo pós-almoço. Lá também passei por maus bocados com a polícia porque eu e minhas amigas estávamos a caminho de uma festa bebendo cerveja na rua, algo que é proibido por lá e não sabíamos. Por sorte quando os policiais descobriram que não éramos de lá foram legais e nos deixaram ir embora apenas com um aviso. Então também aprendi a importância de pesquisar um pouco sobre os costumes e, principalmente, as leis do lugar que você está indo antes de chegar lá.

6) Arriscar.

Quando se está em um lugar novo parece mais fácil arriscar. Você sente uma sensação de liberdade das expectativas alheias, como um ‘ninguém aqui me conhece, e daqui a pouco vou embora mesmo’. Isso se aplica desde puxar conversa com um desconhecido em uma festa, até comprar espontaneamente uma passagem de avião para um lugar desconhecido e exótico. Você fica com essa vontade/necessidade de aproveitar cada momento porque sabe que um dia o intercâmbio vai acabar e você vai voltar para casa, então acaba arriscando mais e, como consequência, vivendo, aprendendo e aproveitando muito mais. Algumas das minhas histórias e lembranças favoritas são de momentos em que eu pensei um ‘foda-se’ e arrisquei, como decidir ir em cima da hora para uma festa que acabou sendo incrível, até perder algumas aulas na faculdade porque eu preferi ir com minhas amigas para Londres no Natal.
7) Você vai sentir medo, mas vai superá-lo.

Ter medo é inevitável quando se está vivendo uma experiência desconhecida. Medo de não encontrar um lugar bom para morar, de andar sozinha de madrugada pela rua porque ainda não sabe se é seguro, de ir visitar um lugar novo, de viajar para algum destino exótico, etc. Medo é uma maneira de nos mantermos seguros, nos impedindo de fazer coisas que podem representar perigo. Se você sentir medo é preciso parar, respirar, analisar a situação, pedir ajuda se necessário e às vezes experimentar mesmo com medo, porque muitas vezes o perigo está apenas na nossa mente. Uma vez fiz uma viagem sozinha em que absolutamente tudo que podia dar errado, deu. Me lembro de, em um certo momento, estar à beira das lágrimas sem saber o que fazer para resolver os problemas e pensei que se tivesse ficado em casa tudo estaria bem. No fim das contas decidi não me preocupar tanto, arrisquei mesmo com medo e acabei tendo uma viagem maravilhosa.

8) Viajar é uma das melhores coisas do mundo, mas requer um certo esforço.

Eu não tenho dúvidas que viajar é incrível, mas também aprendi que muitas vezes dá muito trabalho. Principalmente se você está em um lugar onde consegue voos baratos para cidades incríveis, então acaba aproveitando e viajando bastante. Dá trabalho desde arrumar uma mala pequena porque não quer pagar super caro pelos quilos extras, até sentar em uma poltrona pequena e muito desconfortável, pegar voos em horários desumanos porque são muito mais baratos, caminhar muito pelas cidades, comer porcarias para economizar e gastar no bar à noite, ficar em albergues que não são exatamente como eram nas fotos do site… Viajar cansa, e não tem nada como dormir na sua própria cama, mas eu acredito que as vantagens com certeza superam o trabalho e o torcicolo, e as experiências que você vive se tornam ou aprendizado ou histórias engraçadas para se contar na volta.

9) Liberdade vem de dentro.

Liberdade é um sentimento, uma sensação incrível que você sente de leveza e independência. Muitas vezes ser livre fisicamente, como ir para um lugar novo, te ajuda a perceber que você precisa se sentir dessa maneira para verdadeiramente ser. Livre de preocupações, medos ou anseios, poder viver no presente aproveitando as coisas boas e superando as ruins, fazendo suas próprias escolhas e lidando com as consequências. É mais fácil sentir isso tudo quando se está em um lugar novo e diferente porque parece que as pessoas não têm as mesmas expectativas de você, e muitas vezes nem você de si mesmo. Essa sensação é viciante e, principalmente, interna. Então depois que se aprende a viver assim, é possível mantê-la mesmo quando você volta para casa.

10) Sua vida nunca mais será a mesma.

Depois de viver tanta coisa diferente, aprender tanta coisa nova, conhecer muitas pessoas e lugares incríveis, você com certeza não será mais aquela pessoa que chegou ali no primeiro dia. Seu mundo, sua mente, suas ideias estarão expandidas. Você muda e ao voltar para casa muitas vezes não se encaixa mais no mesmo lugar de antes, e isso não é necessariamente uma coisa ruim. Crescer, amadurecer e evoluir é inevitável e, principalmente, necessário. Viajar é apenas uma maneira mais intensa, rápida e maravilhosa disso acontecer.

