Winebar pra ser feliz em Copacabana

Copacabana é sem graça até você começar a explorar as ruas e descobrir as mil coisas legais, inexplicáveis, interessantes, exóticas que você só vai encontrar por lá. Eu to me prometendo que vou fazer um tour em Copa e escrever tudo de maluco e incrível que eu encontrar. Ai, esse Rio de Janeiro sempre tem alguma novidade. Pra quem se cansou, uma dica: explore os lugares que você acha que conhece, mas não conhece.

Foi num desses passeios pelas ruas de Copa que descobri um Wine Bar perfeito pra quem vive na praia. Sofisticadíssimo, mas sem ter aquele ar blasê que eu não aguento. Uma escapatória daquele caos que é a rua dos bares na Bolívar. Amo-a-Bolivar, mas vamos combinar que às vezes é legal experimentar um lugar com mais requinte.

Cheguei esculhambada, porque não sabia onde eu ia terminar meu final da tarde. De sandália velha e shortinho, entrei e fui super bem atendida no Simon Boccanegra. O lugar é muito agradável, com música boa e gente bonita. As paredes são adegas climatizadas gigantescas com todo tipo de vinho que você pode imaginar. Fiquei pensando que meu pai ficaria louco ali, porque eu, sinceramente, não entendo nada de vinho. Pela primeira vez me dei ao luxo de provar um vinho mais caro do que eu costumo tomar. Trabalhei a semana inteira e é mais do que justo me dar um presente no fim de semana. Fico sempre entre os vinhos 20 e 40 reais, mas dessa vez, eu e minha amiga pedimos uma garrafa que custava por volta de R$ 90 reais e me surpreendi com a diferença. Isso é vinho de verdade. Por favor, não me peça pra lembrar o nome.

Pedi umas bruschetta de entrada e resolvemos que iríamos ficar por lá. O cardápio é cheio de pratos especiais, preparados pelo chefe da casa. Fiquei com água na boca só de ler. Achei esse lugar legal porque não é um restaurante, mas também pode ser. Não é um barzinho, mas também pode ser. Inclusive, eu adorei a opção de ficar sentada só no bar observando o barman que é um deus grego. Por um instante, me esqueci da comida… Minha amiga que tava comigo quase engasgou e a gente teve um crise de riso sem entender como poderíamos ser bobas nesse nível.

“Manda um bilhete pra ele, Mari. Fala o que você quer de bebida e pede o telefone dele”. Mais uma crise de riso. Escrevemos o bilhete juntas. Ela foi entregar. Recebemos de volta só o drink chamado “Acidez de Amelia” e um sorriso que ficou guardado na memória. “Ele deve ser comprometido”, concluímos pra não pensar em rejeição. Tudo bem. Mais um drink. Uma sobremesa de Parfait de açaí com calda de baunilha Bourbon pra fechar com chave de ouro e ir pra casa se arrumar pra festa.  “Vão ter outros barmen na festa”, mentimos pra nós mesmas e tivemos outra crise de riso.

Fechamos a conta e estávamos naquele estado meio bêbadas, meio animadas pra saída da noite. Amo esses lugares que a gente bebe no final da tarde e ainda está cedo pra aproveitar o resto da noite. Decidimos passar no supermercado, comprar umas cervejas pra gente tomar enquanto se arrumava.

Na saída do restaurante, um dos garçons chamou a gente e entregou um bilhete pra Mari. Um número de telefone e o nome da festa que a gente ia com um ponto de interrogação. Não era o barman, mas outro cara incrivelmente gato que a gente não tinha visto sorriu com uma taça de vinho de vinho na mão, do lado do bar. Há males que vem para o bem. E o winebar passou a ser nosso lugar preferido do mundo naquele dia.

Também publiquei esse texto na NOO.

Marcela Picanço

Criadora e editora do De Repente dá Certo! Este blog é um mapa de onde minha imaginação foi. Agora, o caminho é de vocês. Sejam bem-vindos! Pra saber mais é só clicar ali em cima no: "Quem escreve essas coisas?"