De dentro pra fora

Foto por Jordan Hammond

Quando você está dentro você fica entediado, tudo costuma a ser igual e rotineiro. Estando fora tudo é tudo uma grande aventura, tudo é diferente.

Dentro é fácil se ver sem sentido, sem saber o que fazer da vida. Fora nem se pensa sobre o futuro, o que importa é o presente, um mês já parece muito distante.

Estando dentro você fica louco para estar fora, vê fotos de pessoas viajando e se imagina distante de onde está. Fora você se sente completo, submerso na sua liberdade e apreciando cada segundo que se ganha com esse presente da sua ausência do mundo real.

Dentro está a sua carreira, família, amigos de longa data. Fora estão todas as pessoas diferentes de outras culturas que você nem pensava em conhecer.

Dentro você acha que nada nunca muda, mas quando você volta vê que está tudo diferente: grupo de amigos que não andam mais juntos, pessoas que você esperava encontrar e não se importam com você mais, amigos que já estão andando com a carreira e você meio perdidão. Fora tudo acontece rápido demais, você muda anos em alguns meses, compreende mais sobre a vida e volta questionando tudo, volta inclusive sem saber o que tá rolando.

Dentro você tem o conforto da sua casa, o abraço da sua mãe, os conselhos do seu pai e brincadeiras do irmão. Fora as vezes você consegue se sentir mais sozinha do que nunca e isso ser maravilhoso e assustador ao mesmo tempo.

Dentro é fácil de perceber o choque da realidade, você vê que a sua volta não é nada com o que você pensou que seria e que as pessoas mudaram pra caramba separadamente de você. Fora não se percebe o quanto que a vida prossegue com a sua ausência, pois de repente a realidade rotineira é apenas um submundo do qual você escolheu fugir.

Dentro você tem que aprender o que é liberdade numa vida com regras. Fora você precisa aprender o que são as regras numa vida cheia de liberdade.

Dentro você precisa desapegar das coisas que você nunca vai ter. Fora você precisa desapegar das coisas que você tinha.

Dentro você necessita se encontrar. Fora é o mundo que encontra você.

Deserto do Atacama, onde o amor e a poeira se misturam

Atacama foi, sem dúvida, o lugar mais bonito que eu já fui. As paisagens são de tirar o fôlego (literalmente, por causa da altitude). Eu ficava uns 20 minutos olhando pra aquele horizonte infinito me perguntando como a natureza tem uma paleta de cores tão vasta e bonita. É como se fosse uma pintura que se move a cada segundo e, se você não estiver atento, pode perder o instante mágico das cores dançando entre o céu e a terra.

Essa é uma viagem legal pra fazer de casal ou com amigos, mas a galera tem que aguentar o pique.  Pra chegar até lá é chão, viu? Pegamos 3 voos e mais um ônibus até chegar na cidadezinha San Pedro de Atacama. Mas o caminho que o ônibus faz é maravilhoso e você já se sente curtindo a viagem. A cidade é muito pequenininha, com 5 mil habitantes, mas é MUITO aconchegante. O lugar é cheio de restaurantes fofinhos e CAROS, afinal é uma cidade que vive de turismo. Dá pra se hospedar no “centro” que é basicamente uma rua chamada “Caracoles” ou ficar um pouco mais afastado, que foi o nosso caso.

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Me emocionei na Cordilheira dos Andes

A viagem de carro pela América do Sul mal terminou e eu já sinto saudades. Tenho muuuitas coisas para contar. No último post, quase em tempo real, falei sobre Mendoza, na Argentina.

Logo depois, passamos pela Cordilheira dos Andes. Eu mal sabia o que estava me esperando. Esse foi um dos momentos mais marcantes do mochilão. A atravessamos para ir de Mendoza, na Argentina, até Santiago, no Chile. Santiago foi a primeira parada em território chileno.

A Cordilheira foi aparecendo aos poucos. Quanto mais subíamos e passávamos pelas curvas, mais nos assustava a paisagem incrível. É coisa de cinema mesmo. Tive que sair do carro e tirar umas fotos na estrada. Coloquei uma música do Wilco para tocar e fiquei muito emocionada.

Mas, não foram só flores. Eu tenho a pressão baixa e morro de medo de altura. Ao chegar na fronteira da Argentina com o Chile, estava tudo ok, tirando o frio. Saí do carro, preenchi os papéis da travessia e tudo mais. De repente, me senti tonta e depois disso, não lembro de mais nada.

Mas, caaaalma. Não era nada demais, porque logo depois, chegou um paramédico para me socorrer e disse que desmaiar naquelas condições era normal, já que eu tinha pressão baixa e me faltou ar no cérebro (hehe!). Foi uma aventura e tanto, coitada da minha mãe. Eu caí com um joelho no Chile e outro na Argentina. Nunca havia desmaiado antes e agora tenho noção do quanto é ruim! Cruiz!

Ao chegar no Chile, ainda na Cordilheira e depois de passar pela fronteira, está o famoso Caracol (Los Caracoles). É uma estrada literalmente em forma de caracol. SURREAL! É uma pena que pegamos ela no finalzinho do pôr-do-sol. Quem mandou desmaiar, né Marcella? Hihi. Tirei várias fotos mesmo assim. Não é difícil de descê-la e também não vi nenhum caminhão tirando o pé do freio.

Pegar estrada na Cordilheira dos Andes foi uma aventura a parte e merecia um post só dela. Espero que tenham gostado e não fiquem com medo, viu? É lindo demais!
Logo, logo, conto da chegada em Santiago e das pedras Lápis Lazuli maravilhosas que encontrei por lá!

 

4 curiosidades:

– O “Los Caracoles” é um conjunto de curvas somadas a um desnível de aproximadamente 670 metros. Nesse trecho não se deve passar dos 50 km/h nas retas e nas curvas dos 20 km/h.

– A fronteira da Argentina com o Chile, neste ponto, é um tanto quanto rigorosa. Enquanto na aduana entre Brasil e Argentina demoramos no máximo meia hora, na aduana Chilena ficamos por quase 1h30 (sem contar o meu desmaio, haha).

– Ainda na Argentina, está a Puente del Inca, um pequeno vilarejo que fica na margem da Ruta 7 e tem esse nome por causa da formação rochosa que forma uma ponte natural sobre o Rio Las Cuevas. Nela há o Hotel Puente del Inca, um hotel termal abandonado que foi inaugurado em 1.925 e desativado 40 anos depois.

– Ressalto que fomos no outono, então estava muito frio e a possibilidade de ver neve era enorme. Mas, o que mais me impressionou foi a mudança rápida de cenário. De repente, pluft! Você atravessa um túnel da Cordilheira e o visual é outro.

Esse texto é do site Sem Clichê, nosso novo parceiro de conteúdo! Isso quer dizer que trocamos textos e vocês podem ler um pouco de De Repente dá Certo lá e um pouco de Sem Clichê aqui! <3 

Sobre aquele mundo ao meu lado

Mais uma vez atrasada, corri pelo saguão do aeroporto buscando a porta 36 de embarque, cruzando 2 minutos antes de fechar. No corredor, a caminho da aeronave, avisto uma mulher que me tranquiliza pela calma e serenidade em que caminha, mostrando que não sou a única. Por coincidência a poltrona dela era ao lado da minha, na janela. Não trocamos nenhuma palavra, sentamos e logo ela virou o olhar fixamente para a janela, e dali não saiu mais. O voo durou um pouco mais de 5 horas, e foi a única coisa que ela fez. Passaram-se por nos pessoas de todos os cantos, falando diversos idiomas, e enquanto eu observava buscando entender o que se passava com cada um deles, ela continuava lá, intacta. Pensei em cutucá-la e dizer que foi sem querer, tentar puxar uma conversa, mas algo me dizia que aquele momento, apesar de parecer agoniante, era o tempo que ela precisava ter, era algo que ela precisava passar, um turbilhão de vida se passava ali, naquela reflexão, de dores, amores, desilusões talvez. Pensei se ela podia ter deixado seu coração para trás no momento em que embarcou, ou se ela estava indo de encontro a ele.

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L’equipée: 5 mulheres que viajam o mundo de moto

Assim que eu bati o olho nas fotos das meninas do L’ equipée, pensei “ah, é tudo uma super produção”. Eram mulheres francesas, lindas e produzidas para tirar fotos divertidas com motos. Ninguém anda de moto com bota de cowboy e roupas tão incríveis. Mas eu estava enganada e descobri isso só depois de encontrar com as meninas pessoalmente. Nossa entrevista foi em uma casa incrível na Gávea, onde a paisagem cheia de morros me deixou de queixo caído (é, eu ainda me surpreendo com as vistas que o Rio pode nos oferecer). Era a casa de um gringo francês que se apaixonou pelo Rio de Janeiro e agora usa a casa para hospedar pessoas do mundo todo e fazer festas.

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